3. A PACIÊNCIA

Recebemos de Deus a capacidade de nos dominarmos, a paciência, a temperança, a perseverança, a força e as outras virtudes a elas semelhantes, potências eminentes e virtuosas que nos ajudam a fazer frente e a resistir às dificuldades desta terra. Se nelas nos exercitamos e estamos disponíveis para colocá-las em prática, descobriremos que não nos pode acontecer nada de difícil, de doloroso e de insuportável, mas sentiremos que tudo é humano e pode ser vencido pelas virtudes que em nós estão. Os que não têm a inteligência da alma não pensam nisso, porque não acreditam que tudo acontece justamente, e como convém, com vistas ao nosso bem, para que brilhem as virtudes e de Deus recebamos a coroa.

Antônio o Grande,
Exortações 3

Afugenta a tentação com a paciência e a súplica. Se procuras resistir sem elas, a tentação te assaltará ainda mais.

Marcos o Asceta,
Sobre aqueles que se crêem justificados 106

Definição da paciência: perseverar, incessantemente contemplando o invisível como se fosse visível (cf. Hb 11,27) com os olhos da mente.

Diádoco de Foticéia,
Definições 3

Qualquer tribulação, unida à paciência, é boa e útil; a que não tem essa união afasta de Deus e não serve para nada; se alguém dela não cuida com humildade, não há outra medicina. O humilde, quando é atribulado, acusa-se a si mesmo e a ninguém mais. E, enquanto tem paciência, pede a Deus a libertação e, uma vez encontrada, se alegra e conserva a paciência na ação de graças. Feita a experiência dessas coisas, recebe o conhecimento e, conhecendo a própria fraqueza e a própria ignorância, busca incalsavelmente o médico e, tendo-o encontrado, encontra a cura (cf. Mt 7,8), como o disse o próprio Cristo.

Pedro Damasceno,
Livro I, vol. III, p. 57

Quem foi feito digno do grande carisma da paciência nas tribulações deve dar graças a Deus, porque lhe foi dado um dom muito grande. Tornou-se uma imitação de Cristo, dos seus santos apóstolos, dos mártires e dos santos.

Pedro Damasceno,
Livro I, vol. III, p. 82

Disse o Senhor: Quem perseverar até o fim será salmo (Mt 10,22). A paciência é o compêndio de todas as virtudes. Nenhuma virtude subsiste sem ela; portanto, quem retrocede não é digno do reino dos céus (cf. Lc 9,62). Mais: mesmo que alguém se creia possuidor de todas as virtudes, não é digno enquanto não alcançar o reino dos céus, depois de ter perseverado até o fim e ser salvo das ciladas do diabo. Também aqueles que receberam a herança divina têm necessidade de paciência para receber, no tempo futuro, a perfeita recompensa. Em qualquer ciência ou conhecimento há necessidade de paciência. E isso é natural porque, sem ela, não se completam nem mesmo as obras materiais. Também quando se fez alguma coisa, é necessário a paciência a fim de que se conserve o que foi feito. Numa palavra, tudo, quando ainda não existe, tem necessidade da paciência para existir e, uma vez que existe, dela tem necessidade para continuar a existir e, sem ela, não existe nem pode ser concluído. Tratando-se de algo de bom, a paciência o alimenta e o protege; se de algo mal, ela dá descanso e conforto e não permite que quem for tentado seja atormentado pela pusilanimidade, garantia do inferno. Habitualmente é a paciência que mata a desesperança, assassina da alma. Ela ensina a confortar a alma, para que não seja vencida pela acédia devido às muitas lutas e tribulações.

Pedro Damasceno,
Livro II, vol. III, p. 121-122

A paciência nos sofrimentos é como uma rocha firme diante dos ventos e das tempestades da vida; quem a adquiriu não perde as forças diante da maré alta, nem retrocede; e se novamente encontra repouso e alegria, não se deixa arrastar pela presunção, mas permanece sempre igual nos dias felizes e nos difíceis; por isso permanece invulnerável diante dos laços do inimigo. Quando se debate na tempestade, suporta com alegria, esperando o fim; quando faz bom tempo, espera a tentação até o último suspiro, como diz o grande Antônio. Um homem assim sabe que nada nesta vida é imutável, mas que tudo passa. Por isso, não se preocupa com nenhuma dessas coisas, mas tudo entrega a Deus, porque ele cuida de nós (cf. 1Pd 5,7).

Pedro Damasceno,
Livro II, vol. III, p. 123

Acolhe valentemente qualquer desventura que te vem do exterior, pois ela te ensina a paciência que conduz à salvação, a paciência que consente em morar e repousar nos céus. Assim, completando teus dias, viverás a vida presente com bom ânimo, na alegria das bem-aventuradas esperanças. No momento de teu êxodo passarás deste mundo com plena confiança e alcançarás os lugares do repouso que o Senhor preparou para que tu reines com ele (cf. 2Tm 2,12), doando-te a recompensa das fadigas desta terra.

Teolepto de Filadélfia,
Discurso, vol. IV, p. 12

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