Arquivo para categoria Espiritualidade

SANTA EDITH STEIN – A TEOLOGIA DA CRUZ

Edith Stein

“o que vale a pena possuir, vale a pena esperar”

Edith nasceu em Breslau, então Alemanha, hoje Polônia, em 12 de outubro de 1891, numa família de judeus praticantes, última e predileta de 11 irmãos. Foi Uma criança dotada e sensibilíssima e muito cedo pressentiu ser chamada a um grande futuro, mas não sabia qual.

A sua era uma família piedosa e praticante da fé judaica.

Pelos 14 anos, mergulhou numa crise existencial e negou-se a continuar os estudos: “Foi o período no qual perdi a fé de minha infância e comecei, como pessoa autônoma, a rejeitar qualquer orientação, com plena consciência e por livre escolha; e perdi o hábito de rezar”.

Em 1911, foi uma das primeiras mulheres a se inscrever na Universidade de Breslávia. Era uma apaixonada pesquisadora da verdade. Não admitia verdade que não pudesse ser demonstrada.

Seguindo para Göttingen, tornou-se predileta discípula de Edmund Husserl, o grande filósofo alemão da época. Frequentou o curso de fenomenologia: aprende o método de por-se objetivamente diante dos Fenômenos. Deu grandes passos em sua busca da verdade do ser. Leia o resto deste post »

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SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Jesus revela seu Coração a Santa Margarida

O Filho de Deus veio ao mundo para revelar o amor de Deus Pai por todas as criaturas, sem perder nenhuma. Veio trazer-nos a mensagem da paternidade divina em sua infinita bondade e compaixão. É essa a mensagem central da Sagrada Escritura: Deus é amor.

Houve períodos da história cristã em que o acento da fé e da vida recaíram no medo de Deus, na justiça divina mais como vingança por nossos erros do que como justiça que nos faz justos gratuitamente.

Nessas horas o Senhor desperta homens e mulheres e lhes dá a graça de sentirem sua misericórdia, anunciando-a pela vida e pela palavra. No século 20 conhecemos a mensagem extraordinária da Divina Misericórdia através de Santa Faustina, que trouxe para a Igreja uma poderosa corrente de confiança no Senhor que nos salva. Também conhecemos a vida de São Padre Pio, que fez do confessionário sua tribuna. Leia o resto deste post »

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A TRINDADE SANTÍSSIMA – NOSSO DEUS

Domínio Público, via Wikipédia*

“É absurdo e impróprio pintar em ícones a Deus Pai com barba cinza e o Filho Unigênito em seu seio com uma pomba entre ambos, posto que ninguém viu o Pai segundo a Sua Divindade, que o Pai não tem carne […] e que o Espírito Santo não é, em essência, uma pomba, mas, em essência, Deus” (Grande Sínodo de Moscou, 1667).

Esta decisão da Igreja Ortodoxa Russa condenou a tendência de artistas russos que, de certo modo, estavam imitando a arte ocidental, deixando de lado os princípios canônicos que determinavam a forma e o conteúdo dos ícones. E, a Rússia já tinha oferecido à Igreja o ícone da Trindade Santíssima por obra do monge Andrei Rublev (1360-1430), e que se tornou modelo para os outros ícones. Rublev, canonizado pela Igreja russa em 1988, para sua obra prima teve seus dias de pura inspiração e, quando apresentou aos monges o ícone da Trindade, provocou um puro assombro: estavam diante de algo divino, jamais concebido por artista humano, e prorromperam num hino de louvor ao Deus Trindade, cuja beleza ninguém podia imaginar, mas que se revelara ao monge Rublev, na igreja do Mosteiro da Santíssima Trindade de Moscou.

A Trindade é um mistério – e sempre o será nesta terra. Às vezes, porém, nos são concedidos vislumbres da vida divina, e o ícone de Rublev nos permite espreitar brevemente por trás do véu que oculta o mistério.

Após prolongado jejum e oração, encontrou a inspiração no texto sagrado, em Abraão junto ao carvalho de Mambré e recebendo a visita de três homens: Leia o resto deste post »

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A MENINA QUE EXPLICOU A MORTE

menina-com-cancer

Esperávamos a paz, e construímos uma década de violência, de guerras. Países em guerras fratricidas no mundo árabe da Síria, do Iraque, do Oriente médio. Nações africanas em guerras internas, cujo único objetivo é a garantia do poder e do domínio sobre riquezas e populações. Em nosso mundo latino-americano sofremos a guerra pelo tráfico e pelos pontos de drogas. Nos países ricos assistimos a outra guerra, a da rejeição dos migrantes, dos fugitivos do mundo conflagrado que diariamente tentam encontrar novo chão, nova pátria, e encontram a expulsão, o desprezo a deportação.

Milhares de famílias abandonam sua terra e seus bens e atravessam fronteiras esperando alguma acolhida, mas são acolhidas pela ordem de retorno ao lugar nenhum, pela deportação. São consideradas peso morto, ameaça ao conforto dos países ricos. As famílias deixam de ser famílias: são mães abandonadas, crianças fugindo pelas estradas e ruínas, homens tentando salvar algum coisa, jovens deserdados da esperança. As imagens geradas por esses dramas quase não comovem, pois  a violência continua e as ruínas aumentam com destruições sempre maiores.

Mas, sem dúvida, o que mais nos fere são as imagens das crianças, das quais se rouba a infância e que são marcadas a ferro pelo vírus da violência, a ponto de não conhecer outro tipo de vida. Apesar disso, as crianças brincam, jogam bola, as meninas se fazem de professoras, realizando o milagre da  vida mas injetando no coração o sentimento da violência, pois foi isso que sempre viram e sentiram. Leia o resto deste post »

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ATEÍSMO, OU FAZER TEOLOGIA TOMANDO CHÁ

Os pobres - Vincent Van Gogh

Os pobres – Vincent Van Gogh

Foi no ano 2000. Dom Luciano Mendes de Almeida estava tomando um cafezinho e alguém lhe perguntou sobre a Igreja hoje. Sua resposta pronta: o problema é que aumentaram os teólogos e cada vez mais faltam teólogos santos. Essa lembrança me conduz a outra, à afirmação de Evágrio Pôntico, mestre de espiritualidade: “Se és teólogo, rezarás de verdade. Se rezas de verdade, és teólogo”. Um grande teólogo, portanto, é um grande mestre de espiritualidade e, também, a velhinha que passa o dia rezando, percorrendo as contas do rosário, é verdadeira teóloga.

A teologia é luz, a oração é fogo: o fogo gera a luz, a oração gera a teologia. Unindo as duas temos a união da inteligência e do coração.

Numa de suas meditações na Missa matutina em Santa Marta, Francisco se referiu às igrejas que, estando fechadas, não permitem ninguém entrar e o Senhor, que está dentro, não pode sair (17 de outubro de 2013). A inspiração lhe veio da palavra do Senhor: “Ai de vós, doutores da Lei, porque ficastes com a chave da ciência: vós mesmos não entrastes, e ainda impedistes os que queriam entrar” (Lc 11, 52). Os fariseus, doutores da Lei e sacerdotes julgavam que a chave do Templo lhes pertencia porque somente eles conheciam o sentido da Lei, da Torá. Achavam Jesus insuportável, pois não tinha passado pela escola rabínica e andava ensinando ao povo o caminho do Senhor. Sempre que podiam, o escorraçavam. A diferença entre eles e Jesus era que eles possuíam, de fato, o conhecimento, mas, em Jesus, o conhecimento do Pai era gerado pela oração, pela intimidade com ele. Jesus tinha o fogo.

De certo modo, as situações podem se repetir, e as vítimas são os pobres e os humildes que vivem uma fé simples como a de Jesus. Temos, sempre mais em abundância, os doutores que fazem teologia tomando chá, que fazem da teologia um meio de aumentar patrimônio, um modo de ganhar a vida. Conseqüência: a teologia se perverte em conhecimento, palavra é transformada em vaidade, passa a ser ideologia e se reduz a um repelente: espanta, afugenta o povo e distancia a Igreja do povo.

Os moralistas e teólogos ideologizados ficam às portas das igrejas para ver quem está preparado, isto é, quem está atualizado, moderno e pode afirmar que é cristão consciente. E ali, os pobres e humildes, os primeiros destinatários da Palavra, não têm vez, porque os doutores e mestres pastoralistas guardam a chave no bolso e cuidam para que a porta esteja fechada aos não entendidos, aos que não receberam “formação”. Agem diferente da ordem de Jesus: ide por todas a ruas, esquinas, trazei para dentro a todos, bons e maus.

Sua palavra forte é “conscientizar”, ensinar a agir, colocando no coração dos pobres e humildes que eles têm apenas superstição, tradição, necessitam de conscientização, isto é, sejam conduzidos a viver não seguindo Jesus, mas dominados por uma leitura da vida de Jesus. Serão salvos pelo conhecimento, pelos estudos.

A oração, causa e sustento da fé e da vida cristã

Numa conferência sobre a religiosidade popular, proferida em janeiro de 1976, Leonardo Boff afirmou que a teologia verdadeira é feita a partir dos devocionários populares da geração anterior, e uma teologia popular é a reflexão da vida de oração dos humildes. Na casa do pobre podemos não encontrar livros de teologia, mas, descobriremos antigos devocionários, com capas ensebadas porque milhares de vezes manuseadas pelas mãos trabalhadoras de mães e pais.

Papa Francisco, na Vigília de Pentecostes de 2014, no Encontro com os Movimentos, comentou sua palavra de que gostaria de uma “Igreja pobre e para os pobres”, e explicou que basta “sair para encontrar a pobreza”. Lamentou que hoje em dia encontrar um mendigo morto de frio ou fome pela rua já não seja uma notícia … Criticou aqueles que permanecem indiferentes a esta realidade, especialmente aqueles cristãos “que falam sobre teologia, enquanto tomam chá”. E completou: não precisamos de “cristãos de salão” neste momento na Igreja.

Esse tipo de cristãos iluministas, adeptos da higienização da fé, é fruto de um processo mental: transformar a fé cristã numa ideologia: não se é levado a ser discípulo de Jesus, mas ser um estudioso de Jesus. Não lhes interessa o Jesus encarnado de Nazaré, sua ternura, sua mansidão. É um caminho para o ateísmo, porque transforma a fé num modo de pensar, o anúncio em argumento.

Já no início do Cristianismo a Igreja sentiu o perigo do gnosticismo, das pessoas que preferiam o conhecimento à fé e se tornavam rígidos moralistas, sem a ternura tão característica de Jesus. A eles o apóstolo João ensinou: “o que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que as nossas mãos apalparam da Palavra da Vida,… nós vimos, testemunhamos e anunciamos” (cf. 1Jo 1, 1-4).

Por que tantas lideranças cristãs, bispos, padres, líderes e teólogos foram tomados por essa fixação na organização?  Francisco afirma, com muita simplicidade que, hoje, a causa disso é que o cristão não reza: “A chave que abre a porta da fé é sempre a oração e, quando não há a oração, sempre fechamos a porta”.

Podemos repetir que a teologia é luz, a oração é fogo. É o fogo que gera a luz, é o fogo da oração que torna o teólogo lâmpada a iluminar os passos dos crentes. Sem a oração, morre em nós a humildade, sentimo-nos mestres e doutores, superiores ao povo, nosso testemunho se torna testemunho soberbo e orgulhoso. Passamos a buscar a glória pessoal, nossa promoção.

Quem reza não se afasta da fé. O Senhor pediu que nunca parássemos de orar a fim de não perdermos a fé. Permanecendo humildes, teremos consciência de que a porta é o Senhor. Se somos evangelizadores, agentes de pastoral sem oração intensa, seremos apenas profissionais do Evangelho distraindo do caminho do Senhor em vez de sermos testemunhas do Senhor. O mundo necessita de testemunhas da fé, não especialistas em fé. Há tanta teologia na vida dos humildes quanto nos teólogos que dobram os joelhos.

Pe. José Artulino Besen

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