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10 – MAS LIVRAI-NOS DO MAL. AMÉM

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A primeira parte da Oração do Senhor é concluída com o pedido ao Pai: seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. E a conclusão de todos os pedidos é a súplica de cada um e de todos nós: mas livrai-nos do Mal.

Se fizermos a vontade de Deus, o Mal será vencido. O Mal, pai da mentira, sedutor, assassino, fez a morte ingressar na história ao conseguir seduzir Adão e Eva de que viver sem Deus seria viver sem o medo da morte. Com o mistério da encarnação e da redenção operadas pelo Filho, a morte foi vencida, sim, mas Satanás está no mundo querendo nos subtrair do amor de Deus e sujeitando-nos a seu poder mortal.

Na hora da agonia, Jesus pediu por cada um de nós: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (Jo 17, 15). Nascemos de Deus, fomos purificados do pecado pela graça, o que não quer dizer que estamos livres da tentação. Pelo contrário, ser filho de Deus é uma decisão contínua e o tentador quer destruir nossa filiação.

O Mal, que gera todos os males do mundo, não é uma figura poética: é uma pessoa, um anjo decaído cuja essência é o ódio. Deus é o Amor, o diabo é o Mal, um anjo sumamente perfeito no mal, combatente contra Deus.

A Igreja toda, unida à criação, suplica continuamente que sejamos livres do mal que a tudo destrói, querendo destruir toda a bondade. O papa Francisco nos alerta para a ilusão perversa de guerras religiosas: matar em nome de Deus, fazer guerra em nome de Deus parece zelo apostólico, e na verdade é apenas decisão diabólica, pois constrói um mundo de dor e destruição, um mundo de morte. Ele declarou, em Tirana: “O segredo duma vida bem sucedida é amar e dar-se por amor. Nela encontra-se a força de ‘sacrificar-se com alegria’ e o serviço mais exigente torna-se fonte duma alegria maior. Então as opções definitivas de vida deixam de meter medo, mas aparecem na sua verdadeira luz, como uma forma de realizar plenamente a própria liberdade”. Diferentemente dos enganos satânicos, aqueles que vencem as tentações vivem dessa alegria de doar-se, experimentam a verdadeira liberdade: amar, amar sem medida.

Vem, Senhor Jesus – liberta o mundo do mal

Recorda-nos Paulo: “O Senhor, que tirou o vosso pecado e perdoou as vossas faltas, tem poder para vos proteger e guardar contra as insídias do Diabo que vos combate, para que não vos surpreenda o inimigo que tem o hábito de engendrar a culpa. Mas quem a Deus se entrega não tem medo do Diabo. Porque “se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8, 31). A oração é contínua no suplicar “vem, Senhor Jesus” (Apoc 22, 20), que ele venha agora e sempre, pois somente sua vinda nos liberta do Maligno.

No pedido para a libertação do Mal igualmente pedimos para sermos livres de todos os males, presentes, passados e futuros do qual ele é o instigador. Nesse pedido, a Igreja leva até o Pai toda a desolação do mundo, implora o dom da paz e a graça de perseverar até a vinda final do Senhor que tem as chaves da morte e da morada dos mortos. Então a vida triunfará para sempre e o reino de Satanás será destruído em definitivo (cf. CIC 2854).

A Oração do Senhor é proclamada no início do rito da comunhão na Eucaristia. Para que sejamos livres de todo o mal, trocamos o abraço da paz e, mesmo indignos, recebemos o Corpo e o Sangue do Senhor. A redenção oferecida no Calvário se faz presente no Pão eucarístico, alimento de vida verdadeira.

O Senhor nos ensina o caminho do bem, fortalece-nos em nossa guerra contra Satanás, e vem ao nosso encontro com o Pão da Vida e da unidade, para que sejamos livres do pecado e de toda a perturbação enquanto aguardamos a vinda gloriosa de nosso Salvador.

Ele já veio, vem sempre que é suplicado, mas sempre necessitamos repetir: “Mas livrai-nos do Mal”. E assim poderemos dizer “Amém”, pois o Senhor é nossa vitória.

Pe. José Artulino Besen

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09 – NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO

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A história humana é construída pela resposta que damos à pergunta: a quem queremos servir, a Deus ou ao demônio? Queremos percorrer o caminho do Bem ou o caminho do Mal? Desde o Paraíso, quando nossos pais rejeitaram obedecer a Deus e preferiram ser como Deus, ocupando-lhe o lugar com a conseqüência do início a história da Vida e a história da Morte, a situação se repete em nossa vida pessoal, e a cada dia da vida: por quem decido apostar minha existência?

Nós andamos empenhados no combate “entre a carne e o Espírito”. Necessitamos que o Pai nos dê o Espírito Santo para não cairmos em tentação e ele, o Espírito, dá-nos o discernimento para julgar o que é bom ou mal, e a fortaleza para perseverarmos no bem.

O Pai, evidente, não nos quer no caminho da morte, ele nos quer no bem que é fruto da vida. Temos diante de nossos passos os dois caminhos, e a tentação pode nos seduzir para trilharmos o caminho do mal. Por isso, pedimos na Oração do Senhor: não nos deixeis cair em tentação, e a tentação é o impulso para mudar de caminho.

O Espírito Santo ensina-nos a discernir entre a provação que dá vida e a tentação que conduz ao pecado e à morte. Devemos também distinguir entre “ser tentado” e “consentir” na tentação: ser tentado é ser seduzido pela promessa de que podemos ser mais do que Deus, retirá-lo de nossa vida; consentir na tentação é agir na crença de que é melhor agir por conta própria, sem Deus, na ilusão de que o fruto proibido é “bom, agradável à vista, desejável”: por que não comê-lo? (Gn 3,6). No desejo de nunca morrer, aceitamos a opção da morte.

Jesus foi tentado no início e no fim de sua vida terrena: no deserto, o demônio ofereceu-lhe pão, sucesso, adoração (Mt 4, 1-11) e, no Getsêmani, o afastamento do Cálice da cruz (Mt 26, 36-46). No deserto, Jesus destrói a tentação com a Palavra de Deus e, na agonia do Horto, com a decisão de que se faça a vontade do Pai.

Viver no Espírito – um só é nosso Senhor

Somos humanos, e a fragilidade é parte de nossa condição, mas Deus vem em nosso socorro com o Espírito que nos fortalece. Assim como a massa de trigo é sovada, amassada para que dê um gostoso pão, também a tentação aumenta nossa resistência ao mal, dá-nos fortaleza à medida que aprendemos a vencê-la. Isso é um exercício da liberdade que o Senhor nos deu, e que ajuda em nosso autoconhecimento e em descobrir quem nós somos, nossa miséria. Deus não impõe o bem, quer seres livres.

É claro que cairemos em tentação se nosso coração tiver apetite pelo mal, enquanto que o não cair em tentação é decisão do coração: “onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração […] Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6, 21, 24).

Jesus venceu a tentação porque tinha jejuado, estava vigilante e de coração vigilante. A vida distraída é casa para assaltante. Pedimos ao Pai que guarde nosso coração para que o Espírito desperte-nos a viver em vigilância.

Pedir ao Pai para não cairmos em tentação é pedir a perseverança final: “Olhai que vou chegar como um ladrão: feliz de quem estiver vigilante! (Apoc 16, 15). Até nos últimos instantes da vida somos tentados pelo desespero: “e se tudo foi engano? Vivi sem viver, desperdicei os poucos anos”. É o Tentador com a última tentação: renegue a Deus que enganou você, berre um grito de protesto, blasfeme como desforra.

Pedir a perseverança final é fortalecer a esperança que derrota o Tentador, é nos entregarmos ao Pai a quem pedimos que não nos deixe cair em tentação.

Pe. José Artulino Besen

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08 – PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS

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ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO

Jesus Cristo se encarnou, morreu e ressuscitou pela remissão de nossos pecados. O perdão é garantido porque, no Filho, “nós temos a redenção, a remissão dos nossos pecados” (Cl 1, 14),  mas nos coloca uma condição: que perdoemos aos que nos ofenderam. A intensidade do perdão divino é proporcional à nossa reconciliação com todos, ao nosso pequeno perdão corresponde a imensidão misericordiosa do Pai.

Ao rezarmos “perdoai” estamos declarando nossa confiança no perdão divino, somos sempre o filho pródigo que retorna ao Pai, e o Pai sempre nos espera para revestir-nos do amor e da graça. Os sacramentos derramam sobre nós a água da misericórdia, mas não suprimem em nós a terrível liberdade de tornar a pecar, e Deus, em seu Filho, pode não nos perdoar, porque podemos não querer o perdão.

Na multiplicação de nossos erros, não desanimemos, mas lembremos as palavras consoladoras do papa Francisco: “Deus não se cansa de perdoar, nós é que nos cansamos de pedir perdão”.

Então, por que Jesus coloca uma condição nesse mar de misericórdia? O que tem entre nosso pequeno perdão, a pequena ofensa que nos foi infligida e a bondade divina? Por que perdoarmos? O amor é indivisível e formamos o corpo de Cristo, também indivisível. Como podemos amar a Deus, a quem não vemos, se não amarmos os irmãos a quem vemos? Recusando perdoar, nosso coração se fecha, endurece tanto que impede chegar a nós e ao próximo o amor do Pai. Quando perdoamos, a porta de nosso coração se abre e o Pai entre em nossa vida.

Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido

Somente Deus, que é amor, pode descer à nossa condição e dizer: “eu faço assim como vocês fazem”. Se eu perdôo, Deus perdoa. Diversas vezes o Evangelho nos coloca diante do “como”: sede perfeitos como o vosso Pai é perfeito (Mt 5, 48); sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso ((Lc 6, 36); amai-vos uns aos outros como eu vos amei (Jo 13, 34); perdoando-nos mutuamente como Deus nos perdoou em Cristo (Ef 4, 32).

Assim o Pai vai agir se cada um perdoar o irmão do fundo coração. Deus nos eleva ao aceitar nossas atitudes com nossos irmãos como condição para as ações dele. Claro, não é fácil perdoar e Deus sabe que não conseguimos deixar de sentir ou esquecer a ofensa, mas, se nos entregarmos ao Espírito Santo, ele purifica nossa memória e transforma a ferida em compaixão e muda as ofensas recebidas em intercessão por quem nos ofendeu.

A oração cristã vai até ao perdão dos inimigos e nos faz semelhantes ao Mestre que perdoou-nos todas as ofensas que recebeu. Deus quer que tenhamos somente uma dívida: a do amor de uns para com os outros. O perdão nos reconcilia, revela-nos a bondade de cada pessoa, e que todos necessitam de nossa misericórdia. Quem é perdoado adquire forças para organizar melhor sua vida.

A Eucaristia, onde todos comemos do mesmo Pão, é grande alimento de reconciliação e de unidade. Nela podemos fazer as pazes com Deus ao fazermos as pazes com os irmãos. A maior oferta para Deus é a nossa paz, a concórdia fraterna e um povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Pe. José Artulino Besen

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07 – O PÃO NOSSO DE CADA DIA DAI-NOS HOJE

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Na primeira parte da Oração, Jesus nos ensina a pedir ao Pai que saibamos glorifica-lo e fazer a vontade dele. Na segunda, nos dirigimos confiantes ao Pai pedindo que esteja conosco em todas as situações da vida. O “dai-nos” é um pedido confiante de filhos que tudo esperam do Pai que dá o sol e a chuva para justos e injustos (cf. Mt 5,45). Sabemos que, acima de tudo, ele é bom e sua bondade não exclui ninguém. Temos uma Aliança com ele: nós somos dele e ele é nosso, é Pai de toda a humanidade, e então pedimos por nós e por todos, também solidários com a humanidade.

Pedimos o “pão nosso” porque sabemos que ele deu-nos a vida e não deixará faltar o que for necessário para que a vida permaneça. Nós pedimos o pão nosso no abandono filial: o Pai quer que não vivamos ansiosos e preocupados, ao mesmo tempo conservando o compromisso com o pão. Tudo pertence a Deus, nada faltará àquele que possui a Deus. Nossa súplica não é egoísta, intercedendo apenas para mim ou para os meus, porque pedimos para nós todos, comprometidos em nossa vida com a solidariedade efetiva com os que passam fome. Um cristão sente-se membro da família humana e, pedindo o pão nosso, lembra a parábola do Pobre Lázaro e do Juízo final, quando o julgamento será pela partilha do pão (cf. Lc 16, 19ss; Mt 25, 31ss). O cristão sabe que não há mundo justo sem homens e mulheres que queiram ser justos: pedimos o pão para repartirmos o pão.

Não só de pão vive o homem

O pão nosso de cada dia é o pão do hoje que o Pai hoje nos dá: queremos que todos sejam felizes e fraternos hoje, não acumulando para repartir depois. O dia de hoje é o dia de nossa vida, nossa vida é cada dia. Ao pedir o pão que dá a vida física temos presente outro pão, cuja falta causa a morte a muitos: o pão da Palavra que sai da boca de Deus (cf. Mt 4,4). Há uma grande fome na terra que “não é fome de pão nem sede de água, mas de ouvir a Palavra do Senhor” (Am 8,11). A súplica do pão de cada dia não pode ser separada do Pão da Vida que é a Palavra de Deus e o Corpo de Cristo recebido na Eucaristia. Quem comer desse Pão não terá mais fome nem conhecerá a morte, porque estaremos recebendo o Senhor ressuscitado.

Comendo o pão que brota da terra e do trabalho humano sustentamos a vida e, participando da Eucaristia, criamos a vida em comunhão gerada pela unidade no Corpo de Cristo. O Senhor conhece a nossa fome de vida em plenitude e nos oferece o Pão vivo e verdadeiro que devemos pedir ao Pai a cada dia, para nós todos.

Somos peregrinos que buscam a casa do Pai e, em nosso alforje, carregamos o pão e o Pão, a mesa do alimento e o banquete da Eucaristia. Sabemos que o Pai nos dá tudo para vivermos com alegria o caminho por onde não vamos sozinhos, mas acompanhados de todos os filhos e filhas de Deus.

Pe. José Artulino Besen

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06 – SEJA FEITA A VOSSA VONTADE

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU

014Muitas vezes São João XXIII repetia que “a vontade de Deus é minha alegria”, “a vontade de Deus é a nossa paz”. O Senhor incluiu a vontade do Pai ao final da primeira parte do Pai Nosso, o pedido da vontade do Pai na terra e no céu, na Igreja celeste e na Igreja terrestre. Todos nós levamos a sério fazer a vontade de Deus, viver em feliz obediência de filhos, mas enfrentamos o risco da derrota porque tentamos faze-la sozinhos, o que é impossível em nossa fragilidade pecadora.

A vontade de Deus não é regra de comportamento, é mais bela: a vontade do nosso Pai é “que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 3-4). A verdade suprema de Deus a nosso respeito é que nenhum de nós se perca e isso será realizado quando vivermos o seu mandamento: que nos amemos uns aos outros assim como ele nos amou. O mandamento do amor faz novas todas as coisas e restaura tudo em Cristo. O amor se estenderá pelo céu e pela terra, de Jesus desce até nós e de nós se propaga por todas as criaturas e por toda a criação.

Suplicar ao Pai que sua vontade seja feita é suplicar que seu plano de amor seja realidade, para que o amor que há no céu se complete também na terra: a imagem de Deus será refletida em cada um de nós e tudo cantará a glória do Senhor.

A Carta aos Hebreus afirma que a missão de Jesus na terra foi realizar a vontade de Deus: “Eu venho, … ó Deus, para fazer a tua vontade” (Hb 10,7). Fazer a vontade do Pai foi seu compromisso e, no Getsêmani, reafirmou que sua vontade era a vontade do Pai. Sua oração pediu que o Pai afastasse o cálice da amargura, mas, que a vontade do Pai fosse a sua vontade (Lc 22,42). Ele se colocou nas mãos do Pai porque, em unidade com ele, queria ser o redentor do mundo e dos homens e, naquela hora, fazer a vontade do Pai era oferecer-se totalmente por nós. 

Orar unidos com Jesus

Cada vez que Jesus rezou a sua Oração aprofundava a decisão de assumir a vontade de Deus. Ele experimentou também que obedecer supõe sofrimento, pois deixar a própria vontade para cumprir a vontade divina somente é possível carregando diariamente a renúncia a si mesmo, não olhar para trás, assumir a cruz.

Cristo obedeceu por ser Filho, e nossa vocação é também sermos filhos para que depois sejamos irmãos. Ao nos ensinar a rezar como ele rezava quis que, unidos totalmente a ele, sejamos também filhos: ser filho no Filho, numa unidade misteriosa, obra da graça. Quando rezo para que a vontade de Deus seja feita na terra e no céu eu estou unido a Jesus na mesma prece e nossas orações unem-se totalmente: Cristo reza em nós, e nós rezamos em Cristo. Sem essa unidade, somos impotentes para colaborar com Deus Pai na transformação de nossa vida e da história do mundo.

É o Espírito Santo que torna possível a oração verdadeira, pois também ele reza dentro de nós. De modo todo especial, o Espírito nos livra de ilusões piedosas e de confusões: somente ele nos ilumina para reconhecermos de verdade a vontade do Pai.

Nossa oração é universal, inclui todo o mundo, a terra e o céu. O povo unido a Cristo na oração é o céu e a terra unidos no mesmo pedido, para que a vontade do Pai encontre o campo aberto para a chegada de seu Reino. E, na Eucaristia, essa oração produz comunhão plena: comungamos o Filho, Pão que o Pai nos oferece para fazermos sua vontade.

Pe. José Artulino Besen

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05 – VENHA A NÓS O VOSSO REINO

006Ao pedirmos ao Pai que “venha a nós o vosso Reino”, incluímos três realidades: o Reino de Deus, Jesus Cristo, a vinda final do Reino de Deus.

Os evangelhos insistem que o Reino de Deus está próximo e que a nossa resposta é a conversão e a fé. Por Reino de Deus entendemos a vida e o cosmos, toda a realidade vivida e respeitada segundo o plano divino, na recuperação do “tudo era muito bom” quando o Senhor terminou a obra da criação. A conversão ao Reino inclui nossa resposta vital à palavra de Jesus.

O Reino de Deus está próximo de nós através do Verbo encarnado, veio na morte e ressurreição de Cristo, vem na Eucaristia e, desse modo, está no meio de nós, e virá na glória quando Cristo entregar tudo ao Pai. Assim, ao mesmo tempo que pedimos que venha o Reino, nós o sentimos próximo, sabemos que já veio e esperamos a vinda final.

Devemos ter presente em nossa vida e oração que o próprio Cristo é o Reino de Deus, pois nele se realiza todo o plano do Pai. Caminhando pela Palestina, anunciando o Ano da Graça, Cristo é o Reino de Deus anunciado e vivido e assim, quando ele se refere ao Reino de Deus próximo está afirmando: ‘crede em mim, eu sou o Reino de Deus, minha Palavra é a palavra do Reino, minha obra é o Reino tornado visível na cura física, no pecador acolhido, no pobre alimentado, na paz obtida pela reconciliação, na morte vencida pela sua ressurreição e na ressurreição oferecida’.

Vem, Senhor Jesus

A mais antiga oração cristã é o “Marana Tha”: o Cordeiro declara “Sim, eu venho em breve”, e o Espírito e a esposa suplicam: “Marana Tha – Vem, Senhor Jesus!” (Apoc 22, 20). Nossa vida é alimentada pela esperança da vinda do Senhor. São tantos os problemas, tanta a dor e a divisão que ardemos pelo desejo da vinda do Senhor, tendo a alegria de que cada Eucaristia já é vinda e súplica: Cristo está em nosso meio no Pão e no Vinho, mas pedimos “Vinde, Senhor Jesus!” para que o mundo seja transformado e nossa santificação se realize plenamente.

Não somos alienados e acomodados, pedindo que Deus realize por nós o que nós devemos fazer: a graça é dada, a colaboração humana é necessária. Pelo empenho cristão a justiça, paz e alegria no Espírito Santo já se fazem presentes no mundo (cf. Rom 14,17) e combatemos o bom combate para “que o pecado deixe de reinar em nosso corpo mortal” (Rm 6, 12). O esforço por uma vida pura e santa nos torna capazes de pedir ao Pai: “Venha a nós o vosso Reino!”. E o Espírito Santo não permite cairmos no engano de julgar que o progresso material e cultural já é o Reino realizado, porque ele vai muito além, nossa vocação é a vida eterna.

Ao rezarmos o Pai-nosso antes da Comunhão eucarística temos atendida essa súplica, porque Cristo vem e, no Espírito, produz em nós frutos de vida nova.

Pe. José Artulino Besen

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04 – SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME

022Para vivermos esse pedido com mais intensidade é importante rezarmos com Jesus sua Oração sacerdotal: “Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um, como nós somos um” (João 17, 1-11).

O Nome de Deus é santo, em Deus tem origem toda santidade: pedimos ao Pai que seu nome nos santifique no amor para que nós sejamos santos, perfeitos. Há um compromisso: santificar o nome em nós e santificarmos seu nome no mundo. A santidade não se esgota em nosso ser, mas deve se expandir por toda a criação.

O que vem de Deus é santo e, desse modo, todas as criaturas participam da glória de Deus: plantas e animais, seres vivos e inanimados, tudo canta a glória e o esplendor de Deus. De modo único, o homem e a mulher, feitos à imagem e semelhança de Deus, têm a vocação de santificar tudo e todos. Com o Salmista, maravilhados por tanta beleza, nós proclamamos: “Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso vosso nome em todo o universo!” (Salmo 8, 1) e perguntamos: diante de tanta beleza, por que, Senhor, coroastes o ser humano de honra e glória, confiando-lhe todas as coisas?

Pelo pecado, a morte fez ingresso no mundo e fomos privados da glória de Deus, que não se esqueceu de nós: num grande plano de salvação através da história, continua a revelar seu nome, para restaurar o homem à imagem de seu Criador (cf. Cl 3, 10).

Toda a Escritura é revelação do nome de Deus, que permanece fiel a seu plano de salvação. O patriarca Abraão recebeu de Deus um juramento de fidelidade; no cativeiro do Egito, Deus revela seu nome a Moisés: “Eu sou”, isto é, vocês me conhecerão através de minha manifestação em sua história. “Eu sou” é eterno presente e, com esse nome, Deus estabeleceu a Aliança do Sinai: o povo será seu povo, constituirá uma nação santa, porque Deus habita nela.

Todos juraram fidelidade, mas o único fiel é Deus, porque a história humana é história de infidelidade. Um pequeno povo, o resto de Israel, permaneceu fiel, um povo de pobres que arderam de paixão pelo Nome. Através da ação do Espírito, Deus colocou em cada um a espera de um Salvador, que revelaria em plenitude seu nome. Em meio a sofrimentos, pecados, infidelidades, os Profetas continuamente animam o povo a reerguer-se, denunciam os pecados e, ao mesmo tempo, anunciam o Messias.

Jesus revela o nome de Deus: o Pai

No tempo previsto, Deus enviou o Salvador: muito menos do que esperavam, pois não era rei nem chefe, e infinitamente mais do que podiam esperar: era o Filho de Deus, feito carne em Maria e que nos manifestou o nome de Deus: o Pai.

Jesus nos regenera, restaura, na água do Batismo: somos “purificados, santificados, justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus” (1Cor 6, 11). O Pai nos chama à santidade, que nos é comunicada por Cristo, de modo que nossa vocação é santificar seu nome em nós e por nós.

Escutamos o Pai que nos diz: “sede santos, porque Eu sou santo”. Santificados no Batismo, todos os dias temos de pedir a perseverança em nossa filiação divina; incorrendo em faltas, renovamos o pedido para que sejamos purificados e a santidade permaneça em nós.

Ensinando-nos a rezar, Jesus mostra que depende da nossa vida e da nossa oração que o nome de Deus seja santificado entre as nações. Pela santidade, Deus salva e santifica toda a criação e conta com nossa atuação: se agimos bem, o nome de Deus é bendito; mas é blasfemado se agimos mal: “O nome de Deus é blasfemado entre as nações, por causa de vós” (Rm 2, 24).

“Santificado seja o vosso nome” é o pedido que inclui todos os outros pedidos: se Deus é santificado em nós, seu nome é santificado em todos. Fazemos esse pedido “em nome” de Jesus, isto é, rezamos com ele e nele para a glória do Pai e a salvação da criação.

Pe. José Artulino Besen

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