1. O mandamento do amor

Aquele que quer o próprio bem não pode amar a Deus, mas aquele que não o quer devido à superabundante riqueza do amor de Deus, esse ama a Deus. Por isso, ele nunca busca a glória pessoal, mas a de Deus (cf. Jo 7,18); porque, aquele que quer o bem pessoal busca a própria glória mas, aquele que quer bem a Deus, ama a glória de seu Criador. É próprio de uma alma sensível e que ama a Deus procurar sempre a glória de Deus em todos os mandamentos que cumpre e fruir da própria humilhação, pois a Deus convém a glória por causa de sua magnificência e, ao homem, a humildade, para que nos tornemos, graças a ela, familiares de Deus. Se fizermos isso, também nós, como São João Batista, alegrando-nos pela glória do Senhor, passaremos a falar sem interrupção: “É preciso que ele cresça e que nós diminuamos” (cf. Jo 3,30).

Diádoco de Foticéia,
Discurso ascético 12

Quando alguém começa a perceber com abundância o amor de Deus, começa então, com o sentido espiritual, a amar também a seu próximo; esta é a caridade de que falam todas as santas Escrituras. O afeto segundo a carne se dissipa facilmente, ao mínimo pretexto, porque não está ligado através do sentido espiritual. Por isso acontece que, se a alma, na qual Deus age, de qualquer modo está irritada, nela não se rompe o vínculo da caridade. De fato, inflamando-se novamente o calor do amor de Deus, imediata e rapidamente é chamada ao bem e assume com muita alegria o amor do próximo, mesmo se dele recebe grande ofensa ou prejuízo pois, na doçura de Deus, ela consome totalmente a amargura da discórdia.

Diádoco de Foticéia,
Discurso ascético 15

A caridade é uma boa disposição da alma segundo a qual ela não antepõe nada do que existe ao conhecimento de Deus. Mas, é impossível que alcance o hábito de tal caridade aquele que está apaixonado por qualquer uma das coisas terrestres.

Máximo o Confessor,
Sobre a caridade 1,1

Nada do que vem de Deus é mais precioso ou, nada é mais amado por Deus do que a caridade perfeita naqueles que têm inteligência. Esse amor une em unidade aqueles que foram divididos e pode despertar em muitos, ou em todos, uma mesma identidade, não perturbada por divisões. É próprio da caridade construir uma única vontade entre aqueles que a procuram.

Máximo o Confessor,
Sobre a teologia 3,48

Quem quer falar do amor tem coragem de falar de Deus, como diz João o Teólogo: “Deus é amor e quem mora no amor mora em Deus” (cf. 1Jo 4,16). Que maravilha! Essa virtude, fundamental entre todas, é natural, por isso que também a Lei a nomeia entre as primeiras coisas: “Amarás o Senhor teu Deus” e o que segue (cf. Dt 6,5). Mas, quando escutei que devia amar com toda a alma, saí de mim mesmo e não mais tive necessidade de outras palavras. “Com toda a alma” significa com a razão, os sentimentos, o desejo, pois a alma é composta desses três elementos. E as profundidades do coração sempre consideram as coisas divinas, o desejo procura continuamente somente Deus e nada mais, pois a Lei diz: “com toda a alma”. E os sentimentos agem natural e unicamente contra aquilo que impede tal desejo. João o Teólogo, por isso, teve razão ao dizer que Deus é caridade (cf. 1Jo 4,8.16). Portanto, se Deus vê que as três potências da alma estão voltadas para ele e não possuem outro desejo além dele, conforme ordenou necessariamente, ele próprio, na sua bondade, não somente ama, mas também inabitará e caminhará em tal homem, conforme está escrito (cf. Lv 26,11), graças à vinda, nele, do Espírito.

Pedro Damasceno,
Livro II, vol. III, p. 146-147

João Clímaco escreve: “Agora, portanto, depois de tudo o que foi dito, permanecem essas três coisas, que apertam e conservam as ligações que a tudo unem: a fé, a esperança, a caridade. Mas, a maior das virtudes é a caridade (cf. 1Cor 13,13), porque ela é o nome do próprio Deus (cf. 1Jo 4, 8.16). Quanto a mim, eu vejo a uma como um raio, a outra como luz, a outra como círculo.Vejo-as todas como formando um único reflexo e um único esplendor. A primeira pode fazer tudo, criar tudo. A outra, está circundada pela misericórdia de Deus e nada pode confundi-la (cf. Rm 5,5). E a terceira não é inferior (cf. 1Cor 13,8), nem deixa de correr, nem concede repouso em sua beata loucura por aquele a quem feriu” (Clímaco, Escada 30). E ainda: “A razão do amor é conhecida dos anjos, e também a eles na medida em que são iluminados. Deus é caridade (1Jo 4, 8.16). Aquele que quer definir a caridade é como o cego que mede a areia do abismo. Por sua própria qualidade a caridade é semelhança de Deus, no tanto que é concedido aos mortais; quanto à ação, é embriaguez da alma. Por sua natureza, é fonte da fé, abismo de paciência, mar de humildade. Caridade é propriamente deposição de qualquer pensamento hostil, pois a caridade não pensa o mal (1Cor 13,5). A caridade, a impassibilidade e a filiação se distinguem somente pelos nomes. Como luz, fogo, chama concorrem numa única ação, assim deves pensar também a respeito delas” (Clímaco, Escada 30).

Calixto e Inácio Xantopoulos,
Método 90

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