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CELEBRAÇÃO DOS SANTOS E RECORDAÇÃO DOS FIÉIS DEFUNTOS

Escada de Jacó, nossa ponte para Deus (G. Cordiano).

«As coisas santas são para os santos», diz o presbítero na liturgia bizantina, antes da comunhão. E o coro responde: «Um só é santo, Jesus Cristo…». Um só é santo, é verdade, mas todos aqueles que a Eucaristia integra no corpo de Cristo participam dessa santidade. Todo ser humano, criado à imagem de Deus, tudo, penetrados pelo Espírito participam da santidade da existência universal.

No cristianismo das origens, cada comunidade era chamada «igreja dos santos», uma comunhão de redimidos/redentores chamados a orar, testemunhar, servir a fim de que se manifeste em cada ser e em cada coisa a ressurreição. A santidade é a vida finalmente libertada da morte.

Pouco a pouco tomou-se consciência de que alguns cristãos eram testemunhas mais eloquentes, primeiramente os mártires, depois os confessores da fé. Seus túmulos se tornaram lugares de peregrinação, sobre muitos deles ergueram-se igrejas com o altar sobre o túmulo. A comunidade que ali celebrava a Eucaristia queria testemunhar a mesma fé pela qual viveram ou deram a vida. No Ocidente, no ano de 835 foi fixada a festa de Todos os Santos para o dia 1º de novembro. Depois, fixou-se para o dia seguinte o «dia dos Finados»: os mortos são arrastados pelos santos, que sabem não existir mais a morte no Ressuscitado; os mortos são mergulhados no imenso rio de vida da comunhão dos santos.

Numa sociedade secularizada, como a nossa, a morte muitas vezes é ocultada e grandes figuras de santidade são distorcidas e acabamos com o sentido profundo de Todos os Santos. Ainda vamos ao cemitério, limpamos os túmulos, acendemos uma vela, depositamos algumas flores. A maioria nem reza. Mas, precisamos retornar à festa de Todos os Santos, porque ela nos traz, em sua riqueza, a memória dos mortos. Disse Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida” e, para ele os santos abrem caminho, pois se identificaram com o único ser vivo e puderam dizer: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20).

Os santos fazem circular o amor no corpo de Cristo, e sem dúvida no mundo inteiro que misteriosamente se torna eucaristia. Às vezes, enquanto rezamos por alguém que há pouco nos deixou, lembramos também de pedir-lhe que reze por nós. A festa de Todos os Santos abre nossos olhos para a santidade escondida em cada pessoa ou mesmo sobre a santidade da terra (e é por isso que amamos o Cântico das Criaturas de Francisco de Assis).

O corpo de nossos mortos, recordação de uma vida

Em dois de novembro, Comemoração dos Fiéis Defuntos, nos dirigimos aos cemitérios e com carinho acendemos velas nos túmulos das pessoas queridas. Pais recordam filhos que partiram, filhos recordam pais, esposos lembram os mortos, amigos pranteiam amigos: todos agora igualados pela morte, na expectativa da feliz ressurreição. Ver um túmulo nos pode desafiar a fazer o bem que aquela pessoa ali recordada fez, ou evitar, sem julgamento, a violência que essa pessoa criou ao seu redor. Recordar os artífices da justiça, da paz e da beleza, nossos ancestrais ou contemporâneos. O cemitério é a casa da memória, da gratidão, da reconciliação. Oferece-nos uma visão da fragilidade humana e um desafio à santidade a que somos chamados por nossa imagem e semelhança de Deus.

Espalha-se a cremação de cadáveres, iniciada no século XIX no ardor do ateísmo/panteísmo/materialismo e hoje muito especialmente em países secularizados. Decide-se por túmulos sem nenhuma identificação ou por espalhar as cinzas ao vento. Iniciamos dizendo que o Código de Direito Canônico, o Catecismo da Igreja Católica (n. 2301) e o Diretório sobre a Piedade popular não opõem obstáculos à cremação em si, mas quanto à motivação e ao destino das cinzas.

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Antonio Canova – Carita’ elemosina (Dijon Museum)

Muitas pessoas têm dificuldade de encarar a morte de seus semelhantes, pois quebra o ritmo ordinário da vida com a imagem de alguém que se ausenta. Na sociedade secularizada a morte é muitas vezes ocultada. Melhor encerrar tudo entregando o cadáver a uma empresa, para evitar o incômodo de um “morto”, por mais querido que seja. A cremação surge como um caminho breve. Mas, será que a cremação respeita o desejo dos parentes e amigos que gostariam de visitar a sepultura? Não estaria subjacente a negação da dignidade do corpo, em vida comunicador de vida, de afeto, de trabalho, de alegria? Em outros tempos previa-se até uma Missa do Cadáver, celebrada nas Faculdades de Medicina: unia-se ali a oração pelos mortos ao respeito pelos cadáveres que seriam objeto de estudo dos acadêmicos. Era o respeito pelos restos mortais de pessoas nem conhecidas.

A face mais delicada é a possibilidade interrompida da memória dos que nos precederam, negando aos descendentes a memória dos antepassados. Por que hoje se dá tanta importância à busca dos restos mortais das vítimas das guerras, dos genocídios, das vítimas da violência e das ditaduras? É o desejo sagrado de dar-lhes uma sepultura, um lugar de descanso. Veja-se a dor dos parentes das vítimas de acidentes aéreos: como dói não poder contemplar e sepultar os restos mortais de pessoas queridas!

Após o ato da cremação – geralmente feito com grande respeito – espera-se em casa a urna com as cinzas. Alguns as dispersam no mar, outros em um jardim, outros as guardam em casa. Psicólogos e sociólogos advertem: o rito da cremação quebra o rito do luto com a entrega dos restos mortais a uma empresa. Guardar as cinzas em casa cria um ambiente onde não se faz a distinção do lugar dos vivos e dos mortos, com um clima doentio de luto sem fim. A urna com as cinzas, guardada em casa, pode ser respeitada pelos parentes atuais. E no caso da venda do imóvel, anos depois, não haveria o perigo de se jogar tudo no lixo?

Talvez o lado mais grave do dispersar as cinzas ou conservá-las em casa seria o negar a memória pública dos que nos precederam. Uma sociedade caminha olhando os caminhos traçados pelos antepassados. O corpo de nossos mortos é relíquia venerável ou incômoda? Uma solução apresentada é haver nas igrejas, capelas de cemitérios, espaços onde colocá-las por algum tempo, até a superação natural do rito da saudade. E depois depositá-las nos locais públicos onde são inumados muitos falecidos.

Outro perigo é a transferência do rito do sepultamento para empresas que lucram com ofertas de cerimônias sofisticadas, mas que tiram o envolvimento dos familiares. Já existe mercado de luxo para velório, cremação de pessoas (e de animais de estimação). Aqui e ali se denunciam abusos: cremação de diversos corpos ao mesmo tempo, revenda das vestes, ornamentos e da própria urna. Se o morto é parte de um negócio, nada impede o mergulho no mundo da esperteza.

Nas orações diante de um morto lembramos a alegria trazida por aquele corpo, sua purificação pela água batismal, sua unção com o óleo do Crisma, sua alimentação pelo Pão eucarístico, agradecemos a Deus pelo instrumento de amor que foi e pedimos perdão se foi instrumento de ódio, violência, ou se foi maltratado pela fome, pelas misérias de nosso egoísmo.

É bom que aprendamos a lembrar, com a filósofa Simone Weil, que a maior graça que nos é dada é saber que os outros existiram. E que continuam a existir. A festa de Todos os Santos, iluminando a memória dos mortos, nos lembra que Cristo continua incessantemente a vencer a morte e o inferno. Um santo monge do Monte Athos afirmava: enquanto uma alma morar no inferno, aprisionada pelos muros da própria rejeição, Cristo estará com ela no abismo da morte, e com ela estarão todos os redimidos, a suplicar que também ela se abra à eterna festa de TODOS os Santos.


Pe. José Artulino Besen

 

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SANTA MARIA MADALENA, TESTEMUNHA E APÓSTOLA DA RESSURREIÇÃO

Giotto di Bondone (Noli me tangere) , 1304-06, afresco, Cappella Scrovegni, Pádua

Por vontade do papa Francisco, um decreto da Sagrada Congregação do Culto divino de 3 de junho de 2016 elevou a memória litúrgica de Santa Maria Madalena à Festa igual à dos Apóstolos, com data de 22 de julho. Por que essa memória litúrgica de 22 de julho é equiparada à Festa dos Apóstolos? Uma mulher por muitos identificada com a prostituta da Galiléia ou com a mulher que no banquete na casa de Simão lava e unge os pés do Senhor com perfume caríssimo, receber a honra apostólica? Na verdade, desde uma homilia do grande papa São Gregório Magno, as três mulheres são reduzidas a uma “Maria”. E assim ficamos 1.500 anos celebrando Maria Madalena como a Maria de Betânia e a Maria prostituta. Essa redução de Maria Madalena provocou toda uma linha de arte, literatura e, ultimamente, filmes que a retratam como mulher lânguida, erótica, apaixonada. No linguajar popular, Maria Madalena se tornou sinônimo de mulher vulgar. Leia o resto deste post »

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NOSSO PAI E A LEMBRANÇA DELE NO DIA DOS PAIS

Artulino Besen

Artulino João Besen

Hoje, dias dos pais, decidi falar do pai para que meus irmãos e eu o recordemos com gratidão e para que meus sobrinhos, um belo ninho de 33 jovens e bebês, possam conhecê-lo e sentir a herança humana e cristã que nos legou. Ele amava crianças. Quando lhe perguntei se aceitava a morte, respondeu que teria muita pena de deixar as crianças.

O pai Artulino João Besen era filho de João Antônio Besen e de Catarina Zimmermann e nasceu no Rachadel de Antônio Carlos em 10 de janeiro de 1920. Era criança quando o pai dele decidiu levar a família para Antônio Carlos, sendo a primeira família que se “arriscou” a ir morar no meio dos “brasileiros” do Alto Biguaçu. Ali, onde hoje está situado o perímetro urbano de Antônio Carlos, nosso avô adquiriu propriedade plana, adaptada à agricultura. Era cortada pelo rio Biguaçu, em cujas margens primeiro construiu casa de madeira para colocar os 10 filhos e, logo depois, uma casa grande de alvenaria, com seis quartos, grande cozinha em cuja parede construiu forno e fogão à lenha. Foi inaugurada em 1929 e, felizmente, ainda está conservada. Nós morávamos “no outro lado do rio”.

Aos 17 anos nosso pai sofreu osteomielite, com chaga dolorosa na tíbia da perna esquerda. Sem outro tratamento que a paciência na dor, por meses ficou acamado com dores atrozes e aprendendo a viver com dor. De fato, nosso pai sabia viver com dor e gostaria que os outros também o soubessem. Como estava ainda em fase de crescimento, esse osso não cresceu e nosso pai mancava. Num dia se levantou, reiniciou a trabalhar na dura lida da roça, da criação de gado e de suínos e ninguém se lembrou mais da doença, nem o pai. Para susto nosso e, especialmente, dele, quando completou 60 anos, adoeceu. Teve de aceitar ir ao médico. Ao revelar que sentia dor na perna, o doutor pediu que levantasse a perna da calça. Para humilhação sua, nosso pai teve que revelar um segredo tão bem guardado que nem a esposa conhecia: lá estava a chaga da osteomielite que tinha propagado a infecção ao seu redor. Ficou internado no Hospital de Caridade e conseguiu recuperar através de cirurgia. Quando perguntamos ao pai por que escondera a ferida, respondeu com simplicidade que não queria incomodar ninguém: se fosse câncer, morreria com o segredo e, se fosse doença incurável, não seria bom deixar a família preocupada. E assim, durante décadas fez diariamente o curativo, pois o trabalho na lavoura, coices de animais machucavam a úlcera. O pai aprendeu a conviver com essa dor até os últimos dias.

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Nosso pai com a família na profissão religiosa de Maria, em 1967. Ao lado dela, Olívia, nova mãe

Artulino e Lúcia e oito filhos

O pai desejou constituir família e encontrou moça de boa família: Lúcia Pauli, nossa mãe. Ele tinha 26 anos, ela 29. Nossa mãe fora interna do Colégio Coração de Jesus, em Florianópolis, pois pensava na vida religiosa e nesse caminho trabalhou no Hospital de Caridade. Num dia, para surpresa de Irmã Bernadete, revelou que não queria mais ser irmã, pois desejava se casar para ter uma filha freira e um filho padre. O casamento foi em 7 de setembro de 1946. E começaram a nascer as crianças: entre 1947 e 1959 nasceram Maria, Nesir Madalena, José, Cecília, Inês, Ivone, Pedro e Sebastião. Todos em casa.

Além desses filhos, o pai e a mãe cuidavam da vovó Catarina, alemã de antiga cepa, a ponto de não falar português para não se rebaixar, mulher forte e rigorosa que exigia o milagre de nosso silêncio. Na pequena igreja do Sagrado Coração de Jesus, o último banco era dela, e somente dela, a majestosa Catarina com seu livrinho de orações. Quando o Pe. Roberto pediu orações para que chovesse, ela foi à sacristia dizer-lhe que para chover não se reza, pois Deus colocou uma lei no tempo. Deus a chamou em 1957. Lembro do padre que foi chamado para o último sacramento: vó Catarina participou das orações e ao responder o Amém final, apagou-se. Como sempre, a última palavra foi dela.

Nosso pai era homem do trabalho, fazia do trabalho, qualquer trabalho, seu divertimento. Seu dia tinha início às 4h da manhã com a moagem da cana e era encerrado pelas 21h., com o último trato para o gado. Ele e mãe ordenhavam as vacas de manhã e à noitinha, num ritual nunca interrompido. Com os anos, Maria, Nesir, Cecília, Inês e Ivone aprenderam o ofício. O pai gostava de ter as coisas no lugar: tinha-se certeza de onde estavam as chaves, enxada, foice, os instrumentos de trabalho. Não nos dava sossego e não adiantava fazer as coisas mais ligeiro, pois haveria novo trabalho. A cada idade, os seus trabalhos. Ele gostava de repetir que trabalho era divertimento, e divertimento, como futebol, era castigo. Assim pensava e nos obrigava a agir assim. Claro que em nossa família nunca se discutiu com os pais e nunca se respondeu às suas palavras. O respeito era natural.

A terra era a paixão do pai Artulino: gostava de ter tudo limpo, capinado, as cercas conservadas, nada de matagal ou pastagem com erva daninha. Parecia até que o dinheiro que a terra lhe dava era para enfeitá-la, acariciá-la, ter uma propriedade bonita. E repetia que terra se compra, terra não se vende, o que seguiu à risca.

Os filhos se preparam para a vida

No início, o pai achava que mulher que estudava não servia para o casamento, pois iria querer moleza e não obedecer ao marido. Felizmente o passar do tempo fê-lo pensar diferente, e nem sei por que. A verdade é que dos oito filhos, sete cursaram a Universidade. E sem moleza: às 5h., minhas irmãs pegavam o ônibus para Florianópolis, chegavam após o almoço, e iam direto para a roça, pois para o estudo tinha a noite.

Mesmo com tanto serviço e necessidade de mão-de-obra, pai e mãe não se opuseram a que Maria e Nesir fossem para o Convento e eu para o Seminário. No seu tempo, cumpriu-se o desejo de mãe Lúcia: Maria é irmã religiosa e missionária na Bahia e eu sou padre. Quando vínhamos para as férias, o pai ficava contente: pedia que trocássemos de roupa e fôssemos trabalhar. Os assuntos de Seminário e de Convento eram para depois, que mãe tinha tempo para ouvir.

A divisão de competências também se dava no campo religioso: a mãe nos ensinava as orações, um bocado delas para serem memorizadas, era dela o ofício de escutar o sermão e os avisos do padre. Em comum, no fim do dia, de joelhos, a oração do rosário misturada com cansaço e sono. Para a Missa, mãe ia na frente, após o segundo sinal e pai, pontualmente saía após o terceiro sinal, sempre chegando tarde, pois havia algum servicinho a ser feito. Não havia domingo sem Missa. Quando um irmão disse que não iria mais à Missa, pai foi claro: “então deixa de ser meu filho”. Bastou falar uma vez.

Num dia de inverno do ano de 1964, mãe estava acamada. Doença no mundo rural era complicado, pois o colono não tinha direito a nada, a não ser se encontrasse vaga na enfermaria de algum hospital, recebendo um tratamento que, por ser caridade, era descuidado: alguns médicos olhavam por cima e receitavam o possível. Mãe Lúcia foi internada, primeiro no Hospital de Caridade e depois na Casa de Saúde São Sebastião, na área particular (paga). Mãe estava acamada, preocupada com a doença e as despesas. Pai tinha recebido o pagamento de uma safra de mel de cana, aproximou-se e colocou o dinheiro nas mãos de mãe: “olha, Lúcia, é tudo teu, para teu tratamento”. Eram dois pobrezinhos se enganando, porque ambos sabiam que mãe sofria de leucemia e que a morte era questão de tempo. Em 25 de novembro daquele ano, pai chegou em casa ao anoitecer, pediu a minha irmã Maria que arrumasse a roupa de mãe e retornou à Florianópolis para assistir a sua morte. No meio daquela desventura, diante dos oito filhos nosso pai, com 44 anos de idade, não podia desanimar. Após o sepultamento de mãe, nos falou: “vamos para casa, que pai vai fazer o almoço”.

Agora que mãe Lúcia estava no céu, pai Artulino teve de assumir os encargos religiosos dela: rezar, e rezar muito. No primeiro mês da morte de mãe, dormi no quarto dele e pude constatar que após um dia de trabalho, cansado, machucado, se ajoelhava e rezava longamente. Era preciso.

A vida sempre renasce

O pai sempre olhou o que tinha, não o que perdia, e ficava contente: “perdi a esposa, mas ficaram os filhos”. Era sua natureza ver o lado bom de tudo, e irritar-se bastante quando se reclamava da vida. Pai trabalhava na roça, sabia cozinhar, fazer pão, costurar e foi ensinando os ofícios às minhas irmãs.

Mas, ele tinha consciência de que não poderia educar os filhos e tocar os trabalhos. Necessitava de uma companheira. Procurou-a sem pressa, pois os filhos estavam em jogo. Sabendo que em Lages havia uma moça conhecida da juventude, pois era de família de Antônio Carlos, para lá se dirigiu no mês de dezembro de dois anos depois.. Era Olívia Koch, prima de nossa mãe, ex-juvenista e enfermeira. Com pressa, pois tinha passagem de volta marcada, pai perguntou se aceitaria o casamento e ela respondeu que sim. Ato contínuo, marcaram o casamento para o mês de janeiro seguinte. Assustado pelo que tinha feito, o pai rezou muito e foi abençoado: encontrou uma esposa verdadeira, nós ganhamos uma mãe verdadeira e recebemos dois irmãos: Claudemir e Marcos Aurélio.

A vida continuou na fé, na alegria, no trabalho. Deus abençoou o pai, sempre. Na manhã de Natal de 2001, o pai sofreu um AVC e foi encaminhado ao Hospital. Pelas 10h levei-lhe a Comunhão, falei que estávamos todos unidos e vi que seus olhos ficaram marejados de lágrimas. A família era seu prazer. Nos dias seguintes, progressivamente sua mente se apagava, teve olhos para ver os filhos que se reuniam ao seu redor, a filha Maria que chegara do Ceará, Sebastião, de Curitiba. Depois, a luz se apagava em sua memória e dentro dele brilhava forte a Luz da eternidade. Era o dia 1º. de janeiro de 2002 quando pai morreu, aos 82 anos. Tudo foi sereno, tudo foi ação de graças. Nosso pai e nossa mãe foram um grande dom que Deus nos tinha concedido e que agora devolvíamos, profundamente agradecidos.

Pe. José Artulino Besen

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