Webmaster

Este usuário não compartilhou nenhuma informação biográfica

Página Inicial: http://www.ecclesia.org.br

AIM: Identificador...

SANTA EDITH STEIN – A TEOLOGIA DA CRUZ

Edith Stein

“o que vale a pena possuir, vale a pena esperar”

Edith nasceu em Breslau, então Alemanha, hoje Polônia, em 12 de outubro de 1891, numa família de judeus praticantes, última e predileta de 11 irmãos. Foi Uma criança dotada e sensibilíssima e muito cedo pressentiu ser chamada a um grande futuro, mas não sabia qual.

A sua era uma família piedosa e praticante da fé judaica.

Pelos 14 anos, mergulhou numa crise existencial e negou-se a continuar os estudos: “Foi o período no qual perdi a fé de minha infância e comecei, como pessoa autônoma, a rejeitar qualquer orientação, com plena consciência e por livre escolha; e perdi o hábito de rezar”.

Em 1911, foi uma das primeiras mulheres a se inscrever na Universidade de Breslávia. Era uma apaixonada pesquisadora da verdade. Não admitia verdade que não pudesse ser demonstrada.

Seguindo para Göttingen, tornou-se predileta discípula de Edmund Husserl, o grande filósofo alemão da época. Frequentou o curso de fenomenologia: aprende o método de por-se objetivamente diante dos Fenômenos. Deu grandes passos em sua busca da verdade do ser.

Sua tese de doutorado teve como tema a EMPATIA. Essa implica no máximo de proximidade, sem identificar-se com o outro, mas respeitando-o na sua individualidade.

Edith começa novamente a intuir a realidade do mundo interior que desde pequena sempre percebeu em si, e que tinha negado.

Na grande GUERRA DE 1915-1918, ela mergulhou num período de desespero, uma dolorosa desconfiança em si mesma e nos meios racionais. Interrompeu os estudos por causa da guerra e pediu para ser admitida como enfermeira na Cruz Vermelha.

Em 1916 conseguiu a láurea e se tornou assistente de Husserl, mas em 1918 deixou o encargo, desiludida das próprias aspirações intelectuais.

Ela percebeu que muitos discípulos de Husserl se convertiam ao Cristianismo: ela aprendeu a “olhar as coisas sem preconceitos, sem óculos que tampassem a visão. Os preconceitos racionalistas caíram, e o mundo da fé se ergueu novamente diante de mim”.

Edith tinha reencontrado a fé de seus pais, a fé judaica, mas, algo lhe faltava que lhe desse o sentido do ato de crer.

Deus a encontrou onde menos seria esperado. Em 1921 visitava alguns amigos, onde passou a noite. Procurando um livro, encontrou o MINHA VIDA, de Santa Teresa de Jesus, de Ávila, sua autobiografia. Começou a devorá-lo, sem interromper a leitura. Ao concluir, fechou o livro e exclamou: ESTA É A VERDADE. Para Edith aconteceu o encontro definitivo com Cristo, após 4 anos de luta interior.

Descobriu ser habitada por um TU que procura o relacionamento com o nosso EU: Deus mora em nós, é nosso amigo. Reconhece na experiência mística de Santa Teresa a VERDADE tanto procurada. Seu ponto de partida não foi a busca de Deus, mas do homem e, contudo, deixou-se encontrar por Deus que nos busca a nós que o buscamos. O caminho do encontro é o caminho da oração: rezar é um encontro de amigos.

Naquela noite, Edith recolheu-se judia, e acordou-se católica. Transformada, recebeu o Batismo em 1º de janeiro de 1922.

Pelo fato de ser de sangue judeu, mesmo sendo brilhante, e também por ser mulher, Edith foi impedida de seguir na sua profissão de conferencista e professora.

Nuvens negras cobriam a Alemanha

O poder de Hitler e o nazismo rapidamente invadiam a Alemanha e anunciavam o trágico destino reservado ao povo judeu.

Em 14 de outubro de 1933, Edith realizou o desejo de ser recebida entre as Carmelitas Descalças de Colônia, obtendo a permissão de continuar escrevendo. No Carmelo, recebeu o nome de Irmã Teresa Benedita da Cruz. Em Deus tinha encontrado tudo.

A experiência vivida por ela e agora, por seu povo, indicavam o rumo: “É PRECISO SEGUIR A CRISTO PELO MESMO CAMINHO QUE ELE TRAÇOU: O CAMINHO PASCAL. O dom da vida, o dom do amor, feitos àqueles que estão no cansaço e na sombra da morte, constituem a obra que Cristo confiou aos discípulos, à Igreja” e a ela.

Santa Edith Stein, carmelita

O que fazer para impedir o avanço do nazismo e a perseguição contra os judeus?

Teresa Benedita quer fazer algo de concreto. Pensou num encontro com o Papa, mas apenas pode escrever-lhe uma carta. O Papa enviou uma bênção para ela e sua família.

Teresa Benedita interpretava a perseguição a seu povo como um ódio a Cristo, que também era judeu.

Do Carmelo, Teresa Benedita acompanhava o avanço da política de Hitler: “Uma luz particularmente viva iluminou o meu espírito: somente nesse momento tive a intuição que a mão de Deus ainda pesava sobre meu povo e que o destino desse povo era também o meu”.

Em 1938, para garantir a segurança do Carmelo de Colônia, aceitou ser transferida ao Carmelo do Echt, na Holanda. Mas, também ali a perseguição começou a ser sentida.

Em 1941, seus irmãos Frida e Paul, bem como a esposa e a filha deste são deportados para o campo de concentração de Theresienstadt, onde morrem em 1942.

Um acontecimento fez as coisas se precipitarem: em 20 de julho de 1942 foi publicada a Carta Pastoral dos bispos holandeses contra a perseguição aos judeus. Então, iniciou os procedimentos para refugiar-se na Suíça, e com ela, sua irmã Rosa, também convertida. E assim, Teresa Benedita e a irmã Rosa não tiveram tempo para sair da Holanda, e foram envolvidas pelo ódio da vingança nazista contra os católicos judeus.

Em seu Testamento deixou escrito: “Quero oferecer-me a mim mesma ao Coração de Jesus, em sacrifício de expiação pela paz verdadeira. Sei que sou um nada, mas Jesus o quer e que nestes dias não deixará de fazer o mesmo pedido a muitas almas”.

Em 12 de agosto de 1942 dois guardas das SS nazistas aprisionaram Teresa e sua irmã Rosa. Deixando o Mosteiro, Teresa Benedita disse a sua irmã: “Vem, nós andamos pelo nosso povo”.

A primeira parada foi o campo de Westerbork, no norte da Holanda. “Teresa estava pálida, mas calma, e consolava seus companheiros de provação” (de uma testemunha). Socorria as crianças abandonadas pelas mães enlouquecidas pela dor. “Respondia a cada sofrimento com paciência infinita, com imenso amor” (id).

Três dias antes de sua morte, tinha dito: “Aconteça o que acontecer, estou preparada. Jesus está aqui conosco”. Foi com grande força interior que Teresa Benedita subiu no trem da morte, diretamente para Auschwitz-Birkenau. Era o dia 7 ou 8 de agosto de 1942.

Com toda probabilidade, Teresa Benedita e sua irmã Rosa foram mortas numa câmera da gás e imediatamente cremadas após sua chegada, em 9 de agosto de 1942.

Ela tinha afirmado: “o que nos salvará não serão as realizações humanas, mas a paixão do Cristo, na qual quero ter parte””. Edith Stein havia compreendido a ciência da cruz, por assim dizer, buscando o significado da verdade.

“Para onde Deus nos conduz, não sabemos. Apenas sabemos que ele nos conduz”.

“Quem espiará o que acontece ao povo judeu, em nome do povo alemão? Quem transformará essa culpa abominável em bênção para os dois povos?”.

“Também o caminho da fé é um caminho obscuro”.

“Devemos colocar-nos nas mãos de Deus sem garantias humanas, na certeza de sermos guardados por ele”.

São Maximiliano Kolbe e Santa Edith Stein – mártires do nazismo

SANTA TERESA BENEDITA DA CRUZ – SANTA EDITH STEIN

  • Em 4 de janeiro de 1962, em Colônia, tem início  o processo de beatificação.
  • Em 1º de maio de 1987,  Teresa é beatificada em Colônia pelo papa João Paulo II.
  • Em 11 de outubro de 1998, Teresa é canonizada pelo papa João Paulo II.
  • Em seguida é proclamada Padroeira da Europa. A Igreja celebra sua festa em 9 de agosto.

PALAVRAS DOS ESCRITOS ESPIRITUAIS DE SANTA EDITH STEIN

“Saudamos-te, Cruz santa, nossa única esperança!”, assim a Igreja nos faz dizer no tempo da paixão, dedicado à contemplação dos amargos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O mundo está em chamas: a luta entre Cristo e o anticristo encarniçou-se abertamente, por isso, se te decidires por Cristo, pode te ser pedido também o sacrifício da vida.

Contempla o Senhor que pende do lenho diante de ti porque foi obediente até a morte de Cruz. Ele veio ao mundo não para fazer a sua vontade, mas a do Pai. Se queres ser a esposa do Crucificado deves renunciar totalmente à tua vontade e não ter outra aspiração senão a cumprir a vontade de Deus.

À tua frente o Redentor pende da Cruz despojado e nu, porque escolheu a pobreza. Quem quer segui-lo deve renunciar a toda posse terrena. Estás diante do Senhor que pende da Cruz com o coração despedaçado; Ele derramou o sangue de seu Coração para conquistar o teu coração. Para poder segui-lo em santa castidade, o teu coração deve ser livre de toda aspiração terrena; Jesus Crucificado deve ser o objeto de todo o teu anseio, de todo o teu desejo, de todo o teu pensamento.

O mundo está em chamas: o incêndio poderia pegar também em nossa casa, mas, acima de todas as chamas, ergue-se a Cruz que não pode ser queimada. A Cruz é o caminho que conduz da terra ao céu. Quem a abraça com fé, amor e esperança é levado para o alto, até o seio da Trindade.

O mundo está em chamas: desejas extingui-las? Contempla a Cruz – do Coração aberto jorra o sangue do Redentor, sangue capaz de extinguir também as chamas do inferno. Através da fiel observância dos votos, torna o teu coração livre e aberto; então, poderão ser despejadas neles as ondas do amor divino; sim, a ponto de fazê-lo transbordar e torná-lo fecundo até os confins da terra.

Através do poder da Cruz, podes estar presente em todos os lugares da dor, em toda parte para onde te levar a tua compassiva caridade, aquela caridade que haures do Coração divino e que te torna capaz de espargir, por toda parte, o seu preciosíssimo sangue para aliviar, salvar, redimir.

Os olhos do Crucificado fixam-te a interrogar-te, a interpelar-te. Queres estreitar novamente com toda seriedade a aliança com Ele? Qual será a tua resposta? “Senhor, aonde irei? Só tu tens palavras de vida”.


Pe. José Artulino Besen

1 comentário

PADRE LUIZ CARLOS RODRIGUES

Padre Luiz Carlos Rodrigues

Na década de 60 do século passado, especialmente após o Vaticano II, falou-se bastante de vocações “adultas”, isto é, receber no seminário jovens já saídos da adolescência, com maior maturidade afetiva, que tivessem completado o 2º. Grau. A tradição formativa preferia receber vocacionados crianças e adolescentes, e os estudos seminarísticos pediam um percurso de sete anos antes de iniciar o Seminário maior, o que facilitaria o trabalho da formação integral da personalidade. A multiplicação de colégios e ginásios em municípios do interior sinalizava a possibilidade de ingressar no seminário diretamente nos estudos filosóficos, favorecendo a formação no âmbito da família e da comunidade.

Dom Afonso Niehues, arcebispo de Florianópolis, foi favorável a esse novo caminho ainda como experiência, e recebeu vocacionados encaminhados para Curitiba, diretamente para os estudos filosóficos e teológicos. Isso acarretou novas exigências, especialmente na formação humana e religiosa: era desafiante acompanhar um seminarista vindo do seminário menor ou do colégio público. Incluído nos primeiros que trilharam o novo caminho está Luiz Carlos Rodrigues.

Luiz Carlos Rodrigues nasceu em Serraria, Barreiros, São José, SC em 22 de novembro de 1946, filho de Jorge Turíbio e Benta Paulina Farias, numa numerosa família de 10 irmãos. Seu pai era pescador, embarcado, passando tempos fora de casa. Uma família pobre alicerçada na coragem e perseverança da mãe. Sua formação escolar aconteceu em colégios públicos até a conclusão do 2º Grau: estudos primários em Barreiros, ensino fundamental na Escola Industrial de Florianópolis (1960-1963) e o ensino médio no Instituto Estadual de Educação (1964-1967). Leia o resto deste post »

3 Comentários

SANTA PAULINA OU O RETORNO À CANCEROSA

Santa Paulina, em 1940, nos 50 anos em que deixou a casa paterna. Devido à diabete, estava cega e tinha um braço amputado.

Às 5:50h de nove de julho de 1942, aos 77 anos, Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus ingressava na Pátria eterna. Suas últimas palavras: “Misericórdia! Misericórdia!”. Terminava uma aventura espiritual iniciada em Vígolo, Nova Trento no distante ano de 1890: naquele ano, Amábile Visintainer e Virgínia Nicolodi recolheram a cancerosa Ângela Lúcia Viviani e dela cuidaram até a morte.

Com o passar dos dias, meses e anos, mais jovens se juntaram ao ideal de Amábile para cuidar dos doentes, das crianças, dos pobres, dos índios, das missões. Surgia um novo instituto religioso no qual Amábile assumiu como nome e projeto de santificação Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Unia, em seu nome, o ardor missionário do apóstolo Paulo e a sede de almas do Coração agonizante de Jesus. Como suas contemporâneas Teresinha de Lisieux, Gema Galgani e Elizabeth da Trindade ela escutava no mais profundo do seu ser o grito de Jesus crucificado: “Tenho sede!”. Estas mulheres santas entenderam que o Senhor não pedia água, pois a sede que sofria era a de almas, de salvar pessoas. No longo caminho de sua existência, de seu calvário físico e moral, Paulina não permitia que escorresse em vão o sangue do lado direito de Jesus: recolhia-o para reanimar as almas enfraquecidas pelo pecado, pela miséria social e religiosa, pelo abandono familiar.

Ao lado de Maria, aos pés da Cruz, decidiu assumir em sua vida uma mais sublime maternidade: a espiritual. Na simplicidade da imigrante que mal falava o português e do italiano conhecia o dialeto trentino, tornou-se mãe de muitos filhos e filhas que trouxe para a acolhedora casa dos cristãos. As jovens que a seguiam não eram cativadas por algum discurso envolvente ou para encaminhar obras vistosas: com ela aprendiam a ouvir o grito de Jesus “Tenho sede!”, e com ela também desposavam a maternidade espiritual após se revestirem da veste e do anel de esposa do Senhor.

Casebre onde Paulina cuidou da cancerosa

As palavras últimas de sua existência, seu testamento, “misericórdia! misericórdia!” coroaram seu programa de vida cristã: ter compaixão, compartilhar com Maria o sofrimento de tantos filhos em cujo rosto viu estampado o rosto do Senhor. Como todos os santos e santas, Paulina sabia que por melhores que sejamos, por mais obras meritórias que realizemos, seremos sempre mendicantes da misericórdia divina. Não há merecimento: tudo é graça! Ela, cuja vida foi misericórdia, ingressa na eternidade balbuciando suavemente o grande e único necessário cântico da criação: “Misericórdia!” Ao escutá-lo, a majestade divina se reveste de glória e convida: “Vinde!”, não para ver, mas para compartilhar a eterna felicidade.

A verdadeira devoção à Madre Paulina pode ser expressa no “retorno à cancerosa”: uma mulher pobre, abandonada na dor do câncer, foi o desafio à santidade daquelas jovens de Vígolo, que uniram a caridade à missão e à misericórdia.

Em 19 de maio de 2002, a Igreja deu à Madre Paulina o título de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Não para que façamos dela uma fazedora de milagres, um pronto socorro de preguiça espiritual, nem para viver da herança da santidade dela, esquecendo-se de que cada um de nós deve ser santo e aplacar a sede do Senhor. Fazer o mesmo caminho: partir da cancerosa de Vígolo e trilhar a via única da misericórdia.


Pe. José Artulino Besen

 

1 comentário

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Jesus revela seu Coração a Santa Margarida

O Filho de Deus veio ao mundo para revelar o amor de Deus Pai por todas as criaturas, sem perder nenhuma. Veio trazer-nos a mensagem da paternidade divina em sua infinita bondade e compaixão. É essa a mensagem central da Sagrada Escritura: Deus é amor.

Houve períodos da história cristã em que o acento da fé e da vida recaíram no medo de Deus, na justiça divina mais como vingança por nossos erros do que como justiça que nos faz justos gratuitamente.

Nessas horas o Senhor desperta homens e mulheres e lhes dá a graça de sentirem sua misericórdia, anunciando-a pela vida e pela palavra. No século 20 conhecemos a mensagem extraordinária da Divina Misericórdia através de Santa Faustina, que trouxe para a Igreja uma poderosa corrente de confiança no Senhor que nos salva. Também conhecemos a vida de São Padre Pio, que fez do confessionário sua tribuna.

O século XVII espalhou pelo mundo uma devoção, a maior e mais legítima devoção cristã: ao Sagrado Coração de Jesus. Foi numa época em que prevalecia o rigorismo cristão, a busca da salvação pelas obras e pela penitência. O Senhor manifestou a devoção ao Sagrado Coração a uma jovem religiosa, Santa Margarida Alacoque e usou como canal a Companhia de Jesus.

Margarida nasceu no dia 22 de Agosto de 1647 em Verosvres, na Borgonha (França). Seu pai, Claudio de Alacoque, juiz e tabelião, morreu quando Margarida ainda era muito jovem, forçando ela e a mãe a irem morar com um tio e junto a parentes que lhes fizeram conhecer a humilhação da necessidade, parentes pouco generosos e nada propensos a consentir que ela realizasse o seu desejo de ingressar no convento.

Depois foi internada no pensionato das religiosas clarissas, iniciando uma vida de sofrimento que soube orientar para Deus: “Sofrendo entendo melhor Aquele que sofreu por nós”. Uma enfermidade forçou-a a viver acamada por quatro anos. Foi curada pela intercessão da Virgem Maria.

Na festividade de São João Evangelista de 1673, moça de vinte e cinco anos, irmã Margarida Maria, recolhida em oração diante do Santíssimo Sacramento, teve o singular privilégio da primeira manifestação visível de Jesus, que se repetiria por outros dois anos, toda primeira sexta-feira do mês. Margarida passou a viver em intensa intimidade com o Senhor, que lhe mostrava o Coração.

Em 1675, durante a oitava do Corpo de Deus, Jesus manifestou-se-lhe com o peito aberto e, apontando com o dedo seu Coração, exclamou:

Eis o Coração que tem amado tanto aos homens a ponto de nada poupar até exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes o seu amor. E em reconhecimento não recebo senão ingratidão da maior parte deles“.

Segundo seu testemunho, o Coração estava rodeado de chamas de fogo, coroado de espinhos, com uma ferida aberta da qual corria sangue e de cujo interior brilhava uma luz.

Meu divino Coração está tão apaixonado de Amor pelos homens, em particular por ti, que, não podendo conter nele as chamas de sua ardente caridade, é necessário que as derrame valendo-se de ti, e a eles se manifeste para enriquecê-los com os preciosos dons que te estou revelando, os quais contém as graças santificantes e salutares necessárias para separá-las do abismo de perdição. Te escolhi como um abismo de indignidade e de ignorância, para que tudo seja obra minha”.

A difusão da obra de Santa Margarida

Sendo mulher e mística e religiosa, Margarida foi muito incompreendida no seu ambiente e também na Igreja local que julgava as aparições “fantasias” místicas, “coisas de mulher”. Opinião diferente teve o jesuíta São Cláudio de la Colombière, profundamente convencido da autenticidade das aparições. Tornado diretor espiritual dela, buscou não só defende-la, mas também propagar a espiritualidade do Sagrado Coração.

Margarida progrediu na santidade pessoal, na vida comunitária e teve a alegria de ver a difusão da devoção do Sagrado Coração, nos séculos seguintes assumida pela Igreja, pelos Papas. A Associação do Apostolado da Oração, nascida para a vivência da misericórdia divina se espalhou pelo mundo, congregando atualmente 35 milhões de pessoas. Assumida pelas padres jesuítas, a cada mês os associados se unem ao Papa que lhes confia uma Intenção Geral e uma Intenção Missionária.

O Catecismo na Igreja Católica (§478 ) assim se expressa:

“Jesus conheceu-nos e amou-nos a todos durante sua Vida, sua Agonia e Paixão e entregou-se por todos e cada um de nós: “O Filho de Deus amou-me e entregou-se por mim” (Gl 2,20). Amou-nos a todos com um coração humano. Por esta razão, o sagrado Coração de Jesus, traspassado por nossos pecados e para a nossa salvação, – é considerado o principal sinal e símbolo daquele amor com o qual o divino Redentor ama ininterruptamente o Pai Eterno e todos os homens”.

Margarida Maria de Alacoque faleceu em 17 de Outubro de 1690, aos 43 anos de idade. Foi canonizada pelo Papa Bento XV em 1920.

Difundiu e ajudou a difundir as 12 Promessas do Sagrado Coração de Jesus, alimento seguro de milhões de devotos.

  1. Dar-lhes-ei todas as graças necessárias ao seu estado de vida.
  2. Estabelecerei a paz nas suas famílias.
  3. Abençoarei os lares onde for exposta e honrada a imagem do Meu Sagrado Coração.
  4. Hei-de consolá-los em todas as dificuldades.
  5. Serei o seu refúgio durante a vida e em especial na hora da morte.
  6. Derramarei bênçãos abundantes sobre todos os seus empreendimentos.
  7. Os pecadores encontrarão no Meu Sagrado Coração uma fonte e um oceano sem fim de Misericórdia.
  8. As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas.
  9. As almas fervorosas ascenderão rapidamente a um estado de grande perfeição.
  10. Darei aos sacerdotes o poder de tocarem os corações mais empedernidos.
  11. Aqueles que propagarem esta devoção terão os seus nomes escritos no Meu Sagrado Coração e d’Ele nunca serão apagados.
  12. Prometo-vos, no excesso de Misericórdia do Meu Coração, que o Meu Amor Todo-Poderoso concederá, a todos aqueles que comungarem na Primeira Sexta-Feira de nove meses seguidos, a graça da penitência final; não morrerão no Meu desagrado nem sem receberem os Sacramentos: o Meu Divino Coração será o seu refúgio de salvação nesse derradeiro momento.

“Do vosso lado aberto a Igreja nasceu, e dos Sacramentos a fonte correu” – assim cantava um antigo hino religioso, afirmando o nascimento da Igreja pelo Coração aberto do Senhor, donde brotaram o Batismo e a Eucaristia, a água e do sangue.


Pe. José Artulino Besen

3 Comentários

A TRINDADE SANTÍSSIMA – NOSSO DEUS

Domínio Público, via Wikipédia*

“É absurdo e impróprio pintar em ícones a Deus Pai com barba cinza e o Filho Unigênito em seu seio com uma pomba entre ambos, posto que ninguém viu o Pai segundo a Sua Divindade, que o Pai não tem carne […] e que o Espírito Santo não é, em essência, uma pomba, mas, em essência, Deus” (Grande Sínodo de Moscou, 1667).

Esta decisão da Igreja Ortodoxa Russa condenou a tendência de artistas russos que, de certo modo, estavam imitando a arte ocidental, deixando de lado os princípios canônicos que determinavam a forma e o conteúdo dos ícones. E, a Rússia já tinha oferecido à Igreja o ícone da Trindade Santíssima por obra do monge Andrei Rublev (1360-1430), e que se tornou modelo para os outros ícones. Rublev, canonizado pela Igreja russa em 1988, para sua obra prima teve seus dias de pura inspiração e, quando apresentou aos monges o ícone da Trindade, provocou um puro assombro: estavam diante de algo divino, jamais concebido por artista humano, e prorromperam num hino de louvor ao Deus Trindade, cuja beleza ninguém podia imaginar, mas que se revelara ao monge Rublev, na igreja do Mosteiro da Santíssima Trindade de Moscou.

A Trindade é um mistério – e sempre o será nesta terra. Às vezes, porém, nos são concedidos vislumbres da vida divina, e o ícone de Rublev nos permite espreitar brevemente por trás do véu que oculta o mistério.

Após prolongado jejum e oração, encontrou a inspiração no texto sagrado, em Abraão junto ao carvalho de Mambré e recebendo a visita de três homens: Leia o resto deste post »

2 Comentários

VIVER NO ESPÍRITO, O EVANGELHO DA ALEGRIA

No Espírito, a alegria é sempre criativa

A Páscoa da Ressurreição é integrante da Páscoa de Pentecostes. Uma segue a outra e são inseparáveis, manifestam seu poder e beleza na Eucaristia. A unidade dos cristãos na celebração da Eucaristia manifesta a alegria que brota do Cristo vencedor da morte e que derrama o Espírito Santo para que a vida seja sempre renovada pela comunhão, libertada de estruturas caducas que aprisionam em recintos fechados. Não vive na sedução do passado, mas se projeta sempre no futuro, conduzido pela coragem derramada pelo Espírito.

Para aprofundar esse espírito, o Conselho Regional Missionário (COMIRE) promove dos dias 09 a 11 de junho de 2017na Paróquia São Francisco de Assis, em Palhoça, o VI Congresso Missionário Regional, abrangendo todas as dioceses catarinenses.

O encontro está em sintonia com a realização do 5º Congresso Missionário Americano (CAM 5), o Congresso Missionário Latino Americano (COMLA 10) e o 4º Congresso Missionário Nacional, em Recife, Pernambuco.

Com o tema – “A alegria do Evangelho, coração da missão profética, fonte de reconciliação e comunhão” – e o lema – “Santa Catarina em Missão. O Evangelho é Alegria” –, o encontro tem o objetivo geral de assumir a natureza missionária da Igreja, guiada pelo Espírito, a serviço do Reino, vivendo e testemunhando a alegria do Evangelho.

Alimentado por Cristo e tocado pela potência do Espírito, o cristão é impelido ao anúncio da  alegria do Evangelho: para a glória do Pai anuncia a renovação da comunidade, da criação, da vida. É súplica nossa que o Filho envie seu Espírito para que a terra seja renovada, o Evangelho seja boa nova, feliz notícia que nos faz experimentar a força da graça, o amor divino. Leia o resto deste post »

2 Comentários

NOSSA SENHORA DE CARAVAGGIO

vitral

Joanita, diante do imperador de Constantinopla João VIII Paleólogo – vitral em Azambuja

O peregrino ou devoto que entra no Santuário de Azambuja, em Brusque, tem a graça de contemplar, no alto do altar-mor, o belíssimo conjunto com as imagens de Nossa Senhora e Joanita, retratando a aparição ocorrida em 1432 na cidade italiana de Caravaggio. Foi essa a devoção que os primeiros habitantes de Azambuja trouxeram da Itália: a companhia de sua “Madonna” foi o melhor consolo para as peripécias de uma longa viagem e a saudade na nova terra. Nossa Senhora de Caravaggio fazia-os recordar sua terra, suas devoções, os amigos lá deixados.

Transcrevemos, a seguir, a mais antiga narração dessa aparição mariana que é, ao mesmo tempo, a narração oficial:

“Deus, rico de misericórdia e todo-poderoso, que tudo dispõe suavemente com sua providência, com aquela piedade que nunca deixa nenhum fiel realmente privado de seu celeste socorro, num dia aprouve-lhe olhar, socorrer e inclusive honrar o povo de Caravaggio com a aparição da Virgem Mãe de Deus.

No ano de 1432 do nascimento do Senhor, no dia 26 de maio às 5 horas da tarde, aconteceu que uma mulher de nome Joanita, oriunda do povoado de Caravaggio, com 32 anos de idade, filha de um certo Pietro Vacchi e esposa de Francesco Varoli, conhecida de todos por causa de seus costumes virtuosíssimos, sua piedade cristã, sua vida sinceramente honesta, tendo cortado o capim para seus animais fora de Caravaggio ao longo da estrada que dá para Milão, estava totalmente preocupada em como levar para casa aqueles feixes de capim. [Como o marido era muito violento e costumava espancá-la, tinha receio de atrasar-se e, com isso, ser castigada].

Foi então que viu uma Senhora belíssima e admirável, de estatura majestosa, rosto gracioso, aparência veneranda e de indizível e nunca vista beleza física, vestida com hábito azul e tendo a cabeça coberta com um véu branco, vinda do alto e parar exatamente vizinha a ela. Tocada pelo aspecto de tal modo venerável da nobre Senhora, estupefata, Joanita exclamou: Leia o resto deste post »

2 Comentários

O PAPA DA PAZ NO EGITO DA PAZ

Papa Francisco e o Papa Copto Tawados II

O grande Imam de Al Azhar, xeque Muhammad Ahmed al-Tayyeb, convocou a Conferência Internacional pela Paz, no Cairo. Como participantes, convidou os líderes das principais religiões do Oriente Médio: os Islamitas sunitas, cristãos católicos romanos, coptas ortodoxos, coptas católicos e luteranos. Há poucos anos, seria inimaginável que uma autoridade muçulmana promovesse uma conferência com cristãos e também que religiosos fossem convidados para um encontro internacional pela paz.

Mas, os acontecimentos históricos inspiram novos caminhos e, nesse caso, o único caminho possível: a paz. O terrorismo de matriz religiosa hoje se revela em toda a sua crueza e escândalo: como matar em nome de Deus e como querer a paz destruindo pessoas? Matar em nome de Deus é blasfêmia, e nada mais incoerente. Deste modo, está nas mãos dos religiosos, dos crentes, a chave da promoção da paz.

Papa Francisco foi convidado e aceitou estar presente e, mesmo nos recentes atentados contra igrejas no Egito, permaneceu firme e sentiu mais ainda necessária sua presença, sem medo, e rejeitando carros blindados.

Nos dias 28 e 29 de abril, Francisco esteve no Egito, e se encontrou com o Presidente Al Sisi, com  Al Tayyeb, maior autoridade do Islã sunita e reitor da Universidade Al Azhar, com Tawadros II, Papa dos cristãos coptas, Bartolomeu I,  Patriarca de Constantinopla, Ibrahim Isaac, Patriarca dos coptas católicos, Pastor luterano Olaf Tveit, secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas. Uma viagem apostólica sob o signo da unidade, amizade e respeito.

Sua 18ª. viagem internacional foi marcada por alto conteúdo pastoral (para a pequena comunidade católica egípcia), ecumênico (para os ortodoxos coptas e evangélicos), inter-religioso (para os muçulmanos) e também geopolítico (no coração de focos do terrorismo do Isis). Leia o resto deste post »

7 Comentários

MONSENHOR OTÁVIO DE LORENZI

Monsenhor Otávio de Lorenzi

Otávio nasceu em Orleans, Santa Catarina, em 14 de maio de 1931, filho de Antônio de Lorenzi Dinon e Catarina Pilon, numa família de 12 irmãos.

Na década de 1950, os pais se mudaram para a comunidade de Taquaruçu de Cima, Município de Fraiburgo, SC. Com essa migração dos pais, Otávio ingressava na Diocese de Lages, no Planalto catarinense, no novo mundo cultural e religioso do serrano.

Um professor primário despertou nele a vocação sacerdotal e aconselhou-o a ir para o Seminário. E assim, dirigiu-se para o Pré-Seminário de São Ludgero, onde permaneceu em 1946 e 1947. Educado numa família humilde e pobre onde a língua diária era um dialeto italiano, teve dificuldade nos estudos. Em suas primeiras férias trouxe para os pais a grande notícia de que estava estudando a língua portuguesa.

Terminando o curso preliminar, foi encaminhado para o Seminário Menor Metropolitano de Azambuja, em Brusque, onde cursou o Ginásio e o Clássico, dos anos 1948 a 1952. Ao final desse último ano, recebeu a batina. Indo para casa, foi recebido com muita festa e tiros, motivo que foi de orgulho para a pequena comunidade de Taquaruçu de Cima, no município de Fraiburgo.

Leia o resto deste post »

1 comentário

MONSENHOR GREGÓRIO LOCKS

Filho de Germano Locks e de Elizabeth Hobold, nasceu em São Ludgero em 17 de novembro de 1914. Seus avós maternos, Henrique Hobold e Maria Ana Schmoller, e paternos, Bernardo Locks e Elizabeth Frankmüller, eram imigrantes da Westfália que se estabeleceram em Teresópolis e, em busca de melhores terras, migraram para São Ludgero.

Gregório teve 11 irmãos, ele sendo o caçula. Cresceu e foi educado na fé, sob a imagem sacerdotal de Mons. Frederico Tombrock. Seu primeiro banco escolar foi na escola paroquial de São Ludgero, tendo como professoras as Irmãs da Divina Providência que ajudaram a nele despertar a vocação sacerdotal.

Onde estudar, se não havia seminários em Santa Catarina? Os primeiros quatro vocacionados se dirigiram a Pareci Novo, no seminário dos jesuítas: Nicolau Gesing, Bernardo Füchter, Huberto Rohden e José Locks. A cavalo, com os pais, enfrentaram 16 dias entre a ida e a volta. Todos foram ordenados padres. Leia o resto deste post »

1 comentário

OS PROTOMÁRTIRES DO BRASIL – SERÃO CANONIZADOS

Prot – Forte dos Reis Magos, onde se refugiaram os Mártires de Uruaçu

São estes os sentimentos que invadem o nosso coração, ao evocarmos a significativa lembrança da celebração dos 500 Anos da Evangelização do Brasil, que acontece neste ano. Naquele imenso País, não foram poucas as dificuldades de implantação do Evangelho. A presença da Igreja foi-se afirmando lentamente, mediante a obra missionária de várias Ordens e Congregações religiosas e de Sacerdotes do clero diocesano. Os mártires que hoje são beatificados saíram, no fim do século XVII, das comunidades de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte. André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Presbíteros, e 28 Companheiros leigos pertencem a essa geração de mártires que regou o solo pátrio, tornando-o fértil para a geração dos novos cristãos. Eles são as primícias do trabalho missionário, os Protomártires do Brasil. A um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração pelas costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

Hoje, uma vez mais, ressoam aquelas palavras de Cristo, evocadas no Evangelho: “Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma” (Mt 10, 28). O sangue de católicos indefesos, muitos deles anônimos crianças, velhos e famílias inteiras servirá de estímulo para fortalecer a fé das novas gerações de brasileiros, lembrando sobretudo o valor da família como autêntica e insubstituível formadora da fé e geradora de valores morais. (HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II – NA MISSA DE BEATIFICAÇÃO DOS PROTOMÁRTIRES DO BRASIL – Domingo, 5 de Março de 2000).

OS MÁRTIRES DE CUNHAÚ E URUAÇU

Leia o resto deste post »

Deixe um comentário

%d blogueiros gostam disto: