Orações da Liturgia Bizantina

Seleção e tradução do original: Maria Benedetta Artioli
Tradução do italiano: Pe. José Artulino Besen
Obs.: cada parágrafo é um oração litúrgica, sem seqüência.

1. A Trindade, único Deus

Adoramos o Pai *, e o seu Filho * e o Santo Espírito, * a Trindade Santa numa única essência, * e com os serafins aclamamos: * Santo, Santo, Santo és tu, * ó Senhor.

Toda alma é vivificada pelo Santo Espírito, * com a purificação é elevada; * em virtude da Unidade trina é tornada resplandecente, * em sagrado mistério.

Ó Luz radiosa da santa glória * do Pai imortal, * celeste, santo, beato, * ó Cristo Jesus! * Chegados ao pôr do sol, * e contemplando a luz vespertina, * cantamos ao Pai, ao Filho e ao Santo Espírito, * Deus. * É digno cantar-te em todo tempo * com vozes harmoniosas, ó Filho de Deus, * tu que dás a vida: * por isso, o mundo te glorifica.

Ao Santo Espírito * a origem de toda a vida, * e a soberania , * porque a toda realidade criada * dá vigor qual Deus, * e no Pai e no Filho a conserva.

Entre os hinos, ó fiéis, * com reta fé glorifiquemos a Unidade trina, * a Trindade consubstancial, * natureza indivisível mais que divina, * tríplice em seu fulgor, * resplendor sem ocaso, * sol sem sombras, * que sobre nós irradia a sua luz.

Do Santo Espírito * provém a riqueza de conhecimento de Deus, * de contemplação e de sabedoria, * pois nele o Verbo revela * todos os decretos do Pai.

Com o corpo no túmulo. * como Deus com a alma no hades, * com o ladrão no paraíso, * e no trono tu estavas, ó Cristo, * com o Pai e com o Espírito, * tudo enchendo, ó indelimitável.

Todos nós, fiéis, * adoramos a Unidade da divina essência * mas Trina na hipóstase, * igual na potência * e igual na honra * nas hipóstases não confusas: * com digna veneração a engrandecemos.

Os coros dos incorpóreos, * ó Tríade mais que divina, * com bocas imateriais incessantemente te cantam * e com temor te servem, * ó natureza em três hipóstases, * aclamando: Santo! * Por suas preces, * tens piedade da obra de tuas mãos, * ó único amigo dos homens.

Cumprindo a profecia de Davi, * Cristo revelou aos discípulos * a sua magnificência em Sião, * mostrando-se digno de louvor * e sempre glorificado junto com o Pai e o Espírito Santo: * primeiro, Verbo sem carne, * e depois, encarnado por nós, * morto como homem, * e ressuscitado segundo a sua potência * como amigo dos homens.

Venerando não uma Tríade de divindades, * mas de hipóstases, * não uma unicidade de pessoas, * mas de divindade, * excluímos aqueles que a dividem * e confundimos aqueles que ousam confundi-la: * a Tríade que nos engrandecemos.

Pelo Espírito Santo * todo homem deificado vê, profetiza, * e opera excelsos prodígios, * cantando o único Deus em três hipóstases: * pois, mesmo no tríplice esplendor, * um é o Divino.

No Espírito Santo * Deus é conhecido como Unidade três vezes santa: * Pai que não tem princípio, * do qual provém eternamente o Filho, * e o Espírito de igual soberania e natureza, * que resplandece junto com o Filho do Pai.

Nós reconhecemos tua divindade * com reta fé proclamando-te Senhor de todos, * Pai do único e só Filho unigênito, * e reconhecendo um único Espírito reto que de ti procede, * de natureza igual a tua e co-eterno contigo.

Bendizei, jovens, * celebrai, sacerdotes, * exaltai acima de tudo, ó povo, por todos os séculos * a Divindade do tríplice esplendor, * o único raio que refulge * da única natureza em três hipóstases: * Pai sem princípio, * Verbo de igual natureza à do Pai, * e Espírito consubstancial, * que com eles reina.

Senhor, mesmo comparecendo ante o tribunal * para ser julgado por Pilatos, * não deixaste o trono * nos qual estás assentado junto ao Pai; * e ressuscitando dos mortos, * libertaste o mundo * da escravidão do inimigo, * na tua piedade e no teu amor pelos homens.

A Unidade em três hipóstases * e a Tríade perfeita * numa única divindade * tu ensinaste que se deve adorar, * ó sapientíssimo teólogo, * chamando de luz o Pai, * e, novamente, de luz o Filho * e luz o Espírito santo: * mas luz indivisa e não confusa, * porque único Deus. * Desse modo explicaste a consubstancialidade, * ó beatíssimo Gregório.

Ousando representar * teus exércitos espirituais, * ó Trindade sem princípio, * a ti, com bocas indignas, aclamamos: * Santo, Santo, Santo * tu és, ó Deus; * pela intercessão de teus santos, * tem piedade de nós.

Ó Deus único na Trindade, * glória a ti incessantemente: * porque tu, * mesmo sendo Deus cada um na Trindade, * és, contudo, um pela natureza, * Pai, Filho e Espírito Santo, * nas propriedades do tríplice esplendor.

Unidade em três hipóstases, * que antes de tudo existes * e toda realidade dominas, * princípio de todo mistério, * transcendente a todo princípio, * salva-nos, tu, * Pai, Filho, * e Espírito Santíssimo.

Unidade simples, incriada, * natureza sem princípio, * celebrada na Trindade das hipóstases: * salva a todos que, com fé, adoramos o teu poder.

Glorifico o Filho e o Espírito * que provêm do Pai, * como do sol luz e raio: um por geração, * por isso gerado, * outro por processão, * por isso procedente: * divina Trindade sem princípio, * por toda criatura adorada.

Único Pai do único Filho unigênito, * e única luz, reflexo da única luz, * e tu que, unicamente, és o único Espírito Santo * do único Deus, * verdadeiramente sendo Senhor do Senhor: * ó Trindade,  santa Unidade, * salva-me, pois a tua divindade proclamo!

Adoro a Deidade una por natureza * e sem princípio, * a glorifico em três pessoas * Pai, Filho e Espírito, * Unidade na Tríade, * indivisa, assentada no único trono.

Ó Trindade que estás além de todo princípio * e Unidade divina, * a ti eu canto como luz e luzes, * vida e vidas, * Intelecto, Palavra, Espírito: * santo e santos, * único Deus.

Indivisa quanto à essência, * não confusa nas pessoas: * tal eu te confesso, única Deidade trina, * como partícipe do único reino * e único trono; * e por ti faço ressoar o grande canto * que ecoa tríplice no mais alto dos céus.

Unidade simples, indivisa, * santa Trindade consubstancial, * luz e luzes, * como três santos e um só santo, * assim é celebrada a Trindade, Deus; * canta, portanto, ó alma, * e glorifica como vida e vidas * o de todos Deus.

O tríplice fulgor da tua soberania una, ó Senhor, * resplandecendo à nossa inteligência * com luzes de revelação, * nos converte da multiplicidade do erro * a uma deificação unificante.

É unidade indivisível por essência * a Tríade mais que divina: * unida por natureza, * se distingue nas pessoas quanto às propriedades: * porque se divide sem dividir-se, * e sendo una se triplica: * ela é Pai, Filho e Espírito vivente, * e guarda o universo.

Celebremos, ó fiéis, o fulgor trisolar * da Trindade mais que luminosa, * venerando como luz o Pai, * glorificando como luz o Filho, * proclamando como luz o Espírito.

Luz, vida e criador de tudo, * é a Unidade trisolar, * Deus e Senhor, * que refulge de única luz * e juntamente se irradia nos três caracteres * da Deidade una: * assim todos nós, fiéis, a magnificamos.

Juntamente com o Pai, * glorifiquemos o Filho * e o Espírito Santo, * aclamando com voz que não cala: * Ó Trindade, essência única, * tem piedade, salva todos, * ó Unidade em três pessoas: * tem piedade de nós, * ó Deus glorificado nos séculos (Dn 3,35).

Tu és sem princípio, ó Pai, * incriado tu és, ó Filho, * no mesmo trono te assentas, ó Espírito: * um só e três por natureza, * e três pelas pessoas, * único verdadeiro Deus.

Vimos a luz verdadeira, * recebemos o Espírito celeste, * encontramos a fé verdadeira, * adorando a indivisível Trindade: * é ela que nos salvou.

Todas as coisas dobram o joelho * diante do Paráclito, * e diante do Filho do Pai * que ao Pai está perfeitamente unido; * elas reconhecem nas três pessoas * uma única essência, * verdadeiramente inacessível, * sem tempo, única: * fez refulgir, qual luz * a graça do Espírito.

A venerável assembléia dos sábios Pais, * ó amigo dos homens, * proclamou a ti, * Verbo ilimitável e incompreensível * feito carne por nós, * perfeito Deus e homem, * dúplice nas naturezas e nas operações, * dúplice também na vontade, * e um nas hipóstases. * Portanto, reconhecendo-te Deus * junto com o Pai e o Espírito, * adoramos com fé a ti, uno, * proclamando bem-aventurados os Pais.

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2. A Encarnação do Filho de Deus

Tu, único que conhece * a frágil substância dos mortais, * e, na tua compaixão, * assumiste a sua forma, * cinge-me com a potência do alto * para que eu te aclame: * Santo, o templo vivente da tua glória imaculada, * ó amigo dos homens.

Ó Cristo, tu que és a vida pessoal * e revestiste o meu ser corrompido, * pois tu és um Deus compassivo, * descido no pó da morte, ó Soberano * feriste a mortalidade, * e,  ressuscitando ao terceiro dia, * revestiste de incorruptibilidade os mortos.

Tu vieste da Virgem: * não um enviado, não um anjo, * mas tu mesmo, o Senhor encarnado * e salvaste totalmente a mim como homem. * Por isso a ti aclamo: * Glória à tua potência.

Na tua amorosa compaixão * não suportavas, ó Soberano, * ver o homem tiranizado pela morte. * E eis! vieste, * e, feito homem, * com teu próprio sangue o salvaste, * tu que és bendito e mais que glorioso.

Com hinos, ó fiéis, * magnifiquemos unânimes o Verbo, * Deus de Deus, * que, inefavelmente encarnado por nós * de uma virgem santa, * vem com inenarrável sabedoria renovar Adão, * miseramente caído na corrupção * por um pedaço de pão.

Voluntariamente feito pobre * da pobreza de Adão, * ó Cristo Deus, * vieste à terra, * encarnado numa virgem, * e aceitaste a cruz * para libertar-nos da escravidão do inimigo: * ó Senhor, glória a ti!

Rodeou-me o abismo * da misericórdia e da compaixão * com tua amorosíssima descida entre nós: * encarnado, ó Soberano, * e assumida a forma de servo, * tu me deificaste * e, juntamente, te glorificaste.

Por inveja fui expulso * do paraíso de delícias, * após ser horrendamente precipitado; * mas tu não me desprezaste, ó Soberano: * assumindo, por mim, * aqui que te faz semelhante a mim, * és crucificado e me salvas, * e me introduzes na glória. * Ó meu Redentor, * glória a ti!

Todo em ti me assumiste * numa união sem confusão, * a todo meu ser doando, * ó meu Deus, * a salvação, * com a paixão que, na cruz, sofreste no corpo, * por tua grande e amorosa compaixão.

Sem separar-te do seio paterno, * ó Verbo unigênito de Deus, viste à terra, * em teu amor pelos homens, * feito homem sem mutação, * e na carne te submeteste à cruz e à morte, * tu que és impassível na tua divindade; * mas, ressuscitado dos mortos, * concedeste imortalidade à estirpe humana, * único onipotente.

Por infinita compaixão, * o meu Criador e Senhor, * sem deixar o Pai, * veio à terra como estrangeiro, * aniquilando-se a si mesmo * e da Virgem assumindo a forma dos servos, * na sua bondade, * segundo seu desejo;* o imortal sofreu a crucifixão, padecendo na carne, * e dissolveu a morte * e salvou o homem.

Não Deus sem corpo, * nem um simples homem * a Virgem pura e venerável gerou, *  mas um homem perfeito: * nós o magnificamos junto com o Pai e o Espírito.

Ergue os olhos, minha alma, * e medita a economia e a compaixão de Deus, * como ele, tendo aberto os céus, veio à terra * para libertar-te da miséria de tuas paixões * e colocar-te na rocha da fé: * ó, tremendo prodígio! * Glória à tua aniquilação, ó amigo dos homens!

O Rei dos céus, * em seu amor por nós, * apareceu na terra e viveu com os homens: * assumida a carne da Virgem pura, * e dela procedendo depois de tê-la assumido, * um só é o Filho, * dúplice na natureza, * mas não na hipóstase; * por isso, proclamando-o * realmente Deus perfeito e homem perfeito, * nós confessamos Cristo nosso Deus. * E tu, suplica-lhe, * ó Mãe sem núpcias, * para que seja feita misericórdia às nossas almas.

Tu me amaste muito * quando eu era inimigo, * tu, com teu extraordinário aniquilamento, * desceste à terra, * Salvador compassivo, * sem desprezar o opróbrio de minha baixeza: * e permanecendo nas alturas * de tua glória inefável, * glorificaste aquele que estava na desonra.

Por isso se amedronta o céu, * e os confins da terra são tomados pelo espanto: * porque Deus apareceu corporalmente aos homens, * e teu seio se tornou maior do que os céus: * a ti, pois, engrandecem, Mãe de Deus, * a multidão dos anjos e dos homens.

Simples pela tua natureza sem princípio, * aceitaste composição pela assunção da carne, * à qual te uniste hipostaticamente, * ó Verbo de Deus; * e tendo sofrido como homem, * não sofreste como Deus: * nós, portanto, te engrandecemos em duas naturezas, * sem divisão e sem confusão.

Treme todo ouvido * ao anúncio do inefável abaixamento de Deus: * como o Altíssimo voluntariamente desceu até um corpo, * tornando-se homem no ventre virginal. * Por isso nós, fiéis, engrandecemos * a imaculada Mãe de Deus.

Tu és admirável, ó Deus, * admiráveis são tuas obras, * e insondáveis os teus caminhos: * és sabedoria de Deus, * hipóstase perfeita e potência, * sinergia coeterna, com ele sem princípio; * tu, portanto, com onipotente poder * vieste ao mundo, * inefavelmente nascido de mãe não tocada por homem, * sem mudança na divindade, * a fim de procurar a criatura que fizeste bela, * dispondo termos e tempos para nossa salvação, * ó imutável. * Por isso, nós te aclamamos: * Senhor bom, glória a ti.

O Criador de todas as coisas, * o Artífice e Soberano, * dobrando-se com inefável compaixão, * somente por seu amor pelos homens, * teve piedade daquele que com suas mãos tinha formado * e que olhava caído, * e se compadeceu em reerguê-lo, * novamente o plasmando de modo mais divino, * com a própria aniquilação, * porque por natureza é bom e misericordioso. * Ele, portanto, assume Maria, * virgem e pura, * como mediadora do mistério, * para dela assumir, segundo seu desígnio, * aquilo que é nosso: * ela é celeste morada.

O Filho do eterno Genitor, * aquele que é Deus e Senhor, * da Virgem encarnado * manifestou-se a nós * para iluminar toda treva, * para reunir o que está disperso. * Magnifiquemos, portanto, a Mãe de Deus * digna de todo louvor.

Ao Filho que, antes dos séculos, * foi imutavelmente gerado do Pai, * e nos últimos tempos * da Virgem , sem seme, se encarnou, * a Cristo Deus aclamemos: * Tu que ergueste nossa fronte, * santo és tu, Senhor.

O Verbo do Pai, * por quem tudo existe, * impassivelmente e sem mudança * se revela como única hipóstase, * de duas naturezas.

Um extraordinário mistério * hoje se realiza por divina economia. * Renovam-se as naturezas, * e Deus se faz homem: * o que era, permaneceu, * e o que não era assumiu, * sem mistura nem divisão.

Como narrar o grande mistério? * Aquele que não tem carne, se encarna; * o Verbo assume densidade; * o invisível é visto, * e o intocável é tocado; * aquele que não tem princípio começa, * e o Filho de Deus se torna Filho do homem. * Jesus Cristo é o mesmo * ontem e hoje e pelos séculos.

Sou homem por natureza, * não em aparência, * e assim, pela troca das propriedades, * é Deus a natureza que a mim se uniu: * reconhecei-me, pois, como um único Cristo * que conserva íntegras as propriedades das duas naturezas, * das quais, nas quais a minha pessoa * está constituída e é.

Tendo visto o estranho parto, * tornemo-nos estranhos ao mundo, * transferindo ao céu o intelecto: * foi por isso que o Altíssimo * na terra apareceu como humilde homem, * querendo atrair para o alto todos os      que o aclamam: Aleluia!

Acolhendo tudo o que é do homem, * fazendo teu tudo o que é nosso, * quiseste ser pregado na cruz, * ó meu Criador, * escolhendo suportar a morte como homem * para da morte redimir, como Deus, o gênero humano. * Por isso nós, a ti que nos dais vida, aclamamos: * Glória, ó Cristo, ao teu compassível amor.

A Divindade, ó Virgem, * tendo em ti habitado * com uma das suas santas hipóstases, * uniu-se toda a mim em todo meu ser: * nós, por isso, te magnificamos * como Mãe de nosso Deus.

Concordemente os teóforos * proclamaram incriadas * a divina energia e a divina vontade * daquele que assumiu a pobreza da minha humanidade, * à carne entregando * energia e vontade criadas, * sabiamente evitando, esses bem-aventurados, * a confusão das naturezas * e a divisão das hipóstases. * Honrando-os cada ano com festas, * nós, fiéis, glorificamos concordes com Cristo * que os glorificou.

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3. O Mistério pascal

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