12. A oração dos salmos

Se ainda não recebeste o dom da oração ou da salmodia, insiste e o receberás.

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 87

Quando a alma produziu abundantes frutos naturais, recita os salmos em voz mais alta e prefere prosseguir com a voz. Quando nela age o Espírito Santo, canta com despreocupação e doçura e reza somente no coração. A primeira disposição é seguida por uma inimaginável alegria; a segunda por lágrimas espirituais e, em seguida, por uma exultação desejosa de paz. A recordação que a moderação da voz mantém viva prepara o coração para produzir pensamentos doces, que geram lágrimas. Através disso é verdadeiramente possível ver as sementes da oração semeadas com lágrimas na terra do coração, para a esperança da alegria da colheita. Mas, quando estamos oprimidos por grande desencorajamento, é necessário que recitemos os salmos com voz mais forte, fazendo exultar a alma pela alegria da esperança até que essa pesada nuvem se dissolva com os ventos da melodia.

Diadoco de Fótica,
Discurso ascético 73

Por que o Senhor coloca uma melodia na boca daqueles crentes que são crianças com relação à malícia? (cf. 1Cor 14,20). Por acaso, não é para abater o inimigo e vingador (cf. Sl 8,3) que tanto tiraniza através da salmodia, o inimigo da virtude e vingador do mal, o diabo? Também nós, portanto, quando louvamos o Senhor com simplicidade de coração, despedaçamos e abatemos os artifícios do inimigo. Com a abundância da tua glória despedaçaste os inimigos e os adversários que nos fazem guerra (cf. Ex 15,7).

João Cárpato,
Aos monges da Índia 7

Não deveis espantar-vos quando vedes que sois ridicularizados por causa de vossa quietude por aqueles que não estão em condições de praticá-la; antes, resisti-lhes com os salmos, sem guardar rancor. Oponde-lhes uma submissão a Deus ainda mais firme, gritando em vosso canto “Sede submissa a Deus, ó minha alma (Sl 61,6). Em vez de amar-me, me caluniavam, mas eu, porém, orava (Sl 108,4) pela cura minha e deles”.

João Cárpato,
Aos monges da Índia 94

Certa vez, um irmão que morava com Abbá Filêmon perguntou-lhe qual fosse o mistério da contemplação. E ele, vendo-o desejoso por aprender e bem disposto, lhe disse: “Digo-te, meu verdadeiro filho, se a mente de alguém está purificada no máximo grau, Deus lhe abre a contemplação das potências e exércitos que estão a seu serviço”. E o irmão ainda lhe perguntou: “Por que, pai, tu encontras doçura no saltério mais do que em toda a Escritura? E por que, enquanto recitas os salmos pronuncias as palavras como se dialogasses com alguém?” O ancião lhe respondeu: “Eu te digo, filhinho, que Deus imprimiu com precedência o significado dos salmos em minha pobre alma assim como ao profeta Davi, e eu não posso separar-me da doçura das múltiplas visões místicas que neles estão. De fato, eles contêm toda a divina Escritura”.

Abbá Filêmon,
Discurso utilíssimo, vol. II, p. 243-244

Quando, graças a uma oração contínua, se fazem penetrar as palavras dos salmos no coração daquele que reza, também a terra, sendo boa, do coração começa a produzir espontaneamente (Mc 4,28) a contemplação dos seres incorpóreos como rosas, a luminosidade dos corpos como lírios, e a variedade e o difícil discernimento dos julgamentos divinos como violetas.

Elias Presbítero,
Capítulos práticos 78

Também a quantidade de oração dos salmos é ótima coisa quando é guiada pela constância e pela atenção, mas é a qualidade que dá vida à alma e que produz fruto. A qualidade da oração dos salmos é dada pelo orar com o espírito e com a mente (cf. 1Cor 14,150). Alguém reza com a mente quando, enquanto reza os salmos, medita o sentido que se encontra na divina Escritura e, graças à meditações divinas, acolhe no seu coração as subidas (cf. Sl 83,6) dos pensamentos. A alma, raptada em espírito em uma atmosfera de luz, resplandece claramente e se purifica sempre mais e, totalmente elevada aos céus, vê as belezas dos bens reservados aos santos. Acesa pelo desejo de tais bens, logo faz sair dos olhos o fruto da oração e, pela potência iluminante do Espírito, faz jorrar a torrente das lágrimas. Seu gosto é tão doce que, às vezes, quem os prova chega a esquecer-se do alimento material. E esse é o fruto da oração que nasce da qualidade da oração dos salmos nas almas daqueles que oram.

Nicetas Sthetatos,
Capítulos naturais 70

Quem procura rezar somente na base do que ouviu dizer ou aprendeu, se perde como alguém que não tem guia. Quem degustou a graça, pelo contrário, deve recitar os salmos com medida, como dizem os Pais, e consagrar-se, sobretudo à oração. Mas, na negligência, deve recitar os salmos ou ler os ensinamentos práticos (os mandamentos, a ascese e as virtudes) dos Pais. A nave não tem necessidade de remos quando o vento incha as velas e lhes dá uma brisa favorável para navegar na superfície do mar salgado das paixões, mas, se o vento cessa, a nave é tocada com os remos ou a barca.

Gregório o sinaíta,
Como hesicasta…., vol. IV, p. 82-83)

É dito: Deus é espírito e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade (Jo 4,24)… E, aqueles que recitam salmos e rezam, se compreendem o significado das palavras que recitam e da oração e, o quanto possível, entram em sintonia com essas palavras, certamente adoram Deus em verdade e em Espírito. Espírito e verdade são indubitavelmente as santas palavras dos salmos e da oração.

Calixto Patriarca,
Capítulos sobre a oração 20

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