Hinos da liturgia e piedade ortodoxa

1 – RESSURREIÇÃO DE SENHOR JESUS CRISTO
Cânon Pascal de São João Damasceno († 749)
2 – O NASCIMENTO DA VIRGEM MARIA
Ofício das Vésperas, com o qual começa a festa do dia 8 de setembro
3 – EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ
Hino litúrgico, obra do Imperador Leão († 912)
4 – SANTA TEOFANIA DO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
Hino das Laudes, do Patriarca Germano (†733)
5 – A TRANSFIGURAÇÃO DE NOSSO SENHOR
Oração de São João Damasceno (+ 749)
6 – DESCONHECIDO A QUEM NÃO O DESEJA
Simeão o novo Teólogo (949-1022) do Hino 44
7 – VEM, VIDA MINHA!
Simeão o Novo Teólogo (949-1022)
8 – NÓS TE SUPLICAMOS: TEM PIEDADE!
Nerses Snorhali (1102-1173) | Patriarca, santo, poeta, místico e teólogo armeno conhecido também como São Nerses o Gracioso | do livro HINOS SACROS
9 – CÁLICE DE SABEDORIA, REVESTE-NOS DE LUZ
Nerses Snorhali (1102-1173) | Patriarca, santo, poeta, místico e teólogo armeno conhecido também como São Nerses o Gracioso | Hino de Pentecostes – do livro HINOS SACROS
10 – MARIA AO PÉ DA CRUZ
Jorge de Nicomedia – (séc. IX) | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
11 – CÂNON A JESUS DULCÍSSIMO
Teostericto, Monge – (séc. IX) | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
12 – HINO XVI
Simeão, o Novo Teólogo († 1022) | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
13 – O DIA DO JUÍZO
Romano, o Melodista (cerca de 560) | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
14 – HINO I
Simeão, o Novo Teólogo († 1022) | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
15 – EXPOSIÇÃO SOBRE A FÉ
São João Damasceno (c. 676-749), monge, teólogo, Padre da Igreja | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
16 – ORAÇÃO DE NOA
São Basílio Magno († 379) | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
17 – DEUS-CONOSCO
Liturgia Bizantina – Grande Completa | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
18 – ORAÇÃO SACERDOTAL ANTES DO «HINO DOS QUERUBINS»
Divina Liturgia de São João Crisóstomo | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
19 – TROPÁRIOS DE COMPLETAS
Liturgia Bizantina | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
20 – HINO PENITENCIAL
Da Divina Liturgia Bizantina | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
21 – ORAÇÃO DO OFÍCIO DE VÉSPERAS
Liturgia Bizantina | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
22 – STICHIRÁ DE 16 DE AGOSTO
Liturgia Bizantina | Autor Anônimo | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
23 – ORAÇÃO DE SANTA MACRINA
São Gregório de Nissa († 392) | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
24 – AKATHISTOS AO DULCÍSSIMO SENHOR NOSSO JESUS CRISTO
Estrofes 1-31 | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
25 – ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO
Liturgia Bizantina | Autor Anônimo | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
26 – VIGÍLIA DAS VIÚVAS
Oração dos Primeiros Cristãos | Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997 | Tradução do grego: Georges Gharib
27 – A UM SINAL DE DEUS
Vésperas da Assunção da Mãe de Deus | Composição de Pedro do Peloponeso (+ 1777) | Tradução: Pe. José Artulino Besen

ir ao índice...

1. RESSURREIÇÃO DE SENHOR JESUS CRISTO

Cânon Pascal de São João Damasceno († 749)

Dia da ressurreição, rejubilemo-nos, o povos!
Páscoa do Senhor, é a Páscoa!
Da morte à vida, da terra ao céu,
Cristo nos fez passar, cantando o hino da vitória!
Purifiquemos os sentidos e veremos,
à luz inacessível da ressurreição,
o Cristo resplandecente que diz: Alegrai-vos!
Nós o ouviremos claramente, cantando o hino da vitória!
Gozem os céus, exulte a terra!
Rejubile o cosmo inteiro, visível e invisível:
Cristo, eterna alegria, ressuscitou!

ir ao índice...

2. O NASCIMENTO DA VIRGEM MARIA

Ofício das Vésperas,
com o qual começa a festa do dia 8 de setembro

Hoje o Deus que se assenta em tronos espirituais
preparou para si um trono santo sobre a terra;
Aquele que em sua sabedoria estabeleceu os céus,
no seu amor cria um céu vivente…

Eis o dia do Senhor, alegrai-vos, ó povos!
Com efeito a câmara nupcial deu à luz,
e o livro do Verbo da vida saiu de um ventre.
A porta do Oriente nasceu
e aguarda a entrada do grão-sacerdote,
única a introduzir no universo o único Cristo,
para a salvação das nossas almas.”
“Hoje se descerram as portas estéreis
e nasce a Pura virginal e divina;
hoje a graça começa a dar o seu fruto
mostrando ao universo a Mãe de Deus,
para a qual a terra é unida aos céus.”
“É abolida a esterilidade da nossa natureza,
pois uma mulher estéril tornou-se mãe daquela
que permanecerá virgem após o nascimento do seu Criador.
Dela o Deus por natureza
apossou-se do que lhe era estranho e encarnado,
opera a salvação dos transviados pela carne.

ir ao índice...

3. EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

Hino litúrgico,
obra do Imperador Leão († 912):

Vinde, fiéis, adoremos o madeiro vivificante:
sobre ele Cristo, Rei da glória, estendeu os braços
e nos reergueu para a primitiva bem-aventurança,
da qual o inimigo, aliciando-nos, nos havia despojado,
afastando-nos da presença de Deus.
Vinde, fiéis, adoremos o madeiro
graças ao qual somos julgados dignos
de esmagar as cabeças dos inimigos invisíveis.
Vinde, famílias de todos os povos,
veneremos com nossos cânticos a Cruz do Senhor.
Salve, ó Cruz, perfeita libertação do Adão decaído;
em ti se glorificam os nossos piíssimos reis,
pois é pelo teu poder que submetem à força o povo de Ismael.
Beijando-te agora com reverência,
nós, cristãos, glorificamos ao Deus que sobre ti foi pregado,
clamando: Senhor, que foste crucificado sobre ela,
tem piedade de nós, tu o Bom e Amigo dos homens.

ir ao índice...

4. SANTA TEOFANIA DO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Hino das Laudes,
do Patriarca Germano (†733)

Luz da luz, Cristo nosso Deus, resplandece ao mundo;
Deus se manifesta, povos, adoremo-lo.
Ao ser batizado no Jordão, Salvador nosso,
santificaste as águas,
aceitando a imposição das mãos de um servo,
e sanaste as paixões do mundo.
Grande é o mistério da tua ‘economia’!
Senhor, amigo dos homens, glória a ti!
A verdadeira luz apareceu e a todos ilumina.
Cristo, superior a toda pureza, é batizado conosco;
infunde a santidade
na água que se torna purificação para as nossas almas.
Tudo o que vemos é terrestre,
tudo o que contemplamos é mais sublime que os céus.
Mediante a ablução vem a salvação,
mediante a água vem o Espírito,
mediante a descida na água vem a nossa subida a Deus.
Admiráveis são tuas obras, Senhor! Glória a ti!

ir ao índice...

5. A TRANSFIGURAÇÃO DE NOSSO SENHOR

Oração de São João Damasceno (+ 749)

Vinde, ó povos, segui-me;
subamos à montanha santa, rumo ao céu.
Fixemos espiritualmente a nossa morada
na cidade do Deus vivente
e contemplemos a divindade imaterial do Pai e do Espírito
que, em seu Filho único, resplandece.
ó Cristo,
tu me atraíste e transformaste com o teu divino amor;
queima, pois, os meus pecados na chama do fogo imaterial
e enche-me de tuas delícias,
para que, exultante de alegria,
possa glorificar, ó Deus de bondade, as tuas duas vindas.

ir ao índice...

6. DESCONHECIDO A QUEM NÃO O DESEJA

Simeão o novo Teólogo (949-1022)
do Hino 44

O Espírito ensina tudo,
resplandecente de luz indizível,
e te revelará à inteligência
todas as realidades inteligíveis,
na proporção que te seja possível vê-las,
que te sejam acessíveis,
na medida da pureza de teu ânimo,
e tu serás semelhante a Deus
exatamente imitando suas obras,
na temperança, na coragem
e no amor pelos homens,
assim como suportarás as provas
e amarás os teus inimigos.
Ser amigo dos homens isso significa:
fazer o bem aos teus inimigos
e ter-lhes carinho como a amigos,
como verdadeiros benfeitores;
orar por todos aqueles
que te querem mal
e tratar do mesmo modo a todos,
os bons e os malvados
com um autêntico amor;
por todos, enfim, cada dia,
oferecer a vida,
isso é, pela sua salvação,
para que ao menos um se salve
e, se possível, todos eles.
Ó filho, é isso que te fará
um imitador do Mestre,
e manifestará em ti
a verdadeira imagem do criador,
em tudo um imitador
da própria perfeição que há em Deus.
Então o criador – presta atenção
àquilo que estou para te explicar! –
enviará o Espírito divino,
não estou dizendo uma outra alma
como essa que possuis, mas o Espírito,
aquele que vem de Deus:
ele soprará, habitará,
a sua morada fixará em ti substancialmente,
te iluminará, te fará brilhar
e te recriará inteiramente;
de corruptível te fará incorruptível
e reconstruirá
a casa que está ruindo,
a casa de tua alma;
nela, tornará incorruptível
o teu inteiro corpo
e por graça de ti fará um deus,
semelhante ao teu modelo:
que grande maravilha!
O mistério desconhecido de todos,
desconhecido dos prisioneiros de suas paixões,
desconhecido dos amigos do mundo,
desconhecido dos amigos da glória,
desconhecido dos orgulhosos,
verdadeiramente desconhecidos dos prisioneiros da cólera,
desconhecido de quem carrega rancor,
desconhecido dos amigos da carne,
desconhecido dos amigos do dinheiro,
desconhecido dos invejosos,
desconhecido dos caluniadores,
desconhecido dos hipócritas,
desconhecido do escravo da gula,
desconhecido do que come ocultamente,
dos ébrios e dos fornicadores,
desconhecido dos que dizem coisas vãs,
desconhecido do que aumenta o que fala,
desconhecido dos negligentes.
desconhecido daqueles que não se esforçam
por converter-se a cada momento,
desconhecido daqueles cuja moradia
dia e noite não é o arrependimento,
desconhecido dos indóceis, desconhecido dos respondões,
desconhecido dos desregrados,
desconhecido dos que se julgam alguma coisa
enquanto na verdade nada são,
desconhecido de quem se orgulha
ou apenas se alegra pela sua estatura,
sua força ou sua beleza,
ou por qualquer outro dote,
qualquer que seja, sabe-o bem,
desconhecido daqueles de coração impuro,
desconhecido dos que não suplicam,
com o coração em chamas,
receber o Espírito de Deus,
desconhecido daqueles que não crêem
que Deus, ainda hoje, doa
o Espírito divino aos que o procuram.
A incredulidade afasta
e expulsa o Espírito de Deus:
quem não crê, não pede,
e não pedindo, não pode receber,
e não recebendo, não passa de um morto.
Agora sabeis que tudo expliquei:
apressai-vos em receber o Espírito
que vem de Deus, o Espírito divino,
para que possais ser, como vos instruí:
celestes e divinos.
Correi com ardor, correi todos,
para que possamos ser julgados dignos
de encontrar-nos no reino dos céus
e de reinar junto com Cristo,
o Senhor de todas as coisas,
ao qual seja dada toda a glória,
com o Pai e o Espírito,
nos séculos dos séculos. Amém.

ir ao índice...

7. VEM, VIDA MINHA!

Simeão o Novo Teólogo (949-1022)
Precatio mystica

Vem, luz verdadeira,
vem, eterna vida,
vem, mistério escondido,
vem, tesouro inefável,
vem, realidade indizível,
vem, pessoa incompreensível,
vem, exultação perene,
vem, expectativa dos que serão salvos,
vem, levantar-se de quem jaz por terra,
vem, ressurreição dos mortos,
vem, ó poderoso, que tudo realizas,
mudas e transformas com um simples querer,
vem, invisível e totalmente inatingível e impalpável,
vem, tu que sempre permaneces imóvel,
e a todo instante te moves totalmente
e vens a nós que jazemos nos infernos,
tu que estás acima de todos os céus,
vem, Nome desejado e celebrado,
mas para nós indizível e incognoscível,
vem, alegria eterna,
vem, coroa imarcescível,
vem, púrpura de nosso grande Deus e rei,
vem, cinta cristalina de pedras preciosas,
vem, verdadeira direita real, purpúrea e soberana,
vem, tu por quem minha pobre alma clamou e clama,
vem, solo para quem está só – pois vedes que estou sozinho,
vem, tu que me separaste de tudo
e me fizeste solitário pela terra,
vem, tu que em mim te transformaste em desejo
e fizeste com que eu te desejasse,
ó tu, totalmente inacessível,
vem, meu respiro e minha vida,
vem, consolação de minha pobre alma,
vem, alegria e glória e delícia sem fim.

Eu te agradeço por que te tornaste um comigo:
sem confusão, sem variação, sem mudança,
tu que és Deus acima de todas as coisas!

ir ao índice...

8. NÓS TE SUPLICAMOS: TEM PIEDADE!

Nerses Snorhali (1102-1173)
Patriarca, santo, poeta, místico e teólogo armeno
conhecido também como São Nerses o Gracioso
do livro HINOS SACROS

Tu que foste enviado pelo Pai,
ó Espírito incriado e consubstancial,
e anunciado por Cristo, teu coessencial,
para seres o consolador dos santos apóstolos:
nós te suplicamos, em piedade!

Tu, que como um rei desceste do céu,
e te revelaste Deus como vento impetuoso,
e dividindo-te em línguas de fogo
pousaste sobre o coro dos apóstolos:
nós te suplicamos, tem piedade!

Tu que dessedentaste
com o vinho celeste da sabedoria
as almas dos apóstolos,
que depois deram de beber
aos filhos sofredores de Adão
o cálice exultante das vinhas do Éden:
nós te pedimos, tem piedade!

ir ao índice...

9. CÁLICE DE SABEDORIA, REVESTE-NOS DE LUZ

Nerses Snorhali (1102-1173)
Patriarca, santo, poeta, místico e teólogo armeno
conhecido também como São Nerses o Gracioso
Hino de Pentecostes – do livro HINOS SACROS

Consemelhante ao Pai e ao Filho,
ó Espírito incriado e consubstancial,
imperscrutavelmente procedente do Pai
e inefavelmente acolhido pelo Filho,
hoje desceste no Cenáculo
para dessedentar os apóstolos com teu espírito de graça:
na tua misericórdia concede também a nós
beber o cálice da sabedoria.

Tu, criador de todos os seres
que adejavas sobre as águas,
tu, que na fonte de graça foste dado por aquele
que tem a mesma tua substância
como pomba ainda amorosamente nos acaricias
e divinamente fazes os homens renascerem:
na tua misericórdia, concede também a nós
beber o cálice da sabedoria.

Senhor dos seres incorpóreos do céu
e dos sensíveis aqui da terra,
tu que transformas pastores em profetas
e pescadores em apóstolos,
publicanos em evangelizadores
e perseguidores em pregadores:
na tua misericórdia, concede também a nós
beber o cálice da sabedoria.

Semelhante a um vento tremendo
com ruído potente e apavorante,
te manifestaste, ó Espírito,
ao coro dos doze, no Cenáculo;
por ti eles foram batizados
e purificados como o ouro no fogo:
dissipa em nós a treva do pecado
e reveste-nos da luz gloriosa.

Como Deus vieste à terra,
para julgar o mundo com autoridade
a respeito da justiça, do pecado,
da condenação do mal;
abriste teu tesouro imaterial
e distribuíste teus dons à humanidade:
dissipa em nós a treva do pecado
e reveste-nos da luz gloriosa.

Amor nascido do amor,
foi o amor que te enviou,
por ti reunindo todos os seus membros:
a igreja, por ele edificada,
que tornou firme sobre as tuas sete colunas,
e a adornou com os teus sete dons,
e os apóstolos estabeleceu como dispensadores:
dissipa em nós a treva do pecado
e reveste-nos da luz gloriosa.

ir ao índice...

10. MARIA AO PÉ DA CRUZ

Jorge de Nicomedia – (séc. IX)
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Beijo a tua paixão,
com a qual fui libertado das minhas más paixões.
Beijo a tua Cruz,
com a qual condenaste o meu pecado
e me libertaste da condenação à morte.
Beijo aqueles cravos,
com que removeste o castigo da maldição.
Beijo as feridas dos teus membros,
com que foram curadas as feridas da minha rebelião.
Beijo a cana com que assinaste o atestado da minha libertação
e com que feriste a cabeça arrogante do dragão.
Beijo a esponja encostada aos teus lábios incontaminados,
com que a amargura da transgressão
me foi transformada em doçura.
Tivesse podido eu degustar aquele fel,
que dulcíssimo alimento não teria sido!
Tivesse podido eu tomar o vinagre,
que bebida agradável!
Aquela coroa de espinhos
teria sido para mim um diadema régio.
Aquelas cusparadas
me teriam ornado como esplêndidas pérolas.
Aquelas zombarias
me teriam ornado como sinal de profundo obséquio.
Aquelas bofetadas
me teriam glorificado como o prestígio mais alto.
Eu te beijo, Senhor,
e a tua paixão é o meu orgulho.
Beijo a lança que dilacerou o documento da minha dívida
e abriu a fonte da imortalidade.
Beijo o teu lado do qual jorraram os rios da vida
e brotou para mim o rio perene da imortalidade.
Beijo a tua mortalha com que me adornaste
tirando-me minhas vestes vergonhosas.
Beijo o preciosíssimo sudário de que te revestiste
para envolver-me na veste dos teus filhos adotivos.
Beijo o túmulo
no qual inauguraste o mistério da minha ressurreição
e me precedeste pela estrada que sai do Hades.
Beijo aquela pedra
com a qual me tiraste o peso do medo da morte.

ir ao índice...

11. CÂNON A JESUS DULCÍSSIMO

Teostericto, Monge – (séc. IX)
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Jesus dulcíssimo, glória dos apóstolos;
meu Jesus, alegria dos mártires;
Senhor onipotente, Jesus, meu Salvador,
Jesus belíssimo, salva-me a mim que recorro a Ti.
Salvador Jesus, tem piedade de mim,
pela intercessão daquela que te trouxe ao mundo,
e de todos, ó Jesus, os teus santos,
e de todos os profetas;
meu Salvador Jesus,
torna-me também digno das delícias do paraíso,
ó Jesus amigo dos homens.
Jesus dulcíssimo, orgulho dos monges;
Jesus longânime, alimento e beleza dos ascetas,
Jesus, salva-me;
Jesus meu Salvador,
Jesus meu boníssimo,
arranca-me da mão do dragão, Salvador Jesus,
e livra-me de seus laços, Salvador Jesus;
e libertando-me do abismo, ó meu Salvador Jesus,
faze-me sentar à tua direita com as outras ovelhas.
Senhor, Cristo Deus,
que com a tua paixão curaste as minhas paixões
e com as tuas feridas medicaste as minhas chagas,
dá-me a mim, mísero pecador,
lágrimas de compunção.
Perfuma o meu corpo
com a fragrância do teu corpo vivificante
e oferece a doce bebida do teu precioso sangue
para refazer-me da amargura
com que o inimigo deu de beber à minha alma.
Ergue a Ti a minha mente
atraída pelas baixezas terrenas
e levanta-me do abismo da perdição.
Ofusquei a minha mente com afeições terrenas
e não consigo erguer os olhos para Ti;
nem aquecer com lágrimas o meu amor por Ti.
Mas tu, Mestre, meu Senhor Jesus Cristo,
tesouro de todos os bens,
concede-me contrição perfeita
e ardente desejo de lançar-me à tua procura.
Dá-me a tua graça
e renova em mim as feições da tua imagem.
Eu te abandonei,
não me pagues com o abandono.
Vem em busca de mim,
reconduze-me ao teu redil,
e faze-me nutrir-me da relva dos divinos mistérios.
Pela intercessão da tua puríssima Mãe
e de todos os teus santos. Amém.

ir ao índice...

12. Hino XVI

Simeão, o Novo Teólogo († 1022)
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Glória àquele que tanto glorificou a nossa essência,
glória, Salvador, à tua incompreensível condescendência,
glória à tua misericórdia, glória ao teu poder,
glória a ti que, permanecendo imutável e sem mudança,
és todo imóvel e todo sempre em movimento,
todo fora da Criação e todo em cada criatura;
tu enches tudo, tu que és inteiramente fora de tudo,
acima de tudo, ó Mestre, acima de todo princípio,
acima de toda essência, sobre toda natureza,
sobre todos os séculos, sobre toda luz, ó Salvador,
sobre as essências intelectuais as quais são obra tua,
ou dizendo melhor, obra do teu intelecto.
Tu não és nenhum dos seres, mas superas todos os seres,
porque de todos os seres tu és a causa, como Criador;
e por isso tu estás à parte de todos eles, Altíssimo,
para o nosso pensamento, acima de todos os seres,
invisível, inacessível, inatingível, intocável,
eludindo toda compreensão, permaneces sem mudança;
tu és a simplicidade, e tu és toda a verdade,
e o nosso espírito é de todo incapaz de sondar
a variedade da tua glória e o esplendor da tua beleza.
Tu que não és nenhuma das coisas que são,
porque estás acima de tudo,
tu que estás fora de tudo como Deus de tudo,
invisível, inacessível, inatingível, intocável,
tu mesmo te tornaste mortal, entraste no mundo
e te mostraste acessível a todos assumindo a carne.
Tu te deste também a conhecer aos fiéis
na glória da tua divindade,
e por eles te tornaste atingível, tu o inatingível,
e totalmente visível, tu a todos invisível.
Só os que crêem viram a glória da tua divindade,’
os infiéis, porém, mesmo vendo a luz do mundo,
permaneceram cegos.

ir ao índice...

13. O DIA DO JUÍZO

Romano, o Melodista (cerca de 560)
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Quando vieres, ó Deus, sobre a terra com glória,
e tudo tremer, e irromper o rio de fogo diante do teu tribunal,
quando os livros se abrirem e os segredos forem revelados,
então salva-me do fogo inextinguível
e torna-me digno de estar à tua direita, Juiz justíssimo.
Pensando no teu terrível tribunal, ó meu Senhor,
e no dia do juízo, eu tremo;
tremo diante do remorso da consciência.
Quando te preparares para sentar-te no teu trono
e abrir o inquérito,
ninguém poderá mais renegar os próprios pecados:
será a verdade a convencer e o medo a expulsar.
O fogo da geena crepitará forte,
os pecadores rangerão os dentes.
Por isso, tem piedade de mim
e antes do fim poupa-me, Juiz justíssimo.
Quando o Senhor, pela primeira vez, veio
e apareceu entre os homens,
sem por isso separar-se do Pai;
permaneceu oculto às Potestades,
às Virtudes, às Falanges dos anjos;
tornou-se homem como ele quis,
ele que tinha feito o homem;
foi depois recebido junto do Pai
que ele nunca havia abandonado.
Incompreensível é o teu mistério, ó meu Salvador!
Não te separaste absolutamente do Pai;
porque és dele indivisível
e tudo enches, Juiz justíssimo.
Louvado pelos anjos, o Senhor subiu com glória
sob os olhares dos discípulos.
Precedido dos anjos,
ele voltará manifestamente, como está escrito.
Então o céu, a terra e o inferno cantarão glória
e adorarão o Cristo crucificado,
reconhecendo-o claramente como Deus e como Criador,
ao passo que os judeus ficarão atônitos
diante daquele que eles traspassaram.
Os justos, por sua vez, resplandecerão de luz,
aclamando: “Glória a ti, Juiz justíssimo!”

ir ao índice...

14. HINO I

Simeão, o Novo Teólogo († 1022)
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Tu és, ó Cristo, o Reino dos céus
e a terra prometida aos mansos,
tu o prado do paraíso, a sala do divino banquete,
tu o tálamo das núpcias inefáveis, mesa aberta a todos,
tu o pão da vida, tu a bebida inaudita,
tu ao mesmo tempo a talha para a água e a água da vida,
tu também a lâmpada inextinguível para cada um dos santos,
tu o hábito e a coroa, e aquele que distribui as coroas,
tu a alegria e o repouso, tu as delícias e a glória,
tu a alegria, tu a felicidade, ó meu Deus!
E a tua graça resplandecerá igual ao sol graça
do Espírito de toda santidade, em todos os santos;
e tu, inacessível sol resplandecerás no meio deles
e todos resplandecerão, em proporção da sua fé,
da sua ascese, da sua esperança e caridade,
da sua purificação e a iluminação do teu Espírito,
ó Deus, único longânime e juiz de todos os homens!
Eles receberão moradas e habitáculos diferentes,
segundo o seu grau de esplendor, os seus graus de caridade
e a visão que eles terão de ti
será a medida da sua glória, da sua alegria, da sua nobreza
distinguindo suas belas e esplêndidas moradas.
Esta é a razão de ser de diversas e numerosas moradas,
das vestes resplandecentes, das numerosas dignidades
e das gemas e pérolas das diversas coroas,
e as flores imarcessíveis de aspecto surpreendente;
eis os leitos e as camas, as mesas e os tronos
e tudo o que pode oferecer as suaves delícias:
tudo era, é e será de ver-te, e só de ver-te.
Porém, repito, os que não vêem a tua luz
e não são vistos por ti;
mas se ocultam à tua vista
na qual estão todos os bens,
são privados desses bens.

ir ao índice...

15. EXPOSIÇÃO SOBRE A FÉ

São João Damasceno (c. 676-749),
monge, teólogo, Padre da Igreja.
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

«Vosso Pai, que está no céu,
não quer que se perca um só destes pequeninos»
Tu me formaste, Senhor, do corpo de meu pai;
Tu me formaste no ventre de minha mãe;
Tu me fizeste sair à luz, menino e nu,
porque as leis da natureza seguem sempre os teus preceitos.
Com a bênção do Espírito Santo
preparaste a minha criação e a minha existência,
não por vontade do homem,
nem por desejo da carne (Jo 1, 13),
mas pela tua graça inefável.
Preparaste o meu nascimento
com cuidado superior ao das leis naturais,
fizeste-me sair à luz do dia
adotando-me como teu filho (Gl 4, 5)
e me contaste entre os filhos da tua Igreja santa e imaculada.
Tu me alimentaste com o leite espiritual dos teus ensinamentos.
Tu me sustentaste com o vigoroso alimento
do Corpo de Cristo, nosso Deus, Filho Unigênito,
e me embriagaste com o cálice divino do seu Sangue vivificante
que Ele derramou pela salvação de todo o mundo.
Porque Tu, Senhor, nos amaste
e nos deste o teu único e amado Filho para nossa redenção,
que Ele aceitou voluntária e livremente…
E assim, Senhor Jesus Cristo, meu Deus,
te humilhaste para me levares aos ombros como ovelha perdida
e me apascentaste em verdes pastagens (Sl 22, 2).
Tu me alimentaste com as águas da verdadeira doutrina
por meio de teus pastores,
aos quais Tu mesmo alimentas,
para que, por sua vez,
alimentem a tua grei, escolhida e nobre.

ir ao índice...

16. ORAÇÃO DE NOA

São Basílio Magno († 379)
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Ó Soberano Senhor, Jesus Cristo, ó Deus nosso,
Tu longânime para com nossos pecados,
conduziste-nos até a hora presente,
na qual pregado na Cruz vivificante,
abriste a porta do paraíso ao ladrão agradecido
e com a tua morte destruíste a morte;
sê propício também a nós teus servos pecadores e indignos.
Temos pecado, temos cometido iniqüidades
e não somos dignos de erguer nossos olhos
e de olhar para a altura do Céu,
porque abandonamos o caminho da tua Justiça
e temos caminhado segundo a vontade do nosso coração.
Mas suplicamos a tua incomparável bondade,
poupa-nos, Senhor, segundo a multidão das tuas misericórdias
e salva-nos pelo teu Nome santo,
porque se esvaíram na vaidade os nossos dias.
Arranca-nos da mão do inimigo,
perdoa os nossos pecados,
mortifica os nossos pensamentos e sentimentos carnais,
de modo que, deposto o homem velho,
nos revistamos do novo
e vivamos por Ti, nosso Senhor e Protetor.
Assim, seguindo os teus mandamentos,
possamos chegar ao eterno repouso,
lá onde está a morada de todos os que se alegram;
porque, na realidade, és Tu a verdadeira alegria
e a exultação daqueles que te amam, ó Cristo nosso Deus.
A Ti nós damos glória
juntamente ao teu Pai sem princípio
e ao santíssimo, bom, vivificante, teu Espírito,
agora e sempre e nos séculos dos séculos. Amém

ir ao índice...

17. DEUS-CONOSCO

Liturgia Bizantina – Grande Completa.
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Deus está conosco, sabei-o até os confins da terra,
Porque Deus está conosco!
Escutai até os confins da terra,
Porque Deus está conosco!
Mesmo se sois fortes, sereis quebrantados,
Porque Deus está conosco!
De novo fortes, sereis de novo quebrantados,
Porque Deus está conosco!
E qualquer projeto que fizerdes o Senhor o quebrantará,
Porque Deus está conosco!
E qualquer plano que fizerdes ficará sem efeito,
Porque Deus está conosco!
O vosso terror não nos aterrorizará
nem terá efeito sobre nós,
Porque Deus está conosco!
Nós consideramos como santo o Senhor Deus,
e ele será para nós temor,
Porque Deus está conosco!
Se tenho fé n’Ele, ele me será de santificação,
Porque Deus está conosco!
Eis-me e os filhos que me deu o Senhor,
Porque Deus está conosco!
O povo que caminhava nas trevas
viu uma grande luz,
Porque Deus está conosco!
A vós que habitais no lugar e na sombra da morte
uma luz brilhará,
Porque Deus está conosco!
Porque um menino nos nasceu,
um filho nos foi dado,
Porque Deus está conosco!
Sobre seus ombros repousa a realeza
e à sua paz não haverá limite,
Porque Deus está conosco!
Ele se chamará Anjo do grande conselho,
Conselheiro admirável
Porque Deus está conosco!
Deus poderoso, soberano, Príncipe da paz,
Pai do século futuro,
Porque Deus está conosco!

ir ao índice...

18. ORAÇÃO SACERDOTAL ANTES DO «HINO DOS QUERUBINS»

Divina Liturgia de São João Crisóstomo
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Ninguém que seja escravo de desejos e paixões carnais
é digno de apresentar-se ou de aproximar-se
ou de oferecer sacrifícios a Ti, Rei da glória,
porque servir a Ti é algo grande e tremendo
mesmo para as próprias Potestades celestes.
Todavia, pelo teu inefável e imenso amor pelos homens,
te fizeste homem sem nenhuma mudança
e foste constituído nosso sumo Sacerdote,
e, como Senhor do universo,
nos confiaste o ministério deste litúrgico e incruento sacrifício
Com efeito, só Tu, ó Senhor nosso Deus,
imperas soberano sobre as criaturas celestes e terrestres,
Tu que estás sentado sobre um trono de Querubins,
Tu que és Senhor dos Serafins e Rei de Israel
Tu que és o Único santo e habitas no meio dos santos.
Eu te suplico, pois,
a Ti que és o Único bem e pronto a atender:
volta o teu olhar para mim pecador e inútil servo teu,
e purifica a minha alma e o meu coração de uma consciência má;
e, pelo poder do teu Santo Espírito,
faze que eu, revestido da graça do sacerdócio,
possa estar diante desta tua sagrada mesa
e consagrar o teu corpo santo e imaculado
e o teu sangue precioso.
De ti me aproximo, inclino a cabeça e te peço:
não afastes de mim o teu rosto
e não me excluas do número dos teus servos,
mas concede que eu, pecador e indigno servo teu,
te ofereça estes dons.
Na verdade, ó Cristo nosso Deus,
és o oferente e o oferecido,
és aquele que recebe os dons e que em dom te dás,
e nós te rendemos glória junto com o teu Pai sem princípio,
o santíssimo, bom e vivificante teu Espírito, a
gora e sempre, e nos séculos dos séculos. Amém.

ir ao índice...

19. TROPÁRIOS DE COMPLETAS

Liturgia Bizantina
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Ó Senhor,
tu sabes que os meus inimigos invisíveis não dormem
e tu conheces a fraqueza da minha mísera carne,
Ó meu Plasmador;
por isso nas tuas mãos deponho o meu espírito.
Protege-me sob as asas da tua bondade,
que eu não durma na morte.
Ilumina os meus olhos espirituais
no gáudio da tua divina palavra;
e concede-me que eu me levante no momento oportuno
para a tua glorificação,
tu que és bom e amigo dos homens.
Como será terrível o teu juízo, Senhor,
quando os anjos estiverem presentes,
os homens forem reunidos,
os livros forem abertos
e os pensamentos forem investigados!
Qual será a sentença a respeito de mim
que fui concebido no pecado,
quem extinguirá a minha chama,
quem iluminará as minhas trevas
se tu, Senhor, não tiveres piedade de mim,
ó tu, misericordioso?
Ó Deus, dá-me lágrimas,
como outrora à mulher pecadora,
e faze-me digno de ungir teus pés
que me livraram do caminho da perdição,
e de oferecer-te, qual ungüento de suavidade,
uma vida pura transcorrida na penitência;
para que também eu ouça a tua voz:
“A tua fé te salvou, vai em paz!”
Ó Mãe de Deus,
tendo em ti indefectível esperança
eu serei salvo;
gozando da tua assistência, ó Puríssima,
eu não tenho temor algum.
Perseguirei meus inimigos e os porei em fuga,
tendo como escudo apenas a tua proteção.
Implorando o teu onipotente socorro, eu te grito:
Senhora, salva-me pela tua intercessão,
e concede-me levantar-me do obscuro sono
para a tua glorificação,
pelo poder do Filho de Deus em ti encarnado!

ir ao índice...

20. HINO PENITENCIAL

Da Divina Liturgia Bizantina
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Tem piedade de nós, ó Senhor, tem piedade de nós;
carentes de toda justificação,
nós, pecadores, te dirigimos esta súplica:
ó nosso Soberano, tem piedade de nós!
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Senhor, tem piedade de nós:
em ti, com efeito, pomos nossa confiança;
não te irrites sobremaneira contra nós,
nem recordes as nossas culpas;
mas resguarda-nos também agora,
misericordioso como és,
e livra-nos dos nossos inimigos.
Tu és, na verdade, o nosso Deus
e nós, o teu povo;
todos somos obra das tuas mãos
e temos invocado o teu Nome
agora e sempre,
e pelos séculos dos séculos. Amém.
Ó bendita Mãe de Deus,
abre para nós a porta da misericórdia;
faze que, esperando em ti,
não sejamos decepcionados,
mas, por teu intermédio,
sejamos libertados das adversidades;
com efeito, és a salvação do povo cristão.
Veneramos a tua puríssima imagem, ó Bom,
pedindo perdão das nossas culpas, ó Cristo Deus.
Benignamente te dignastes, de fato,
subir voluntariamente com teu corpo à Cruz
para livrar da escravidão do inimigo
aqueles que tu plasmaste.
Portanto, com reconhecimento a ti clamamos:
Encheste de alegria o universo,
ó nosso Salvador, que vieste salvar o mundo!

ir ao índice...

21. ORAÇÃO DO OFÍCIO DE VÉSPERAS

Liturgia Bizantina
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Ó Deus grande e altíssimo,
só tu possuis a imortalidade
e habitas na luz inacessível,
tu que criaste tudo com sabedoria,
que separaste a luz das trevas
e estabeleceste o sol para presidir ao dia,
a luz e as estrelas para presidirem à noite;
tu que nos tornaste dignos, pecadores que somos,
de chegar até a esta hora diante da tua face
para confessar-te e apresentar uma liturgia vespertina;
tu, ó Senhor amigo dos homens,
dirige a nossa oração como incenso diante de ti,
e recebe-a em odor de suavidade.
Concede a nós pacífica esta tarde e a noite,
reveste-nos das armas da luz,
livra-nos do medo noturno
e de toda maquinação que procede na obscuridade;
faze que o sono que tu dás
como repouso à nossa fraqueza
seja imune de toda diabólica imaginação.
Sim, ó Mestre de todos e causa de todo bem,
possamos nós ser encontrados com compunção
sobre nossos leitos
para recordar de noite o teu Nome;
e iluminados pela meditação dos teus mandamentos,
possamos levantar-nos
para glorificar com ânimo alegre a tua bondade,
elevando a ti pedidos e súplicas
pelos nossos pecados e pelos de todo o povo,
que te pedimos que protejas,
pela intercessão da Santíssima Virgem Mãe de Deus.
Porque tu és Deus bom e amigo dos homens,
e a ti rendemos glória, ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre, e nos séculos dos séculos. Amém.

ir ao índice...

22. STICHIRÁ DE 16 DE AGOSTO

Liturgia Bizantina
Autor Anônimo
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Com que olhos contemplaremos nós, mortais,
o teu Ícone cintilante de luz divina,
que os exércitos dos Anjos não ousam olhar?
Ele vem hoje transferido do território dos infiéis
e trazido por divina indicação para a cidade imperial.
Ao seu ingresso exultam os Soberanos, diante dele
eles se prostram com temor e fé, ó Cristo.
Como ousaremos tocar com as nossas mãos,
nós da terra, a tua Imagem, ó Verbo?
nós pecadores,
a tua Imagem impecável, nosso Deus?
Nós impuros,
a tua imagem, o Inacessível?
Os Querubins se cobrem tremendo a face,
os Serafins não ousam contemplar a tua glória,
a Criação te serve com temor.
Não condenes por isso, ó Cristo, a nós indignos
que beijamos com fé o teu venerando retrato.
Eis de novo o sagrado dia da solenidade do Senhor.
Ele está sentado no céu
e vem agora em forma manifesta
fazer-nos visita por meio do seu venerável Ícone:
é invisível lá em cima aos Querubins
e é visto nos seus traços
por aqueles de quem assumiu os traços,
ele que o Pai com seu poder
formou inefavelmente:
nós o adoramos com fé e desejo,
para sermos por ele santificados.
O rei de Edessa, reconhecendo em ti o Rei do universo,
não pelo cetro ou pelos exércitos,
mas porque realizavas com a simples palavra
infinitos prodígios,
te pediu a ti, Homem-Deus, que viesses ao seu país.
Mas quando viu no tecido a tua figura
ele exclamou: “Tu és meu Deus e Senhor!”

ir ao índice...

23. ORAÇÃO DE SANTA MACRINA

São Gregório de Nissa († 392)
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Tu, ó Senhor, nos libertaste do temor da morte.
Para nós fizeste do fim desta vida
princípio de verdadeira vida.
Tu por algum tempo
adormeces com o sono os nossos corpos
e de novo os despertas com a última trombeta.
Dás como penhor à terra a nossa terra
que com tuas mãos plasmaste
e de novo tomas o que deste,
enobrecendo com a imortalidade e a graça
o que de nós é mortal e inconveniente.
Tu nos salvaste da maldição e do pecado,
tornando-te por nós ambas as coisas.
Esmagaste as cabeças do dragão
que através do báratro da desobediência
agarrou o homem com as fauces.
Abriste-nos o caminho para a ressurreição
rompendo as portas do Hades
e reduzindo à impotência
aquele que tinha o domínio da morte.
Deste aos teus timoratos o símbolo da Cruz
para destruição do adversário
e para segurança de vida.
Ó Deus eterno, a quem fui consagrada
logo que fui dada à luz,
que meu ânimo amou com todas as suas forças,
a quem dediquei a carne e a alma até agora,
põe a meu lado o anjo fiel
que me guie para o lugar do refrigério,
onde está a água do descanso
no seio dos santos padres.
Tu que quebraste a espada de fogo
e restituíste ao paraíso o homem crucificado contigo
e que se tinha entregue à tua piedade,
recorda-te também de mim no teu reino,
porque também eu fui crucificada contigo,
cravando as minhas carnes por temor de ti
e temendo o teu juízo…
Tu que tens na terra o poder de perdoar os pecados,
perdoa-me, a fim de que eu encontre refrigério,
e seja encontrada ao ser despojada do corpo,
não com mancha na forma da minha alma,
mas pura e imaculada seja recebida a minha alma,
como fumaça de incenso na tua presença.

ir ao índice...

24. AKATHISTOS AO DULCÍSSIMO SENHOR NOSSO JESUS CRISTO

Estrofes 1-31
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Criador dos anjos e Senhor das potências,
abre a minha mente impotente e a minha língua
para louvar o teu nome puríssimo,
como outrora abriste os ouvidos e a língua do surdo-mudo,
para que eu possa invocar-te assim:
“Jesus admirabilíssimo, admiração dos anjos;
Jesus fortíssimo, salvação dos progenitores;
Jesus dulcíssimo, orgulho dos patriarcas;
Jesus gloriosíssimo, sustento dos soberanos;
Jesus amabilísimo, realização dos profetas;
Jesus venerabilíssimo, salvação dos mártires;
Jesus silenciosíssimo, alegria dos monges;
Jesus piedosíssimo, doçura dos sacerdotes;
Jesus misericordiosíssimo, abstinência dos que jejuam;
Jesus dulcíssimo, júbilo dos santos teus semelhantes;
Jesus eterno, salvação dos pecadores;
Jesus, Filho de Deus, tem piedade de mim!”
Soberano Senhor, Jesus Cristo, meu Deus,
que pelo teu indizível amor para com o homem
assumiste, no fim dos tempos,
um corpo humano da sempre virgem Maria,
eu, teu servo,
canto a tua salvífica providência, ó Soberano.
Eu te louvo, porque por ti conheci o Pai.
Eu te bendigo, porque por ti o Espírito Santo veio ao mundo.
Prostro-me diante da tua puríssima Mãe terrena,
que foi o instrumento para o cumprimento
de um tão tremendo mistério.
Celebro as tuas falanges angélicas
que exaltam e servem a tua magnificência.
Venero João, o Precursor que te batizou, Senhor.
Honro os profetas que te preanunciaram.
Glorifico os teus santos apóstolos,
exalto os mártires,
louvo os teus sacerdotes,
me inclino aos teus santos,
festejo os teus justos.
Este inumerável e indizível coro divino
eu, teu servo, o apresento a ti em súplica,
ó Deus generosíssimo,
e pelos seus méritos peço perdão das minhas faltas.
Concede-me pela intercessão de todos os teus santos, especialmente pela tua generosidade,
porque tu és bendito nos séculos. Amém.

ir ao índice...

25. ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO

Liturgia Bizantina
Autor Anônimo
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Eu te agradeço, ó Senhor meu Deus,
porque não me rejeitaste, embora pecador,
mas me tornaste digno de comungar
com os teus santos mistérios.
Eu te agradeço
porque quiseste que eu, embora indigno,
fosse participante dos teus puríssimos e celestes dons.
Mas tu, Soberano amigo dos homens,
que por nós morreste e ressuscitaste
(! nos deste estes tremendos e vivI/icantes mistérios
para benefício e santificação das almas e dos corpos,
faze que eles sejam também para mim
saúde da alma e do corpo,
vitória contra todo adversário,
iluminação aos olhos do meu coração,
paz às minhas potências espirituais,
fé sem respeito humano,
amor sincero, plenitude de sabedoria,
observância dos teus mandamentos,
aumento da tua divina graça
e posse do teu Reino.
Faze que eu, por eles conservado na tua santidade,
me recorde sempre da tua graça
e não viva mais para mim, mas para tI,
nosso Soberano e benfeitor.
E assim, partindo da vida presente
com a esperança da vida eterna,
possa chegar ao repouso sem fim,
onde é incessante o cântico dos que te festejam
e infinito o gozo dos que contemplam
a inefável beleza do teu rosto.
Com efeito, tu és, ó Cristo Deus, o verdadeiro desejo
e o inexprimível júbilo daqueles que te amam,
e toda a Criação te dá glória para sempre. Amém.

ir ao índice...

26. VIGÍLIA DAS VIÚVAS

Oração dos Primeiros Cristãos
Os Ícones de Cristo. Ed. Paulus 1997.
Tradução do grego: Georges Gharib.

Santo, Santo, sem mancha, tu que habitas a luz,
Deus de Abraão, de Israel e de Jacó;
Deus de Enoc e de Davi, de Elias, de Moisés,
de Josué e de todos os demais profetas
que, na verdade, anunciaram teu nome.
Deus dos Apóstolos,
Deus que diriges todas as coisas por tua vontade,
que abençoaste os que põem amorosamente em ti sua confiança.
Minha alma te louva com a força do Espírito;
meu coração te louva, Senhor,
louva teu poder em todo tempo;
todas as minhas forças te louvam, Senhor,
porque, se quiseres, serei tua, ó Deus.
Deus dos pobres, és o socorro dos pequenos,
olhas para os humildes, és a força dos fracos,
vem em meu socorro, já que tua graça se quis comprazerem mim;
sou tua serva, pois me deste o título magnífico de cristã.
Arrancaste-me da escravidão
para que sirva o Deus poderoso para sempre,
e cante teu louvor, a ti que tudo vês, sem ser confundido.
Cura-me, Senhor Deus,
confirma meu coração até à perfeição, no Espírito Santo.
Devolve-me a juventude para construir tua Igreja santa,
ó Filho, Verbo e Pensamento do Pai;
ó Cristo, que vieste para salvar o gênero humano,
que sofreste, foste sepultado e ressuscitaste.

ir ao índice...

27. A UM SINAL DE DEUS

Vésperas da Assunção da Mãe de Deu
Composição de Pedro do Peloponeso (+ 1777)
trad. Pe. José Artulino Besen.

Glória ao Pai… Entretanto,
os Apóstolos divinos,
a um sinal de Deus
dos quatro cantos do universo
transportados sobre as celestes nuvens,
recolhem teu corpo, tão puro,
que trouxe ao mundo nossa Vida
e piedosamente o cercam de veneração.
Os maiores poderes dos céus,
presentes, do mesmo modo que seu Senhor,
cheios de veneração acompanham o corpo
que foi o templo santo do próprio Deus;
Eles avançam pelos céus
e gritam, sem serem visto,
aos chefes dos exércitos celestes:
“É a Soberana do universo,
a Virgem divina que avança.
Erguei as bandeiras para acolher
de modo festivo
a Mãe da Inesgotável Claridade.”
Através dela os homens receberam a salvação,
não podemos trazer-lhe presentes,
e nem podemos oferecer-lhe
a homenagem que convém à sua grandeza:
suas prerrogativas ultrapassam o entendimento.
Virgem Santa, ó pura Mãe de Deus,
hoje vivendo com teu Filho, o Rei da vida,
Pede sem cessar a Cristo
para que salve de todo o perigo,
de todo o ataque do Inimigo
esse novo povo que é teu.
Todos nós estamos sob tua proteção
e te louvamos pelos séculos.

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: