PADRE PAULO BRATTI

25 anos de ausência-presença 

Padre Paulo Bratti

Padre Paulo Bratti

Há 25 anos repousam no Cemitério da Irmandade do Divino Espírito Santo, em Florianópolis, os restos mortais do Pe. Paulo Bratti. Foi uma noite triste para a arquidiocese e a Igreja catarinense aquela de 15 de maio de 1982: após assistir a um casamento em Palhoça, retornava ao ITESC dirigindo o próprio veículo. Nas alturas de São José, sentindo-se mal, entrou numa residência conhecida em busca de auxílio e caiu morto, atingindo por fulminante infarto no miocárdio. Todos nós que o conhecemos e aprendemos a amá-lo choramos pela notícia e silenciosamente acompanhamos a Missa de corpo presente no dia seguinte.

Nascido em Orléans em 29 de junho de 1936, filho de Otaviano Bratti e Veneranda Bussolo, após estudar em Azambuja, em Viamão, RS e na Universidade Gregoriana, foi ordenado presbítero em Roma em 23 de dezembro de 1961.

Entre 1963 e 1966 foi vigário paroquial do Santíssimo Sacramento em Itajaí, onde se empenhou na formação de grupos da Ação Católica e na renovação conciliar. Pe. Paulo teve a grande graça de ter acompanhado o Concílio do Vaticano II (1962-1965) na sua fase preparatória e no seu desenvolvimento, inclusive sendo teólogo perito de Dom Joaquim Domingues de Oliveira, na primeira fase (1962).

Em 1977 foi nomeado professor e Diretor Espiritual do Seminário de Azambuja: ali nos abriu horizontes eclesiais novos: introduziu os Grupos de Oração bíblica, estimulou-nos a ler autores modernos, superar o barroquismo tradicional e, com bom humor, incentivou-nos a usar desodorante para transpirarmos o bom odor de Cristo… Foi um ano muito bom para nós, especialmente por ouvirmos falar do amor de Deus que nos perdoa sempre, amor incondicional.

Teólogo e formador em Curitiba

O grande sonho de Pe. Paulo era lecionar teologia. A oportunidade foi-lhe dada em 1968, quando os bispos catarinenses o nomearam Orientador espiritual do Seminário Catarinense PAULINUM  e Professor de Teologia do Studium Teológico de Curitiba. Os seminaristas o apreciavam: podiam criticá-lo à vontade e com isso aprendiam. Gostavam de chamá-lo carinhosamente de “Presbítero”. Foi assessor e conselheiro apreciado do episcopado paranaense, sendo redator de um Plano de Pastoral que conheceu repercussão nacional. Seu amor pela Igreja incluía o amor do homem moderno pela Igreja e pressentia a angústia dele diante de uma Igreja tradicional que se contentava com as palavras tradição e obediência. Pe. Paulo era um homem que unia a modernidade à fidelidade à Igreja. Sempre que podia servia-se do Jornal, da Rádio e da TV para comunicar a mensagem.

Fundador e diretor do ITESC

Em 1973 os bispos catarinenses, liderados por Dom Afonso Niehues, transferiram os seminaristas maiores catarinenses para Florianópolis. Em março iniciavam as aulas no Instituto Teológico de Santa Catarina-ITESC. Pe. Paulo, nomeado Diretor (até sua morte), ministrou a primeira aula, cujo tema era o seu predileto: a fé. Como diretor deu ao Instituto a fisionomia que ainda o marca, dele fazendo um dos melhores no Brasil: uma teologia conciliar, eclesiologia do Povo de Deus, a fidelidade sem cair na facilidade, a preocupação com o homem sem o esquecimento da adoração a Deus. Foi muito criticado por parecer transcendentalista, diplomata, ultrapassado. Na verdade, Pe. Paulo sabia o que a Igreja queria para seus presbíteros e sabia que não pode haver negociação quando se refere à glória do Senhor. O apoio que Dom Afonso lhe dava foi de importância decisiva para que o ITESC não se desviasse do caminho.

Desde os estudos em Roma, Pe Paulo encetara um caminho espiritual, da busca da comunhão total com Deus. Buscava ser o pobre que tudo recebe de Deus, o Jacó lutando com Javé, o homem possuído pela graça. Nos últimos anos suas experiências místicas se acentuaram e nem sempre foram compreendidas, alguns achando que ele estava mesmo era doente. Hoje, olhando para trás, pode-se atestar a seriedade de sua experiência religiosa: disso dão testemunho sua vida reconciliada (não guardava mágoas nem das piores calúnias), sua pobreza assumida (nada tinha, nada reservava), seu amor pelos pobres, sua vida eucarística e de intensa oração e alegria. Gostava de se considerar “um pecador que Deus amou”, um homem possuído pela imerecida graça do amor divino.

Algumas palavras de seu Testamento o confirmam: “Se é verdade que meus pecados são enormes e sem número, conforta-me, de outro lado, a certeza de que “Deus é amor” e sua misericórdia não tem limites. Por isso minha confiança é também ilimitada. […]…o Senhor me fez a imerecida graça de ver na morte uma passagem (páscoa) da terra do exílio para a Pátria”.

Na saudade desses 25 anos de separação, quis oferecer esse testemunho.

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  1. Padre Paulo Bratti: ausência-presença – Associação Padre Paulo Bratti

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