7. A alegria e o esforço da oração

É um cego aquele que grita e diz: Filho de Davi, tem piedade de mim (Lc 18,38), aquele que reza com o corpo e ainda não tem um conhecimento espiritual.

Aquele que antes era cego, depois de ter recuperado a vista e contemplado o Senhor, o adorou, confessando não mais “Filho de Davi”, mas “Filho de Deus”.

Muitos são os modos da oração, um diferente do outro; mas nenhum deles nos prejudica, a menos que não se trate de oração, mas de uma operação diabólica.

Marcos o Asceta,
A lei espiritual 13; 14; 22

Nada é mais poderoso do que a oração para agir, e nada é mais útil para obter o favor de Deus.

Na oração está incluída toda a atuação dos mandamentos, pois nada é maior do que o amor de Deus.

Quem é vigilante, paciente e reza sem por isso sentir-se oprimido, é claramente partícipe do Espírito Santo. Quem, nesses atos, é oprimido, mas suporta com força de vontade, também logo recebe socorro.

Marcos o Asceta,
Sobre aqueles que se crêem justificados 95-96; 98

É coisa boa buscar auxiliar com as palavras quem as pede, mas é melhor colaborar com eles com a oração e a virtude. Quem se oferece a Deus mediante essas coisas também ajuda o próximo com o auxílio conveniente.

Se quiseres com poucas palavras socorrer a quem quiser aprender, revela-lhe a oração, a reta fé e a paciência diante dos acontecimentos.

Qualquer coisa que digamos ou façamos fora de oração será, em seguida, perigosa ou prejudicial e logo nos acusará, sem que o percebamos, mediante os fatos.

Marcos o Asceta,
Sobre aqueles que se crêem justificados 101-102; 108

A oração é diálogo do profundo do coração com Deus. Por isso, de qual estado têm necessidade as profundezas do coração para poderem se voltar para seu Senhor sem retroceder e dialogar com ele sem nenhum intermediário?

A oração é rebento de mansidão e de doçura.

A oração é fruto de alegria e de ação de graças.

A oração é defesa contra a tristeza e desânimo.

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 3, 14-16

Se quiseres orar de modo digno de louvor, renega-te a ti mesmo a todo o momento, e se necessitares sofrer todo tipo de males, suporta-os com sabedoria como fruto da oração.

Das dificuldades que suportares com sabedoria encontrarás o fruto no tempo da oração.

Se desejares orar como se deve, não entristeças ninguém, de outro modo correrás em vão.

Se és paciente, rezarás sempre com alegria.

Às vezes, mal começas a rezar, já rezarás bem; outras vezes, porém, apesar de grande esforço, não alcançarás o fim. É porque tu procuras ainda mais, e depois de ter alcançado o resultado, tu a tens protegido contra qualquer furto.

Não orar para que se façam tuas vontades, porque nem sempre estão de acordo com a vontade de Deus. Especialmente, reza como te foi ensinado: Seja feita a tua vontade (Mt 6,10) em mim. E em tudo pede que se faça a sua vontade, porque ele quer o bem de tua alma e aquilo de que necessita. Tu, pelo contrário, não procuravas isso.

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 18-20; 23

A oração é subida das profundezas do coração até Deus.

Se desejares orar, renuncia a tudo para tudo obter.

Reza antes de tudo para seres purificado das paixões e, em segundo lugar, para seres libertado da ignorância e do esquecimento e, em terceiro lugar, seres libertado de toda tentação e abandono.

Na tua oração, busca unicamente a justiça e o Reino (cf. Mt 6,33), isto é, a virtude e o conhecimento, e tudo o mais te será concedido por acréscimo.

É justo rezar não só pela própria purificação, mas também por todos os teus semelhantes, para imitar uma conduta angélica.

Vê se estás verdadeiramente diante de Deus em tua oração, ou se foste vencido pelo louvor humano e levado pelo desejo de conquistá-lo, recorrendo ao pretexto do prolongamento da oração.

Quer rezes com irmãos ou sozinho, esforça-te para rezar não por costume, mas com sentimento.

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 36-42

Se queres rezar, tens necessidade de Deus que doa a oração a quem reza (1Sam 2,9). Invoca-o dizendo: Seja santificado o teu nome, venha o teu reino (Mt 6,9-10), o Espírito Santo e o teu Filho unigênito. Desse modo ele ensinou, dizendo para adorar o Pai em espírito e verdade (Jo 4,24).

Se és teólogo, rezarás de verdade, e se rezas de verdade és teólogo.

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 59; 61

Não desejes que aquilo que se refere a ti aconteça como te parece bem, mas como agrada a Deus, e estarás livre de preocupação e cheio de gratidão em tua oração.

Se te dedicas à oração, prepara-te para os assaltos do demônio e suporta valorosamente seus golpes; se atirarão sobre ti como feras e te maltratarão em todo o corpo.

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 89; 91

No tempo de tais tentações, recorre a uma oração breve e intensa.

No momento da oração, reza não do jeito do fariseu, mas do jeito do publicano no lugar sagrado da oração, para seres também tu justificado pelo Senhor (cf. Lc 18,10-14).

Luta para não rezar contra alguém em tua oração; seria demolir aquilo que queres edificar e tornar abominável tua oração.

Através da oração o monge torna-se igual aos anjos, pois deseja ver a face do Pai que está nos céus (cf. Mt 18,10).

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 98; 102; 103; 113

Queres a oração? Emigra daqui, tem sempre a cidadania nos céus (cf. Fl 3,20), não somente em palavras, mas com o modo de agir angélico e com a ciência divina.

A atenção em busca da oração encontrará a oração; nada mais acompanha a oração do que a atenção, à qual se deve aplicar.

O aspecto valioso da oração não consiste somente na sua quantidade, mas na sua qualidade. E isso demonstram os homens que subiram ao templo (Cf. Lc 18,10), e a palavra: Vós, quando rezais, não desperdiceis palavras (Mt 6,7).

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 142; 149; 151

Aqueles que buscam a oração com empenho especial serão atormentados com temíveis e selvagens tentações.

João Carpácio,
Aos monges da Índia 41

Guarda-te do ódio e sê patrão de ti mesmo, e não terás tropeço no tempo da oração.

Talácio líbico,
Sobre a caridade 1,15

Quando a alma começa a se transformar toda em lágrimas pela alegria da oração, então, com grande familiaridade, gritará como a esposa ao esposo: Desce, meu amado, ao teu jardim (Ct 4,16) e come, como frutos, a suada consolação das minhas lágrimas.

Elias presbítero,
Capítulos gnósticos 98

Como a obra da oração é maior do que as outras, assim é necessário maior empenho e cuidado por quem tem por ela uma paixão de amor, para não ter de suportar um roubo da parte da malícia. O malvado assalta com maior tentação aqueles que se entregam a um bem maior, de modo que será necessária muita sobriedade, para que a cada dia nasçam frutos de caridade e de humildade, de simplicidade e bondade e, mais do que isso, de discernimento, que tornem claro seu progresso e seu crescimento nas coisas de Deus. e consolem os outros exortando-os a um zelo igual.

Macário, o Egípcio,
Paráfrases 19

O início da graça na oração se manifesta de modos diversos, e a subdivisão do Espírito, diz o Apóstolo, se vê e se reconhece em maneiras muito diversas, segundo o seu querer (cf. Hb 2,4), de modo que se manifesta também em nós aquilo que aconteceu em figura a Elias o Tesbita (1Re 19,9-18). Em alguns, vem como espírito de temor, que desmancha as montanhas das paixões e quebra as pedras, os corações endurecidos, a ponto de serem crucificados pelo temor, e a carne morre. Noutros se manifesta nas vísceras como terremoto, como exultação, o que os Pais denominaram mais claramente como sussurro imaterial e substancial; aquilo que não tem essência nem substância também não existe. Noutros, enfim, como uma leve brisa, luminosa, pacífica, porque Cristo habitou o coração, como diz o Apóstolo (cf. Ef 3,17), e se revela misticamente no Espírito.

Por isso falava Deus a Elias, no Horeb, que o Senhor não estava aqui ou ali, nas ações que se verificam nos principiantes, mas na brisa leve e luminosa, lá está o Senhor, e se referia de tal modo à perfeição da oração.

Gregório o Sinaíta,
Como o exicasta…, vol IV, p. 87c

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