1. A luta contra as paixões

Se quiseres, és escravo das paixões. Se quiseres, és livre delas e não te sujeitas a elas, pois Deus te fez livre e quem vence as paixões da carne é coroado com a incorruptibilidade. Se não existissem as paixões, não existiriam as virtudes, nem as coroas dadas por Deus aos homens que delas são dignos.

Antônio o Grande,
Exortações 67

Também o mandamento dado por Deus ao primeiro homem manda prestar atenção à cabeça da serpente (cf. Gn 3,15), isto é, ao primeiro aparecimento dos pensamentos prejudiciais com os quais ela procura rastejar dentro de nossas almas. Se recebermos a cabeça, o primeiro estímulo do pensamento, depois acolheremos o corpo da serpente e consentiremos no prazer. Então ela arrastará nosso pensamento a agir de forma ilícita. Convém-nos, como está escrito, a cada manhã matar todos os pecadores da terra (cf. Sl 100,8), isto é, discernir com a luz do conhecimento e destruir as tentações, que são os pecadores da terra, do nosso coração, conforme o ensinamento do Senhor (cf. Mt 15,19) e, quando os filhos de Babilônia, os maus pensamentos, ainda são lactantes, abatê-los e despedaçá-los na pedra que é Cristo (cf. Sl 136,9). Porque, se por nosso consentimento se tornarem adultos, não poderão ser vencidos sem grandes gemidos e fadigas.

Cassiano o Romano,
Ao bispo Castor, vol. I, pp. 64-65
.

Não depende de nós que as paixões atormentem a alma e conduzam-na à luta, mas depende de nós que não se aprofundem em nós e que as paixões se excitem; no primeiro caso, não há pecado, pois não depende de nós; no segundo, se combatermos valorosamente, receberemos a coroa da vitória, mas se, pelo contrário, formos derrotados pela indolência e vileza, receberemos os castigos por elas.

Teodoro, bispo de Edessa,
Capítulos 9

Com paixão a alma se recorda do que fizemos sob efeito da paixão. Mas, quando as recordações passionais desaparecem do coração e deixam de assaltá-lo, isso é sinal de perdão das culpas passadas. Enquanto a alma vive na paixão, nela se reconhece o domínio do pecado.

Teodoro, bispo de Edessa,
Capítulos 11

Aqueles que vivem no mundo em contato com a matéria das paixões são combatidos e incomodados pelos demônios através da guerra da ação; aqueles que vivem nos desertos e pobreza de coisas materiais são atormentados pelos pensamentos. A segunda guerra é muito mais difícil que a primeira. Uma, porque se realiza através das coisas materiais, tem necessidade de um tempo, de um espaço e de uma oportunidade; a outra, porque acontece através da mente, é logo colocada em movimento e é difícil de segurar. Mas, para combater nessa luta incorpórea foi-nos dada a oração pura e foi-nos ordenado de repeti-la incessantemente (cf. 1Ts 5,17); ela fortifica o profundo do coração e o prepara para o combate, pois pode acontecer mesmo sem o corpo.

Teodoro, bispo de Edessa,
Capítulos 16

É coisa grande não sofrer paixão por parte das coisas, mas muito maior é permanecermos livres das paixões diante de suas imagens. Por isso, a guerra que nos fazem os demônios por intermédio dos pensamentos é mais dura do que aquela que nos fazem por meio das coisas.

Máximo o Confessor,
Sobre a caridade 1,91

Quanto mais fácil é pecar com o pensamento, tanto mais dura é a luta contra os conceitos do que aquela contra as coisas.

As coisas estão fora das profundidades do coração, enquanto que seus conceitos estão dentro. Pertence ao coração fazer bom ou mau uso delas; ao uso errado dessas últimas segue-se o mau uso das coisas.

Não abuses dos conceitos se não quiseres, necessariamente, abusar também das coisas; se um não peca primeiro com o pensamento, nunca pecará com as obras.

Máximo o Confessor,
Sobre a caridade 2,72-73.78

É coisa grande não estar presos pela paixão pelas coisas, mas muito maior é permanecer livres das paixões relativas aos conceitos delas.

Máximo o Confessor,
Sobre a caridade 3,38

Muitas paixões estão escondidas em nossas almas e se manifestam ao aparecerem coisas.

Pode-se não ser atormentados pelas paixões na ausência das coisas, atingindo certa libertação das paixões; mas, apenas aparecem as coisas, logo as paixões atormentam o coração.

Máximo o Confessor,
Sobre a caridade 4,52-53

Um mal que se prolonga no tempo tem necessidade de uma ascese prolongada. Um costume consolidado não se remove de uma vez.

Talássio Líbico,
Sobre a caridade 3,7

Como um lavrador que não arranca as ervas daninhas sufoca as hortaliças, assim o coração que não purifica os pensamentos perde suas fadigas.

Talássio Líbico,
Sobre a caridade 4,397

Eis como acontece a vitória no combate contra nós: antes de tudo, há o assalto da tentação, depois a união com ela, depois o consentimento, depois a prisão, e então a paixão fabricada pelo costume e a continuidade. Estas são as definições dadas também pelos Pais.

O assalto, dizem, é um pensamento simples ou a imagem de uma coisa há pouco gerada no coração com uma aparição devida ao caso e que apresenta à mente. A união é a conversação com aquilo que aparece, com ou sem paixão. O consenso é a inclinação prazerosa da alma para aquilo que apareceu. A prisão é o ir embora, com violência e contra a vontade, do coração ou o comércio contínuo e destrutivo da parte mais nobre da alma com aquilo que aconteceu. Paixões, dizem, são aquilo que há tempo se escondem na alma passionalmente. De todas essas coisas, a primeira está privada de culpas; a segunda, não completamente; a terceira, segundo o estado de quem luta; e o combate busca coroas ou castigos.

Filoteu o Sinaíta,
Capítulos népticos 34-35

É impossível que um homem se torne improvisamente bom e sábio; ocorre uma meditação assídua, perseverança, experiência, tempo, ascese e desejo da boa obra. Mas o homem bom e amigo de Deus, que em verdade conhece Deus, não deixa de fazer em medida abundante tudo aquilo que agrada a Deus; encontram-se poucos homens desse gênero.

Antônio o Grande,
Exortações 40

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