1. As paixões fundamentais

Entre os demônios que se opõem à prática das virtudes, os primeiros a nos atracarem são aqueles aos quais foram confiados os apetites da voracidade, aqueles que inspiram em nós o amor pelo dinheiro e aqueles que nos atiçam com a glória humana (cf. Jo 5,44; 1Ts 2,6). Todos os outros vêm após esses e recolhem aqueles que foram feridos pelos primeiros. Não é possível, de fato, cair nas mãos do espírito de fornicação se já não se caiu no da avareza. E não existe quem foi turvado pela cólera se primeiro não foi combatido por causa de alimentos, riquezas ou glória. Não é possível fugir do demônio da tristeza se não se foi privado de todas essas coisas. Nem se afugentará o orgulho, o primeiro filho do diabo, se antes não se extirpou o amor pelo dinheiro, raiz de todos os males, pois, segundo o sábio Salomão a pobreza torna humilde o homem (Prov 10,4). Enfim, é impossível que um homem se defronte com um demônio se antes não foi ferido por esses primeiros males. Por isso, são essas três tentações que o diabo propôs ao Salvador no momento da tentação: primeiro, pedindo que as pedras se tornassem pães, depois, prometendo-lhe o mundo se, prostrado por terra, o adorasse; e, em terceiro lugar, dizendo que, se obedecesse, seria glorificado se, saltando do pináculo do templo, não sofresse nenhum sofrimento em tal queda. Nosso Senhor, mostrando-se superior a tudo isso, ordenou que o diabo se retirasse (cf. Mt 4,1-10) e desse modo nos ensinou que não é possível expulsar o diabo a não ser depois de ter desprezado essas tentações.

Evágrio Pôntico,
Sobre o discernimento 1

Quem afasta a mãe das paixões, que é o amor próprio, com o auxílio de Deus facilmente afugenta também as outras, como a ira, a tristeza, o rancor e as outras. Quem está dominado pela primeira paixão é ferido também por aquilo que vem depois, mesmo se não o queira. O amor próprio é a paixão pelo corpo.

Máximo o Confessor,
Sobre a caridade 2,8

Controla corajosamente a ira e a concupiscência e logo te libertarás dos maus pensamentos.

Talássio Líbico,
Sobre a caridade 1,17

Oito são as paixões que cercam o vício: a cobiça, a fornicação, o amor pelo dinheiro, a ira, a tristeza, a acídia, a vanglória, a soberba. Que essas oito tentações nos cansem mais ou menos não depende de nós, mas que perseverem ou não perseverem, excitem as paixões ou não as excitem, depende de nós; uma coisa é sofrer o assalto, outra coisa é aliar-se com elas; uma coisa é lutar, outra coisa a paixão e outra o consentimento, que é próximo e se assemelha a ação; uma coisa é agir, outra coisa é ficar prisioneiro.

João Damasceno,
Discurso útil, vol. II, p. 235

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