PADRE JOSÉ MARIA JACOBS

Apóstolo de Blumenau

Pe. Jose Maria Jakobs - primeiro vigário de Blumenau

Pe. Jose Maria Jacobs – primeiro vigário de Blumenau

José Maria Jacobs nasceu em Aachen, Renânia, Alemanha, em 16 de maio de 1832, filho de Reinério José Jacobs. Dois irmãos seus eram padres e ele seguiu o mesmo caminho, sendo ordenado presbítero Redentorista em 31 de dezembro de 1854. Antes de vir ao Brasil, tinha atuado em Paris como educador dos filhos de Antoine d‘Orléans, duque de Montpellier (1824-1890), pretendente ao trono espanhol. Nessa condição, conheceu as maiores cidades européias, adquirindo cultura refinada e domínio de idiomas, o que lhe foi extremamente útil na missão brasileira: falava o alemão, inglês, italiano, francês e depois, português. Sempre se manteve simples e piedoso.

Em 1860 foi para os Estados Unidos como missionário em Baltimore, ali permanecendo 16 anos. Desejando ter mais liberdade para desbravar novos campos missionários, obteve a exclaustração, assumindo como padre secular.

Encontro com o Papa Pio IX – chegada a Blumenau

Em fevereiro de 1876, o papa Pio IX concedeu-lhe uma audiência, na qual lhe confiou a missão de pastorear os abandonados católicos da Colônia Blumenau. Deu-lhe uma fotografia sua. Pe. Jacobs escreveu no verso: “Santíssimo Padre, o sacerdote José Maria Jacobs, ao preparar a sua viagem para o Brasil, com o fim de evangelizar os pobres, pede, aos pés de Vossa Santidade, a Bênção Apostólica, para que, como bom pastor, possa congregar, com zelo incansável, as ovelhas errantes; e para que, com caridade paternal, possa apascentá-las e, com elas, um dia, chegar feliz aos prados celestes.

O Papa escreveu: “A 1º de fevereiro de 1876. Deus vos abençoe”.

Pe. Jacobs sempre considerou sua missão em Blumenau como ordem papal. Chegou ao Rio em meados de 1876. Devido a seus modos afáveis e fina cultura foi bem recebido por todos, inclusive pela Família Imperial brasileira. Pediram-no que ficasse na Capital brasileira, mas respondeu: “O Papa me enviou a Blumenau”.

Em fins de julho estava em Joinville, passando algumas semanas com o Pe. Carlos Boegershausen,, que o introduziu em Blumenau em 16 de setembro.

Seus contatos com o fundador da Colônia, Dr. Hermann Blumenau foram apenas cordiais: eram dois temperamentos, um católico e impulsivo, e o outro protestante e reservado. Não concordavam em tudo, mas se respeitavam.

A grande área da missão e o Colégio São Paulo

Residiam poucos católicos na sede da Colônia: 61 católicos e 539 protestantes. Os católicos foram distribuídos pelos sertões, dificultando a formação comunitária e religiosa. A situação se alterou positivamente com a chegada dos muitos tiroleses, italianos e poloneses entre 1875-1876.

Apenas chegado, Pe. José Maria Jacobs partiu em missão pelo interior, onde foi recebido com muito afeto. Seu raio de ação levou-o a fundar as comunidades católicas de Pomerode, Timbó, Indaial, Ascurra, Rodeio e Rio dos Cedros. Como bom pastor, tinha consciência de que as comunidades de imigrantes necessitavam vitalmente de uma casa da comunidade, caso contrário se fragmentariam em desavença.

Semeia capelas e estabelece em cada uma dois homens para orientar o culto dominical. Suas missões tinham programa estabelecido: cedo, confissões e celebração da Missa; em seguida, primeira pregação; após o meio-dia, catequese para as crianças; o resto do tempo passava no confessionário; à noite, prolongada pregação. Era um mestre na catequese.

Sentindo falta de Escola Paroquial, em 16 de janeiro de 1877 fundou-a na antiga capela de madeira de Blumenau: nascia a “Escola de São Paulo”, para a formação primária e religiosa dos filhos dos colonos católicos, em regime de internato. Eram 16 alunos, 60 em 1879. Em 1878 estabeleceu um curso secundário, inclusive com o ensino do latim, do francês, do inglês e do alemão. Igualmente havia o ensino na música, teoria e prática com aulas de piano e violino. Voltando das missões, sua preocupação maior sempre foi a Escola, pois nela seriam formados os líderes comunitários e os catequistas e ministros do Culto dominical. Nos anos seguintes, construiu novo prédio, o Colégio São Paulo, contando com o auxílio do Conde d’Eu (que fez questão de visitá-lo em 1884), e doações da Família Imperial.

Com o crédito pessoal e a qualidade do ensino, passou a receber subvenção estatal, às vezes suspensa por picuinhas e invejas locais que repercutiam na Capital. Promotor vocacional, viu três alunos serem ordenados padres no Rio de Janeiro em 19 de dezembro de 1881: Giacomo Vincenzi, Richard Drewitz e João Nicolau Alpen, os dois últimos ex-luteranos. Os três foram provisionados no Rio de Janeiro onde exercitaram fecundo ministério.

Enviou significativo número de jovens para o Rio ou para o Caraça, em Minas, dois centros de excelência pedagógica: retornando, tornaram-se importantes líderes na comunidade. Uma observação: em 1892 os franciscanos assumiram o Colégio como Seminário da Ordem, até 1922 e, em 1897 recebeu o nome de Colégio Santo Antônio.

Primeira igreja matriz São Paulo Apóstolo de Blumenau, inaugurada em 1876, com a presença do Pe. Jac

Primeira igreja matriz São Paulo Apóstolo de Blumenau, inaugurada em 1876, com a presença do Pe. Jacobs.

A Paróquia São Paulo Apóstolo – o adeus

Pela Lei Provincial 694, de 31 de julho de 1873 foi criada a Freguesia São Paulo Apóstolo de Blumenau. Necessitava, porém, a instituição canônica, que veio em 8 de fevereiro de 1878, por Provisão de Dom Pedro Maria Lacerda, bispo do Rio de Janeiro. A paróquia foi instalada em 2 de junho de 1878 e, para alegria dos católicos, no mesmo ato o Pe. José Maria Jacobs foi nomeado seu primeiro pároco. O trabalho era sempre mais intenso e vasto.

Monarquista, teve dificuldades sérias com os republicanos, especialmente por causa da separação Igreja-Estado, de 1889. Nesse mesmo ano fundou o “Partido Católico”, ao qual aderiram 250 cidadãos. Respeitando a República, defendiam os direitos católicos na família e na organização social.

Essa atividade trouxe-lhe muitos dissabores, críticas, perseguições (especialmente da atuante maçonaria e de imigrantes suecos), qualquer atitude sendo motivo de intriga. Em 1891-1892 foi três vezes levado aos tribunais, sendo o principal problema o matrimônio civil, introduzido pela República e que ele rejeitava. Não era tão simples a transição do regime de Padroado para o regime republicano, de cunho laicista.

Em 9 de fevereiro de 1892, foi condenado à prisão com o aplauso barulhento dos anticlericais, e escondeu-se em Rodeio. Uma exagerada escolta de 100 soldados foi reconduzi-lo. Devido ao clamor dos católicos, a prisão foi transformada em multa, e depois Pe. Jacobs foi inocentado. A imprensa estadual e nacional deu notícia da arbitrariedade cometida. Nunca cedeu, nunca se humilhou: sabia o que fazia, e o fazia com caráter..

Em 2 de março, libertado, estava na igreja matriz para celebrar a Quarta-feira de Cinzas. Não conseguiu terminar a Missa: extrema fraqueza o prostrou e sangue escorria pela boca.

Mas, já preparava sua saída. O Pe. Francisco Topp, homem que unia em torno de si os padres estrangeiros e organizava o atendimento aos imigrantes, conseguira a vinda de franciscanos da Província de Santa Cruz da Saxônia para Santa Catarina. Pe. Jacobs escreveu a Frei Amando Bahlmann, em Teresópolis, expondo-lhe a situação. Recebeu resposta positiva.

Em 13 de março de 1892, “Madame Murphy”, sua doméstica, anunciou-lhe em seu dialeto: “Tua visita lá. Três gente. Não sei se homens ou mulheres”. Eram os três primeiros Franciscanos para Blumenau: Amando Bahlmann, Zeno Wallbroehl e Lucínio Korte.

Pe. Jacobs encetou a visita de despedida às comunidades. Em cada uma, pedia ao povo que renovasse a Profissão de Fé católica.

No dia 16 de junho embarcou no vapor que o levou ao Rio de Janeiro, donde tencionava retornar à Pátria. Fraco, foi internado no Hospital da Gamboa. Ali entregou a alma a Deus em 1º de agosto de 1892. Suas últimas palavras: “Blumenau! Blumenau!”.

Tinha realizado a missão que lhe fora dada pelo Papa Pio IX. Uma breve existência de 60 anos, consumidos pelo povo que amou em 38 anos de ministério e, deles, 16 no Brasil, pátria onde foi sepultado.

Nove anos depois, em 1901, no mesmo hospital, o Pe. Alberto Francisco Gattone, apóstolo do vale do Itajaí, descansava de uma vida intensa e heróica.

(Há dois ótimos textos de Frei Estanislau Schätte, traduzidos pelo Pe. Eloy Dorvalino Koch in: Blumenau em Cadernos, Tomo XLVII, N 11/12, 2006, p. 9-83, e Tomo XLVIII, N 01/-1, 2007, p. 9-53).

Pe. José Artulino Besen

  1. #1 por stanislau thomo em 15 de julho de 2010 - 15:23

    É uma honra muito grande falar do meu chará, um grande religioso e santo. Gostaria que as outras pessoas do mundo fossem como ele. Beira, 15/07/10
    amen

  2. #2 por Altair Ana em 13 de julho de 2014 - 11:26

    Com licença, alguém sabe onde se localiza o busto desse benquisto Pe. em Blumenau?

  3. #3 por giovani salvaro em 20 de julho de 2014 - 21:43

    Pessoas como estas, é que precisamos nos dias de hoje, seguimos seu exemplo.

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