» INTRODUÇÃO

louvai_o_senhor_dos_ceusO cristianismo é “amor à Beleza”, caminho da beleza, ou não é nada, afirmaram os mestres da espiritualidade cristã. Na língua grega se usa a palavra filocalia, que se traduz por amor à beleza: ser cristão é ser filocálico, é ser buscador e construtor do belo que é reflexo do Belo, Deus.

Deus caritas est: Deus é amor. Tudo o que fazemos e anunciamos aprofunda as raízes nessa certeza: Deus é amor. Amor que transforma o mármore bruto em obra de arte, em beleza. Quem de nós não conhece pessoas que eram pedra bruta, mármore sem brilho e pela graça foram transformados em beleza, em seres luminosos? Crer é belo! O Cristianismo é anúncio da vida bela, brotada da fonte do amor, Deus.

“A Beleza salvará o mundo”, escreveu o romancista e teólogo russo Fiódor Dostoievski. A Beleza que salvará o mundo é o Deus Trindade: harmonia e beleza sem limites, amor que une três Pessoas num Deus, a juventude do Filho, a feminilidade do Espírito, o encanto criador do Pai. Os místicos gostam de falar de Deus como “o Formoso”. Deus é a formosura que nos atrai incontrolavelmente.

Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus, à imagem e semelhança da Beleza. O pecado não destruiu a imagem de Deus em nós, mas tirou-nos a beleza da semelhança com Deus. A finalidade da vida cristã é recuperar essa semelhança, recuperar a Beleza de Deus. A essa obra denominamos divinização, deificação: Deus se fez homem em Jesus para que o homem se tornasse Deus em Jesus. Jesus, narração da Beleza divina, nos faz participar dessa mesma Beleza pela fé, oração, caridade, orientadas pela Palavra de Deus. Ficamos santos, belos, ruminando a Palavra, dia por dia, a vida toda.

A Beleza divina a que nós somos chamados não é a beleza estética, mas a Beleza do Bem. O Cristo Crucificado é Belo em seu amor total por nós; um velhinho enrugado é belo na Luz que resplandece em sua face. A Trindade se revelou de modo pleno na beleza de Maria, venerada por todos os povos em sua beleza e encanto A filocalia, o amor à Beleza, quer nos ajudar e a contemplar nosso Deus, participar das energias divinas e assim sermos reflexos da Luz divina.

A Literatura cristã oferece diversas Filocalias: a da Antiguidade, com textos do Santos Pais gregos; a dos eslavos, volumosa, composta no Monte Athos no século XVIII e até hoje alimento tanto da vida monástica como da vida dos cristãos que buscam a santidade; as pequenas Filocalias editadas pelos mosteiros, Igrejas, nações.

Nossa Philocalia é humilde, despretensiosa: pequenos textos da Sabedoria cristã do Oriente e do Ocidente, da Antiguidade até a Idade moderna. Pequenos textos brotados da vida concreta de quem os viveu e narrou. Não é ciência teológica reflexiva: é vida vivida na Palavra e no Espírito. Não pretende alimentar a curiosidade: quer alimentar a vida espiritual, a vida no Espírito Santo.

A citação autores segue a divisão do texto da Filocalia do Monte Athos ou, quando não houver a citação, a página da edição grega. O que importa, e essa será a recompensa do trabalho, é que cada um se sinta chamado a ser santo, a ser belo, a ser imagem e semelhança de Deus.

Pe. José Artulino Besen

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