7. Conhecimento e experiência de Deus

Enorme doença da alma, destruição e perdição é não conhecer Deus, que tudo fez pelo homem e lhe deu o coração e a razão, com os quais o homem pode erguer-se e unir-se a Deus, compreendendo e glorificando Deus.

Caminho do conhecimento: a libertação das paixões e a humildade; sem elas ninguém verá o Senhor (Hb 12,14).

Já que o conhecimento incha, mas a caridade edifica (1Cor 8,1), une ao conhecimento a caridade e serás libertado do orgulho e capaz de edificar espiritualmente, edificando tanto a ti mesmo como todos aqueles que se avizinharem de ti.

Em certo sentido é natural que a presunção e a inveja estejam unidas ao conhecimento, sobretudo no início; a presunção somente no interior, a inveja tanto no interior como no exterior: no interior, no sentido que somos nós a invejar quem possui o conhecimento, no exterior porque somos invejados por quem é ignorante.

A caridade derruba as três paixões: a presunção, porque a caridade não se incha; a inveja interior porque não tem inveja; a proveniente do exterior porque é misericordiosa e boa (1Cor 13,4). Portanto, é necessário que, quem possui o conhecimento, lhe acrescente também o amor para guardar íntegro o coração.

Aquele foi feito digno do carisma do conhecimento mas tem tristeza, rancor, ódio em relação aos outros homens é semelhante a um que fura os olhos com espinhos e cardos. Por isso, o conhecimento tem necessidade absoluta do amor.

Máximo o Confessor,
Sobre a caridade 4, 59.61-62

Afasta-te das contemplações mais elevadas se ainda não alcançaste a excelsa libertação das paixões, e não andes por lugares inacessíveis buscando coisas superiores a ti. Se quiseres, diz-se, ser teólogo e ao mesmo tempo contemplativo, sobe através do comportamento e adquire a pureza mediante a purificação. Mas, como falei da teologia, cuida para não alcá-la acima de seus limites e tem isso em conta: a nós que ainda bebemos o leite (cf. 1Cor 3,2) das virtudes não é lícito tentar voar até ela para que não nos aconteça cair como passarinhos ainda inexperientes; e isso também se o mel do conhecimento violenta o desejo. Mas quando, purificados pelo domínio de nós mesmos e pelas lágrimas, seremos elevados da terra como Elias (cf. 2Re 2,11) ou Habacuc (cf. Dn 14,36), como se já antecipássemos o arrebatamento nas nuvens (cf. 1Ts 4,17) e, encontrando-nos fora dos sentidos, procuraremos Deus com uma oração pura, contemplativa e não distraída, então, quem sabe, em certa medida alcançaremos também a teologia.

Teognosto,
Sobre a práxis 6

Aqueles que preferem discursos espirituais, sem ter degustado e experimentado aquilo que dizem, estes, digo, se assemelham a um homem que em pleno verão, ao meio-dia, atravessa uma planície deserta e árida; depois, pela grande sede que sente, imagina em sua mente uma fonte de água fresca próxima dali, com água doce e límpida, e pensa nela matar completamente a sede, sem nenhum impedimento; ou então se assemelha a um homem que nunca experimentou nem mesmo um pouco de mel e, mesmo assim, tenta explicar aos outros sua doçura.

Esses são, em verdade, aqueles que não conhecendo na realidade e com plena certeza aquilo que se refere à perfeição, à santificação e à libertação das paixões, querem explicá-lo aos outros. E se Deus lhes concedesse uma pequena percepção daquilo que falam, certamente saberiam que a verdade das coisas não é conforme à sua explicação, mas muito diversa.

Num certo sentido, o cristianismo corre o risco de ser subentendido e de aproximar-se do ateísmo. O cristianismo é como um alimento ou uma bebida e, quanto mais dele usufruímos, mas o desejamos, e o coração se torna insaciável e não pode ser preso, como se alguém, oferecendo uma bebida doce a um sedento, a preparasse não só para matar sua sede mas também para dar-lhe prazer, tornando-a mais apetecível. Como foi dito, essas coisas nós não compreendemos com simples palavras, mas se realizam pela ação do Espírito Santo, em mistério, nas profundidades do coração, e então não se consegue mais falar delas.

Macário o Egípcio,
Paráfrases 80

Acontece com freqüência que o homem atinja uma medida perfeita, e esteja livre de todo pecado e irrepreensível mas que, depois disso, de algum modo a graça se retira e sobre ele se estenda o véu da parte contrária. Creia-me, assim acontece com aquilo que se refere à graça. Suponha que a perfeição suba ao duodécimo degrau e, portanto, exista um momento em que tal medida seja alcançável. A graça, contudo, novamente retrocede, desce um degrau e se firma, por assim dizer, no undécimo.

Áquele homem foram reveladas as coisas maravilhosas das quais teve experiência. Se lhe acontecesse sempre a mesma coisa, não lhe seria possível submeter-se ao peso de administrar a palavra, nem de escutar ou d

izer algo, ou de preocupar-se somente um pouco de qualquer coisa, mas poderia somente deter-se num ângulo, elevado da terra e inebriado. Por isso não lhe é dada a medida perfeita, para que tenha tempo de preocupar-se com os irmãos e o serviço da palavra.

Macário o Egípcio,
Paráfrases 92-93

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