PADRE ANTÔNIO FRANCISCO DA NÓBREGA

Padre Antônio F. Nóbrega em foto de família - arquivo Fernando Nolasco

Padre Antônio F. Nóbrega em foto de família – arquivo Fernando Nolasco

Padre Antônio Francisco da Nóbrega nasceu em São Francisco do Sul, SC em 30 de janeiro de 1839, filho do Capitão Antônio Francisco Nóbrega (filho ilegítimo de José da Silveira Dutra com Isabel Joaquina, ambos da Ilha do Faial-Açores) e de Maria Teresa de Jesus.

De família com bons recursos, foi estudar no Seminário São José do Rio Comprido, no Rio de Janeiro, onde foi ordenado presbítero por Dom Manoel do Monte Rodrigues de Araújo, Conde de Irajá, em 29 de dezembro de 1861. O Seminário do Rio Comprido formava a elite religiosa e administrativa do Império. Ali, além do cultivo das ciências naturais, das línguas latina e portuguesa, se ensinava o Regalismo, doutrina que definia a Igreja Católica como órgão do Estado.

A Freguesia de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco (São Francisco do Sul) foi seu berço e também sua vida. Excluindo os anos de 1864-1867 (Vigário do Santíssimo em Itajaí) e encarregado de Nossa Senhora da Penha (1865-1867; 1773-1875), foi Vigário paroquial de São Francisco como neo-presbítero (1862-1864) e Vigário colado (vitalício) de 29 de junho de 1867 a janeiro de 1915, acumulando Paraty (Araquari) entre 1886-1905). Em 9 de junho de 1896 foi nomeado Vigário da Vara de São Francisco do Sul.

Um vigário zeloso e amado

Foi um pastor zeloso, respeitado pelos paroquianos e autoridades locais. A pastoral da época se dividia entre o Vigário que administrava os Sacramentos e as Irmandades que conduziam a vida religiosa.

Pe. Antônio F. Nóbrega no Retiro do Clero em Florianópolis - 1905

Pe. Antônio F. Nóbrega no Retiro do Clero em Florianópolis – 1905

Em 1881 conseguiu renovar num espírito mais eclesial o Compromisso (Estatutos) da Irmandade do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora da Graça, aprovada pela Assembléia Legislativa com a Resolução No. 335 de 10 de maio de 1851. Havia também as Irmandades do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora do Rosário. Foi capelão da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, cujas origens se confundem com a própria cidade. Atento às necessidades da população, em 1909 conseguiu autorização para a venda de notável parte do patrimônio dela para a construção de um novo Hospital.

Pe. Nóbrega esmerou-se para receber bem o bispo diocesano Dom José de Camargo Barros na Visita Pastoral acontecida em setembro de 1895. Trouxe até a banda de música de Joinville. Deixou ótima impressão em Dom José, que nem era muito dado a isso: se admirou da perfeita ordem dos Livros paroquiais e das alfaias. Foram ministradas 1.015 Crismas e 20 casamentos.

De 5 a 11 de julho de 1905, pela primeira vez em 48 anos de padre, participou de um Retiro espiritual. Foi na Igreja de São Francisco, em Florianópolis, com a presença de Dom Duarte Leopoldo e Silva e de 30 padres.

Novas exigências pastorais

Maria Elisa, filha de Pe. Antônio e 2 netos dela

Maria Elisa, filha de Pe. Antônio e 2 netos dela

Em 1908 foi criada a diocese de Florianópolis e Dom João Becker, primeiro bispo, procurou colocar em prática o novo espírito pastoral do Concílio Plenário de 1899, que significou passar de uma Igreja de Padroado para a Igreja tridentina. O Vigário deve agora enviar anualmente um Relatório da vida paroquial, ocupando parte importante a Catequese ministrada por ele. Obediente, em 1909 Pe. Nóbrega ministrou 168 aulas de catecismo para 43 alunos.

Em 1912 deu início às obras de construção da capela de Nossa Senhora de Glória no Sahy.

As forças declinavam e, por motivo de doença, em 1915 retirou-se para a vida privada, sendo cuidado pela esposa e filhos. O retirar-se à vida privada fazia parte da estratégia de marginalizar os velhos padres nascidos no Império.

Em 5 de fevereiro de 1923, tendo recebido os Sacramentos, faleceu o Pe. Antônio Francisco da Nóbrega, e foi sepultado na Igreja matriz onde fora batizado e na qual vivera o ministério. Foram 84 anos de vida e 61 de ministério presbiteral. É nome de Rua e do Museu de Arte Sacra, inaugurado em 2004.

Pe. José Artulino Besen

  1. #1 por José Carlos Nóbrega Tuma em 23 de novembro de 2009 - 19:49

    Louvo a iniciativa do Padre José A. Besen em transmitir para a posteridade, a humilde história do Padre Antonio F. Nóbrega, que tantos benefícios fez para a cidade de São Francisco do Sul, como também para Itajaí, Penha e Araquari. Cumpre-me também informar que meu tio o Sr. Saul Nóbrega patrocinou a reforma da sepultura do Pe. Nóbrega na Igreja Matriz de S.F.S. com a prestimosa ajuda da Sra. Carmem N. Mussi.

  2. #2 por marilucia crivellaro gonçalves em 20 de fevereiro de 2013 - 12:03

    Meu nome é Marilucia e sou filha de Thereza Nobrega Caldas, filha de Ana Lucia Nobrega Caldas, filha do Pe. Antonio. Tenho excelentes lembranças contadas pela minha Vó Nicota (apelido de Ana Lucia), sobre a convivência com o padre e pai. Ela nos contava que era um pai enérgico e muito carinhoso com os filhos e não admitia que sua vida particular interferisse nos assuntos da Igreja, a qual era o pastor. Tenho muito orgulho de ser bisneta do Pe. Antonio.

  3. #3 por frei Carlos Alberto Breis em 20 de fevereiro de 2013 - 12:22

    Parabéns ao autor pela exímia pesquisa e pela clareza do texto apresentado. Os francisquenses, particularmente, agradecem por essa contribuição valiosa para a História de nossa Paróquia Nossa Senhora da Graça.

    • #4 por José Artulino Besen em 21 de fevereiro de 2013 - 17:56

      Frei Carlos, a pesquisa que fiz é pequena diante da riqueza histórica da paróquia N. Sra. da Graça. Que tal buscar informações orais de descendentes do Pe. Nóbrega? É questão de começar, e vale a pena.

  4. #5 por José Artulino Besen em 21 de fevereiro de 2013 - 17:53

    Marilúcia, seria importante que você redigisse as lembranças de sua avó sobre Pe. Nóbrega. A memória oral enriquece a história.

  5. #6 por Virginia em 22 de fevereiro de 2013 - 22:43

    Sou Virgia filha de thereza Nobrega Caldas que era filha de Ana Lucia Nobrega Caldas que era filha do Padre Antonio. Fiquei muito feliz de ver a história de meu bisavô em suas pesquisas.Parabens.

  6. #7 por José Artulino Besen em 24 de fevereiro de 2013 - 07:26

    Virgínia, é gratificante conhecer pessoas que se reportam com carinho ao Pe. Nóbrega. Será que você e parentes têm fotos do padre e de sua família? Seria importante partilhá-las.

  7. #8 por Fernando em 19 de março de 2013 - 09:14

    Minha mãe, hoje com 93 anos é afilhada de batismo do padre, que tb foi seu bisavô. Filha de Maria Theodora, que foi filha de Maria Elisa, filha mais velha do padre Antonio. Tenho algumas histórias resgatadas dela, mas praticamente só da vida familiar.

    • #9 por José Artulino Besen em 19 de março de 2013 - 10:44

      Fernando, se você puder, redija as histórias de vida familiar de sua mãe. Haveria alguma foto? Se você me encaminhar o texto, fico agradecido.

  8. #10 por Fernando em 19 de março de 2013 - 20:39

    vou lhe escrever o que minha mãe sabe, mas é sobre a formação da família +/- oficial, e tb da outra (houve uma outra) e suas filhas, me dê uns dias. Tenho apenas 1 foto do padre e algumas de suas decendentes, tb alguns objetos como quadros de santos (pintados sobre porcelana) alguns castiçais… uma prima-irmã tem uma biblia que pertenceu a ele….

    • #11 por José Artulino Besen em 20 de março de 2013 - 16:00

      Fernando, você me encheu de uma santa curiosidade. O que você possui do Pe. Nóbrega é importante para a história. Um abraço.

  9. #12 por Antônio Roberto Nascimento Nascimento em 21 de março de 2013 - 22:20

    O Padre Nóbrega foi respeitabilíssimo em S. Francisco do Sul. Ninguém se opunha ao fato de ter vida privada em paralelo, conforme pesquisei. Penso que seus descendentes devem se orgulhar dele, um home íntegro. Certa vez, na eleição em que figurava como candidato, votou contra si mesmo, pois só teve um voto contra e deve ser o dele. Sua convivente era da família Quadros e acredito ser a mesma família do ex-presidente Jânio Quadros. Ainda não terminei a pesquisa. O Padre Nóbrega pertencia à família do último capitão-mor de S. Francisco do Sul, Antônio de Carvalho Bueno, avô materno dele. Representava as mais legítimas famílias do bandeirantismo paulista, ligados também à povoação de Curitiba.

  10. #13 por Vera Lucia Branco em 21 de março de 2015 - 10:57

    Fernando, estamos com uma página no facebook, sobre histórias e fotos sobre São Chico.Sou bisneta do Padre Antônio Nóbrega,minha avó Nicota, era filha dele. Se puderes enviar algo sobre a vida pessoal dele, esposa, filhos, gostaria muito de conhecer a vida dele. Moro em São Francisco do Sul. Obrigada, meu face: Vera Lucia Branco.

  11. #14 por Ernesto São Thiago em 24 de novembro de 2015 - 02:50

    Meu tio-bisavô!

  12. #15 por Luiz R Rodrigues e Jurema. em 1 de janeiro de 2016 - 21:49

    Parabéns pelo resgate histórico do “VÔ TONHO”,cujo exemplo deve ser seguido por tantos presbíteros de nosso tempo.Luiz R.Rodrigues e Jurema.

  13. #16 por Angela Mª Guimarães Kaminski em 20 de julho de 2016 - 09:00

    Bem eu tb sou parente do Padre Antonio, sou bisneta da filha mais velha dele, que esta na última foto com seus dois netos, meu pai José pedro Brandão Guimarães e minha tia Delminda. Bom saber parte da hist´rioa da familia e de São Francisco do Sul.

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