CELEBRAÇÃO DOS SANTOS E RECORDAÇÃO DOS FIÉIS DEFUNTOS

Escada de Jacó, nossa ponte para Deus (G. Cordiano).

«As coisas santas são para os santos», diz o presbítero na liturgia bizantina, antes da comunhão. E o coro responde: «Um só é santo, Jesus Cristo…». Um só é santo, é verdade, mas todos aqueles que a Eucaristia integra no corpo de Cristo participam dessa santidade. Todo ser humano, criado à imagem de Deus, tudo, penetrados pelo Espírito participam da santidade da existência universal.

No cristianismo das origens, cada comunidade era chamada «igreja dos santos», uma comunhão de redimidos/redentores chamados a orar, testemunhar, servir a fim de que se manifeste em cada ser e em cada coisa a ressurreição. A santidade é a vida finalmente libertada da morte.

Pouco a pouco tomou-se consciência de que alguns cristãos eram testemunhas mais eloquentes, primeiramente os mártires, depois os confessores da fé. Seus túmulos se tornaram lugares de peregrinação, sobre muitos deles ergueram-se igrejas com o altar sobre o túmulo. A comunidade que ali celebrava a Eucaristia queria testemunhar a mesma fé pela qual viveram ou deram a vida. No Ocidente, no ano de 835 foi fixada a festa de Todos os Santos para o dia 1º de novembro. Depois, fixou-se para o dia seguinte o «dia dos Finados»: os mortos são arrastados pelos santos, que sabem não existir mais a morte no Ressuscitado; os mortos são mergulhados no imenso rio de vida da comunhão dos santos.

Numa sociedade secularizada, como a nossa, a morte muitas vezes é ocultada e grandes figuras de santidade são distorcidas e acabamos com o sentido profundo de Todos os Santos. Ainda vamos ao cemitério, limpamos os túmulos, acendemos uma vela, depositamos algumas flores. A maioria nem reza. Mas, precisamos retornar à festa de Todos os Santos, porque ela nos traz, em sua riqueza, a memória dos mortos. Disse Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida” e, para ele os santos abrem caminho, pois se identificaram com o único ser vivo e puderam dizer: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20).

Os santos fazem circular o amor no corpo de Cristo, e sem dúvida no mundo inteiro que misteriosamente se torna eucaristia. Às vezes, enquanto rezamos por alguém que há pouco nos deixou, lembramos também de pedir-lhe que reze por nós. A festa de Todos os Santos abre nossos olhos para a santidade escondida em cada pessoa ou mesmo sobre a santidade da terra (e é por isso que amamos o Cântico das Criaturas de Francisco de Assis).

O corpo de nossos mortos, recordação de uma vida

Em dois de novembro, Comemoração dos Fiéis Defuntos, nos dirigimos aos cemitérios e com carinho acendemos velas nos túmulos das pessoas queridas. Pais recordam filhos que partiram, filhos recordam pais, esposos lembram os mortos, amigos pranteiam amigos: todos agora igualados pela morte, na expectativa da feliz ressurreição. Ver um túmulo nos pode desafiar a fazer o bem que aquela pessoa ali recordada fez, ou evitar, sem julgamento, a violência que essa pessoa criou ao seu redor. Recordar os artífices da justiça, da paz e da beleza, nossos ancestrais ou contemporâneos. O cemitério é a casa da memória, da gratidão, da reconciliação. Oferece-nos uma visão da fragilidade humana e um desafio à santidade a que somos chamados por nossa imagem e semelhança de Deus.

Espalha-se a cremação de cadáveres, iniciada no século XIX no ardor do ateísmo/panteísmo/materialismo e hoje muito especialmente em países secularizados. Decide-se por túmulos sem nenhuma identificação ou por espalhar as cinzas ao vento. Iniciamos dizendo que o Código de Direito Canônico, o Catecismo da Igreja Católica (n. 2301) e o Diretório sobre a Piedade popular não opõem obstáculos à cremação em si, mas quanto à motivação e ao destino das cinzas.

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Antonio Canova – Carita’ elemosina (Dijon Museum)

Muitas pessoas têm dificuldade de encarar a morte de seus semelhantes, pois quebra o ritmo ordinário da vida com a imagem de alguém que se ausenta. Na sociedade secularizada a morte é muitas vezes ocultada. Melhor encerrar tudo entregando o cadáver a uma empresa, para evitar o incômodo de um “morto”, por mais querido que seja. A cremação surge como um caminho breve. Mas, será que a cremação respeita o desejo dos parentes e amigos que gostariam de visitar a sepultura? Não estaria subjacente a negação da dignidade do corpo, em vida comunicador de vida, de afeto, de trabalho, de alegria? Em outros tempos previa-se até uma Missa do Cadáver, celebrada nas Faculdades de Medicina: unia-se ali a oração pelos mortos ao respeito pelos cadáveres que seriam objeto de estudo dos acadêmicos. Era o respeito pelos restos mortais de pessoas nem conhecidas.

A face mais delicada é a possibilidade interrompida da memória dos que nos precederam, negando aos descendentes a memória dos antepassados. Por que hoje se dá tanta importância à busca dos restos mortais das vítimas das guerras, dos genocídios, das vítimas da violência e das ditaduras? É o desejo sagrado de dar-lhes uma sepultura, um lugar de descanso. Veja-se a dor dos parentes das vítimas de acidentes aéreos: como dói não poder contemplar e sepultar os restos mortais de pessoas queridas!

Após o ato da cremação – geralmente feito com grande respeito – espera-se em casa a urna com as cinzas. Alguns as dispersam no mar, outros em um jardim, outros as guardam em casa. Psicólogos e sociólogos advertem: o rito da cremação quebra o rito do luto com a entrega dos restos mortais a uma empresa. Guardar as cinzas em casa cria um ambiente onde não se faz a distinção do lugar dos vivos e dos mortos, com um clima doentio de luto sem fim. A urna com as cinzas, guardada em casa, pode ser respeitada pelos parentes atuais. E no caso da venda do imóvel, anos depois, não haveria o perigo de se jogar tudo no lixo?

Talvez o lado mais grave do dispersar as cinzas ou conservá-las em casa seria o negar a memória pública dos que nos precederam. Uma sociedade caminha olhando os caminhos traçados pelos antepassados. O corpo de nossos mortos é relíquia venerável ou incômoda? Uma solução apresentada é haver nas igrejas, capelas de cemitérios, espaços onde colocá-las por algum tempo, até a superação natural do rito da saudade. E depois depositá-las nos locais públicos onde são inumados muitos falecidos.

Outro perigo é a transferência do rito do sepultamento para empresas que lucram com ofertas de cerimônias sofisticadas, mas que tiram o envolvimento dos familiares. Já existe mercado de luxo para velório, cremação de pessoas (e de animais de estimação). Aqui e ali se denunciam abusos: cremação de diversos corpos ao mesmo tempo, revenda das vestes, ornamentos e da própria urna. Se o morto é parte de um negócio, nada impede o mergulho no mundo da esperteza.

Nas orações diante de um morto lembramos a alegria trazida por aquele corpo, sua purificação pela água batismal, sua unção com o óleo do Crisma, sua alimentação pelo Pão eucarístico, agradecemos a Deus pelo instrumento de amor que foi e pedimos perdão se foi instrumento de ódio, violência, ou se foi maltratado pela fome, pelas misérias de nosso egoísmo.

É bom que aprendamos a lembrar, com a filósofa Simone Weil, que a maior graça que nos é dada é saber que os outros existiram. E que continuam a existir. A festa de Todos os Santos, iluminando a memória dos mortos, nos lembra que Cristo continua incessantemente a vencer a morte e o inferno. Um santo monge do Monte Athos afirmava: enquanto uma alma morar no inferno, aprisionada pelos muros da própria rejeição, Cristo estará com ela no abismo da morte, e com ela estarão todos os redimidos, a suplicar que também ela se abra à eterna festa de TODOS os Santos.


Pe. José Artulino Besen

 

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SÃO PAULO VI E SANTO OSCAR ROMERO: SANTOS PERIGOSOS PARA TEMPOS DESAFIADORES

Santos Paulo VI e Oscar Romero

A canonização do Arcebispo Oscar Romero é a ponte que o Papa Francisco necessita para conduzir uma igreja universal presa no passado em direção a um futuro que irá purificá-la e alinhá-la com os pobres do mundo. E a união de Romero e do papa Paulo VI não é uma jogada de relações públicas para equilibrar um radical com um tradicionalista. Esses dois santos compartilharam um martírio que construiu a ponte que sustenta uma única trajetória, inspirada pelo Espírito Santo, que renovará a igreja e revelará novamente o mistério de Jesus como o motor da história. É uma história emocionante, e algumas figuras-chave ajudaram a acontecer.

Quando Romero foi assassinado em 1980, o jesuíta americano pe. James Brockman viu a necessidade urgente de uma biografia objetiva do arcebispo morto de El Salvador. Brockman, ex-editor da revista América, sabia que Romero tinha sido o foco de intensa controvérsia durante seu breve tempo como arcebispo. Ele também sabia que, apesar da aclamação quase unânime em toda a América Latina de que Romero era um santo, os revisionistas já estavam trabalhando para conter seu impacto. Seus críticos argumentaram que esse piedoso prelado conservador havia sido enganado por radicais de esquerda durante uma perigosa tendência ao marxismo que varreu a América Latina. Seu assassinato foi o resultado trágico mas previsível de sua intromissão na política e a abdicação de seu papel espiritual primário como bispo.

Atualizado em 1989, o livro foi complementado por diários pessoais em que Romero se angustiava com a crescente violência em El Salvador provocada por forças de segurança estatais, esquadrões da morte e grupos de oposição que tiraram centenas de vidas inocentes antes dos 12 anos brutais de guerra civil (1980-92).

Santo Oscar Romero

Dom Romero sofreu constante difamação na mídia e calúnias de quatro dos bispos do país alinhados com o governo e as elites ricas do país. O núncio papal alimentou um fluxo constante de relatórios negativos a Roma, acusando Romero de promover a chamada “teologia da libertação” e apoiar a revolução violenta.

Romero defendeu sua ação pastoral citando o Concílio Vaticano II e a aplicação de seus princípios à realidade vivida na América Latina por seus bispos, que se encontraram com o Papa Paulo VI em Medellín, Colômbia, em 1968, onde proclamaram a “opção pelos pobres” “e desafiaram as injustiças estruturais arraigadas que estavam causando pobreza e violência generalizadas na região.

Romero encontrou o apoio adicional da exortação de Paulo VI sobre evangelização,  Evangelii Nuntiandi , de 1975 , que pregava fortemente a libertação da opressão como parte integrante da missão da igreja. Apesar das ameaças de morte, da pressão de Roma e do fluxo de armas dos Estados Unidos para apoiar as forças armadas contra uma insurgência comunista, Romero permaneceu fiel pastor de seu rebanho até a sua morte em 24 de março de 1980, enquanto celebrava a missa num hospital em San Salvador.

A canonização sustenta heróis da fé que nos confronta com o que o teólogo Johann Baptist Metz chamou de “memória perigosa” do Cristo crucificado e ressuscitado, que interrompe a história em todas as gerações para convocar discípulos para ouvir a Palavra de Deus e mantê-la.

Outra testemunha crucial chegou a San Salvador em 1990, o jesuíta americano Dean Brackley, que permaneceu no corpo docente da Universidade Centro-americana pelo resto de sua vida, recebendo milhares de peregrinos e universitários norte-americanos, ousando lembrá-los da responsabilidade dos EUA por grande parte da violência na América Central, e pelo desesperado surto de violência, pelos refugiados fugindo para o norte.

Antes de morrer de câncer no pâncreas em 2010, Brackley mediu profeticamente a importância da canonização de Oscar Romero:

“É preciso suspeitar que, se Romero não fosse um bispo, ele poderia ter um caminho mais fácil para a canonização, porque nem todos na hierarquia católica se sentiam à vontade para apresentá-lo como um bispo a ser imitado. …

Romero modelou a “igreja dos pobres” que João XXIII pediu no início do Concílio Vaticano II. As conferências de Medellín e Puebla revelaram como essa igreja deveria se parecer na América Latina. Romero seguiu esse exemplo”.

A mensagem, no entanto, é universalmente válida: a igreja só será portadora de esperança credível para a humanidade se estiver com os pobres, com todos os que são vítimas do pecado, da injustiça e da violência. Se andarmos com eles, como fez Romero, incorporaremos as boas novas pelas quais o mundo tanto almeja. Não precisamos de uma igreja que nos convide a nos esconder dos horrores de hoje, a escapar dos problemas deste mundo, mas a suportar seus fardos.

Foi isso que Romero fez, inspirando inúmeros outros a colaborar com ele. Isto irá convidar a perseguição e incompreensão, mas essa é a marca da verdadeira igreja. Romero não procurou o que era melhor para a instituição como tal, mas o que era melhor para o povo. A longo prazo, isso é o que é melhor para a igreja também. A instituição que se esforça para salvar a si mesma se perderá mas, se se perder em serviço amoroso, se salvará.

Os 75.000 mártires da guerra civil em El Salvador, não viveram para ver Francisco, nosso papa latino-americano. Mas nas primeiras horas após sua eleição, Francisco invocou o sonho do papa João XXIII de uma “igreja dos pobres”, dizendo que gostaria de “uma igreja que é pobre e que seja para os pobres”. Agora é sua vez de sonhar com tal igreja, pastoreada por bispos com cheiro de ovelha, pastores servos e vibrantes paróquias cheias de discípulos que compartilham as “alegrias e esperanças, as aflições e ansiedades” do mundo moderno, especialmente jovens ardendo em chamas para viver uma vida autêntica.

São Paulo VI

Mas tudo isso seria apenas uma ideia se Romero não a tivesse vivido e um cauteloso Paulo VI não tivesse sofrido seu próprio martírio de difamação de progressistas e tradicionalistas, por insistir que a unidade da igreja era mais importante do que vencedores e perdedores depois do concílio.

A canonização sustenta heróis da fé que nos confrontam com o que o teólogo Johann Baptist Metz chamou de “memória perigosa” do Cristo crucificado e ressuscitado, que irrompe na história em todas as gerações para convocar discípulos para ouvir a Palavra de Deus e mantê-la.

Os  Santos Oscar Romero e Paulo VI fizeram isso em seu tempo. Seu testemunho não foi apenas cruzar a ponte do mistério pascal para um futuro diferente e necessário, mas que estão convidando a todos a segui-los.

Paulo VI abriu a missão da igreja para o mundo, para o mundo dos pobres; abriu o coração da igreja para a África, a Ásia, que viviam grande e até doloroso processo de descolonização. É quase impossível falar de evangelização sem citar Paulo VI na Populorum Progressio e Evangelii Nuntiandi, bússolas que indicaram o caminho de Santo Oscar Romero, Santo Oscar da América.

Hoje, 14 de outubro de 2018, a igreja apresenta ao mundo o que ela tem de mais precioso: seus santos. Sem eles, ela se reduz a uma instituição de muita ação ou de muitas cerimônias, mas sem apresentar ao mundo seu retrato que é o rosto de Jesus, multiplicado nos milhões de rostos de cristãos que testemunham sua fé, o sentido de sua vida como doação incondicional aos pobres.

Perante bispos de todo o mundo, Francisco destacou necessidade de deixar seguranças e riquezas para seguir Jesus Cristo. O Papa desafiou hoje a Igreja Católica a cruzar “novas fronteiras”, à imagem dos novos santos Paulo VI e Óscar Romero, canonizados hoje, deixando para trás riquezas e ilusões de segurança.


Pe. José Artulino Besen

 

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MONSENHOR AGOSTINHO STAEHELIN

Mons. Agostinho Staehelin em seus últimos anos

Neste ano de 2018, a Comunidade de São Pedro de Alcântara se prepara para as comemorações dos 190 anos de fundação, com a chegada dos primeiros imigrantes alemães a Santa Catarina, em 1829. Mons. Agostinho Staehelin amava seu torrão natal, vibrava com tudo o que acontecia em São Pedro, sua terrinha, “tão pequena no mapa e tão grande no amor” e na sua história.

Em nosso pequeno estudo biográfico devemos incluir uma referência fundamental no desenvolvimento humano e cristão de São Pedro: a presença, na primeira metade do século XX, de grandes sacerdotes, gigantes na fé, no trabalho, na dedicação às comunidades. Dedicados e incansáveis não mediam sacrifícios para a visita aos doentes, espalhados pelo extenso território de São Pedro e Alto Biguaçu. É com gratidão que transcrevo os nomes: Mons. Francisco Xavier Giesberts, Mons. Huberto Rohden, Pe. Jacó Luiz Nebel, Pe. Nicolau Schaan, Côn. Bernardo Blaesing, Côn. Roberto Wyrobek, Côn. Rodolfo Machado.

Agostinho é natural de São Pedro de Alcântara, SC, onde nasceu em 9 de setembro de 1924, filho de João Staehelin e Cecília Schappo Staehelin. A família se estendeu, chegando a 16 irmãos.

Ao nascer um filho, os pais consultavam uma folhinha onde constava o Santo do dia e era Agostinho, e esse foi o nome que lhe deram. Na cultura alemã era bem celebrado o onomástico e a data do batismo. Sua mãe gostava de repetir: “Das Kalb in Stall macht auch Geburstag, aber nicht Namenstag” (o bezerro na estrebaria também faz aniversário, mas não onomástico).

Foi batizado em 12 de setembro de 1924. Anos depois, sua mãe contou que no dia do batismo sua madrinha Maria Reinert Cunha pediu a Deus: “Faça desta criança um padre”.

Agostinho muito admirava seu pároco, Pe. Nicolau Schaan, seu modo de celebrar, sua vibração nos sermões festivos. Quando Pe. Nicolau passou por cirurgia no joelho, ele e seus colegas coroinhas sentiam-se honrados por ele se apoiar no ombro de um deles para subir os degraus do altar. Certo dia, em 1937, após uma missa de que participou como coroinha, o Pe. Nicolau o chamou até a casa paroquial e em pé na porta de entrada, lhe perguntou: “Você não quer ser padre?”. Ele respondeu que gostaria muito e já tinha pedido aos pais para ingressar no Seminário, mas responderam que não tinham como pagar os estudos, pois eram lavradores e muito pobres e 16 irmãos para sustentar.

Pe. Nicolau pediu que os pais fossem falar com ele e depois, tudo ficou acertado e em fevereiro de 1938 ingressou no Seminário de Azambuja. Sentiu-se órfão quando em 4 de fevereiro de 1939 veio a triste notícia da morte de Pe. Nicolau. Ele voltava da visita a um doente, entrou no quarto, sentiu-se mal e antes de morrer foi ungido por um colega que o visitava. No testamento deixou o que possuía para a paróquia. Os cinco mil cruzeiros que guardava foram entregues ao reitor do Seminário Pe. Bernardo Peters, que formou uma bolsa de estudos chamada “Pe. Nicolau Schaan”.

Os estudos de Seminário Menor foram em Azambuja, de 1938 a 1944, e os filosóficos e teológicos em São Leopoldo, RS de 1946 a 1952.

Dom Joaquim Domingues de Oliveira ordenou-o diácono em Azambuja, em 9 de dezembro de 1951. A ordenação sacerdotal foi em 25 de novembro de 1952, na Catedral de Florianópolis. Junto com ele foram ordenados Pe. Albano José Koehler e Pe. Huberto Waterkemper.

Catedral Nossa Senhora do Desterro, Florianópolis, SC

Sua primeira nomeação foi em 12 de janeiro de 1953, para Coadjutor de Nossa Senhora do Desterro, Catedral de Florianópolis. Revelou-se dinâmico e incansável padre, com forte liderança. Fundou o Coral Santa Cecília, ainda hoje atuante, e que deu novo brilho às liturgias da Catedral.

Seu entusiasmo pela música coral levou-o a fundar o Coral Universitário da Universidade Federal de SC – UFSC, com a primeira apresentação em janeiro de 1963. Contou com o apoio decidido do magnífico reitor João Ferreira Lima.

Em 9 de fevereiro do mesmo ano, Dom Joaquim nomeou-o Capelão do Hospital de Caridade.

Sensível aos problemas sociais, agravados pelo êxodo rural que povoava os morros no entorno da paróquia, logo buscou atender às famílias, oferecer catequese às numerosas crianças. Foi iniciativa sua a construção da capela de Nossa Senhora do Mont Serrat, no Morro da Caixa, onde promovia o treinamento social e litúrgico de lideranças. Essa população lhe era conhecida e o conhecia, pois em bom número era constituída por negros que tinham emigrado de São Pedro de Alcântara e Alto Biguaçu.

Para implantar mais o espírito comunitário e que os moradores tivessem à mesa verduras sem agrotóxicos, resolveram limpar o terreno da capela, adquirir mais terra, e fazer uma horta comunitária. Durante uma semana levou cinco voluntários para o Centro da ACARESC, em Itacorubi, onde receberam aulas práticas de plantação de hortaliças. Foi ofertada a Dom Joaquim a primeira hortaliça colhida. A comunidade se servia como e quando queria, e quem quisesse deixava um oferta para a compra de sementes e adubo.

Semanalmente promovia encontros de formação, seguindo o método da ação católica, o ver-julgar-agir. Para tomar conhecimento melhor da Ação Católica, de 21 a 26 de agosto de 1957 participou do Congresso Internacional da Juventude Operária Católica – JOC, em Roma. Essas iniciativas de seu primeiro sacerdócio foram importantes para seu ministério paroquial.

Também assumiu a disciplina de Educação religiosa no Instituto Estadual de Educação, importante centro educacional no período. Ali entrou em contato com a juventude, exercendo influência positiva sobre tantos que nos anos posteriores foram seus companheiros no trabalho pastoral e comunitário. Importante recordar o clima de renovação na Igreja, as iniciativas positivas brotadas nos anos de preparação para o Concílio Vaticano II. Pe. Agostinho não era dado a cultivar saudades do passado, mas sim, assumir positivamente as indicações que vinham de Roma.

Ao serem informados de sua possível transferência, os que mais sentiram foram os moradores do Mont Serrat. Quase todos assinam o abaixo-assinado endereçado a Dom Afonso Niehues. Entre outras motivações, escrevem: “Há 14 anos a Comunidade de Mont Serrat vem sendo despertada, num trabalho silencioso, mas frutificador. Olhamos à nossa volta e vemos, com satisfação, nossa horta comunitária, a nossa rua sendo calçada, constatamos a presença de casas melhoradas, a juventude antes ociosa e hoje unida contribuir para o desenvolvimento da comunidade, uma casa para servir a comunidade com cursos, reuniões, recreação… Tudo isso é fruto do abnegado e incansável sacerdote Pe. Agostinho que agora poderia começar a gozar o resultado de tantos esforços, e a comunidade progredir cada vez mais”.

Concluem, lembrando que “sabedores que somos da generosidade de vosso coração, humildemente pedimos que não nos tire este sacerdote, permita-nos continuar orientados, ensinados e evangelizados por ele; não nos deixe desamparados e entregues à angústia da dúvida”. Dom Afonso aguardou um ano para a transferência (abaixo-assinado é de 1966).

Paróquia São João Batista, Itajaí, SC

Pe. Agostinho Staehelin – Empossado em São João Batista, Itajaí por Dom Afonso Niehues

Em 25 de fevereiro de 1968, veio sua primeira nomeação de pároco e de primeiro pároco de São João Batista, bairro São João de Itajaí. Dom Afonso Niehues, prevendo o crescimento da cidade, decidiu dividi-la em mais paróquias, adquirindo terrenos para as estruturas pastorais, que agora supunham a igreja matriz, o centro paroquial e catequético. Assim, neste mesmo ano de 1968 foram criadas as paróquias de São João, Cordeiros, Dom Bosco e Fazenda.

Pe. Agostinho arregaçou as mangas, entusiasmou o povo e em tempo relativamente breve construiu a paróquia do ponto de vista pastoral e material. Firmou-se como liderança inconteste na cidade de Itajaí, reunindo em torno de si as principais autoridades do município. Isso foi tão evidente que muita gente gostaria que ele se candidatasse a prefeito municipal. Formalizando esse convite, esteve na paróquia, em 24 de novembro de 1975, o Governador do Estado Antônio Carlos Konder Reis. Respondendo ao convite, dois dias depois escreveu a resposta: “Eu sempre ensinei que o padre deve desempenhar seu ministério e o leigo assumir a sua missão de cristão no mundo. E no mundo administrativo, político, técnico, etc. existem homens verdadeiramente carismáticos e não devo roubar-lhes estas lideranças”. Também escreveu a Dom Afonso, afirmando não ser essa sua intenção: queria, isso sim, formar lideranças leigas ativas e bem preparadas, queria estar à disposição dos pobres.

A paróquia de São João foi estruturada no espírito conciliar com a formação de catequistas e líderes renovados. Crianças, jovens e casais sentiam-se em casa na sede paroquial, e viviam a alegria de ter um pároco entusiasmado, com muitas iniciativas.

Inaugurou moderna igreja matriz em 8 de setembro de 1975. À sua fama de construtor e capacidade de trabalhar deveu-se o convite feito pelo episcopado catarinense em 1978: levantar as estruturas do Seminário Filosófico Catarinense – SEFISC que acolheria os seminaristas estudantes de filosofia das dioceses catarinenses. Cada diocese recebeu um pavilhão, e numa construção maior funcionava a casa central para as atividades comunitárias. Aceitou o compromisso e a cada semana dedicava dois dias à construção.

Sentia-se a falta de um movimento paroquial que congregasse os casais, oferecendo formação cristã e encontros de lazer. Para isso veio em boa hora a notícia da fundação, em Curitiba, de um movimento que se chamava de Irmãos. Monsenhor Bernardo José Krasinski, pároco de Nossa Senhora de Guadalupe, queria ter um grupo de casais para animar a vida paroquial. Para isso, propôs um fim de semana, de sexta a domingo, com formação espiritual e humana. A iniciativa teve tal sucesso, que todos os participantes continuaram a se encontrar e promoveram outros finais de semana. A paróquia adquiriu nova vida.

Alguns padres da arquidiocese de Florianópolis, sabendo disso, foram a Curitiba participar de um encontro e retornaram animados para introduzir o Movimento de Irmãos em suas paróquias. Entre eles se encontrava Pe. Agostinho, feliz por ter uma organização familiar em sua paróquia. A fundação na paróquia de São João foi em 1970 e, pouco a pouco atingiu quase toda a arquidiocese, revelando-se um instrumento útil na pastoral familiar e na vida paroquial.

Sua identificação com o bairro São João deu-lhe o título de “Cidadão Honorário de Itajaí”, aprovado pela Câmara Municipal em 27 de agosto de 1981, pelo grande trabalho que vem desenvolvendo junto à comunidade, participando ativamente de todas as iniciativas, discutindo periodicamente os problemas locais, tanto sociais quanto econômicos e religiosos da população. O vereador Nereu Tibúrcio Sestrem, orador, ressaltou “o largo alcance dos atos executados, que de há muito ultrapassaram as fronteiras do município e têm servido de referência a outros que se propõem a realizar tarefa semelhante”. Seu interesse estava voltado mais às causas da população mais carente ou socialmente marginalizada.

O afeto pelo bairro causou inclusive ciumeiras na comarca, onde os párocos reclamavam de suposto bairrismo e pediam que se integrasse mais no conjunto das outras paróquias.

Paróquia Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha do Menino Jesus, Estreito, SC

Após 12 anos de frutuoso ministério paroquial, fortalecido pelo afeto do povo, Pe. Agostinho foi transferido para o Estreito, Paróquia de Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha do Menino Jesus, em 14 de fevereiro de 1982. Como Dom Afonso estava em Itaici, na Assembleia Geral da CNBB, a posse dada presidida por Dom Gregório Warmeling, bispo de Joinville e grande amigo. Sucedia a Pe. Quinto Davide Baldessar, vigário colado e que aceitou ser pároco de Nossa Senhora da Glória, no Balneário do Estreito, criada em 7 de fevereiro do mesmo ano. Pe. Agostinho detinha as qualidades para agir num ambiente conflitivo e dividido por alguns desencontros entre os sacerdotes que ali trabalhavam.

Desde a criação da Paróquia em 1944, em diversas ocasiões, encontra-se no Livro de Tombo a denominação de Santuário, ao referir-se à igreja matriz. Esta aspiração da Comunidade foi concretizada ao se comemorar o 70º aniversário das aparições de Nossa Senhora, em Fátima, Portugal. Atendendo a um pedido expresso, devidamente fundamentado, feito pelos Padres da Comarca do Estreito, no dia 12 de outubro de 1987, em solene Missa Campal presidida pelo Sr. Arcebispo Metropolitano Dom Afonso Niehues, foi solenemente assinado o Decreto que conferia à Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima a dignidade de Santuário. Segundo o mesmo Decreto, permanecia inalterado o título da Paróquia: Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha do Menino Jesus e o seu Pároco exerceria, cumulativamente, as funções de Reitor do dito Santuário.

Mons. Agostinho foi sempre um apaixonado pelos Meios de Comunicação Social. Achava que a Igreja tinha perdido muito, se preocupando mais com construções do que em investir em Jornal, rádio e TV.

No início de seu ministério na Paróquia da Catedral de Florianópolis, mantinha um programa diário na Rádio Anita Garibaldi. Numa ocasião alguém lhe falou que a rádio estava à venda. Começou a preocupar-se com o assunto e deixou avisado: “Sou o primeiro pretendente em caso de venda”. E elaborou um projeto de como angariar fundos para a aquisição. Para surpresa sua, numa ausência de oito dias, participando de um encontro, leu no jornal que a rádio tinha mudado de proprietário. Alguém chegou primeiro.

Na década de 50, entrou com processo no Ministérios das Comunicações para adquirir um canal que estava lacrado em Florianópolis. Apesar dos apoios que tinha, um deputado conseguiu a emissora. O mesmo sucedeu em outra ocasião. Vibrou quando foi nomeado para a Paróquia do Estreito, em 1982, pois essa era proprietária da Rádio Jornal a Verdade. Mas, já fora vendida.

Nunca arrefeceu nesse entusiasmo. Participou de congressos, cursos e encontros, inclusive promovendo cursos no Regional da Sul-IV, quando representava o Clero na Comissão Nacional do Clero – CNC.

Com o apoio do Serra Clube, dirigiu “A Voz do Estreito”, jornal paroquial mensal com tiragem de 4.000 exemplares.

Para garantir o financiamento dos programas de Comunicação, em 1987 fundou a Associação Mensageiros do Evangelho – AME, constituída por benfeitores que colaboravam mensalmente através de carnê. A AME manteve financeiramente a Missa na TV, que ele coordenou por 29 anos, a cada domingo redigindo o script e preparando o cenário da celebração. Esteve presente na fundação do Jornal da Arquidiocese, em 1996, encarregando-se da procura de patrocinadores.

Tudo isso foi realizado com muita alegria, não obstante a idade que avançava. Monsenhor acreditava nos MCS. Comentário no A VOZ DO ESTREITO: “Dotado de impressionante capacidade física, trabalha desde as primeiras horas do dia até altas horas da noite, sempre disposto e alegre”.

Em 1987 acumulou os trabalhos com a nomeação para administrador paroquial de São Judas Tadeu, em Barreiros, por terem deixado a paróquia os Padres dos Sagrados Corações.

Paróquia dos Sagrados Corações, Barreiros, São José

A paróquia dos Sagrados Corações de Barreiros, São José foi criada em 1960 e confiada aos padres da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, na maioria holandeses. Apostólicos, realizaram um imenso trabalho social e religioso, cujos frutos mais visíveis são a nova igreja matriz e a dinâmica Ação Social, sem contar os cursos profissionalizantes e o acréscimo do patrimônio material. Pe. Justino Corstjens SS.CC. foi a alma dinâmica que transformou um bairro desorganizado com pouca fama e muita pobreza, num exemplo de organização humana, religiosa e social.

Após 28 anos de generoso ministério, Pe. Justino teve de seguir adiante, pois sua Congregação religiosa carecia de padres.

Assim, em 8 de janeiro de 1989, Pe. Agostinho aceitou a transferência para essa paróquia, conservando o dinamismo revelado em Itajaí, claro que num novo ambiente humano e urbano. Percebendo o crescimento do bairro, sentindo a pouca atenção dada pelo poder municipal de São José, encabeçou um movimento para a criação de novo município, mas que não vingou.

Recordando o tempo em que trabalhava com farinha no engenho de seu pai que um dia lhe disse que “a farinha de Barreiros era melhor” do que a produzida por ele, introduziu a Festa da Farinha de Barreiros que foi bem recebida até o dia em que uma briga provocou morte, e foi suspensa.

Numa área apropriada, os padres holandeses tinham erguido um prédio para servir de Seminário, com o nome de Instituto São José. Pela reduzida procura de seminaristas, passou a funcionar como centro paroquial e, em seguida, casa de formação. Carente de um centro de formação, a arquidiocese se interessou em utilisá-lo. Deste modo, em 1993 Dom Eusébio Oscar Scheid, SCJ instalou nele o Seminário Propedêutico fundado em 27 de dezembro de 1993, nomeando Pe. Agostinho seu primeiro Reitor. Mesmo com sua dedicação e bondade com os seminaristas não conseguiu levar a obra adiante, e em 1995 foi transferido para Azambuja. O Instituto São José continuou ocupado pela Arquidiocese, especialmente para os encontros do Movimento de Irmãos. O edifício foi devolvido à Congregação.

Em 1993, Pe. Agostinho sofreu muito da coluna e submeteu-se a delicada cirurgia no Hospital de Caridade.

Em 28 de dezembro de 1995, foi nomeado pároco da Paróquia São Judas Tadeu, Barreiros, São José , SC, também fundação dos padres holandeses. Em 22 de dezembro de 1997, passou a Vigário paroquial da mesma Paróquia.

Associação Padre Augusto Zucco – APAZ

Em 7 de julho de 1998 passou a vigário paroquial do Santuário do Estreito e ao mesmo tempo foi nomeado Auxiliar na Formação do Seminário Propedêutico, instalado nessa paróquia.

No âmbito arquidiocesano foi membro do Colégio dos Consultores e do Conselho Presbiteral.

Padre Agostinho Staehelin

Pe. Agostinho foi entusiasta na promoção da unidade dos padres e no apoio a instituições que a alimentassem.  Não faltava a reuniões e encontros. Assim, na reunião da Diretoria da Comissão Regional do Clero, em Rio do Sul, foi eleito seu presidente. Presidiu a Comissão Regional do Clero por 10 anos, representando o Regional Sul IV da CNBB na Comissão Nacional do Clero. Como presidente desta Comissão ajudou a organizar o primeiro encontro nacional do clero do Brasil, e promoveu o primeiro encontro de padres de SC em Lages.

Era um tema que muito lhe tocava o coração, sentindo dolorosamente a desistência e desânimo de sacerdotes. Sofrera a experiência da desistência do ministério de seu sobrinho Pe. José Ênio Triervailer (1945-2014).

Outro tema que o ocupava era o sustento e o acompanhamento do padre idoso. Além disso, não seria oportuno adquirir um terreno e casa para encontros de lazer, especialmente às segundas-feiras?

Um grupo de padres, liderados por Pe. Agostinho (e Pes. Sérgio Maykot, Francisco de Assis Wloch, Luiz Carlos Rodrigues), fundou a “Associação Padre Augusto Zucco – APAZ”. Foi adquirida área significativa de terreno, na qual se construiu um galpão para jogos. Os padres interessados ali se reúnem às segundas-feiras para confraternização. Ali, na casa dos antigos proprietários, fixaram residência Dom Vito Schlickmann, bispo auxiliar emérito, Pe. Huberto Waterkemper e Mons. Agostinho.

Em 24 de janeiro de 1995, por solicitação de Dom Eusébio O. Scheid, SCJ recebeu do papa São João Paulo II o título de Monsenhor Camareiro Secreto. Com ele foram agraciados também Pe. Afonso Emmendoerfer e Pe. Francisco de Sales Bianchini.

Fundação da ACJ – Associação Cecília e João

Em 18 de dezembro de 1990, seu irmão Pe. Valdir Staehelin festejava os 25 anos de sacerdócio. Mons. Agostinho assumiu os preparos e as despesas. Enviou convite personalizado a todos os descendentes de seus pais, que responderam positivamente, comparecendo 345 pessoas. Depois da Missa, no salão de festas da paróquia de São Pedro, percebeu que os sobrinhos não se conheciam, e alguns, nem aos tios. Após o almoço, chamou pela idade os 15 irmãos, e pediu que fossem ao palco e se apresentassem.

Ao final, propôs a formação de uma Associação, ideia aplaudida e logo executada com a eleição do sobrinho Luiz Roque Schmitt como presidente. Foi o nascimento da ACJ, Associação Cecília e João. Concretizava seu amor pela família e o declarou numa mensagem aos paroquianos durante internação no Hospital de Caridade: “Sou um Padre feliz!”, e sou ainda muito mais por pertencer a esta família”.

Rumo ao encontro final

Chega o dia em que as forças físicas mostram o preço e Monsenhor decidiu retirar-se do trabalho paroquial. Era o ano 2001, e passou a residir na Associação Padre Augusto Zucco – APAZ. Recebia com alegria a todos os sacerdotes que ali passavam às segundas-feiras. Em 03 de outubro foi nomeado Vigário paroquial da Paróquia Santa Cruz, no bairro Areias, São José, SC e Coordenador da AME – SC.

Dedicou-se a arquivar alguns de seus sermões, palestras, discursos. Com esse material, em fevereiro de 2009 editou e publicou HISTÓRIAS DE MINHA VIDA.  Também publicou MOMENTOS DE INSPIRAÇÃO, HISTÓRIA DA FAMÍLIA STAEHELIN, COMENTÁRIOS DA MISSA DA TV.

Em 20 de dezembro de 2016 recebeu diagnóstico médico de tratamento por D. de Alzheimer, forma avançada. Sofria severas perdas cognitivas, com prejuízo da crítica, com riscos para si e para terceiros. O médico solicitou que recebesse atendimento individualizado.

Devido à necessidade de um acompanhamento maior e mais qualificado, em fevereiro de 2018 foi transferido para o Centro geriátrico Lar São Francisco de Assis, na Varginha, Santo Amaro da Imperatriz.

Faleceu no domingo em 20 de maio de 2018, na Clínica Saint Patrick, em Florianópolis. O velório foi mesmo dia, na casa de sua irmã Mônica, em Boa Parada, São Pedro de Alcântara. A Missa de Exéquias foi celebrada na igreja Matriz de São Pedro, onde tinha sido batizado, feito a primeira Eucaristia e servido de coroinha.

O arcebispo Dom Wilson Tadeu Jönck, SCJ comunicou o falecimento ao clero e ao povo: “Rendemos nossa gratidão à Trindade Santa, pela vida e ministério do Reverendíssimo Mons. Agostinho Staehelin, e suplicamos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo, que receba este sacerdote honroso na eternidade feliz, onde a Igreja, Esposa do Cordeiro, eternamente celebrará a vitória sobre a morte.”

Mons. Agostinho Staehelin foi sepultado no túmulo de seus pais, conforme pedira. De sua família de 16 irmãos, foi precedido por 6 irmãos e 4 irmãs.


Bibliografia

  • Pasta de documentos pessoais no Arquivo Histórico Eclesiástico de Florianópolis.
  • Staehelin, Monsenhor Agostinho.  HISTÓRIAS DE MINHA VIDA. São José, 400 páginas.
  • Livro de Tombo das paróquias onde trabalhou.
  • Arquivo da APAZ.
  • Encontros pessoais e memórias.

Pe. José Artulino Besen

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A DORMIÇÃO E A ASSUNÇÃO DE MARIA AO CÉU

 

A minh’alma glorifica o Senhor,
porque olhou para a humildade de sua serva (Lc 1,46-48).

Vinde de todos os confins do universo,
cantemos a bem-aventurada trasladação da Mãe de Deus!
Nas mãos do Filho ela depositou a sua alma sem pecado:
com a sua santa Dormição o mundo é vivificado;
e é com salmos, hinos e cânticos espirituais,
em companhia dos anjos e dos apóstolos,
que ele a celebra na alegria.

Oh, os teus mistérios, ó Pura!
Apareceste, ó Soberana, trono do Altíssimo
e nesse dia te transferiste da terra para o céu.
A tua glória brilha com o resplendor da graça.
Virgens, subi para o alto com a Mãe do Rei.
Ó cheia de graça, salve, o Senhor é contigo:
ele que doa ao mundo, por teu intermédio,
a grande misericórdia.

A comemoração da assunção de Maria ao céu deita raízes no século II e sua festa na Liturgia cristã é fixada no século VII, tanto na Igreja oriental como na ocidental. A festa foi fixada para o 15 de agosto e era precedida de um jejum de 15 dias, recebendo uma liturgia solene, devota e bela, como convinha à Mãe de Deus. Não se economizavam as palavras para o louvor daquela que deu carne ao Filho de Deus.

Tudo o que Deus, desde a eternidade, planejara para o ser humano, pôde realizá-lo em Maria.  Eva, a primeira mulher, optou pelo não à amizade divina e Maria, a nova mulher, disse sim. E nela foi plena a graça de Deus. Bendita entre as mulheres, não conheceu o pecado. Diante do Anjo, aceitou ser serva da vontade divina. E nela o Filho de Deus se fez carne para habitar entre nós.

Maria conservou íntegro o ser imagem e semelhança de Deus. Livre do pecado original foi também livre de suas consequências. Permaneceu virgem e, como virgem, concebeu e deu à luz um filho, o Messias. Nossa fé afirma que Maria, a Mãe do Messias-Cristo, é uma virgem, uma mulher na condição de quem “não conheceu homem”, não se uniu a homem algum: sua maternidade de Jesus procede da sua virgindade. Eis o paradoxo, o extraordinário, o miraculoso do nascimento de Jesus. Este paradoxo quer significar que somente Deus nos podia dar um homem como ele: Jesus não nasceu “do sangue e carne, nem da vontade do homem”, e isso é afirmado pelos evangelhos através da virgindade de Maria, tornada mãe pela potência do Espírito Santo.

São numerosos os lugares dedicados a Maria: santuários e igrejas dedicados a Maria no campo e na cidade, nos montes e nas ilhas menores e solitárias. Nesses locais, quantas orações, quantos cantos elevados a ela. A essa mulher, pintada ou esculpida, um número incalculável de pessoas olhou e olha como se olha a Mãe. Na sua desolação, em suas angústias e em seu pranto, pedem o impossível confiando que ela possa escutá-los, ter misericórdia, porque nela sentem a Mãe: “mostra-te Mãe”, invocam. Quantas vezes temos em nossas igrejas a imagem da “Pietà”, Maria que segura em seus braços o filho morto: diante dessa imagem, quantas mulheres choraram e choram o filho morto; quantos fiéis suplicam para serem acolhidos, ao final de sua vida, em seus braços maternos, braços de Maria mãe! Maria está inseparavelmente inserida no mistério do Verbo encarnado e, dirigindo-se à Mãe de Deus, sabemos estar nos dirigindo àquela que intercede junto a seu Filho.

O ano litúrgico do Oriente tem início com a festa de 8 de setembro, quando celebra o nascimento de Maria, e termina com a festa de 15 de agosto, festa da Dormição de Maria e sua Assunção ao céu.

A liturgia realça Maria como mãe do Verbo encarnado e poderosa intercessora. Há uma estreita relação entre Cristo e Maria, entre o dom feito por ela e a fonte de onde jorra o próprio Cristo: “Infunde paz em minha alma, ó Virgem, com a paz serena de teu Filho e Deus. Cura-me, ó Mãe de Deus, tu que és bondade e deste à luz o Bom”. “Tu que geraste o timoneiro, o Senhor, aplaca o tumulto das minhas paixões e as violentas ondas de minhas quedas”, rezamos no Ofício da Assunção.

Assunção de Maria ao céu

Virgem de Vladimir, século XII

Todo filho oferece o melhor possível à sua mãe. Jesus, o todo-poderoso, nada negaria à Mãe, Maria. Não permitiria que o corpo de Maria sofresse a corrupção, pois seu corpo santo e puro não poderia sofrer as consequências do pecado, de que foi livre por graça divina, pela sua imaculada conceição.

O amor a Maria, os hinos em seu louvor são entoados em toda a história da Igreja: os Santos Padres, os teólogos, os monges, papas e bispos, nenhum poupou o agradecimento a Deus por nos ter dado tão santa Mãe. Orações, cantos e ladainhas testemunham essa devoção e afeto.

A piedade popular narra que todos os Apóstolos, espalhados pelo mundo, foram chamados e transportados pelos anjos até Jerusalém para se despedirem da Mãe. Ela terminou sua jornada na terra contemplada pelos amigos dela e de seu Filho. Foi sepultada no Getsêmani, mas, seu santo corpo não permaneceu no túmulo. O Filho a transportou para a glória celeste, onde reina com o Pai, e é a intercessora dos homens e mulheres, mãe vigilante de toda a história humana.

A Igreja manteve a fé na divina assunção de Maria ao céu e, coroando o caminho de devoção à Mãe do Senhor, no dia 1º de novembro de 1950 o Papa Pio XII, após consultar o episcopado e os teólogos, proclamou o dogma da Assunção com a Constituição apostólica Munificentissimus Deus. Após percorrer pela história da teologia e a fé mariana do povo cristão, definiu:

Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.

A assunção de Maria ao céu é um sinal das coisas últimas. Em Maria nos é dada uma antecipação da glorificação de todo o universo que acontecerá no final dos tempos, quando Deus será “tudo em todos”, “tudo em toda coisa”. A dormição-assunção antecipa a parusia, e prepara nosso destino comum. A gloriosa Mãe de Deus é nossa mãe, em seu regaço guarda todos os filhos. Cheios de amor e gratidão sabemos que por mais que falemos de Maria, nunca falaremos o suficiente, nunca falaremos demais. Ao invocarmos sua proteção sabemos que nossas preces se dirigem àquela que está junto do Filho: ela é a intercessora celeste, junto do Deus Trindade.


Pe. José Artulino Besen

 

Obs.: a Festa é fixada para o dia 15 de agosto. No Brasil, onde não há o feriado, é no domingo seguinte e, neste ano de 2018, no dia 19 de agosto.

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PADRE JOÃO CARDOSO

Padre João Cardoso – em 2009, Jubileu Áureo sacerdotal

João nasceu no Barracão, Brusque em 16 de maio de 1925, filho de Armindo João Cardoso e de Rosa Cândido de Jesus. Numerosa família de 11 irmãos. Em família assim, os filhos recebiam apelidos, e a João coube o de “Janga”.

O pai sustentou a família com o trabalho agrícola e com um engenho de farinha, no Barracão. Aos domingos gostava de tocar bailes, e João era muito dado a festas, especialmente a danças, as domingueiras de domingo à tarde.

Com 15 anos recebeu o primeiro emprego, de tecelão na Fábrica Renaux.

O tempo passou e, sendo um homem maduro nos seus 21 anos, começou a se questionar o que faria da vida: trabalhar, dançar, divertir-se, namorar?

E pensou em ser padre. Procurou o pároco de Brusque, um padre dehoniano. Este respondeu-lhe que já estava muito maduro para entrar no Seminário. Era ideia corrente que alguém adulto já estaria com convicções formadas e seria difícil passar-lhe novos valores, amoldá-lo para o sacerdócio.

João foi ao Seminário de Azambuja e lá encontrou o bondoso reitor Pe. Bernardo Peters, que logo o acolheu.

E assim, em 1947, com 22 anos ingressou no Pré-seminário em São Ludgero, para estudar o Preliminar, curso de admissão ao ginásio, tendo em vista que tinha cursado apenas o primário.

Os estudos em Azambuja foram de 1948 a 1952, um peso a ser carregado. Ali aprendeu a amar confiantemente Nossa Senhora do Caravaggio.

Cursou a Filosofia no Seminário de São Leopoldo/Viamão, de 1953 a 1955. A Teologia em Viamão, de 1956 a 1958. Podemos imaginar o sacrifício que era para João Cardoso estudar em latim, mas, ele queria ser padre e a dificuldade estava incluída no caminho.

A ordenação diaconal foi em 21 de dezembro de 1958, na catedral de Florianópolis.

Finalmente, em 6 de dezembro de 1959, o arcebispo Dom Joaquim Domingues de Oliveira ordenou-o padre, também na catedral de Florianópolis. Estava com 34 anos de idade, com toda a força para viver o ministério sacerdotal.

Ministério sacerdotal

Os muitos anos de presbítero, 58 anos, foram vividos numa área relativamente pequena sempre no município de Florianópolis, na baía sul na Ilha e no Estreito, continente. E, para sua alegria, sempre sob o patrocínio de Nossa Senhora a quem dedicava todo o seu afeto.

Padre João Cardoso – em 1959, neo-sacerdote

Em 6 de dezembro de 1959 foi nomeado vigário paroquial de Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha, no Estreito, Florianópolis. Ali teve início seu “roteiro” pastoral: missa, confissões, visitar e benzer casas e difundir o Rosário.

Em 17 de janeiro de 1962, foi transferido como vigário paroquial de Nossa Senhora do Desterro, catedral de Florianópolis, onde era pároco Pe. Francisco Bianchini, atendendo mais a comunidade da Prainha, cuja Padroeira escolheu: sua querida Santa Teresinha do Menino Jesus. Num ano ergueu e inaugurou nova igreja. Foi incansável sua dedicação aos pobres, organizando a distribuição de cestas básicas doadas pelo serviço americano Aliança para o Progresso. Vivia-se o medo do comunismo, da influência soviética e ele pessoalmente estava atento a denunciar qualquer liderança que difundisse convicções políticas de esquerda. Para ele, o regime militar foi uma bênção de Nossa Senhora de Fátima, livrando o Brasil do comunismo ateu. Pe. Cardoso apreciava a Missa dos Homens, na Catedral, onde insistia na fidelidade conjugal e na confissão.

Empenhou-se na organização do Movimento Familiar Cristão – MFC, em 1965, buscando padres que aceitassem a direção espiritual das equipes.

Para sua alegria, em 13 de junho de 1966 recebeu a transferência para 1º Pároco de Nossa Senhora da Boa Viagem, Saco dos Limões, Florianópolis. Terminou a construção da igreja matriz, construiu o salão paroquial e a capela da Costeira do Pirajubaé. Foi exemplar sua dedicação ao povo, aos pobres, a cada ano benzendo as casas. A bênção era dada de modo prático e rápido: no domingo comunicava as ruas pelas quais passaria na semana e pedia que se deixasse uma janela aberta. E assim, ia caminhando, chegava à janela, fazia uma saudação, aspergia água benta e seguia em frente. Se a dona estivesse em casa, uma breve saudação e o presente de um santinho ou de um terço do rosário. Isso me faz recordar a “técnica” de outro velho vigário, Mons. Agenor Neves Marques, em Urussanga: pedia que esticassem um lençol no telhado e depois, num avião teco-teco, sobrevoava jogando água benta.

Esse trabalho, possibilitou-lhe conhecer todas as famílias da paróquia, o nome de cada fiel, criando vínculos de amizade que atravessaram os anos de sua vida. Transformou seu ministério em grande família.

De 1968 a 1972, por necessidade da arquidiocese, acumulou o trabalho com o de vigário encarregado de Nossa Senhora da Lapa, Ribeirão da Ilha.

Em 1972 foi internado no Beneficência Portuguesa, em São Paulo, para cirurgia de revascularização miocárdica. A cirurgia revascularização do miocárdio, popularmente conhecida como ponte de safena, hoje é uma das cirurgias mais realizadas em todo mundo. Ela é indicada em situações onde existem obstruções (entupimentos) importantes nas artérias do coração, conhecidas como artérias coronárias. Pe. João Cardoso foi operado por Dr. Adib Jatene. Era uma cirurgia de risco e o médico deu-lhe 8 anos de vida, felizmente ultrapassados em muitos anos. Em agosto de 1979, nova internação, pois sofrera infarto por insuficiência coronária aguda. Novo calvário em São Paulo, novas vitórias, num caso de pouca esperança.

Dizem que os que passam por cirurgia do coração se tornam carentes e, no caso de Pe. Cardoso, era verdadeiro pois a cada ano os paroquianos cantavam os parabéns por ocasião do aniversário. Era um evento.

Pe. João era a costumado a viver com simplicidade e a ser obedecido prontamente. As discussões por contrariedade tinham palavras até duras, inclusive com ameaças de vias de fato. Um homem criado na roça e na fábrica até os 22 anos conservava certos costumes de valentia.

Após 21 anos em Saco dos Limões, em 26 de junho de 1987 foi provisionado pároco de Nossa Senhora da Glória, Balneário, Florianópolis, substituindo a Monsenhor Valentim Loch. Uma paróquia de pequeno território, criação recente, povo de classe média que conhecia em boa parte, pois eram fregueses do Estreito, seu primeiro campo de apostolado.

Pe. João Cardoso, um padre devoto

Organizou e dirigiu 9 peregrinações a Israel, Fátima e Medjugorie, criando seus grupos de devotos e devotas. Especial atenção para os lugares de Milagres Eucarísticos, como Lanciano. Ao retornar, aproveitava as homilias para narrar o que viu, os milagres acontecidos, as palavras de Nossa Senhora. Isso contribuiu para que algumas pessoas, especialmente senhoras, passassem a ter visões durante a Missa e que ele ajudava a confirmar: se a senhora viu, é porque viu.

Pe. João Cardoso era um homem piedoso e devoto. Viveu e difundiu as três devoções Brancas: à Eucaristia, a Maria e ao Papa.

Era uma grande alma mariana. No seu período, quatro fenômenos encontraram forte difusão: o 3º Milagre de Fátima, as aparições em Medjugorie, as locuções de Vassula Ryden, publicadas sob o título A Verdadeira Vida em Deus, e o Movimento Sacerdotal Mariano do Pe. Stefano Gobbi.

Nesse novo campo sentiu-se livre para cultivar o espírito mariano e suas devoções pessoais, falando intensamente das aparições de Medjugorie e da difusão do 3º segredo de Fátima. Levava a sério toda notícia de manifestações marianas, pois, afirmava, é melhor acreditar, porque pode ser verdade e a gente sai ganhando.

Característica desse fenômenos é a transmissão imediata das revelações, via internet ou livros. Tinha-se o sentimento da comunicação instantânea com o mundo divino.

A igreja matriz de Nossa Senhora da Glória era centro forte dessas devoções que se concretizavam na oração do Terço. Quando Dom Eusébio Oscar Scheid soube que Pe. Cardoso promoveria mais uma conferência de Vassula Ryden, ordenou que a suspendesse. Mas, como fazê-lo, se tudo já estava preparado e bem anunciado? Desobedecer não queria. Encontrou a solução: deixou tudo organizado, saiu de casa naquele dia… e tudo aconteceu sem problema! Com relação ao Pe. Gobbi, ao qual Nossa Senhora falava em locuções interiores, Pe. João teve uma decepção: em duas noites o padre esvaziara sua adega.

Essa tendência ao maravilhoso, ao anúncio do fim dos tempos, do retorno do Senhor contribuiu para isolá-lo do conjunto do clero e a estimular a leitura devocional em detrimento da Sagrada Escritura. Com o tempo acrescentou a devoção ao Padre Pio, o Santo homem do confessionário. É claro que agia por reta intenção: levar as pessoas a evitar o pecado e buscar o confessionário, pois Nossa Senhora o pedia. Sua preocupação fundamental: a salvação das almas, o medo do inferno.

Em Balneário, Pe. João mantinha um programa religioso às 18hs, de segunda a sexta, retransmitido através de cornetas instaladas na torre. Pelo alto volume, começaram as reclamações. Quando lhe pediram que diminuísse o volume, respondeu que então menos gente poderia ouvir. As queixas aumentaram: “na hora que ele começa a falar, ninguém consegue fazer mais nada”, protestou uma moradora. Subindo o tom das reclamações, Pe. João foi claro: “os que não quiserem escutar, podem fechar a casa toda”. Alguns falavam que ele tinha complexo de radialista (cf. DC 20/11/1995).

Pe. João gostava de sair de carro para visitar paroquianos, colegas padres e, principalmente, o cemitério Jardim da Paz, em Azambuja, aonde se dirigia às segundas-feiras, para a celebração da Missa. E manifestava seu desejo de ali ser sepultado, num dia chegando a pedir que o povo reunido jurasse que cumpriria essa promessa. E assim foi.

Não era consumista, mas gostava de dinheiro e de pedi-lo, para as obras de caridade: doar cestas básicas a famílias pobres, levar alimento para o Carmelo e, com muita alegria, para os seminários. E também para imprimir seus cartões e santinhos.

Os últimos dias

E, num dia, sua saúde baqueou: uma infecção urinária e bactéria levou-o a longa internação hospitalar no SOS Cárdio, da qual saiu com dificuldade de fala e de andar, obrigando-o a servir-se de bengala. Recuperou-se bem da fala e suas faculdades mentais nada sofreram. Mas, não seria possível continuar no ofício de pároco. Deste modo, em 11 de fevereiro de 2007, foi nomeado vigário paroquial de Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha, Estreito, Florianópolis, onde iniciara sua vida de padre.

Sentado vizinho a uma janela, manifestava sua disposição para confissões e para o atendimento a quem o procurasse a partir da 7h. Os mais assíduos eram os moradores de rua em busca de uma esmola e que recebiam sempre um conselho, 2 reais e uma paçoca de amendoim. Com o tempo conhecia-os todos e também conhecia as histórias de que se serviam para pedir um auxílio.

Era característica sua: dar presentes, santinhos, cartões de aniversário, telefonar e reclamar que não lhe tinham telefonado. Gostava de imprimir nas numerosas fotografias que distribuiu: “Se eu não fosse padre, gostaria de ser padre”.

Pe. Cardoso gostava de festejar aniversário, pois sentia-se amado, e comemorou os 25, 50 anos de ministério sacerdotal. O presente desejado era a presença do povo, que o deixava como criança feliz. Neste 16 de maio celebrou o último aniversário, agora os 93 anos. Estava feliz, até suspeitando de ser sua última festa.

Em setembro de 2016 a saúde enfraqueceu e era difícil que morasse na casa paroquial, que não dispunha de equipamentos apropriados. Por esse motivo, em 11 de outubro de 2016, foi residir na Orionópolis Catarinense, São José, acolhido generosa e fraternalmente pelo diretor, o orionita Pe. José Manoel dos Santos, a quem devemos a gratidão pelo gesto fraterno. Ficava muito feliz com visitas e telefonava quando escasseavam.

Pe. João Cardoso vivia preocupado com sua salvação eterna: “tenho preocupação com a morte, com minha apresentação diante de Deus”. Semanalmente recorria ao Tribunal da Misericórdia, à Confissão.,

Grande devoto de Nossa Senhora, da Mãe de Deus e dos sacerdotes, após breve internação no Hospital de Caridade, foi chamado por Deus num dia muito mariano: às 11,30h do dia 15 de agosto, dia da Assunção de Maria ao Céu.

Às 16h seu corpo foi introduzido no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, no Estreito, para que o povo pudesse velá-lo. Às 19,30, o bispo auxiliar emérito Dom Vito Schlickmann presidiu a Missa, concelebrada pelos padres que puderam se fazer presentes. E, no dia 16 de agosto de 2018, a viagem até Azambuja onde, no cemitério Parque da Saudade, foram celebradas as Exéquias, seguidas do sepultamento. Há muitos anos manifestara o desejo de ser sepultado em Azambuja, onde iniciara o caminho sacerdotal. Deus, que lhe concedeu longa existência e um longo sacerdócio, certamente o recebeu no Paraíso.


Pe. José Artulino Besen

 

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CRISE DE VOCAÇÕES, CRISE DE VIDA E DE FÉ

Comentamos muito a crise de vocações, a falta de padres e de religiosos. Uma crise dolorosa, porque priva da eucaristia tantas comunidades espalhadas pelo Brasil, pelos continentes. E pior: milhões de cristãos se acostumaram a tal ponto com essa crise que nem sentem fome da Comunidade, do Pão eucarístico. Nem percebem que essa crise revela a crise de nossa paternidade: a esterilidade de nossa vida não está despertando em nossos jovens o desejo de servir.

É também o fruto envenenado da cultura do provisório, do relativismo e da ditadura do dinheiro, que afastam os jovens da vida consagrada, de consagração definitiva ao anúncio do Evangelho e à partilha do Pão da vida. Em muitos lugares, a crise é gerada pela trágica diminuição dos nascimentos, a que denominamos “inverno demográfico”. Os jovens também podem estar sentindo os escândalos na vida interna da Igreja e o testemunho de uma vida morna, carregada como um peso e não como entrega libertadora. E não se deve esquecer o contratestemunho de padres e bispos que vivem preocupados com a administração de bens materiais, seguranças externas.

Nessa crise sentimos a hemorragia das vocações, o abandono do ministério assumido ou da aliança da vida religiosa, a rarefação numérica dos que iniciam a percorrer o caminho de seguir o Senhor. Isso de modo especial a partir dos anos 70: mostram uma esterilidade sem precedentes, que atingem toda a Igreja.

Francisco cita como causas a taxa de natalidade, a secularização, o relativismo, a cultura do provisório e da incerteza, novas compreensões em matéria de ética e sexualidade etc. Essas patologias inibem e impedem escolhas totalizantes, escolhas de serviços aos irmãos e às irmãs, à humanidade e à Igreja. Devemos nos questionar a respeito de possíveis contradições da parte da própria igreja, contradições da vocação como ação do Deus fiel para sua comunidade.

Há algumas perguntas claras, cuja resposta nem sempre sabemos oferecer. A chamada crise de vocações é isso mesmo ou é uma crise de fé, da fé-confiança que se tornou frágil também na comunidade cristã e que se manifesta como falta de fé na vida, no futuro, naquilo que podemos ser chamados a viver e a realizar? Há na comunidade cristã a consciência de ser geradora de caminhos dos quais a comunidade tem necessidade para ser memória do Evangelho, memória vivente de Jesus Cristo?

Pode-se definir o ventre da comunidade cristã como “abortivo”, isto é, incapaz de fazer desenvolver os brotos de vocação que nunca faltam a um jovem que se defronta com a vida. Se na comunidade cristã faltam aqueles que sabem indicar os caminhos da vocação; se domina o “todos fazem assim”, se falta voz a quem poderia fazer emergir uma vocação, passa a faltar uma cultura da vocação, o ambiente no qual o jovem pode fazer a pergunta “Senhor, que queres que eu faça?”, onde receba orientação, um pouco de iluminação para o caminho; mas, deixado a si mesmo, o ventre eclesial é, no mínimo, abortivo.

Vocação à plenitude da vida

É necessário por em evidência que a todo ser humano é proposta uma vocação: a vocação humana, a vocação à plenitude da vida. Todo homem, toda mulher percebem uma chamada, um impulso, um desejo que o chama a sair de si mesmo, a decifrar e escolher o que fazer de sua vida, que sente ser única. O que fazer para não jogar fora a vida, para dar-lhe um sentido?

Se o viver é sem vocação, torna-se intolerável, e a vida se torna “líquida”, fragmentada, inconclusa. Há uma vocação humana que deve ser afirmada antes de todas as específicas vocações cristãs que somente podem nascer e crescer em quem vive em plenitude tal vocação à vida humana. Isso não deve ser esquecido porque hoje essa falta de húmus da vocação humana impede o enxerto, nela, de uma vocação cristã ao matrimônio, ao ministério ordenado ou à vida religiosa.

A comunidade cristã deve saber ser o sujeito que, na potência do Espírito Santo, chama e no seu seio sabe gerar homens e mulheres dos quais a igreja tem necessidade. Somente se for capaz de fazer ouvir a vocação à vida humana será também capaz de discernir as chamadas particulares, nos diferentes caminhos do discipulado.

Quanto à pastoral vocacional, dela conhecemos os limites e com frequência a esterilidade, se falta a presença concreta e quotidiana de quem pode acender o fogo no coração dos jovens, se não há a audácia de ser sinal, se as indicações se referem somente a um compromisso de ação – que pode ser bom, caridoso, generoso – mas não se favorece a vida interior, torna-se uma pastoral que consome muitas forças, mas permanece infecunda.

Uma igreja sem religiosos, sem frades e sem monges, certamente será católica, mas empobrecida, porque privada de um testemunho decisivo da memória do Evangelho.


Pe. José Artulino Besen

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SANTA MARIA MADALENA, TESTEMUNHA E APÓSTOLA DA RESSURREIÇÃO

Giotto di Bondone (Noli me tangere) , 1304-06, afresco, Cappella Scrovegni, Pádua

Por vontade do papa Francisco, um decreto da Sagrada Congregação do Culto divino de 3 de junho de 2016 elevou a memória litúrgica de Santa Maria Madalena à Festa igual à dos Apóstolos, com data de 22 de julho. Por que essa memória litúrgica de 22 de julho é equiparada à Festa dos Apóstolos? Uma mulher por muitos identificada com a prostituta da Galiléia ou com a mulher que no banquete na casa de Simão lava e unge os pés do Senhor com perfume caríssimo, receber a honra apostólica? Na verdade, desde uma homilia do grande papa São Gregório Magno, as três mulheres são reduzidas a uma “Maria”. E assim ficamos 1.500 anos celebrando Maria Madalena como a Maria de Betânia e a Maria prostituta. Essa redução de Maria Madalena provocou toda uma linha de arte, literatura e, ultimamente, filmes que a retratam como mulher lânguida, erótica, apaixonada. No linguajar popular, Maria Madalena se tornou sinônimo de mulher vulgar. Leia o resto deste post »

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DOM PEDRO CASALDÁLIGA – OS 90 ANOS DE UM PROFETA VIVENTE

Dom Pedro Casaldáliga – força e fragilidade de um profeta

Pedro Casaldáliga, Dom Pedro, nasceu em 16 de fevereiro de 1928 em Bolsareny, Espanha. Ingressou na Congregação dos Claretianos e foi ordenado padre em 1952. Vocação missionária, chegou ao Brasil em julho de 1968, na época mais dura da ditadura militar. Foi ordenado primeiro bispo de São Felix do Araguaia, Mato Grosso, em 23 de outubro de 1971. Seu compromisso cristão com os mais pobres ficou claro em sua primeira carta pastoral: “Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social”.

Adotou como lema para sua atividade pastoral Nada Possuir, Nada Carregar, Nada Pedir, Nada Calar e, sobretudo, Nada Matar.

Em pouco tempo sua figura transcendeu os limites da diocese, pois contribuiu decisivamente na fundação de duas entidades-chave na história da Igreja brasileira: a Comissão de Pastoral da Terra (CPT) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), organismos fundamentais na luta em favor da Reforma Agrária e do respeito aos povos indígenas brasileiros. Leia o resto deste post »

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LUZ NAS TREVAS DE DACHAU

Bem-aventurado Karl Leisner (1915-1945)

Em 27 de janeiro foi celebrado mais um Dia da Memória, recordando o 27 de janeiro de 1945, quando o exército alemão foi derrotado e os russos entraram na Alemanha destruída. É um dia dedicado às vítimas do anti-semitismo, do ódio ao povo judeu morto nos campos de concentração. É a Jornada do Holocausto, a SHOAH.

Vale a pena ter presente que nos momentos e lugares dramáticos da história humana, por mais densas que sejam as trevas, sempre há alguma luz a indicar que a última palavra é da vida e do amor, e não da morte.

Nossa memória se fixa no campo de concentração alemão de Dachau, onde, a partir de 1940, os nazistas instalaram a “barraca dos padres”, local de prisão dos padres que tinham sido surpreendidos em atividades anti-nazistas. Ali estiveram presos 2.720 religiosos, dos quais 1.024 não saíram vivos. Em sua maioria eram padres católicos, mas não faltaram pastores protestantes, popes ortodoxos. Nesse mundo de dor, cercado de ódio, viveram o que Francisco denomina “ecumenismo de sangue”, uma unidade brotada da vida doada pelos irmãos cristãos, sem controvérsias dogmáticas, unidos pela fé em Jesus Cristo.

Ali estava prisioneiro Karl Leisner (*1915), diácono da diocese de Münster, onde tinha ingressado no seminário. A prisão foi castigo de algumas palavras que dissera em apoio ao atentado contra Adolf Hitler. Karl estava tomado pela tuberculose, num estado de saúde agravado pelas consequências da má alimentação, dos maus tratos, da má acomodação. A cada dia seu quadro se agravava, e era levado para a enfermaria   onde procurava exercer o ministério diaconal confortando os outros doentes.

Mas, seu estado piorava e os colegas da “barracão dos padres” se enchiam de compaixão: como poderiam oferecer a Karl a graça do sacerdócio, tão desejada por ele? Mas, como ordená-lo sem a presença de um bispo?

Karl Leisner num acampamento de crianças

Em setembro de 1940 chegou da França um trem carregado de prisioneiros. Entre eles estava Dom Gabriel Piguet, bispo de Clermont. Era e foi o único bispo francês a ser deportado para um campo de concentração. Um homem corajoso e justo, que colocou igrejas e colégios à disposição dos judeus que neles ocultaram suas crianças.

Tomando conhecimento do drama vivido pelo jovem diácono, com pouco tempo de vida, aceitou ordená-lo padre. Através de canais secretos, chegou a carta do bispo de Münter Clement von Galen, com a autorização para sua ordenação.

No campo de concentração de Dachau, Dom Gabriel Piguet era apenas o prisioneiro número 103.001, com nada a distingui-lo como bispo. Todos os outros presos estavam torcendo para que Karl Leisner tivesse a alegria de ser padre e pudesse celebrar a Missa. Com um pedaço de latão foi feito o anel episcopal, um pedaço de madeira serviu para entalharem a cruz peitoral e até um mitra foi feita em grande segredo.

Era preciso garantir a segurança da celebração e, assim, um deportado judeu ofereceu um concerto de violino para distrair os guardas nazistas, e os pastores evangélicos se ocuparam em preparar um café para comemorar o final do rito. Revestido de suas humildes insígnias episcopais Dom Gabriel Piguet impôs as mãos sobre o jovem companheiro de prisão. Para alegria de todos, era agora o Pe. Karl Leisner. Era o dia 17 de dezembro de 1944. Eram de tal modo agravadas as condições de saúde do jovem neo-sacerdote que somente no dia 26 de dezembro pode celebrar sua primeira Missa.

A ordenação sacerdotal de Karl Leisner foi das mais belas e completas: o bispo oficiante era um prisioneiro francês que dava a vida pelas crianças judias, os padres concelebrantes ofereciam vida naquela Missa no ambiente de morte de um campo de concentração, evangélicos, judeus e ortodoxos participavam da alegria dos irmãos católicos. Como insígnias episcopais, um anel de latão, uma cruz de madeira e uma mitra de papelão e, como vestes, o macacão de um prisioneiro com o número 103.001. Nessa grande e bela Liturgia, se fazia presente a beleza do sacerdócio: dar a vida como Cristo a deu, proclamando o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Quando os americanos libertaram o Campo de Dachau, em abril de 1945, Pe. Karl ainda estava vivo. Mas não se reergueu, morrendo em 12 de agosto de 1945.

Em 23 de junho de 1993, o papa João Paulo II o declarou Bem-aventurado: o sacerdote por oito meses foi um mártir da fé cristã, colocado diante de todos como luz que brilhou nas trevas.


Pe. José Artulino Besen

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 I DIA MUNDIAL DOS POBRES

Crianças com fome

 “Não amemos com palavras, mas com obras”

“Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade” (1 Jo 3, 18). Esse mandamento de Jesus transmitido ao Discípulo Amado foi escolhido por Francisco como palavra orientadora para o I DIA MUNDIAL DOS POBRES, neste ano em 19 de novembro. Um convite a deixarmos as palavras vazias, fáceis de serem proferidas e substitui-las pelas obras concretas, únicas que podem medir o que valemos, únicas que indicam nossa capacidade de responder ao amor de Deus que nos deu seu Filho. A Mensagem papal foi entregue em 13 de junho, dia de Santo Antônio, o Santo dos Pobres. Através dela, de sua riqueza, oferecemos alguns pontos de vivência e reflexão.

Quando Pedro pediu que se escolhessem sete homens “cheios de Espírito e sabedoria” (At 6, 3) que assumissem o serviço aos pobres, temos um dos primeiros sinais com que a comunidade cristã se apresentou no palco do mundo: o serviço aos mais pobres. Os discípulos de Jesus expressavam o ensinamento principal do Mestre que tinha proclamado os pobres bem-aventurados e herdeiros do Reino dos céus (cf. Mt 5, 3). «Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um» (At 2, 45). Isto mostra como os cristãos tinham claro que a misericórdia não era retórica, mas necessidade concreta de partilha na primeira comunidade. Leia o resto deste post »

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BEM-AVENTURADO PADRE JOÃO SCHIAVO

Pe. João Schiavo

Padre João Schiavo – bem-aventurado

É motivo de alegria para a Igreja a proclamação de santos e bem-aventurados. Eles são a elite da comunidade cristã, tendo sido sua vida fiel e radical seguimento de Jesus proposta a todos os cristãos.

No próximo dia 28 de outubro, em Caxias do Sul o Cardeal Angelo Amato representará o papa Francisco na proclamação do Padre João Schiavo como bem-aventurado.

João Schiavo nasceu na Itália, em Sant’Urbano de Montecchio Maggiore, em 8 de julho de 1903. Desde criança desejava ser padre. Quando lhe foi oferecida colocação no serviço público rejeitou-a com firmeza, pois seu caminho era ser padre e ser missionário. Entrou na Congregação dos Josefinos de Murialdo e, em 10 de julho de l927, apenas completados 24 anos, foi ordenado sacerdote.

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