1. A ALEGRIA

Alegrai-vos no Senhor, diz o Apóstolo (Fl 3,1). Com razão diz no Senhor porque, se a alegria não é no Senhor, não só não se alegra, como talvez nunca se alegrará. Jó, meditando a vida humana, viu que era cheia de tribulação (cf. Jó 7,1). O mesmo afirmou o grande Basílio. Gregório de Nissa falou que os pássaros e os outros animais se alegram em sua insensibilidade, mas que o homem, dotado de razão, nunca tem alívio no luto, pois, diz ele, nem mesmo nos foi concedido conhecer os bens dos quais decaímos. A natureza, ao invés, ensina-nos a chorar, a tal ponto a vida é cheia de sofrimentos e de dores, a tal ponto o exílio está carregado de pecados. Mas, se se guarda continuamente em si mesmos a recordação de Deus, se está na alegria. Como diz o salmista: Recordei-me do Senhor e me alegrei (Sl 76,4). O profundo do coração se alegra na recordação de Deus e esquece as tribulações do mundo e, por causa dessa recordação, espera e se torna livre das preocupações. E a ausência de preocupações torna-o feliz e o predispõe à gratidão. A gratidão feita com reconhecimento faz crescer os dons e carismas. E, quanto mais se multiplicam os benefícios, mais crescem a ação de graças e a oração pura, unida a lágrimas de alegria. Pouco a pouco o homem sai das paixões. Possa, assim, alcançar, em todos os modos, a alegria espiritual!

Pedro Damasceno,
Livro II, vol. III, p. 153

A assiduidade na oração é síntese de toda solicitude e vértice das boas obras. Graças à oração, adquirimos também as outras virtudes, pois Deus, quando é invocado, estende sua mão para ajudar-nos. Na oração, de fato, para aqueles que dela são dignos se dá uma comunhão com a operação mística e se unem com uma santa disposição voltada a Deus e ao próprio coração, através do amor indizível com o Senhor. Pois está escrito: Alegraste o meu coração (Sl 4, 8). E o próprio Senhor diz: O reino dos céus está dentro de vós (Lc 17,21). Que significa que o Reino se encontre dentro a não ser que é nas almas dignas que se imprime claramente a exultação celeste do Espírito? As almas dignas já recebem aqui, através da comunhão operante do Espírito, a garantia e a antecipação do gozo, da alegria, da exultação no Espírito, da qual na luz eterna participam os santos do reino de Cristo. E sabemos que também o divino Apóstolo declara-o, dizendo: [Bendito seja Deus, …] que nos consola em toda tribulação para que possamos consolar aqueles que se encontram em qualquer tribulação com a consolação com a qual nós mesmos somos consolados por Deus (2Cor 1,4).

Macário o Egípcio,
Paráfrases 18

Quando quer, o Senhor se torna para a alma fogo que queima tudo aquilo que nela é ignóbil e que lhe é estranho, como também diz o profeta: “O nosso Deus é fogo devorador” (cf. Dt 4,24). Às vezes se torna repouso (cf. Mt 11,28) inefável e indizível e, outras vezes, alegria e paz (cf. Gl 5,22) que a aquece e envolve.

Macário o Egípcio,
Paráfrases 68

Quem cultiva pensamentos maus torna obscuros e escuros os olhos exteriores; tem a língua privada de cantos divinos e é desagradável a qualquer um que o encontra. Pelo contrário, quem cultiva plantas do coração, boas e imortais, tem o rosto feliz e luminoso, a língua melodiosa para a súplica e é dulcíssimo na conversação. É e torna-se claro a quem vê bem que aquele que ainda se encontra sob a escravidão das paixões impuras encontra-se também sob a escravidão da lei do sentir terrestre enquanto que, aquele que está livre de tal escravidão, vive sob a lei do Espírito, como diz o sábio Salomão: “Quando o coração está na alegria, o rosto floresce; quando está na tristeza, se embota” (cf. Pr 15,13).

Nicetas Stethatos,
Capítulos práticos 33

Quando um homem se afadiga no colocar em prática os mandamentos e, improvisamente, é tomado por uma alegria inexprimível e inefável, a ponto de ser transformado pela graça através de uma mudança extraordinária que ultrapassa a razão, ser libertado do peso do corpo e esquecer o alimento, o sono e as outras necessidades da natureza, saiba que para ele isso é a visita de Deus, que dá a morte vivificante àqueles que combatem e, já nesta terra, lhes concede o estado dos anjos.

Nicetas Stéthatos,
Capítulos naturais 43

A reintegração de todas as coisas, após a dissolução do corpo, torna-se clara e manifesta pela certeza e pela energia do Espírito em todos aqueles que, cheios de fervor, lutam segundo as regras, progridem rumo à meta do caminho e se tornam perfeitos à medida da idade da plenitude de Cristo (Ef 4,13). A alegria, a bem-aventurança de tal destino, está na luz sempiterna. Uma alegria infinita abraça o coração daqueles que lutam segundo as regras e beija-os a exultação do Espírito Santo, exultação que, segundo a palavra do Senhor, não lhes será tirada (cf. Lc 10,42). Portanto, aquele que foi julgado digno de possuir o Senhor que nele mora, que alegrou-se com os frutos por ter cultivado as virtudes, que se enriqueceu de seus carismas divinos, que está repleto de alegria e de todo o amor, que libertou-se de todo medo, esse, na alegria, foi liberto dos vínculos do corpo, na alegria foi liberto das coisas visíveis, das quais já se tinha livrado antes, porquanto superior à experiência sensível, e repousa numa alegria indizível de luz onde está a morada de todos aqueles que se alegram, mesmo que muitas vezes, na libertação e na ruptura da união com a alma, em alguns o corpo sofre dor como as mulheres que dão à luz com dificuldade.

Nicetas Stéthatos,
Capítulos naturais 100

Quando alguém percebe dilatar-se na fé interior e no amor de Deus o fervor de sua alma, saiba então que Cristo nele vem, que eleva sua alma da terra e das coisas visíveis, e que prepara a sua morada nos céus. Quando sente seu coração encher-se de alegria e começar a desejar, na aflição espiritual, os bens inefáveis de Deus, saiba então que o Espírito divino nele age. Quando percebe que sua mente está repleta de luz inefável e dos mais sábios e profundos pensamentos, saiba que o Espírito vem visitar sua alma para manifestar-lhe os tesouros escondidos do reino dos céus, e proteja-se com cuidado, como um palácio de Deus e uma morada do Espírito.

Nicetas Stéthatos,
Capítulos gnósticos23

Cristo se manifesta à alma que luta, e oferece a seu coração uma alegria inefável, e nenhuma doçura ou adversidade do mundo jamais pode tirar-lhe a alegria espiritual, pois as boas meditações e as recordações salvíficas, os pensamentos divinos, as palavras de sabedoria que assistem àquele que combate, protegem-no em todos os caminhos (Sl 90, 11) das obras por ele realizadas segundo Deus.

Teolepto de Filadélfia,
Discurso, vol. IV, p. 5

Quando te reúnes com os irmãos no Senhor, assim como te fazes presente com o corpo e lhe ofereces a oração dos Salmos com a língua, também mantenhas a mente atenta às palavras e a Deus, e ela saiba a quem fala e com quem se encontra porque, quando os pensamentos se entregam à oração com vigor e com pureza, o coração é tornado digno de uma alegria que não pode ser tirada (cf. Jo 16,22) e de uma paz indizível.

Teolepto de Filadélfia,
Discurso, vol. IV, p. 9

Nada torna mais feliz e tranqüilo o ânimo do que a fortaleza e a misericórdia. Como máquinas de guerra a fortaleza destrói os inimigos externos, a misericórdia os internos.

Gregório o Sinaíta,
Capítulos utilíssimos 13

Retornar ao índice do capítulo →

Anúncios
  1. Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: