4. O Cristo

O mistério da encarnação do Verbo possui em si o sentido de todos os enigmas e de todas as figuras da Escritura e a ciência das criaturas visíveis. Quem conheceu o mistério da cruz e do sepulcro conheceu o sentido das coisas que foram ditas. Quem foi iniciado na indizível potência da ressurreição conheceu a finalidade pela qual Deus no princípio fez existirem todas as coisas.

Máximo o Confessor,
Sobre a Teologia, 1,66

O grande mistério da encarnação permanecerá sempre um mistério, não somente porque, manifestando-se em medida proporcionada à capacidade daqueles que foram salvos por ele, ultrapassa aquilo que dele ainda não foi visto em comparação com aquilo que foi manifestado, mas também porque o que foi manifestado permanece ainda inteiramente escondido, pois ainda não foi conhecido como é na realidade.

Não seja estranho o que digo. Deus, sendo além da essência e transcendendo toda supra substancialidade, quando quis vir em uma essência, nela entrou num modo que a transcen

de. Por isso, enquanto amigo do homem, mesmo transcendendo o homem, fez-se verdadeiramente homem assumindo a substância humana, mas o modo pelo qual se fez homem sempre continua não revelado, porque tornou-se homem transcendendo o homem.

Máximo o Confessor,
Sobre a Teologia 3,12

A encarnação de Deus, que faz o homem deus, na medida em que Deus se fez homem, é motivo de esperança firme na deificação da natureza humana. Aquele que se fez homem sem pecado (cf. Hb 4,15), certamente divinizará a natureza sem transformá-la em divindade e a elevará através de si mesmo tanto quanto se abaixou por causa do ser humano.

Máximo o Confessor,
Sobre a Teologia 3,62

As palavras da oração [do Senhor] contém o pedido que tudo aquilo que o Verbo de Deus realizou mediante a carne quando se esvaziou a si mesmo (cf. Fl 2,7); elas nos ensinam a participar daqueles bens que somente Deus e Pai, através da mediação natural do Filho, no Espírito Santo pode conceder, pois o verdadeiro mediador entre Deus e os seres humanos, como diz o divino Apóstolo (cf. 1Tm 2,5), é o Senhor Jesus.

Através da carne ele torna manifesto aos seres humanos o Pai que não conheciam (cf. Jo 14,9) e faz aproximar do Pai os homens e mulheres nele reconciliados mediante o Espírito (cf. Ef 2,18), ele que se fez homem sem mudança, para os homens e por causa deles.

Tornou-se autor e mestre de muitos e novos mistérios tão numerosos que a razão não consegue abraçar-lhes a multidão e a grandeza. Destes mistérios que concedeu aos seres humanos na sua extraordinária generosidade, sete surgem mais abrangentes do que os outros e é deles que a oração, como disse, contém misticamente o sentido: a teologia, a adoção filial pela graça, a igualdade com os anjos, a participação na vida eterna, a restauração da natureza feita nova na impassibilidade, a libertação da lei do pecado, a destruição da tirania do malvado que nos dominou pelo engano.

Máximo o Confessor,
O Pai nosso

Quem pode em parte conhecer a graça do santo Evangelho e o que ele contém, quero dizer, as ações e os ensinamentos do Senhor, seus mandamentos e sua doutrina, as ameaças e as promessas, esse sabe que tesouros inexauríveis encontrou, mesmo que não possa deles falar como deveria, pois as coisas do céu são inexprimíveis.

Cristo, de fato, está escondido no Evangelho e quem quiser encontrá-lo antes de tudo deve vender todos os seus bens e comprar o Evangelho para poder encontrar Cristo não só com a leitura, mas também recebê-lo mediante a imitação de sua vida no mundo.

Quem procura Cristo, diz Máximo o Confessor (Sobre a Teologia 2,35), não deve procurá-lo fora, mas dentro de si, tornando-se corpo e alma sem pecado como Cristo, naquilo que é possível ao um ser humano, e proteger com todas as suas forças o testemunho da consciência (cf. 2Cor 1,12) para reinar sobre sua vontade e dominá-la com o desprezo, mesmo quando seja pobre e privado de nobreza segundo o mundo.

Pedro Damasceno

Qual é a finalidade do plano de Deus que é a encarnação de Deus Verbo anunciado em toda a divina Escritura e lido por nós, mas não reconhecido? Não é, talvez, fazer-nos partícipes do que é seu, depois de ter-se feito partícipe daquilo que é nosso?

O Filho de Deus tornou-se filho do homem para tal fim, para fazer-nos filhos de Deus, por graça elevando a nossa raça àquilo que ele é por natureza. Gerou-nos do alto no Espírito Santo e imediatamente nos introduziu no reino dos céus ou, mais ainda, deu-nos o dom de ter o reino dos céus dentro de nós (cf. Lc 17,21) de forma que não esperamos nele entrar, mas já o possuímos e gritamos: “A nossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,3).

Simeão o Novo Teólogo,
Capítulos práticos e teológicos 108

Antes da encarnação do Verbo de Deus o reino dos céus estava tão distante de nós quando o céu da terra, mas quando o rei dos céus veio a nós e se dignou de unir-se a nós, o reino dos céus avizinhou-se de todos nós.

Já que o reino dos céus avizinhou-se de nós, pela misericórdia de Deus Verbo em relação a nós, não nos distanciemos dele, vivendo sem nos converter. Fujamos, isso sim, da infelicidade daqueles que jazem nas trevas e da sombra da morte (Lc 1,79).

Adquiramos as obras de conversão: sentimentos de humildade, compunção e tristeza espiritual, um coração manso, cheio de misericórdia, que ama a justiça, luta pela pureza, é pacífico, busca a paz, é tolerante, se alegra nas perseguições, danos, ofensas, calúnias e sofrimentos pela verdade e a justiça. O reino dos céus, ou o rei dos céus, dom imenso e inefável, está dentro de nós (cf. Lc 17,21); devemos sempre a ele aderir também com as obras de conversão amando, tanto quanto pudermos, aquele que tanto nos amou.

Gregório Pálamas,
Cento e cinqüenta capítulos 56-57

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