PADRE FRANCISCO CHYLINSKI

Missão junto aos poloneses

Padre Francisco Boleslau Chylinski

Padre Francisco Boleslau Chylinski

Desde o século XVIII a Polônia foi um território mártir, disputado, anulado, dividido, fragmentando entre a Prússia e a Rússia. Quando em final do século XIX o Império brasileiro favoreceu de todos os modos a imigração, muitos poloneses nela viram uma ocasião de redenção humana e social, pois, sendo lavradores sem terra, eram submetidos a trabalho servil.

A partir de 1876 chegam a Santa Catarina, instalando-se em colônias no Rio Negro, Nova Trento, Mafra, Itaiópolis, São Bento, Massaranduba e no Sul (Criciúma, Cocal, Linha Batista), a partir de 1890.

Graças ao trabalho da Igreja católica (ser polonês era ser católico) esses pobres imigrantes puderam manter seus valores familiares, culturais. Os Padres da Missão (Vicentinos), Salesianos e diocesanos, todos vindos da Polônia, deram-lhes atendimento humano e espiritual.

Entre 1848 e 1918 a província polonesa de Posnanska, berço da nação polaca, foi anexada à Prússia com o nome de Posen. A Prússia protestante dominava uma Província 90% católica e procurava protestantizá-la. Berlim instituiu até uma Comissão de Liquidação, para comprar terrenos dos poloneses e torná-los acessíveis aos alemães.

É essa a razão pela qual em 1895 o Pe. Francisco Boleslau Chylinski chega ao Brasil como de nacionalidade “prussiana”. Foi ele o grande missionário dos poloneses do sul catarinense, notadamente de Cocal. A fluência nas línguas alemã, polonesa e italiana favoreceu o apostolado no mosaico de colônias catarinenses.

Vocação missionária

Francisco nasceu na Polônia em 14 de setembro de 1864 e foi ordenado presbítero em Cracóvia em 01 de julho de 1888, recebendo o nome de Frei Boleslau. Pertencia à “Ordem de São Paulo Primeiro Eremita” ou “Eremitas de São Paulo”, comunidade do século XIII que, no início do terceiro milênio, ainda permanece viva e conhecida, pois é responsável pelo Santuário de Jasna Gora de Czestochowa, berço do catolicismo e da nação polonesa. Chegou ao Brasil em 1895.

Em quatro de setembro de 1894 recebe o Indulto de Secularização temporária.pela Sagrada Congregação para a Disciplina Regular, e o Perpétuo em 21 de janeiro de 1896.

Em dois de abril de 1895 recebeu o Uso de Ordens na Diocese de Curitiba, seguido da nomeação para Vigário paroquial de Nossa Senhora da Piedade, Tubarão, com residência em São Ludgero. Seguindo a lei, em 1º de julho de 1896 presta o Juramento de Compatriação e de permanência no Bispado de Curitiba. Em 1º de julho de 1896 é incardinado na diocese de Curitiba. Entre 1896-1897 é vigário encarregado de São João Batista, Imaruí, de 1898 a 1910, pároco de Nossa Senhora Mãe dos Homens, Araranguá.

Padre a serviço de poloneses, alemães e italianos

Os colonos poloneses necessitam de um padre e assim em 1º de junho de 1910 é nomeado pároco de Araranguá e cura do Curato da Natividade de Nossa Senhora, Cocal. Finalmente. de 1912 a 1931 é o cura e pároco de Cocal. A colonização de Cocal do Sul está ligada à chegada dos primeiros colonos poloneses a outros lugares do Sul Catarinense

Seu raio de ação é imenso, pois se desdobra entre as colônias polacas, alemãs e italianas, tenta apaziguar conflitos de nacionalidades e de devoções. Pe. Chylinski, um contemplativo mergulhado na ação, sabe esquecer as dores por sua Pátria dominada pela Prússia, a todos atendendo com o mesmo afeto pastoral. Granjeou a confiança dos padres alemães e italianos, pois o eixo da unidade era a fé e não a nacionalidade.

Em oito de janeiro de 1930, reconhecendo o conhecimento que o Pe. Chylinski tem do sul do Estado e sua competência em cartografia, Dom Joaquim lhe pede que faça um mapa da região com os limites das possíveis paróquias de Pedras Grandes, Turvo e Retiro da União (Sombrio, paróquia 31 de abril de 1938)), Passo do Sertão (São João do Sul, paróquia em 17 de janeiro de 1953), etc, e de Orleães, que não tinha instituição canônica. O mapa, muito exato, está guardado Arquivo da Arquidiocese de Florianópolis. Em 14 de março de 1930 Dom Joaquim lhe agradece o trabalho e mais, pede um mapa com os limites da possível paróquia de Cocal.

A saúde do incansável missionário dá sinais de esgotamento. Em 27 de fevereiro de 1931 Pe. Luiz Gilli comunica a Frei Evaristo, Vigário Geral, que Pe. Chylinski teve um infarto e ficou 12 dias sem poder celebrar. Nesta data celebra, mas lhe é recomendado repouso absoluto.

Pe. Chylinski faleceu repentinamente em 14 de março de 1931, sábado, aos 67 anos. Naquele domingo, dia 15, receberia a dignidade de Monsenhor. Não precisava disso: seu trabalho é sua honra.

Foi sepultado na segunda-feira, banhado pelas lágrimas de todo um povo que não poderia se imaginar sem sua presença santa e dedicada.

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  1. #1 por ademir valentim da silva em 1 de julho de 2010 - 17:16

    Informação sobre meu avô José Valentim da Silva: casado com Maria Francilina de Lucena; pai de Júlio Valentim da Silva.

  2. #2 por Estevão Silvano em 23 de janeiro de 2012 - 14:04

    Achei muito interessante a matéria, até porque veio confirmar com o certificado de batismo do meu avô em 1899.
    “Entre 1896-1897 é vigário encarregado de São João Batista, Imaruí, de 1898 a 1910, pároco de Nossa Senhora Mãe dos Homens, Araranguá[..]
    Porém a certidão fala de uma capela de nome Jesus do Bom Fim, e não achei nada sobre ela.

    • #3 por Eder em 27 de novembro de 2012 - 10:36

      Olá Estevão
      Jesus do Bom Fim fica no Municipio de Ararangua, é um distrito e pertence à Paróquia de Maracaja.. É a comunidade mais antiga do Sul. Em 1815, registrou-se a primeira visita pastoral do Bispo do Rio de Janeiro. Qualquer informação a mais acredito poder te ajudar. Abç. Eder

  3. #4 por José Artulino Besen em 23 de janeiro de 2012 - 16:24

    Jesus do Bom Fim é engano do padre. O título é Senhor do Bom Fim.

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