CÔNEGO BERNARDO BLÄSING

Cônego Bernardo Bläsing

Cônego Bernardo Bläsing

Bernardo Bläsing nasceu em Südlohn, diocese de Münster, Alemanha, em 23 de fevereiro de 1889, filho de Bernardo Bläsing e de Joana Siaenen. Veio para o Brasil a convite de Mons. Francisco Topp, que o conhecia pessoalmente e o admirava pela correção e inteligência.

Conforme orientação do bispo de Florianópolis, Dom Joaquim Domingues de Oliveira com relação a vocações missionárias, veio para o Brasil como seminarista em 1917 e realizou os estudos teológicos em São Leopoldo, RS. Foi ordenado sacerdote na catedral de Florianópolis em 1º. de janeiro de 1919. Alguns anos depois um irmão seu veio para o Brasil, com a família, fixando-se em São Pedro de Alcântara e depois migrou para Luiz Alves. Pe. Lauro Roque Mittelmann, da diocese de Blumenau, era seu neto.

Padre humilde e disponível

Característica de Pe. Bernardo Bläsing foi a disponibilidade para trabalhar no ambiente das paróquias de tradição açoriana, onde os padres alemães tinham mais dificuldade. Também foi marcante sua amizade com Dom Joaquim Domingues de Oliveira, com quem mantinha correspondência freqüente e sempre cumprimentava nos aniversários. Um homem culto e santo.

Sua primeira provisão foi em 5 de janeiro de 1919, para vigário de Nossa Senhora do Desterro de Florianópolis. Mas, já em maio, foi nomeado Cura de São Bonifácio do Alto Capivari, ambiente de montanhas, distâncias, que pediam muita resistência. Em 1º de maio de 1920 passou a ser vigário do Curato de Teresópolis e, em 6 de fevereiro de 1921, Capelão-Cura do Alto Capivari acumulando em 25 de dezembro de 1921 como Capelão-Cura do Alto Capivari.

De 1922 a 1924, mudou radicalmente seu campo apostólico, pois Dom Joaquim o nomeou pároco da Santíssima Trindade, em Florianópolis: o mundo “brasileiro”.

Em 3 de julho de 1924 aceitou a transferência para ser vigário do Santíssimo Sacramento de Itajaí e anexas (Barra Velha, Camboriú, Penha e Porto Belo). Impressiona sua disposição para mudanças de paróquia, mas sua decisão era sempre pela obediência e isso era prático para o arcebispo.

Surgindo problemas na paróquia de São Pedro de Alcântara pela saída imprevista e conturbada de Pe. Jacó Nebel, ali foi pároco de 15 de fevereiro de 1925 a 3 de março de 1927, ao mesmo tempo sendo vigário interino de Teresópolis. Após esse trabalho, em 4 de março de 1927 retornou a paroquiar a paróquia da Santíssima Trindade, em Florianópolis, e anexas. Vivendo no ambiente ilhéu, com imensa paciência com o catolicismo popular açoriano, as Festas do Divino, as procissões, pois as “anexas” eram as paróquias de Santo Antônio de Lisboa, Canasvieiras e Rio Vermelho, Pe. Bernardo ali trabalhou até 23 de fevereiro de 1935. Eram paróquias pobres, as comunicações eram difíceis, mas adaptava-se bem.
De fevereiro a outubro de 1935 aceitou ser vigário do Sagrado Coração de Jesus de Boiteuxburgo, paróquia criada nesse ano e que, atualmente, tem sede em Leoberto Leal. Era outro mundo, estando no meio de caboclos, alemães, poloneses, italianos e brasileiros, em região montanhosa e de grande área.

Pe. Bernardo Bläsing desejava retornar ao Alto e Baixo Capivari, mas Pe. Augusto Schwirling escreveu a Dom Joaquim que isso seria temerário e acabaria por arruinar a saúde dele. E assim, em outubro de 1935 retornava à Ilha, na paróquia da Santíssima Trindade e anexas, onde estava desde 1927.

Apóstolo incansável

Deixando o ambiente ilhéu, em 6 de fevereiro de 1937 foi provisionado pároco de São João Batista do Imaruí e do Bom Jesus do Socorro de Pescaria Brava, trabalhando até 1950, e saiu para atender a um capricho/desejo de Pe. Dr. Itamar da Costa, que deixava a Catedral e insistia que somente em Imaruí seria feliz, esquecendo que Pe. Bernardo também era feliz em Imaruí.

Em 21 de dezembro de 1940, como reconhecimento de seus trabalhos, Dom Joaquim honrou-o com o título de Cônego honorário do Cabido metropolitano de Florianópolis.

Aproveitando para cuidar da saúde, passou o ano de 1950 como Capelão do Imperial Hospital de Caridade de Florianópolis.

Os próximos anos, de 1951 a 1955, viveu sua doação sacerdotal como vigário paroquial de Nosso Senhor do Bom Fim de Braço do Norte, com residência em Grão-Pará. Foi um tempo difícil, porque Grão-Pará não tinha condições de manutenção paroquial e o prefeito municipal não cumpriu a promessa de ajuda substancial: foi promessa para tornar efetiva a criação da paróquia. Ao mesmo tempo, o pároco de Braço do Norte criava dificuldades a seu trabalho. Mas, não desistiu.

Padre Bernardo Bläsing na Alemanha, com a família, em setembro de 1928

Padre Bernardo Bläsing na Alemanha, com a família, em setembro de 1928

Cônego Bernardo retornou à Ilha de SC em 6 de fevereiro de 1955, tomando posse como pároco de Canasvieiras, Rio Vermelho e capelão da Colônia Penal de Canasvieiras.

Em 9 de outubro de 1955 retornou a São Pedro de Alcântara, onde trabalhara na década de 20. A paróquia de São Pedro tinha sido privada das ótimas comunidades do Alto Biguaçu, hoje Antônio Carlos, por uma razão simples: Pe. Rodolfo Machado foi nomeado pároco de São João Evangelista de Biguaçu e necessitava de reforço financeiro para a construção da nova igreja matriz, motivo que levou o Arcebispo a anexá-las a Biguaçu. Acontece que Antônio Carlos há mais tempo desejava ser paróquia, o que aconteceu em 1958, com a inauguração da matriz de Biguaçu.

Côn. Bläsing retornou à Ilha em 5 de fevereiro de 1959: pároco das paróquias do Norte da Ilha de Santa Catarina com o título de vigário amovível de Santo Antônio de Lisboa, São Francisco de Paula de Canasvieiras e São João Batista do Rio Vermelho. Residia num quarto anexo à sacristia da igreja de Santo Antônio. Esse bondoso padre alemão foi um dos apóstolos da Ilha de Santa Catarina, incansável nas desobrigas das numerosas capelas do mundo açoriano.

A saúde foi comprometida pelo cansaço, a alimentação nem sempre adequada, e recebeu um prêmio em 1963, quando foi residir na Trindade, como Capelão da chácara das Irmãs da Divina Providência. Doente, em 1965 retornou à capelania do Imperial Hospital de Caridade. Ali, silenciosamente, Deus o chamou em 25 de julho de 1965, aos 76 anos de idade e 46 de generoso ministério sacerdotal. Pouco recordado na vida arquidiocesana, foi o padre da disponibilidade, aceitando numerosas transferências, mesmo adoentado. Do velho clero alemão que se consagrou à Igreja catarinense, foi o último a morrer e o último pároco do Norte da Ilha, cujas paróquias foram desativadas e anexadas à Santíssima Trindade com a chegada dos Freis Capuchinhos.

Apreciava ser econômico e, quando tinha certa quantia, a ofertava ao Arcebispo. Para poder fazer testamento em nome da Arquidiocese naturalizou-se brasileiro.

Gostava de ler e possuía razoável biblioteca, a maior parte em alemão, que ofereceu ao Seminário de Azambuja.

Cônego Bernardo Bläsing não deixou obras que o recordassem, não é nome de rua. Não necessitava disso. Bastava-lhe obedecer ao Arcebispo e servir o povo sem escolher lugar.

Pe. José Artulino Besen

  1. Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: