2. O amor de Deus pelo ser humano

Deus escuta somente o homem. Deus se manifesta somente ao homem. Deus é amigo do ser humano: onde ele está, ali também Deus está.

Somente o ser humano é digno de adorar Deus. Por causa do homem, Deus se transfigura

Antônio o Grande,
Exortações 132

 

Deus é bom; nele não existe paixão nem mudança. Considerando-se razoável e verdadeiro que Deus não muda, então fica difícil que ele alegre os bons e abandone os maus e se encolerize com quem peca e depois, se se lhe presta culto, mostre-se favorável. Diga-se logo que Deus nem se alegra nem se encoleriza, porque alegrar-se e encolerizar-se são paixões, e também não se lhe presta culto com dons: isso significaria que fosse vencido pelo prazer.

Não é lícito julgar o  divino como bem ou como mal com base em julgamentos humanos. Deus é bom e faz somente o bom, não faz o mal a ninguém, porque assim foi feito; nós, pelo contrário, nos tornamos bons se lhe tornamos semelhantes, a ele nos unimos; se nos tornamos maus ficando dessemelhantes, nos separamos dele.
Vivendo segundo a virtude, nos conservamos unidos a Deus; tornando-nos maus, nós o tornamos inimigo, não porém irado em vão. Os pecados não permitem que Deus resplandeça em nós, mas, pelo contrário, nos unem, por castigo, aos demônios.

Se com as orações e a boas obras conseguimos libertar-nos dos pecados, não significa que prestando culto a Deus o obriguemos a mudar, mas que, curando nossa malvadeza com as nossas ações e a nossa conversão ao divino, novamente gozamos da bondade de Deus: por isso, dizer que Deus se afasta do maus é como dizer que o sol se esconde a quem é cego.

Antônio o Grande,
Exortações 150

Era necessário, verdadeiramente necessário que o Senhor, sábio, justo e poderoso por natureza, não ignorasse o modo de curar; enquanto justo, não realizasse a salvação do ser humano cuja vontade era, de modo tirânico,  prisioneira do pecado; enquanto onipotente, não fosse fraco no realizar a cura.

A sabedoria de Deus se mostra no seu devir homem por natureza segundo a verdade; a sua justiça no ter assumido uma natureza submetida ao sofrimento semelhante à nossa; a sua potência no ter criado pela natureza, através de sofrimentos e morte, uma vida eterna, impassível sem mudança.

Máximo o Confessor,
Sobre a Teologia 6, 40-41

O Senhor, infinito e incorpóreo, se faz pequeno em sua infinita bondade, por assim dizer, ele que é grande e superior a toda substância, para poder se misturar com suas criaturas espirituais, as almas dos anjos e dos santos, para que também eles se tornem capazes de participar da vida imortal de sua divindade. Pois, cada um, segundo a sua natureza, é corpo: o anjo, a alma, o demônio. E mesmo que sejam corpos sutis, contudo, na substância, na forma, na imagem são corpo, sutil segundo a sutileza da própria natureza.

E como esse nosso corpo, que na sua substância é espesso, assim também a alma, tendo um corpo sutil, envolve e reveste os membros desse corpo. Envolve o olho, com o qual vê; o ouvido, com o qual ouve; a mão, o nariz e, numa palavra, a alma envolve todo o corpo e seus membros e com ele se mistura e com ele executa todas as funções vitais.

Da mesma forma, também a indizível e inexprimível bondade de Cristo se faz pequena e assume um corpo, se mistura com ele e envolve as almas fiéis que lhe são amigas e com elas se torna um só espírito, segundo a palavra de Paulo (cf. 1Cor 6,17), alma por alma, por assim dizer, hipóstase por hipóstase, de modo que a tal alma é possível viver na sua divindade e atingir uma vida imortal, e fruir de uma alegria incorrupta e de uma glória indizível.

Macário o Egípcio,
Paráfrases 67

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