PADRE AGOSTINHO ROMBALDI

Padre Agostinho Rombaldi

Agostinho Roque Rombaldi nasceu em Caravaggio, Farroupilha, RS em 22 de agosto de 1917. Foi ordenado sacerdote em Lages por Dom Daniel Hostin em 29 de novembro de 1942. A origem gaúcha de diversos bons padres e seminaristas da diocese de Lages se deve tanto à migração de famílias riograndenses como aos pedidos de Dom Daniel às voltas com carência de clero no imenso território da Diocese de Lages que, dividida, deu origem às de Caçador, Joaçaba e parte de Chapecó.

Padre Agostinho foi pároco sempre em comunidades cuja padroeira era Nossa Senhora, e nisso enxergou obra da Divina Providência, uma vocação e um compromisso com Maria. Aliadas à devoção mariana estavam São José e Almas do Purgatório.

Seu primeiro ministério foi exercido como vigário paroquial de Campos Novos, com provisão de 26 de dezembro de 1942.

A partir de 18 de janeiro de 1946 foi pároco de Nossa Senhora da Saúde, Abdon Batista.

Com a dificuldade de formadores para o Seminário, em 15 de julho de 1951 Dom Daniel o nomeou professor no Seminário São João Vianney, Lages e, em 15 de fevereiro seguinte, Diretor espiritual.

A vocação de Pe. Agostinho era outra, porém: trabalhar com o povo na paróquia e nas pequenas comunidades rurais, o que aconteceu em seguida: em 1953 foi nomeado vigário encarregado de preparar a paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Bom Retiro; de 6 de março de 1953 a 31 de maio de 1955, pároco de Nossa Senhora da Boa Viagem, Bocaina do Sul. E, de 7 de novembro de 1955 a 8 de janeiro de 1978 seu grande campo de apostolado: pároco de Nossa Senhora dos Campos, Arroio Trinta. Ali viveu e trabalhou, acumulando a missão de vigário encarregado de Santa Juliana, Salto Veloso entre 1963 e 1966.

Arroio Trinta – Comunidade de migrantes

A história do Município de Arroio Trinta inicia no ano de 1922, com a chegada dos primeiros colonizadores, vindos do sul do Estado, mais precisamente das regiões de Criciúma e de Urussanga. Esses pioneiros, descendentes de italianos, vieram em busca de terras férteis que produzissem o sustento de suas famílias. No sul catarinense as terras escasseavam, divididas que estavam entre os numerosos filhos.

A localidade, então pertencente à Videira, foi elevada à Distrito em 1944, e em 15 de dezembro de 1961 conquistou a sua emancipação. Foi intenso seu compromisso com a emancipação da comunidade.

Com base na cultura e na tradição herdadas de seus fundadores, Arroio Trinta destaca-se hoje como um Município tipicamente italiano, que cultiva a dança folclórica, a culinária, a música e a língua italiana, matéria obrigatória em todas as suas escolas. Com um clima e uma altitude que favorecem a fruticultura, o Município é importante produtor de pêssegos e de outras frutas de clima temperado, recebendo o título de “Capital Catarinense do Pêssego”.

Ainda é uma pequena comunidade, tendo hoje 3.488 habitantes.

Um prefeito municipal afirmou que Pe. Agostinho foi “a espinha dorsal para o desenvolvimento do Município”. Gênio difícil, mas sempre interessado na comunidade, aberto a inovações. Assumiu de corpo e alma aquelas pequenas comunidades por onde se espalhavam as famílias católicas, promoveu as vocações, deu impulso aos estudos bíblicos. Passou o ano de 1970 em Roma com a finalidade de estudar a teologia do Vaticano II, o retorno às Fontes pedida pelo Concílio.

Preocupado com a juventude, em 1958 deu início ao Colégio Sagrada Família que oferecia o Curso ginasial. Para dirigi-lo, conseguiu a vinda das Irmãs Escalabrinianas, que ali trabalharam por 11 anos, quando o Colégio passou para o Estado.

Mas, para não ver a juventude sem perspectivas ou deixando sua terra, liderou a introdução do 1º e 2º Graus. Desse modo, em 1971 fundou em Arroio Trinta a Campanha Nacional das Escolas da Comunidade-CENEC, criando o Colégio que em sua homenagem recebeu o nome de Colégio Cenecista Padre Agostinho. Em 2004 o patrimônio foi adquirido pelo Município.

Em quase todas as comunidades da região a presença de um padre foi sempre fundamental: enquanto os políticos dividem, nem sempre chegando a acordo, o padre une os interesses das comunidades, reúne as pessoas, dá o impulso. Seria difícil imaginar as nossas comunidades rurais sem a presença do padre, da autoridade do vigário respeitado e amado e, às vezes, temido. O afeto do povo pelos padres se manifesta nas ruas, escolas, hospitais que levam seu nome. Disso não escapa o Padre Agostinho Rombaldi.

Seu sonho era dotar a sede paroquial de uma igreja matriz bela e espaçosa: em 1975 iniciou-lhe a construção, em estilo moderno, com uma torre alta, em forma de cruz. Faleceu antes de vê-la inaugurada. Devido a problemas estruturais, foi demolida em 2010 e em seu lugar construiu-se outra, inaugurada em 2011.

Seus últimos dias

Em 1976 Pe. Agostinho adoeceu, não mais recuperando a saúde e a liberdade de movimentos: tinha apenas 59 anos. Preparou-se para morrer: em algumas celebrações fazia seu exame de consciência diante da comunidade, a todos pedindo perdão, o que levava a comunidade às lágrimas, pois o tinha na conta de santo.

Poucos dias antes da morte escreveu um pequeno TESTAMENTO. Após a profissão de fé católica e os agradecimentos e conselhos, essa humilde e comovente confissão dos pecados:

“Peço perdão a Deus e aos irmãos pelas minhas infidelidades por negligência ou por fraqueza humana, pelos escândalos, pela preguiça, pouca oração, desleixo no cumprimento do dever, o pouco caso das ordens dos superiores, da minha soberba disfarçada e de todos os males que causei ou fiz, ciente ou inconscientemente”.

Pede que todos tenham maior apreço à Palavra de Deus, à Bíblia e sejam devotos de Nossa Senhora, São José e Almas.

O explosivo e generoso sacerdote era agora o humilde cristão se preparando para o encontro com o Senhor ao qual consagrara a vida.

Faleceu em Arroio Trinta em 8 de janeiro de 1978, aos 61 anos de vida e 36 de sacerdócio. O povo quis que fosse sepultado na igreja matriz em construção e agora foi trasladado para o novo templo.

Pe. José Artulino Besen

  1. #1 por Claudio Spricigo em 14 de novembro de 2011 - 16:00

    Parabéns pelo texto. Retrata a realidade dos fatos e também divulga o nosso querido Arroio Trinta.
    Claudio Spricigo – Prefeito de Arroio Trinta.

  2. #2 por Nelson Pirolli em 18 de novembro de 2011 - 21:42

    Belo e generoso resumo do tempo de caminhada católica da comunidade de Arroio Trinta. Parabéns.
    Nelson Pirolli
    Cidadão arroiotrintense há 26 anos.

  3. #3 por JULIANA ROMBALDI em 1 de agosto de 2012 - 13:02

    Olá, meu e nome é Juliana Rombaldi, e muito fico feliz em saber que meu tio fez tudo isso como citado no texto. Gostaria muito de tê-lo conhecido. Guardamos na lembrança o que nos foi falado sobre ele e também tive oportunidade de conhecer o relógio feito na igreja nossa Senhora do Caravaggio em Farroupilha, que, se não me engano, foi feito pelo pai do padre Agostinho. Alegra-me saber de tudo isso sobre meu tio.

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