11. A oração pura

Luta para conservar as profundezas do coração surdas e mudas durante a oração, e poderás orar.

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 11

Tudo o que tiveres feito para vingar-te de um irmão que foi injusto contigo, também será pedra de tropeço durante a oração.

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 13

Quando rezas, a memória te apresenta ou fantasias de coisas antigas ou novas preocupações, ou o rosto de quem te entristeceu.

O demônio tem muita inveja do homem que reza e se serve de todos os seus artifícios para destruir sua obra. Desse modo, não cansa de apresentar lembranças de coisas, mediante a memória, e de despertar através da carne todas as paixões para poder impedir o seu esplêndido desenrolar e o seu emigrar para junto de Deus.

Quando o demônio, apesar de ter muito tentado, mais perverso ainda, não conseguiu impedir a oração do justo, retira-se um pouco, mas em seguida se vinga daquele que rezou; acende-o de cólera para destruir os frutos excelentes nele realizados pela oração, ou o estimula a qualquer prazer irracional e provoca vergonha a seu coração.

Depois de teres rezado como convém, espera o que não convém; permanece virilmente em pé para defender o fruto da oração. A isso foste destinado desde o princípio: trabalhar e proteger (cf. Gn 2,15). Após teres trabalhado, não deixes sem proteção o que fizeste, caso contrário, para nada te serviu rezar.

Toda guerra travada entre nós e os demônios impuros não tem outro campo que a oração espiritual. Ela, de fato, é para eles inimiga e odiosíssima, mas para nós é salvífica e dulcíssima.

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 46-50

Se desejas rezar, nada faças que é incompatível com a oração, para que Deus se avizinhe de ti e contigo caminhe.

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 67

Aquele que se dedicar à oração pura ouvirá rumores, golpes, vozes, insultos da parte dos demônios, mas não cairá nem desistirá, dizendo a Deus: Não temerei mal algum, porque estás comigo (Sl 22,4), e palavras semelhantes.

Nilo o Asceta,
Discurso sobre a oração 97

Em qualquer tentação e em qualquer combate, faz da oração uma arma invencível e vencerás pela graça de Cristo. Seja pura a tua oração, como nos mostra o nosso sábio mestre. Diz: Quero que os homens orem em toda parte, elevando mãos puras, sem ira nem disputas (1Tm 2,8).

Teodoro, bispo de Edessa,
Capítulos 31

Quem ora nunca deve parar na sublime subida que leva a Deus. Assim como é necessário ascender de potência em potência (cf. Sl 83,6) naquilo que se refere ao progresso prático das virtudes, e ascender de glória em glória (cf. 2Cor 3,18) naquilo que diz respeito à contemplação das realidades espirituais e à passagem da palavra da Santa Escritura ao espírito, assim é necessário que o façam também aqueles que se encontram no lugar da oração: libertar o coração das preocupações humanas e elevar os sentimentos da alma às realidades divinas, a fim de que o coração possa seguir aquele que entrou nos céus, Jesus, o Filho de Deus (cf. Hb 4,14), que está em toda parte e, segundo seu desígnio de salvação, tudo penetra por nós para que nós, seguindo-o, atravessemos tudo aquilo que está depois dele e a ele atinjamos, mas isso se o compreendamos não segundo a pequenez de seu abaixamento conforme seu desígnio de salvação, mas segundo a grandeza da infinitude de sua natureza (cf. 2Cor 5,16).

Máximo o Confessor,
Sobre a teologia 2,18

No tempo da oração afasta da mente tanto os simples pensamentos sobre coisas humanas, quanto a representação de qualquer acontecimento para que, seguindo com a fantasia as coisas inferiores, não percas aquele que é incomparavelmente melhor do quer todos os seres.

Máximo o Confessor,
Sobre a caridade 3,49

Os Santos Pais dizem que no tempo da oração devemos ter o coração livre das formas, figuras, cores, e absolutamente não disposto a acolher qualquer coisa, quer se trate de uma luz, de fogo, ou qualquer outra coisa; pelo contrário, devemos prender o pensamento somente nas palavras que dizemos. Por isso, quem reza somente com a boca, reza ao vento e não reza a Deus; Deus está atento ao coração e não às palavras, como os homens. Foi dito: “É necessário adorar a Deus em espírito e verdade” (cf. Jo 4,24), e: Prefiro dizer cinco palavras com a minha mente do que milhares com a língua (1Cor 14,19).

Pedro Damasceno,
Livro I, vol. III, p. 11)

Nada tanto como uma oração pura e imaterial torna o homem familiar de Deus e sabe uni-lo ao Verbo quando ele, sem distração, ora com o espírito, quando tem a alma lavada pelas lágrimas, suavizada pela compunção e iluminada pela luz do Espírito.

Nicetas Sthetatos,
Capítulos naturais 69

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