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DOM PIERRE CLAVERIE E OS 18 MÁRTIRES DA ARGÉLIA

Dom Pierre Claverie e os 18 Mártires da Argélia

No dia 8 de dezembro de 2018 a Igreja celebrará o martírio de 19 cristãos e os declarará bem-aventurados. A grande liturgia acontecerá na basílica de Santa Cruz em Oran, donde era bispo Dom Pierre Claverie. Pela primeira vez uma beatificação acontecerá num país 99% muçulmano, um grupo de mártires que incluirá Dom Claverie, os 7 monges trapistas de Tibhirine, 6 religiosas e 5 religiosos.

Na década da 1990, a Argélia foi mergulhada numa guerra com motivação religiosa: um movimento armado de islamitas se levantou contra o regime vigente para instaurar uma república islâmica, uma teocracia.  São contados 150.000 assassinatos entre os islâmicos e numerosos cristãos entre bispo, padres, religiosos e religiosas, que eram estrangeiros e tinham recebido ordens de deixar o país. Eram estrangeiros, sim, mas estavam bem integrados no mundo argelino.

Eram religiosas consagradas ao atendimento dos mais pobres, crianças, doentes inválidos, um trabalho de amor e dedicação sem nada pedir do que poder amá-los.

Durante os anos da guerra civil na Argélia, “o sangue cristão e o sangue muçulmano se misturaram, fazendo crescer a fraternidade”. Tornou-se um só sangue o dos adoradores de Deus/Alá.

Os grupos terroristas islâmicos lançaram campanha contra os estrangeiros residentes no país, especialmente contra os de nacionalidade francesa, e os lugares cristãos foram um dos seus principais alvos.

A comunidade monástica trapista da Ordem cisterciense de estrita observância

Apesar disso, os monges trapistas do mosteiro de Tibhirine decidiram permanecer devido ao forte vínculo de afeto que tinham com a população local. Na madrugada do dia 27 março de 1996, terroristas do Grupo Islâmico Armado (GIA) assaltaram o mosteiro e sequestraram 7 dos 9 monges que havia naquele momento, todos de nacionalidade francesa.

As negociações para trocar os monges pelos prisioneiros do GIA não funcionaram e, em 21 de maio de 1996, os terroristas anunciaram que tinham-nos decapitado. Suas cabeças foram localizadas em 30 de maio, mas seus corpos nunca foram encontrados.

Como surgiram esses monges? No ano de 1938 um grupo de monges trapistas franceses fundou a comunidade monástica de Nossa Senhora do Monte Atlas, em Tibhirine, Argélia. Situados num país muçulmano ocupado pela França, sem permissão de realizar conversões, esses homens de Deus tinham como sentido de sua presença estar junto dos muçulmanos, acolhê-los, conversar, colocar em comum os dons. E praticar a oração comunitária, tanto na intimidade monástica como com os irmãos que invocavam Alá.

Tudo isso não encontra explicações aos olhos do mundo, e nem de muitos cristãos. O martírio dos missionários, porém, é um dom, é uma experiência concreta do projeto de amor que Deus tem pela humanidade. O sangue que penetrou a terra argelina dela fará brotarem flores de paz. O sangue dos missionários é esperança de paz para o mundo.

Dois anos antes, em abril de 1994, o Irmão Lucas, monge médico, escrevera a um amigo, também médico, em Lyon: “É através da pobreza, do fracasso e da morte que caminhamos ao encontro de Deus”. O sete mártires do Monte Atlas, tão antigos e tão modernos, estavam disponíveis para condividir até a morte todas as alegrias e dores, angústias e esperanças, e a doar inteiramente a vida a Deus e aos irmãos da Argélia.

Dom Pierre Claverie, bispo de Oran

Dom Pierre Claverie, bispo de Oran

Em 1º de agosto de 1996, coube a Dom Pierre Claverie, bispo de Oran, também na Argélia, sofrer o martírio. Após celebrar missa pelos monges martirizados retornava à sua residência, no carro conduzido pelo motorista muçulmano Mohammed, quando uma bomba colocada na garagem explodiu, estraçalhando a tal ponto os dois corpos que tornou impossível distinguir-lhes o sangue. Entusiasta do diálogo cristão-muçulmano, Dom Pierre fecundou o amado solo argelino com sangue cristão e muçulmano, na demonstração de que o amor é forte, mais forte que a morte, que discussões religiosas.

As missões da Igreja obedecem à palavra do Senhor: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). O Evangelho, como tão evidente era para Paulo, não é uma doutrina, uma estrutura, concentrações, organizações: o Evangelho é uma pessoa, Jesus. Jesus que nos trouxe a Boa Notícia de que seu Pai é nosso Pai, e é Pai dos humildes, dos doentes, dos pecadores, dos perseguidos e perseguidores. Jesus é o narrador do Pai, o missionário é outro Jesus narrando o Pai. Aqueles missionários frágeis e fragilizados pelo ambiente eram a narração viva do Evangelho para os muçulmanos: “Querem conhecer aquele em quem nós cremos? Olhem nossa vida!”. A um repórter que perguntou aos cristãos argelinos a razão de sua missão, foi respondido: somos simplesmente cristãos.

Jesus, o pobre da Galileia, não pode ser anunciado coerentemente com meios ricos. Sua vida que narra o Pai somente é compreendida através dos meios pobres que são marcados pela cruz: a dor, o joelho dobrado em adoração, o silêncio, a oração, a contemplação, o jejum, a obediência, o sofrimento. Não permitem medições estatísticas, não dão manchetes, são marcados pelo silêncio humilde; são os meios preferidos de Deus, são os meios que tocam o coração de Deus (cf. J. Maritain, Filosofia da História, 1957).

Há sete séculos, afirmava Santo Tomás de Aquino: “O fruto da vida ativa é proporcional à plenitude da vida contemplativa”. Em outras palavras: sem a retaguarda da oração, a mais pobre dos meios pobres, a ação pastoral e evangelizadora nos deixará felizes, com a sensação do dever cumprido, mas não implantará no mundo o Reino de Deus.

Se a missão da Igreja se apoiar nos meios ricos da persuasão, da palavra bem falada, da autoridade impositiva, como já foi em outros tempos, causará impressão, será motivo de congratulações aos olhos do mundo, mas estará ocultando o Pobre de Nazaré, estará ocultando o Pobre Deus. Será inútil.

Talvez o Senhor não nos tenha concedido a graça da missão, do testemunho em terras distantes, mas nos dá sempre uma graça imensa: viver o Evangelho, ser Jesus em meio aos estrangeiros, revelar a face do Pai aos que nos cercam, aceitar a violência do desprezo, do ódio, da concorrência do sucesso.

Testamento do Irmão Christian de Chergé

Irmão Christian de Chergé

Como cristãos e cidadãos, viver a missão da paz e da reconciliação. Retornando ao Mosteiro do Monte Atlas, uma palavra escrita pelo Irmão Lucas às vésperas do sequestro: “Não penso que a violência possa extirpar a violência. Não podemos existir como homens a não ser aceitando fazer-nos imagem do amor como foi manifestado no Cristo que, justo, quis sofrer a sorte do injusto. A morte injusta de Cristo rompe a espiral infernal do ódio e dá vida a uma nova humanidade, animada pelo sopro do Espírito”.

São páginas de intensa vida mística o Testamento espiritual do Irmão Christian de Chergé, prior do mosteiro de Tibhirine, escrito em dois momentos:  em Argel, no dia 1º de dezembro de 1993, e em Tibhirine, no dia 1º de janeiro de 1994. Transcrevemos dois momentos: a aceitação do martírio e a oração por aquele que lhe provocasse a morte, a quem chama “amigo do último instante”.

Se algum dia me acontecesse – e isso poderia acontecer hoje – ser vítima do terrorismo que parece querer abarcar agora todos os estrangeiros que vivem na Argélia, eu gostaria que a minha comunidade, a minha Igreja, a minha família, se lembrassem de que a minha vida estava ENTREGUE a Deus e a este país. Que eles soubessem que o Único Mestre de toda a vida não me abandonaria nesta brutal partida. (…)

“Como posso ser digno dessa oferenda? Eu desejaria, ao chegar esse momento da morte, ter um instante de lucidez tal, que me permitisse pedir o perdão de Deus e o dos meus irmãos os homens, e perdoar eu, ao mesmo tempo, de todo o coração, aos que me tiverem ferido.”…

Por essa minha vida perdida, totalmente minha e totalmente dele, dou graças a Deus que parece tê-la querido inteiramente para a alegria, apesar de tudo. Neste ‘obrigado’, em que tudo está dito, agora, da minha vida, eu certamente incluo os amigos de ontem e de hoje, e vocês, meus amigos daqui, do lado da minha mãe e do lado do meu pai, de minhas irmãs e meus irmãos e dos seus, o cêntuplo dado como foi prometido! E a ti também, meu amigo do último instante, que não sabias o que estavas fazendo. Sim, também para ti eu quero esse ‘obrigado’, e este ‘A-Deus’ cara a cara. E que possamos nos encontrar, ladrões felizes, no Paraíso, se for do agrado de Deus, o Pai de nós dois. Amém! Im Jallah!”.

Pe. José Artulino Besen

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SÃO PAULO VI E SANTO OSCAR ROMERO: SANTOS PERIGOSOS PARA TEMPOS DESAFIADORES

Santos Paulo VI e Oscar Romero

A canonização do Arcebispo Oscar Romero é a ponte que o Papa Francisco necessita para conduzir uma igreja universal presa no passado em direção a um futuro que irá purificá-la e alinhá-la com os pobres do mundo. E a união de Romero e do papa Paulo VI não é uma jogada de relações públicas para equilibrar um radical com um tradicionalista. Esses dois santos compartilharam um martírio que construiu a ponte que sustenta uma única trajetória, inspirada pelo Espírito Santo, que renovará a igreja e revelará novamente o mistério de Jesus como o motor da história. É uma história emocionante, e algumas figuras-chave ajudaram a acontecer.

Quando Romero foi assassinado em 1980, o jesuíta americano pe. James Brockman viu a necessidade urgente de uma biografia objetiva do arcebispo morto de El Salvador. Brockman, ex-editor da revista América, sabia que Romero tinha sido o foco de intensa controvérsia durante seu breve tempo como arcebispo. Ele também sabia que, apesar da aclamação quase unânime em toda a América Latina de que Romero era um santo, os revisionistas já estavam trabalhando para conter seu impacto. Seus críticos argumentaram que esse piedoso prelado conservador havia sido enganado por radicais de esquerda durante uma perigosa tendência ao marxismo que varreu a América Latina. Seu assassinato foi o resultado trágico mas previsível de sua intromissão na política e a abdicação de seu papel espiritual primário como bispo.

Atualizado em 1989, o livro foi complementado por diários pessoais em que Romero se angustiava com a crescente violência em El Salvador provocada por forças de segurança estatais, esquadrões da morte e grupos de oposição que tiraram centenas de vidas inocentes antes dos 12 anos brutais de guerra civil (1980-92).

Santo Oscar Romero

Dom Romero sofreu constante difamação na mídia e calúnias de quatro dos bispos do país alinhados com o governo e as elites ricas do país. O núncio papal alimentou um fluxo constante de relatórios negativos a Roma, acusando Romero de promover a chamada “teologia da libertação” e apoiar a revolução violenta.

Romero defendeu sua ação pastoral citando o Concílio Vaticano II e a aplicação de seus princípios à realidade vivida na América Latina por seus bispos, que se encontraram com o Papa Paulo VI em Medellín, Colômbia, em 1968, onde proclamaram a “opção pelos pobres” “e desafiaram as injustiças estruturais arraigadas que estavam causando pobreza e violência generalizadas na região.

Romero encontrou o apoio adicional da exortação de Paulo VI sobre evangelização,  Evangelii Nuntiandi , de 1975 , que pregava fortemente a libertação da opressão como parte integrante da missão da igreja. Apesar das ameaças de morte, da pressão de Roma e do fluxo de armas dos Estados Unidos para apoiar as forças armadas contra uma insurgência comunista, Romero permaneceu fiel pastor de seu rebanho até a sua morte em 24 de março de 1980, enquanto celebrava a missa num hospital em San Salvador.

A canonização sustenta heróis da fé que nos confronta com o que o teólogo Johann Baptist Metz chamou de “memória perigosa” do Cristo crucificado e ressuscitado, que interrompe a história em todas as gerações para convocar discípulos para ouvir a Palavra de Deus e mantê-la.

Outra testemunha crucial chegou a San Salvador em 1990, o jesuíta americano Dean Brackley, que permaneceu no corpo docente da Universidade Centro-americana pelo resto de sua vida, recebendo milhares de peregrinos e universitários norte-americanos, ousando lembrá-los da responsabilidade dos EUA por grande parte da violência na América Central, e pelo desesperado surto de violência, pelos refugiados fugindo para o norte.

Antes de morrer de câncer no pâncreas em 2010, Brackley mediu profeticamente a importância da canonização de Oscar Romero:

“É preciso suspeitar que, se Romero não fosse um bispo, ele poderia ter um caminho mais fácil para a canonização, porque nem todos na hierarquia católica se sentiam à vontade para apresentá-lo como um bispo a ser imitado. …

Romero modelou a “igreja dos pobres” que João XXIII pediu no início do Concílio Vaticano II. As conferências de Medellín e Puebla revelaram como essa igreja deveria se parecer na América Latina. Romero seguiu esse exemplo”.

A mensagem, no entanto, é universalmente válida: a igreja só será portadora de esperança credível para a humanidade se estiver com os pobres, com todos os que são vítimas do pecado, da injustiça e da violência. Se andarmos com eles, como fez Romero, incorporaremos as boas novas pelas quais o mundo tanto almeja. Não precisamos de uma igreja que nos convide a nos esconder dos horrores de hoje, a escapar dos problemas deste mundo, mas a suportar seus fardos.

Foi isso que Romero fez, inspirando inúmeros outros a colaborar com ele. Isto irá convidar a perseguição e incompreensão, mas essa é a marca da verdadeira igreja. Romero não procurou o que era melhor para a instituição como tal, mas o que era melhor para o povo. A longo prazo, isso é o que é melhor para a igreja também. A instituição que se esforça para salvar a si mesma se perderá mas, se se perder em serviço amoroso, se salvará.

Os 75.000 mártires da guerra civil em El Salvador, não viveram para ver Francisco, nosso papa latino-americano. Mas nas primeiras horas após sua eleição, Francisco invocou o sonho do papa João XXIII de uma “igreja dos pobres”, dizendo que gostaria de “uma igreja que é pobre e que seja para os pobres”. Agora é sua vez de sonhar com tal igreja, pastoreada por bispos com cheiro de ovelha, pastores servos e vibrantes paróquias cheias de discípulos que compartilham as “alegrias e esperanças, as aflições e ansiedades” do mundo moderno, especialmente jovens ardendo em chamas para viver uma vida autêntica.

São Paulo VI

Mas tudo isso seria apenas uma ideia se Romero não a tivesse vivido e um cauteloso Paulo VI não tivesse sofrido seu próprio martírio de difamação de progressistas e tradicionalistas, por insistir que a unidade da igreja era mais importante do que vencedores e perdedores depois do concílio.

A canonização sustenta heróis da fé que nos confrontam com o que o teólogo Johann Baptist Metz chamou de “memória perigosa” do Cristo crucificado e ressuscitado, que irrompe na história em todas as gerações para convocar discípulos para ouvir a Palavra de Deus e mantê-la.

Os  Santos Oscar Romero e Paulo VI fizeram isso em seu tempo. Seu testemunho não foi apenas cruzar a ponte do mistério pascal para um futuro diferente e necessário, mas que estão convidando a todos a segui-los.

Paulo VI abriu a missão da igreja para o mundo, para o mundo dos pobres; abriu o coração da igreja para a África, a Ásia, que viviam grande e até doloroso processo de descolonização. É quase impossível falar de evangelização sem citar Paulo VI na Populorum Progressio e Evangelii Nuntiandi, bússolas que indicaram o caminho de Santo Oscar Romero, Santo Oscar da América.

Hoje, 14 de outubro de 2018, a igreja apresenta ao mundo o que ela tem de mais precioso: seus santos. Sem eles, ela se reduz a uma instituição de muita ação ou de muitas cerimônias, mas sem apresentar ao mundo seu retrato que é o rosto de Jesus, multiplicado nos milhões de rostos de cristãos que testemunham sua fé, o sentido de sua vida como doação incondicional aos pobres.

Perante bispos de todo o mundo, Francisco destacou necessidade de deixar seguranças e riquezas para seguir Jesus Cristo. O Papa desafiou hoje a Igreja Católica a cruzar “novas fronteiras”, à imagem dos novos santos Paulo VI e Óscar Romero, canonizados hoje, deixando para trás riquezas e ilusões de segurança.


Pe. José Artulino Besen

 

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SANTA MARIA MADALENA, TESTEMUNHA E APÓSTOLA DA RESSURREIÇÃO

Giotto di Bondone (Noli me tangere) , 1304-06, afresco, Cappella Scrovegni, Pádua

Por vontade do papa Francisco, um decreto da Sagrada Congregação do Culto divino de 3 de junho de 2016 elevou a memória litúrgica de Santa Maria Madalena à Festa igual à dos Apóstolos, com data de 22 de julho. Por que essa memória litúrgica de 22 de julho é equiparada à Festa dos Apóstolos? Uma mulher por muitos identificada com a prostituta da Galiléia ou com a mulher que no banquete na casa de Simão lava e unge os pés do Senhor com perfume caríssimo, receber a honra apostólica? Na verdade, desde uma homilia do grande papa São Gregório Magno, as três mulheres são reduzidas a uma “Maria”. E assim ficamos 1.500 anos celebrando Maria Madalena como a Maria de Betânia e a Maria prostituta. Essa redução de Maria Madalena provocou toda uma linha de arte, literatura e, ultimamente, filmes que a retratam como mulher lânguida, erótica, apaixonada. No linguajar popular, Maria Madalena se tornou sinônimo de mulher vulgar. Leia o resto deste post »

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BEM-AVENTURADO PADRE JOÃO SCHIAVO

Pe. João Schiavo

Padre João Schiavo – bem-aventurado

É motivo de alegria para a Igreja a proclamação de santos e bem-aventurados. Eles são a elite da comunidade cristã, tendo sido sua vida fiel e radical seguimento de Jesus proposta a todos os cristãos.

No próximo dia 28 de outubro, em Caxias do Sul o Cardeal Angelo Amato representará o papa Francisco na proclamação do Padre João Schiavo como bem-aventurado.

João Schiavo nasceu na Itália, em Sant’Urbano de Montecchio Maggiore, em 8 de julho de 1903. Desde criança desejava ser padre. Quando lhe foi oferecida colocação no serviço público rejeitou-a com firmeza, pois seu caminho era ser padre e ser missionário. Entrou na Congregação dos Josefinos de Murialdo e, em 10 de julho de l927, apenas completados 24 anos, foi ordenado sacerdote.

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FRANCISCO DE ASSIS, O POBREZINHO DE DEUS

Francisco consola Jesus

Há 800 anos Francisco impele o Cristianismo a retornar às fontes: ao Jesus em Belém e a Jesus no Calvário. E deixou-nos, para lembrança contínua, o Presépio e a Via-sacra.

Sua herança não é uma doutrina, mas um espírito, um jeito de ser. A melhor palavra que expressa a mensagem vital de Francisco foi dada pelo primeiro biógrafo, Tomás de Celano: “Francisco foi enviado por Deus num momento em que a doutrina evangélica estava quase esquecida por toda a parte, para mostrar a loucura da sabedoria humana e, com a sua loucura, reconduzir os homens à sabedoria de Deus”.

Este jovem nascido em Assis em 1182, formou seu caráter até o íntimo, mediante a liberdade do cristão, que não é dominador e sim servidor e irmão de tudo, também dos animais, das plantas, das rochas, da água, do sol e da lua. Suas atitudes mostram uma face comovente de sua personalidade e vida, a ponto de parecer incompreensível que quisesse ser um palhaço neste e por este mundo, pois compreendeu que não pode existir um Cristianismo que ao mesmo tempo não seja um escândalo.

Ele é um milagre: não existiu na história cristã – nem em toda a história humana – uma personalidade cuja rica vida espiritual seja construída até o último sobre uma experiência pessoal interior. Nunca existiu tal gênio humano em que, por um instante, o “eu” tenha prevalecido sobre o puro serviço.

Era dotado de enorme bom senso, sabedoria e bom humor. Não era um infantil, era um homem livre desde a juventude, tão livre que podia se dar ao direito de ser criança, falar com os animais, com o fogo, tomar atitudes que pareciam tolice, mas eram fruto dessa liberdade interior que se irradiava pelo exterior. Leia o resto deste post »

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PRIMEIROS MÁRTIRES BRASILEIROS

Os Mártires de Cunhaú e Uruaçu

Dia 15 de outubro, na Praça de São Pedro, em Roma, Francisco canonizará o grupo de 30 mártires brasileiros, que foram declarados bem-aventurados por São João Paulo II no ano 2000.  São dois sacerdotes, jovens, pais e mãe de família, crianças e adultos. Foram trucidados e mortos pela fidelidade à fé católica e pela defesa da Eucaristia.

Em 16 de junho de 1645, o Pe. André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis estavam participando da missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú – no município de Canguaretama (RN). O que motivou a chacina? A intolerância calvinista dos invasores que não admitiam a prática da religião católica: isso custou-lhes a própria vida.

A chacina de Cunhaú

O movimento de insurreição contra o domínio holandês já começara em Pernambuco, mas, na capitania do Rio Grande do Norte, tudo parecia normal. Bastou, porém, a presença de uma só pessoa para que o clima se tornasse tenso: Jacó Rabe, um alemão a serviço dos holandeses. Ele chegara a Cunhaú no dia 15 de julho de 1645.

Rabe era um personagem por demais conhecido dos moradores de Cunhaú. Suas passagens por aquelas paragens eram frequentes, sempre acompanhado dos ferozes tapuias, semeando por toda parte ódio e destruição. A simples presença de Rabe e dos tapuias era motivo para suspeitas e temores.

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SANTA EDITH STEIN – A TEOLOGIA DA CRUZ

Edith Stein

“o que vale a pena possuir, vale a pena esperar”

Edith nasceu em Breslau, então Alemanha, hoje Polônia, em 12 de outubro de 1891, numa família de judeus praticantes, última e predileta de 11 irmãos. Foi Uma criança dotada e sensibilíssima e muito cedo pressentiu ser chamada a um grande futuro, mas não sabia qual.

A sua era uma família piedosa e praticante da fé judaica.

Pelos 14 anos, mergulhou numa crise existencial e negou-se a continuar os estudos: “Foi o período no qual perdi a fé de minha infância e comecei, como pessoa autônoma, a rejeitar qualquer orientação, com plena consciência e por livre escolha; e perdi o hábito de rezar”.

Em 1911, foi uma das primeiras mulheres a se inscrever na Universidade de Breslávia. Era uma apaixonada pesquisadora da verdade. Não admitia verdade que não pudesse ser demonstrada.

Seguindo para Göttingen, tornou-se predileta discípula de Edmund Husserl, o grande filósofo alemão da época. Frequentou o curso de fenomenologia: aprende o método de por-se objetivamente diante dos Fenômenos. Deu grandes passos em sua busca da verdade do ser. Leia o resto deste post »

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SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Jesus revela seu Coração a Santa Margarida

O Filho de Deus veio ao mundo para revelar o amor de Deus Pai por todas as criaturas, sem perder nenhuma. Veio trazer-nos a mensagem da paternidade divina em sua infinita bondade e compaixão. É essa a mensagem central da Sagrada Escritura: Deus é amor.

Houve períodos da história cristã em que o acento da fé e da vida recaíram no medo de Deus, na justiça divina mais como vingança por nossos erros do que como justiça que nos faz justos gratuitamente.

Nessas horas o Senhor desperta homens e mulheres e lhes dá a graça de sentirem sua misericórdia, anunciando-a pela vida e pela palavra. No século 20 conhecemos a mensagem extraordinária da Divina Misericórdia através de Santa Faustina, que trouxe para a Igreja uma poderosa corrente de confiança no Senhor que nos salva. Também conhecemos a vida de São Padre Pio, que fez do confessionário sua tribuna. Leia o resto deste post »

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OS PROTOMÁRTIRES DO BRASIL – SERÃO CANONIZADOS

Prot – Forte dos Reis Magos, onde se refugiaram os Mártires de Uruaçu

São estes os sentimentos que invadem o nosso coração, ao evocarmos a significativa lembrança da celebração dos 500 Anos da Evangelização do Brasil, que acontece neste ano. Naquele imenso País, não foram poucas as dificuldades de implantação do Evangelho. A presença da Igreja foi-se afirmando lentamente, mediante a obra missionária de várias Ordens e Congregações religiosas e de Sacerdotes do clero diocesano. Os mártires que hoje são beatificados saíram, no fim do século XVII, das comunidades de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte. André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Presbíteros, e 28 Companheiros leigos pertencem a essa geração de mártires que regou o solo pátrio, tornando-o fértil para a geração dos novos cristãos. Eles são as primícias do trabalho missionário, os Protomártires do Brasil. A um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração pelas costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

Hoje, uma vez mais, ressoam aquelas palavras de Cristo, evocadas no Evangelho: “Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma” (Mt 10, 28). O sangue de católicos indefesos, muitos deles anônimos crianças, velhos e famílias inteiras servirá de estímulo para fortalecer a fé das novas gerações de brasileiros, lembrando sobretudo o valor da família como autêntica e insubstituível formadora da fé e geradora de valores morais. (HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II – NA MISSA DE BEATIFICAÇÃO DOS PROTOMÁRTIRES DO BRASIL – Domingo, 5 de Março de 2000).

OS MÁRTIRES DE CUNHAÚ E URUAÇU

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TERESINHA – A PEQUENA GRANDE MISSIONÁRIA

Santa Teresinha e seus pais São Luís e Santa Zélia

Santa Teresinha e seus pais São Luís e Santa Zélia

Teresa pertencia a uma família de classe média-alta da época. Morava numa mansão, tinha escola e até professora particular. Uma menina mimada e apaixonada pelo pai, o senhor Martin, que a chamava de “minha rainhazinha”. Teresa tinha tudo para se tornar uma dama rica da sociedade francesa do fim do século XIX.

No entanto, seu coração humilde bem cedo sente o desejo de se entregar única e exclusivamente a Deus. Teresa está convencida que o “Deus vingador” que lhe é apresentado na catequese não corresponde à imagem de Pai misericordioso que tem no coração. Partindo dessa convicção, ela sente a necessidade de buscar outros caminhos. Quer ser “santa, grande santa”, mas não como certos santos antigos…

Teresa oferece ao futuro um novo estilo de santidade, uma nova forma de amar: o pequeno caminho.  O único caminho para o amor é a confiança, a perseverança, a aceitação: “Agora compreendo que a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros, em não estranhar suas fraquezas, em edificar-se com os menores atos de virtude que a gente vê praticar.”

Naquela época já havia elevador nas casas ricas, fato que levou Teresinha a fazer esta comparação: “Nas casas muito altas, as pessoas se esforçam por chegar até em cima usando o elevador. Eu encontrei o meu elevador, ele me leva até o Pai… são os braços de Jesus.”

Na vida comunitária do Carmelo, Teresinha não quer ficar perdendo tempo com as mesquinharias do dia-a-dia. Ela intui que o que conta é o amor, só o amor.  Entende que amar é acolher o outro; é saber dar ao outro a liberdade de amá-la ou mesmo de não amá-la; é contemplar no outro a pessoa de Jesus: “É a Santa Face de Cristo que amamos, impressa em cada pessoa.”

Teresinha sente-se missionária, como os que tinham a coragem de partir rumo às terras distantes. Mas, como sê-lo ficando parada, enclausurada? Teresinha supera essa dificuldade: “Sinto em mim todas as vocações: de apóstolo, de missionário, de sacerdote, de mártir, de doutor… Considerando, porém, que não posso vivê-las todas, na Igreja eu serei o amor”.

Assim Teresa nos ensina que todos, mesmo permanecendo onde estamos, poderemos chegar lá onde o coração quer ir. A missionariedade não é questão de geografia, é questão de amor.

Santa Teresinha é uma santa para nossos dias, para todos os dias, para a eternidade: “Sinto que minha missão vai começar, minha missão de fazer amar o Bom Deus, como eu o amo; de indicar às almas meu pequeno caminho. Se o Bom Deus atender meus desejos, meu céu se passará na terra…, até  o fim do mundo. Sim, quero passar meu céu fazendo o bem sobre a terra.”

Breves informações:

Santa Teresinha aos 8 anos

Santa Teresinha aos 8 anos

1873 – Teresinha nasceu em Alençon, pequena cidade da França. Era a última de 5 irmãs. Em 1877, Teresinha ficou órfã de sua mamãe, morta por um câncer no seio. Toda a família se transferiu a Lisieux para estar mais perto dos tios.

Paulina, que, para Teresinha, ocupava o lugar da mãe, entra no Convento das Carmelitas de Lisieux em 1882.

Em 1886, Maria, outra irmã, também se tornou Carmelita em Lisieux. Teresinha vive um momento de tremenda solidão e crise. Mas, na noite de Natal, encontrou forças para reagir a suas fraquezas de criança.

Teresinha confidencia a seu pai que quer ser carmelita. Viaja a Roma para pedir ao Papa Leão XIII a licença para entrar no Carmelo com 15 anos, e ingressou em 1888.

1890 – Com a Profissão religiosa, tornou-se carmelita. Papai, o seu “rei”, está junto dela, feliz. Em 1894, morreu Luís, o querido papai. Celina junta-se à irmã no Carmelo.

Teresinha descobriu estar gravemente doente de tuberculose, em 1896. Naquele tempo a doença era incurável.

Em 30 de setembro de 1897, morreu Teresinha aos 24 anos e 8 meses dizendo, ao contemplar o Crucifixo: “Oh, meu Deus, eu vos amo”.

O Papa Pio XI a proclama Santa em 1925, e mais de 500 mil peregrinos estavam em Roma para aclamá-la. Em 1997, o mundo inteiro celebrou o Centenário de sua morte e o Papa João Paulo II a declara  Doutora da Igreja”.

Em 18 de outubro de 2015, Francisco celebra a canonização dos pais: São Luís e Santa Zélia.

RECORDAÇÕES DE MAMÃE ZÉLIA

“Minha filha caçula, Teresinha, logo me impressionou pela sua inteligência, caráter decidido e por sua vontade de ser boa. Eu a apelidava de meu “pequeno furacão” e, desde quando a amamentava, sentia sua força e determinação. Quando pequenina, gostava sempre de dizer “não” e, mesmo que a prendesse o dia inteiro num quarto, passaria também a noite, mas não diria um “sim”.

Percebi que era orgulhosa quando, num dia, por brincadeira, lhe disse: – Teresinha, se beijas o chão, eu te dou uma moeda. Para uma criança, uma moeda era muito dinheiro e, abaixar-se para beijar o chão, era muito fácil para ela, que tinha uma estatura pequena. Com determinação, a pequerrucha respondeu: “Obrigada, mamãe, prefiro não ganhar a moeda”.

Quando pequena, Teresinha tinha um costume muito especial: ao subir a escada, parava a cada degrau e gritava “mamãe!”. Se eu não respondesse logo: “Oi, minha pequena”, parava no degrau, sem subir e nem descer.

Teresinha gostava muito que eu lhe falasse sempre do céu e, uma vez, me disse: “Mamãe, se fosse para eu ir para o inferno, fugiria para junto de ti no paraíso, então tu me esconderias juntinho de ti e Deus não iria separar a mamãe de sua filhinha, não é verdade?”

O   EVANGELHO DE TERESINHA

“Tenho sede!” Escreveu: “Este trecho do Evangelho de João (19,28) começou a martelar-me no mês de março de 1887 quando, na França, o único assunto era Pranzini, um delinqüente perigoso que tinha assassinado três pessoas com a finalidade de roubar.

Pranzini foi condenado à guilhotina. Nunca o tinha visto, mas, diante deste fato, recordei-me das palavras de Jesus na Cruz: “Tenho sede”.  Tinham me ensinado na catequese que Jesus tem sede de almas. Esta alma tinha abandonado o amor de Deus e eu deveria trazê-la de volta a qualquer custo. Pranzini não era somente um criminoso: era também uma alma para ser salva.

Naquele tempo eu tinha apenas 14 anos e decidi assumir a responsabilidade espiritual por aquele homem. Somente com a oração e a penitência poderia impedir que fosse para o inferno. De vez em quando dava uma olhadela nas notícias do jornal de papai: Pranzini continuava arrogante, endurecido em seu pecado. Não desanimei. Continuei a rezar, até encomendei uma Missa por ele e pedi a Celina que me ajudasse a salvar aquela criatura de Deus. Queria entregá-la nas mãos do Pai, que lava todo o pecado com o sangue de seu Filho Jesus.

No dia 13 de julho foi decidida a condenação à morte de Pranzini, com execução marcada para o dia 31 de agosto. Eu escutava os comentários da redondeza. Impressionavam-me a raiva do povo e os julgamentos inflexíveis das pessoas. Se tivessem oportunidade, o matariam dez vezes. Estavam esquecidos de que aquela alma custara a morte de Jesus na Cruz.

Intensifiquei minhas orações e, no dia 1º de setembro, dei uma olhada no jornal La Croix; Pranzini tinha subido à guilhotina sem se confessar mas, no último momento pediu um crucifixo e beijou as chagas de Jesus. Meu Deus! Estava salvo! Venceu tua misericórdia!” 

O   PEQUENO CAMINHO

Santa Teresinha com suas irmãs

Santa Teresinha com suas irmãs

No Carmelo, Teresinha adoeceu gravemente e viveu a doença com a serenidade que lhe era própria. O extraordinário em Teresinha foi ter realizado coisas normais com tanto amor.

Rezou, serviu, calou, pintou, escreveu, sofreu: somente por amor.

Num dia em que sentia a vontade de salvar o mundo e se via prisioneira numa pequena cela, exclamou: “A minha vocação é o amor. No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor, e assim serei tudo”. Neste amor estendido ao mundo e oferecido a Deus pelo mundo, Teresinha partiu em 30 de setembro de 1897.

O Pequeno Caminho de Teresinha compõe-se de dois valores:

a misericórdia do Pai,

– a necessidade de permanecer criança para sempre permanecer em seu amor.

É um caminho que todos podem percorrer sem medo, sem angústia, porque Ele faz tudo: “Quero ir para o céu através de um pequeno caminho, bem reto, muito curto, um pequeno caminho bem novo.

Estamos num século de invenções. Nas casas dos ricos um elevador tira o cansaço das escadas. Eu também quero encontrar um elevador que me leve a Jesus, porque sou pequena demais para subir a dura escada da perfeição”. “O elevador que me deve levar até ao céu são os vossos braços, Jesus, por isso não preciso ficar grande, pelo contrário, devo permanecer pequena”. Andei lendo: “Se alguém é pequeníssimo, venha a mim”. Então, Senhor, penso ter encontrado aquilo que procurava: “Como uma mãe acaricia o filho, assim eu vos consolarei, vos carregarei no meu coração e vos apoiarei nos meus joelhos” (Is 66,12-13). 

A   GRANDE MISSIONÁRIA

Santa Teresinha, padroeira das Missões

Santa Teresinha, padroeira das Missões

Teresinha nasceu missionária. Desde pequena, pegava suas economias e oferecia uma moeda para as Missões. Foi uma missionária infatigável entre as quatro paredes de sua cela. Sua oração, seu sacrifício, o amor que punha em todas as pequenas coisas do dia-a-dia, eram oferecidos pelos sacerdotes e para a missão deles. Era a força que impelia os apóstolos.

O anúncio do Evangelho no mundo inteiro não deixava de preocupá-la a ponto de desejar partir em missão para a Indochina, onde havia sido fundado um Carmelo, mas a saúde frágil não lhe permitiria. Santa Teresinha, já em seus últimos dias de vida terrena, profetizará que seria missionária sempre ao dizer que “passaria o seu tempo no céu fazendo o bem sobre a terra”.

Em 1927, o Papa Pio XI a declarou “Padroeira Universal das Missões e dos missionários, como São Francisco Xavier.” Suas intervenções em favor dos missionários se fizeram sentir em todo o mundo. Em 1917, o missionário Pe. Charlebois, que há cinco anos lutava pela evangelização dos esquimós na baía de Hudson, sem qualquer resultado, certo dia jogou sobre eles um pouco de terra que havia sido recolhida do túmulo de Teresa. Os esquimós, sentindo-se tocados interiormente, pediram o batismo. Teresa ensinou que evangelizar não é só pregar, ensinar… mas sim, como Cristo fez, amar e doar a própria vida. O amor é sempre um meio de evangelização mais eficaz e mais eloqüente que as palavras.

PENSAMENTOS

“Para mim, a oração é um impulso do coração, um simples olhar, dirigido aos céus, um grito de gratidão ou de amor em meio a provações ou alegrias. É algo, enfim, muito grande, sobrenatural que me dilata a alma e une a Jesus”.

“Eu fiz a experiência: quando não sinto nada, quando não sou capaz de rezar, é então o momento de procurar as pequeninas ocasiões, os nadas que dão prazer…

Quando não tenho ocasião, quero pelo menos dizer muitas vezes a Jesus que eu O amo…”

“Tudo o que fiz –  até apanhar uma agulha – era para dar prazer a Deus, para salvar almas.

Caminho em lugar de um missionário. Penso, que muito longe, um deles se encontra cansado, em suas andanças apostólicas. E, para diminuir suas fadigas, ofereço as minhas a Deus”.

Sua última oração, escrita com mão trêmula: “Ó Maria, se eu fosse a Rainha do Céu e vós fôsseis Teresinha, eu queria ser Teresinha a fim de que fôsseis a Rainha do Céu”.

Pe. José Artulino Besen

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SANTA MARIA MADALENA – apóstola dos apóstolos – 22 de julho

maria-madalena

Não me segures – Jesus e Maria Madalena – Giotto

Assinado em 3 de junho de 2016 por decisão de Francisco, um decreto da Sagrada Congregação do Culto elevou a memória de Santa Maria Madalena ao grau de Festa, como a devida aos outros apóstolos. A decisão está inserida no novo contexto eclesial que pede profunda reflexão sobre a dignidade da mulher, a nova evangelização e a grandeza do mistério da misericórdia divina.

São João Paulo II já tinha se referido à missão peculiar de Maria de Mágdala como primeira testemunha que viu o Ressuscitado e primeira mensageira que anunciou aos apóstolos a ressurreição do Senhor.

Santa Maria Madalena é apresentada como um exemplo de “verdadeira e autêntica evangelizadora”, que anuncia a alegre mensagem central da Páscoa. Francisco tomou essa decisão para significar a importância desta mulher que demonstrou um grande amor a Cristo e que tão profundamente foi amada por ele.

O papa São Gregório Magno definiu-a como “a primeira testemunha da ressurreição”, e Santo Tomás de Aquino chamou-a de “apóstola dos apóstolos” porque foi ela que anunciou aos discípulos amedrontados e trancados no cenáculo o que eles deverão, por sua vez, anunciar a todo o mundo. João evangelista a descreve em lágrimas por não ter encontrado no túmulo o corpo do Senhor. Jesus teve compaixão dela fazendo-se reconhecer como Mestre e transformando suas lágrimas em alegria pascal. Tudo isso motivou a decisão papal de que sua festa litúrgica de 22 de julho tenha o mesmo grau das celebrações dos apóstolos no Calendário Romano Geral.

Segundo os biblistas, Santa Maria Madalena não foi a prostituta de que Lucas fala e que ungiu os pés do Senhor (Lc 7, 36-50), uma anônima pecadora conhecida na cidade. Também não é a outra Maria, irmã de Marta e Lázaro, a Maria de Betânia (Jo 12, 1-8). Esse engano deu origem a intensa devoção e inspirou grandes artistas.

Maria Madalena é o que diz seu nome: era de Mágdala, povoado de pescadores à margem do Lago de Tiberíades, mercado de peixes, cujas escavações nos anos 70 do século XX revelaram o desenho urbano da antiga vila. E escavações em 2009 possibilitaram a descoberta da antiga sinagoga, uma das mais antigas dentre as descobertas em Israel: sua posição na estrada que liga Nazaré a Cafarnaum indicaria como aquela frequentada por Jesus.

Maria Madalena aparece pela primeira vez no capítulo 7 de Lucas, quando se narra que Jesus passou por cidades e povoados proclamando a Boa-nova do Reino de Deus, e com ele estavam os Doze a algumas mulheres que tinham sido libertadas de espíritos malignos e de enfermidades e que lhe serviam com seus bens. Entre elas estava “Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios”. Como escreveu o cardeal Gianfranco Ravasi, “em si mesma, a expressão [sete demônios] pode indicar um grave mal (sete é o número de plenitude) físico ou moral que afligiu a mulher de que Jesus tinha libertado.

Sofrendo um mal grave, de natureza desconhecida, Maria Madalena pertencia, assim, ao povo de homens, mulheres e crianças feridas em muitos aspectos que Jesus liberta do desespero para devolvê-los à vida e aos seus entes queridos. Jesus, em nome de Deus, só faz gestos de libertação do mal e de resgate da esperança perdida. O desejo humano de uma vida boa e feliz pertence à intenção de Deus, que é o Deus da cura, nunca cúmplice do mal.

Maria Madalena reaparece nos Evangelhos na hora mais terrível e dramática da vida de Jesus: em seu fiel apego ao Mestre acompanha-o ao Calvário juntamente com outras mulheres, para observá-lo de longe. Em seguida, se apresenta quando José de Arimatéia deposita o corpo de Jesus no túmulo, que é fechado com uma pedra. Depois, no sábado, na manhã do primeiro dia da semana volta ao túmulo e descobre que a pedra fora retirada e corre para contar o fato a Pedro e João, que, por sua vez, correm ao sepulcro para conferir a ausência do corpo do Senhor.

O encontro com o Ressuscitado  

Enquanto os dois discípulos voltam para casa, ela permanece ali, chorando. Inclinando-se no túmulo vê dois anjos e lhes pergunta se não sabiam onde colocaram o corpo do Senhor. Então, olhando para trás, ela vê Jesus, mas não o reconhece, acha que é o jardineiro. Quando Ele pergunta a razão de suas lágrimas e o que procurava, ela respondeu: “Senhor, se tu o levaste, diz-me onde o puseste, e eu vou buscá-lo”.  Jesus disse-lhe, então: “Maria!” (Jo 20,15-16). Citando-lhe o nome, Jesus se revela como o seu Senhor, aquele que ela procura.

O diálogo continua e Maria Madalena diz em hebraico: “Rabuni”, o que significa “Mestre”. Jesus diz: “Não me segures, pois ainda não subi para o Pai; mas vai dizer a meus irmãos: “Eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”. E também narrou o que ele tinha dito “(Jo 20, 16-18).

Maria expressa a maternidade na fé e da fé. Com ela tem início a longa série das mães que, através dos séculos, se dedicam à geração de filhos e filhas de Deus. A decisão de Francisco é um dom belo, expressão de uma revolução antropológica que se refere à mulher e atinge toda a vida eclesial: entender que homem e mulher, numa dualidade encarnada, podem tornar-se anunciadores luminosos do Ressuscitado.

Pe. José Artulino Besen

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