SÃO MAXIMILIANO MARIA KOLBE

São Maximiliano Kolbe – sacerdote e mártir

Nasceu em Lodz, na Polônia, em 8 de janeiro de 1894. Seus pais, Júlio Kolbe e Maria Dabrowska, eram tecelões bem de vida, que trabalhavam em casa com equipamentos teares próprios.

Em 1907, junto com o irmão Francisco deixou a casa paterna iniciando a provação junto aos frades menores conventuais em Leópolis onde, em setembro de 1910 vestiu o hábito religioso. Após o ano de noviciado e de estudos humanísticos foi enviado a Roma onde, de outubro de 1912 a julho de 1915, cursou filosofia na Universidade Gregoriana, seguida da teologia no Colégio Seráfico romano. Por motivo da guerra, passou um tempo em São Marinho, país neutro.

Em 17 de outubro de 1917 fundou a associação “Milícia de Maria Imaculada”, em 1922 erigida como “Pia União”, cujo fim era buscar a conversão dos pecadores, hereges, cismáticos, infiéis e especialmente maçons e a santificação de si próprios e de todos sob o patrocínio da Bem-aventurada Virgem Maria Imaculada e medianeira, assim ele mesmo definiu no redigir os estatutos.

Em 28 de abril de 1918 foi ordenado sacerdote e desejou celebrar a primeira Missa no altar do milagre na igreja de Santo André. Retornando à Polônia, contagiou-se com tísica e teve de passar quatro anos num sanatório vizinho a Zakopane. Em janeiro de 1922, o jovem Kolbe fundou uma revista mariana com o título significativo de “Milícia da Imaculada”, e assim constituir os fundamentos das futuras “Cidades da Imaculada”. A primeira dessas cidades surgiu em 1927, a 40 quilômetros de Varsóvia: era casa editora, a grande tipografia, as casas para os operários, as oficinas, ao todo mais de mil pessoas, a serviço da difusão do culto de Maria no mundo. Das 22 mil cópias em 1922, a revista chegou a ter mais 750 mil espalhadas por todo o mundo. Kolbe pensava em difundir sua obra nos países mais distante. Não por acaso, a segunda “Cidade da Imaculada” surgiu no Japão.

Em 1º de setembro de 1939, com a invasão da Polônia pelas tropas nazistas, estourou a segunda Guerra mundial. A “Cidade da Imaculada” estava exposta à rapidíssima invasão das tropas alemãs e, por isso, a prefeitura de Varsóvia ordenou a imediata evacuação de todos os seus habitantes. Kolbe reuniu os seus e ordenou a todos de salvar-se nos locais mais seguros. Ele ficou permaneceu no posto e se apresentou às tropas alemãs que prenderam as cinquenta pessoas restantes que, após uma caminhada de três dias foram internadas no campo de concentração de Amtitz. Mas, três meses depois foi-lhes permitido retornar à “Cidade da Imaculada”. Kolbe e a comunidade abriram aquelas casas aos doentes e vitimados pela guerra. Foi possível editar um número da revista, onde Kolbe publicou seu último artigo, no qual suplicava à Imaculada para que trouxesse uma paz sempre mais profunda ao mundo.

O Cavaleiro da Imaculada

Em 17 de fevereiro de 1941, o epílogo dramático: a Gestapo invadiu a “Cidade” e prendeu o Pe. Kolbe e outros quatro padres mais anciãos. A motivação foi a mesma que provocou milhões de deportados: a Polônia deveria ser purificada de todos os elementos que com sua profissão pudessem enfraquecer o front interno.

São Maximiliano Kolbe – só o amor é forte

Maximiliano Kolbe foi internado na prisão de Pawiak na noite de quarta-feira, 28 de maio, quando chegou ao campo de concentração de Auschwitz com outros 320 prisioneiros. Na primeira noite ficaram trancados na sala de ingresso do lager, oito metros por trinta. Na manhã seguinte foram despidos e lavados com fortes jatos de água gelada. A todos foi entregue um macacão com um número, e o de Pe. Kolbe era 16670. Foram colocados no barracão 17 dos trabalhos forçados, num primeiro tempo para a construção de um muro ao redor do forno crematório, e depois de uma semana empregados no corte das árvores num bosque distante quatro quilômetros do barracão 17. Foram duas semanas de esforços incríveis, sob as contínuas humilhações dos carcereiros. Doente de pulmonite, terminou no hospital por três semanas e em seguida foi colocado no barracão número 12, o dos inválidos. Pouco tempo depois, Pe. Kolbe foi novamente colocado no barracão dos trabalhos forçados, o famigerado n.14.

Em julho de 1941 um dos prisioneiros desse bloco, o 14, conseguiu fugir: como represália, dez prisioneiros dessa unidade foram condenados a morte pela fome. Esperou-se ainda um dia para continuarem as buscas pelo prisioneiro fugido do lager. Na manhã seguinte, após a chamada, na ausência do fugitivo, o bloco 14 não foi mandado para o trabalho, mas deixado sob contínuo sol quente, por todo o dia. Ao anoitecer, o comandante do campo anunciou aos prisioneiros a sentença e escolheu dez deles para a morte. Frente ao desespero de um dos dez, o pai de família Frank Gajowniczek, Pe. Kolbe deu um passo à frente e ofereceu-se em lugar dele, salvando-o. Os dez foram conduzidos ao bloco n. 13, localizado na parte direita do campo e circundado por um muro de seis metros de altura. No subterrâneo ficavam as celas dos condenados, algumas delas sem janelas. Ao final da terceira semana eram poucos os sobreviventes, entre eles o Pe. Kolbe. Uma injeção de ácido muriático encerrou a vida dos mártires; era 14 de agosto de 1941.

 
São Maximiliano Kolbe – mártir da caridade

O secretário e intérprete do chefe alemão no subterrâneo da morte, Bruno Borgowiecz, assistiu os últimos momentos: “… os pobres condenados morriam um depois do outro, tanto que ao final da terceira semana restavam somente quatro, entre os quais o Pe. Kolbe. Isso deu à autoridade a impressão que era tempo demais, as celas eram necessárias para outras vítimas… O Pe. Kolbe, com a oração nos lábios, ajudou o carrasco na aplicação da injeção mortal…. Tendo saído o SS com o carrasco, retornou à cela, onde encontrou o Pe. Maximiliano sentado, apoiado na parede, com os olhos abertos e a cabeça inclinada. Sua face, serena e bela, estava irradiante”. Pe. Maximiliano Maria Kolbe estava na pátria celeste, em Deus.

Papa São Paulo VI o declarou bem-aventurado em 17 de outubro de 1971. São João Paulo II o canonizou em 10 de outubro de 1982. Um processo rápido, apenas 42 anos após seu martírio.


Pe. José Artulino Besen

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