6. A fé em Deus

Uma fé sem obras e uma obra sem fé serão rejeitadas do mesmo modo. O crente, ao mostrar a fé, deve oferecer ao Senhor as obras; nem mesmo a Abraão a fé seria considerada como justiça (cf. Rm 4,22) se não tivesse ofertado o fruto, isto é, o filho.

Aquele que ama a Deus crê sinceramente, e santamente realiza as obras da fé, mas quem apenas crê e não está no amor não tem nem mesmo a fé que crê possuir. Crê com certa superficialidade do coração, como quem não age sob o peso de glória do amor. Portanto, a fé que opera por meio da caridade (cf. Gl 5,6) é o ponto culminante das virtudes.

O abismo da fé, se questionado, move suas ondas; se contemplado com uma disposição de ânimo simples, permanece calmo. As profundezas da fé são água de esquecimento dos males, não suportam serem contempladas por pensamentos curiosos. Naveguemos nessas águas com pensamentos simples para, desse modo, atingir o porto da vontade de Deus.

Diadoco de Fótica,
Discurso ascético 20-22

A fé é um bem seguramente ordenado: ela gera em nós o temor de Deus; o temor de Deus ensina a observância dos mandamentos, chamada de “prática”; da prática floresce a preciosa impassibilidade. Fruto da impassibilidade é o amor, plenitude de todos os mandamentos (cf. Rm 13,10); o fruto os une e os mantém todos seguramente unidos.

Teodoro, bispo de Edessa,
Capítulos 21

Como a lembrança do fogo não aquece o corpo, assim a fé sem caridade não produz a iluminação do conhecimento na alma.

Máximo o Confessor,
Sobre a caridade 1,31

O divino e grande Apóstolo, definindo o que é a fé, diz: “A fé é substância das coisas esperadas e prova das coisas que não se vêm” (cf. Hb 11,1). Se alguém a define como um bem interior ou um conhecimento verdadeiro que revela os bens inefáveis, não estaria longe da verdade.

Máximo o Confessor,
Sobre a Teologia 4,7

A fé, sozinha, pela graça, fé que opera através dos mandamentos no Espírito, é suficiente para a salvação; isso se a tivermos guardada e não tivermos preferido a fé morta e sem obras a essa fé viva e operante em Cristo. Ao crente são suficientes a forma e a vida da fé operante em Cristo; agora, porém, a ignorância ensinou aos fiéis a fé como palavrório, a fé morta e insensível e não a fé por graça.

Gregório o Sinaíta,
Capítulos utilíssimos 28

Graça não é somente a fé, mas também a oração operante. A fé operante por meio do Espírito (cf. Gl 5,6) mostra a verdadeira fé que possui a vida de Jesus. Logo, quem não a conhece operante em si mesmo possui a fé oposta, morta e sem vida. Nem mesmo pode ser chamado de crente aquele que crê somente com palavras e não possui a fé operante através dos mandamentos ou do Espírito.

É necessário, portanto, mostrar a fé de modo claro com o progredir nas obras, ou possuí-la operante e resplandecente na luz, como diz o divino Apóstolo: “Mostra-me a tua fé com as tuas obras e eu te mostrarei as minhas obras, fruto da minha fé” (cf. Tg 2,18). Com isso quer indicar que a fé dada por graça se manifesta no colocar em prática os mandamentos, do mesmo modo como os mandamentos são colocados em prática e resplandecem mediante a fé dada por graça.

Raiz dos mandamentos, de fato, é a fé, ou, mais ainda, é fonte que os irriga para que cresçam; é uma fonte que, mesmo por natureza sendo invisível, se divide em duas: confissão e graça.

Gregório o Sinaíta,
Capítulos utilíssimos 119

“Não ames a ti mesmo, diz São Máximo, e amarás a Deus; não queiras agradar a ti mesmo e amarás os irmãos” (Sobre a caridade 4,37), porque o amor vem da esperança. E a esperança consiste no crer firmemente, com toda a nossa mente, que tudo acontecerá como se espera. E essa esperança é gerada pela fé sólida, quando não se preocupa com a própria vida e a própria morte, mas se abandona toda preocupação em Deus (1Pd 5,7), como já foi dito daquele que quer atingir os sinais da impassibilidade dos quais a fé é o fundamento.

Quem possui essa fé deve sempre ter presente que, como Deus criou todas as coisas, e todas as coisas criadas do nada, na sua suma bondade criou também a nós, e assim também proverá a alma e o corpo, do modo como ele sabe.

Pedro Damasceno,
Livro I, vol. III, pp. 76-76

Fé é morrer por Cristo por causa de seu mandamento e crer que essa morte busca a vida; considerar a pobreza como riqueza, uma vida escondida e o desprezo como verdadeira glória e fama; e crer que, mesmo nada tendo, se possui tudo (cf. 2Cor 6,10); ou melhor ainda, a fé é possuir a imperscrutável riqueza do conhecimento de Cristo (cf. Fl 3,8), e considerar todas as coisas como lama e fumaça.

A fé em Cristo é não somente desprezar os prazeres da vida, mas também perseverar no suportar com paciência toda tentação que aparece, juntamente com as tristezas, tribulações e acontecimentos adversos, até que Deus queira vir nos visitar. Está dito: “Com paciência esperei no Senhor e voltou-se para mim” (Sl 39,2).

Simeão o Novo Teólogo,
Capítulos práticos e teológicos 1-2

Anúncios
  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: