MONSENHOR FRANCISCO DE SALES BIANCHINI

Mons. Francisco de Sales Bianchini

Tendo vivido e trabalhado em Florianópolis durante 59 anos, Pe. Francisco de Sales Bianchini assistiu à passagem da pequena e provinciana Capital à cosmopolita e secularizada cidade, alguns afirmando que seja a mais secularizada e kardecista cidade brasileira. Durante décadas – até o final dos 80 – foi a referência sacerdotal e católica de Florianópolis, a palavra consultada nos momentos de tensão religiosa, social e política. Sua longa permanência numa única cidade, com o agravante de ser uma ilha, também limitou o raio de sua ação e, podemos dizer, sua abertura à modernidade. Uma ilha é uma ilha e um ilhéu é um cidadão que julga a ilha ser o mundo inteiro. Somente quem mora numa ilha sabe como é belo e tranqüilo nela viver, até com ciúmes de quem vem de fora. Uma ilha protege seus filhos. E assim, Monsenhor Francisco de Sales Bianchini é um padre ilhéu e sentia-se pai dos católicos de sua ilha, para ele o mundo inteiro com os cinco continentes. Não é o mundo que contém a ilha, é a ilha que contém o mundo.

Em abril de 2008 Roberto Rodrigues de Menezes editou um livro-biografia sobre Pe. Bianchini com o título de “Vem e Segue-me”. Um livro escrito com a verve do admirador e com a sinceridade do biografado nas longas entrevistas. Recomendamos essa bela obra os leitores que desejarem conhecer melhor Pe. Bianchini. Terão muito encanto e proveito.

O Testamento seu, assinado e registrado em 22 de setembro de 2005 oferece o retrato espiritual e a simplicidade de sua vida: Glória ao Pai que me criou com infinito amor, glória ao Filho que me redimiu com infinito amor, glória ao Espírito Santo que habita em mim com infinito amor. Pelo dom da vida, pelo dom do Batismo, pelo dom da Fé e pelo dom do Sacerdócio Ministerial. Seguem as disposições testamentárias. Escolheu para sua última lembrança a profissão de fé cristã e a ação de graças por ela.

Francisco de Sales Bianchini nasceu em Brusque, SC em 29 de janeiro de 1925, filho de Ernesto Bianchini e de Elisa Hassmann Bianchini. É o 10º filho de Elisa, mãe cristã que muito rezava para ter um filho sacerdote. Seu lar, de tradicional família brusquense, foi de fé católica e de disciplina sem moleza.

Sentindo-se vocacionado, ingressou no Seminário Menor de Azambuja, perto de sua residência, e, após os estudos clássicos, seguiu para São Leopoldo, RS completando os estudos filosóficos na severa disciplina jesuítica. Ali recebeu e introjetou a clareza do pensamento escolástico e da lógica tomista. Pe. Bianchini era um homem lógico e tudo para ele era tão simples como um silogismo. Mas, a realidade é um pouco mais complexa.

Em agosto de 1947 foi surpreendido com a comunicação do Arcebispo de Florianópolis, Dom Joaquim Domingues de Oliveira, para que se dirigisse a Roma onde cursaria Teologia. E, no mês seguinte, embarca no navio que o leva à Cidade Eterna onde, por 4 anos reside no Pontifício Colégio Pio Brasileiro e estuda na Universidade Gregoriana. Valendo para todas as etapas de sua formação acadêmica, foi de muita leitura, não de estudos muito aprofundados. Seu dom foi a palavra, não a vida intelectual.

Foi ordenado presbítero em Roma em 08 de dezembro de 1950, na Igreja del Gesù, monumento do barroco jesuítico onde chamam a atenção os mármores de Bernini descrevendo a vitória da Igreja sobre as heresias. Seu lema: “Tu és sacerdote para sempre”, e foi vivido com intensidade e fidelidade por quase 60 anos.

Antes de regressar ao Brasil, freqüentou em Viena, Áustria, um curso de psicologia e sexualidade e ali também aprendeu as artes do hipnotismo, que fizeram sucesso em seus primeiros anos de ministério, especialmente nas controvérsias com os espíritas.

Um padre na Ilha de Santa Catarina

Em 1951 Dom Joaquim o nomeou vigário paroquial da Catedral Nossa Senhora do Desterro e capelão do Imperial Hospital de Caridade, ficando nessa última função por um ano.

Liderança inata, comunicação cativante, espiritualidade apresentada de modo atraente tornaram Pe. Bianchini centro da vida católica na capital catarinense. Capacidade e resistência para o trabalho oportunizaram iniciativas fecundas no campo da formação de leigos. Famosas suas “Missas dos Homens” às 10h de domingo. Ai de mulher ou criança que ousasse entrar na Catedral! Pe. Bianchini julgava que homem, mulher e criança devem ter horário próprio, com homilias dirigidas com essa especificidade.

Ali também revelou seu temperamento inquieto, nervoso, incapaz do imprevisto. Para que a fila da comunhão tivesse ordem esticou uma corda no corredor central da Catedral. Se alguma inocente senhora mudasse de lado, gritava logo “não pule a cerca!”. Não lhe importava se ofendia ou não. São os limites dos grandes homens.

Durante o ano de 1957 permaneceu em Roma, participando de encontro formativo do Movimento por um Mundo Melhor-MMM. O MMM deu grande impulso à pastoral da Igreja inserindo-a na vida concreta das pessoas e da sociedade.

Pe. Bianchini foi padre dos leigos, com pouca incidência nas esferas clericais. Todo o interesse de seu ministério foi a formação do leigo cristão, no melhor espírito da Ação Católica. Em 1952 iniciou o trabalho com a Juventude Universitária Católica, JUC.

Preocupado com a moradia das jovens que do interior vinham estudar na Capital, em 1962 criou a Casa da Estudante da Juventude Católica de Florianópolis, à Rua Esteves Júnior. Abrigando exclusivamente as estudantes do interior e comprovadamente necessitadas, a obra contou com a colaboração decisiva de profissionais liberais e senhoras da sociedade. Destacam-se o governador Celso Ramos, que se responsabilizou pelo  pagamento do aluguel do imóvel, e Alice  Guilhon Petrelli proprietária do imóvel. A oficialização da casa deu-se no ano de 1968, quando o Estatuto foi publicado no Diário Oficial. Na ocasião a obra foi desvinculada parcialmente da intervenção da Igreja, passando a se chamar “Casa da Estudante Universitária (CEU)”. Motivo: o período conturbado pela liberalização dos costumes e a oposição ao regime militar.

A partir de 1953 passou a lecionar língua italiana na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, depois anexada à Universidade Federal de Santa Catarina.

Preocupado com os casais e famílias católicas, em 1954 implantou na Capital as Equipes de Nossa Senhora-ENS, fundadas na França, e até a morte foi diretor espiritual de algumas equipes.

A paróquia do Saco dos Limões

De 1962 a 1966 Pe. Bianchini foi vigário paroquial da Catedral. O pároco era Mons. Frederico Hobold, Vigário Geral da Arquidiocese, e que lhe permitia irradiar sua ação por amplos setores da vida cristã.

Percebendo-se a expansão urbana na baía sul, foi vista a conveniência de preparar uma nova paróquia. Assim, de 6 de dezembro de 1962 a 1965 ele foi vigário encarregado de preparar a futura paróquia de Saco dos Limões. Por sua iniciativa foi derrubada a pequena capela e dado início à construção da igreja matriz Nossa Senhora da Boa Viagem. O povo preferia que fosse edificada na Vila Operária, no meio do bairro. Pe Bianchini preferiu cavar o morro e ali foi feita. Planta moderna e grandiosa para uma população ainda exígua e pobre. Com o estímulo de Pe. Bianchini, em poucos anos tudo estava pronto e a paróquia foi criada e instalada, assumindo Pe. João Cardoso como primeiro pároco.

Terminado o trabalho no Saco dos Limões, em 17 de fevereiro de 1966 foi provisionado Cura da Catedral de Florianópolis. Agora colocou em questão a construção de uma nova Catedral, pois a primitiva e bela igreja de 1753 era pequena para a cidade que crescia. Sugeriu projetos alternativos: na Praça Getúlio Vargas, exigindo o alargamento da via pública; à mesma Praça, no terreno da Irmandade do Divino Espírito Santo, onde estava o Asilo. Ou derrubar a Catedral e no local edificar uma obra que comportaria 1.500 pessoas e já tinha providenciado o projeto arquitetônico; ou, não sendo isso viável, derrubar as paredes internas da Catedral e assim duplicar a capacidade. Convocou o Arcebispo Dom Afonso Niehues e “sete senhores” para votar esse último projeto. Sabiamente, Dom Afonso não permitiu a votação. Pe. Bianchini ironizou os “sete senhores” a que chamou de “tradicionalistas” e declarou: “Cada povo tem a igreja que merece”. Decepcionado com a apatia à sua campanha, em abril de 1971 deixou a Catedral: “A nova catedral para mim é um problema que não existe mais. Não costumo gastar cera com defunto velho”. Lamentou a apatia da comunidade católica que, na verdade, estava se cansando de seu nervosismo e ataques do púlpito. Pe. Bianchini não conseguiu entender que o templo não é apenas um espaço que recebe fiéis: é também um símbolo afetivo de arte, devoção e história. Moderno e modernizante, sempre teve conflito com a religiosidade popular, para ele apenas “ignorância”.

O projeto da nova Catedral ficou para ser erguido no aterro da baía sul, atrás do Mirante. O lote foi doado verbalmente e, mais tarde, o município ali edificou o Fórum da Capital muito conhecido como Marmitão.

Mons. Francisco de Sales BIANCHINI

Igreja, Universidade e sociedade

Em 1971 foi nomeado Professor fundador da Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC e professor do Curso de Filosofia. Duas vezes ocupou o cargo de Diretor do Centro de Ciências Humanas e duas vezes o de Chefe do Departamento de Filosofia da UFSC. Dom Afonso Niehues liberou-o de compromissos paroquiais, colocando-o à disposição dos novos Movimentos de Apostolado leigo: Diretor Arquidiocesano dos Cursilhos de Cristandade; participou ativamente da Escola de Pais e Filhos; trabalho mais efetivo com o Serra Clube, Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas-ADCE. Em 15 de agosto de 1974 implantou na Arquidiocese de Florianópolis o Movimento de Emaús, fundado por Mons. Calazans em São Paulo e orientado para os jovens universitários.  Foi sua alegria e flor do seu jardim sacerdotal até a morte. Milhares de jovens subiram à Casa de Retiros no Morro das Pedras a fim de participarem dos três dias de retiro. Ao retornarem, os participantes eram convidados a integrarem equipes de cultivo espiritual e de formação semanal.

Através dos Cursilhos de Cristandade e do Movimento Emaús, Pe. Francisco Bianchini congregou na Igreja expressiva classe média e profissionais liberais, bastante desacreditados da fé católica. Foi esse seu maior mérito. Teve a possibilidade de trazer e acompanhar esses cristãos e isso, para ele, era motivo de mais trabalho ainda. Claro que estar com Pe. Bianchini era estar com um homem tenso, imprevisto, mas tudo se perdoava pelo bem oferecido.

Florianópolis carecia de um centro de pastoral onde pudessem se instalar os Movimentos religiosos e promover noites de formação. Sem muita preocupação, Pe. Bianchini fez campanha, construiu um belo Centro ao lado da igreja de São Sebastião, com salas e auditório, o Centro Arquidiocesano de Pastoral-CAP. Fez, inaugurou e entregou as chaves ao Arcebispo. Era seu estilo.

Passou um semestre de 1979 em Medellín, Colômbia, participando de curso sobre a Conferência de Puebla. Gostou e não gostou, pois achou as idéias meio de esquerda, o que abominava.

De 1971 a 1982 residiu em casa própria à Rua Bocaiúva, e em Pontas das Canas de 1982 a 1994 atendendo à capela de São Pedro. Neste ano de 94 construiu residência no Jardim Germânia, Córrego Grande, ali permanecendo até a morte e assumindo como Capelão da Igreja da Imaculada Conceição, à Rua Vitor Konder, onde celebrava aos sábados e domingos, podendo ali oferecer ocasião de encontros e celebrações para o Movimento Emaús.

Tendo a Igreja catarinense iniciado o Curso de Teologia em Florianópolis com a fundação do Instituto Teológico de Santa Catarina-ITESC, lecionou história eclesiástica em 1973-1974. Foi nomeado Juiz do Tribunal Eclesiástico Regional de Florianópolis (1992-1995).

Pe. Bianchini tinha o dom da comunicação e do convencimento. Além do benefício espiritual, era um prazer escutá-lo sobre qualquer assunto: a segurança, firmeza dos raciocínios, beleza da frase, tudo seduzia. Manteve programa semanal “Caminhos de Verdade e Amor” na TV Cultura, atual RBS e, por 10 anos, foi locutor do programa “Sinos da Catedral” na Rádio Diário da Manhã.

Comunicação e polêmica

Quem escreve e fala se expõe, ainda mais sendo sacerdote com presença atuante. Pe. Bianchini era moderno, mas era conservador na cultura e na política. Nunca simpatizou com uma Igreja engajada nos problemas sociais. Caridade sim, e muita, mais sem contestar as políticas liberais.

Apoiou o Golpe militar de 1964 e apoiou o Ato Institucional no 5 de 1968, que instituiu a ditadura, para ele o melhor remédio contra o comunismo.

Em 1968 polemizou contra a peça teatral “Dois perdidos numa noite suja”, de Plínio Marcos, onde viu somente imoralidade. Suas críticas receberam réplica magistral do jovem jornalista Moacir Pereira em longo texto em O ESTADO (6 de novembro de 1968). O título, sugestivo: “Dois perdidos numa noite limpa”. Moacir se contrapõe citando a Gaudium et Spes, Encíclicas papais e textos bíblicos, e pedindo que Pe Bianchini acompanhe as transformações socais e culturais. Inicia o texto: “Para a maioria, um chefe religioso. Para alguns, um padre pra frente. Para outros, um padre conservador. Para uma minoria privilegiada, um bom professor. Para mim, um amigo. Pois bem, padre Bianchini, o senhor errou. E cometeu o engano”. E segue, demonstrando como a arte expressa a vida em sua crueza e assim deve ser compreendida.

Durante um ano assistiu a todos os filmes no Cine São José, para depois tecer as críticas, involuntariamente tornando-se ótimo propagandista das películas mais picantes.

Em agosto de 1969 conseguiu ser alvo de telegramas do Sindicato dos Radialistas e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais, contestando suas declarações consideradas ofensivas à classe.

Em 1973, numa entrevista a O ESTADO (27 de julho) cita os três inimigos da fé: a ignorância, o principal, o orgulho e a luxúria. Para ele, esses eram os venenos da fé e o maior perigo para a juventude: o orgulho e a luxúria. O orgulho se combate com a obediência à Igreja e a luxúria, com vida casta. Fica um pouco difícil avaliar o quanto isso penetrava na vida dos jovens nas últimas décadas, ouvindo falar em castidade numa sociedade erótica. Entrevistando-se alguns deles, pode-se dizer que suas palavras convenciam mas, depois, a realidade era mais sedutora do que Pe. Bianchini pensava.

Foi no ano de 1980 que mais atuou na imprensa e MCS, sempre com temas apologéticos, com diversas entrevistas no Jornal A SEMANA. Essas entrevistas são úteis para se estudar o pensamento eclesiástico, pastoral e político dele. Suas respostas pecam pela ausência da sutileza argumentativa, pois achava que tudo era tão evidente que bastava obedecer. Não sendo intelectual, Pe. Bianchini não teve paciência para escrever artigos em revistas, mesmo atuando por tantos anos numa Universidade Federal. Era um comunicador da palavra.

Entrou em conflito com a Tradição, Família e Propriedade-TFP e afimou que “Entre um comunista sincero e um católico cego e fanático, escolheríamos o primeiro para nossa convivência”. Atacou a Maçonaria, sendo oportunamente advertido que parasse com os ataques, para não ter surpresas maiores. Nos últimos anos de sua rica existência entusiasmou-se com o Movimento do Opus Dei, encantado pela disciplina e ortodoxia doutrinal de seus seguidores.

Sua oposição ao Comunismo ou a tudo o que parecia se esconder sob esse nome, como os anseios de libertação e transformação social, fizeram com que colhesse adversários no mundo universitário e até levou-o a cometer injustiças denunciando irmãos no sacerdócio que pretendiam fazer concurso para lecionar na Universidade. Como de regra concorriam a Cadeiras nas ciências humanas, como Chefe de Departamento Pe. Bianchini detinha razoável poder sobre as escolhas e concursos. Em 1980 encaminhou ao Reitor da UFSC, Dr. Ernani Bayer, ofício pedindo o enquadramento dos repórteres do semanário AFINAL, Eloy G. Peixoto e Flávio Expedido Carvalho na Lei de Imprensa, ato duramente criticado.  Em 5 de outubro de 1980, uma senhora publicou no O ESTADO carta atacando o Pe. Bianchini que, em seu programa de TV criticara pessoas que procuraram Chico Xavier por ocasião de morte de um filho. Amargamente lhe reprova a falta de sensibilidade pelas pessoas num momento de profunda dor.

A partir de 1982, residindo em Ponta das Canas, distanciou-se do mundo urbano e seus problemas. São pouquíssimas suas intervenções nos meios de comunicação. Evitava entrevistas. Era sempre mais o Pe. Bianchini do Movimento Emaús, dos jovens universitários. Era o Pe. Bianchini das celebrações eucarísticas na igreja da Imaculada Conceição, com suas brabezas e palavra iluminada.

Muitos estranhavam seu nervosismo com o horário bancário, às 10h. É que não sabiam que Monsenhor celebrava às 5:30h, café da manhã às 6h e almoçava às 10:30h. Era de pouco sono e de parca e simples alimentação.

Fraqueza de corpo, vigor de espírito

No dia 8 de dezembro de 2000 celebrou o Jubileu de Ouro sacerdotal na igreja do Colégio Catarinense, tendo como pregador o arcebispo Dom Eusébio Oscar Scheid, SCJ. No mesmo ano recebeu o título de Cidadão Honorário de Florianópolis e foi condecorado com a Medalha Anita Garibaldi. Em 2001 foi nomeado Conselheiro do Conselho Estadual de Educação. Em 24 de janeiro de 2005 Dom Eusébio solicitou e obteve para ele a nomeação de Monsenhor Protonotário Apostólico.

Monsenhor adoecia. Gostava de procurar o médico, mas não muito de obedecê-lo. Com um pouco mais de paciência teria um final de vida com mais qualidade. Afinal, vivera muito, trabalhara muito, quase 60 anos de sacerdócio.

A partir de julho de 2010 suas forças declinavam. Durante 33 dias esteve internado no Imperial Hospital de Caridade, cujo Capelão, Pe. Pedro José Koehler o acompanhou com solicitude fraterna, juntamente com Pe. Vilson Groh. Devemos a Pe. Pedro a anotação das últimas palavras muito repetidas por Mons. Bianchini, e que narram a fé que alimentou: “Meu Deus e meu tudo”; “Tu és o autor da minha vida”; “Eu agora estou consciente”; “A vida é tua, Senhor”; “Me deixa morrer”; “Meu Deus, meu Deus”; “A morte tomou conta de mim”; “Meus pés estão frios”; “A morte parece que vem”; “Ainda não”; “Meu Deus, ainda não”; “Que luta, que crueldade para morrer”; “A vida é tua, meu Deus”; “Meu Deus, deixa eu morrer, em nome de Jesus. Amém”; “Meu coração está bem”; “Meu coração está em paz”; “Meu Jesus, meu coração está em paz”.

E descansou em paz no dia 26 de outubro de 2010. Foi velado na Catedral e no dia 27 o Arcebispo Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ celebrou suas exéquias, ressaltando as três grandes paixões dele: os jovens – e sua dedicação ao Movimento de Emaús é prova disso; a Igreja, à qual ele se dedicou fielmente até a morte; e Jesus Cristo, a grande paixão que dominou sua vida, fonte das demais paixões, inclusive de sua devoção a Nossa Senhora.

Após 59 anos de vida e de ministério sacerdotal na Ilha de Santa Catarina, Monsenhor Francisco de Sales Bianchini repousa no Cemitério Jardim da Paz. Faltavam dois meses para seu Jubileu de Diamante.

Encerro com as palavras de Dom Murilo, nas Exéquias: Pe. Bianchini! Que, como estrela no céu de nossa Arquidiocese, ele possa iluminar muitos outros pelos caminhos da virtude. Amém!

Pe. José Artulino Besen  

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  1. #1 por pedro francisco bianchini jr. em 21 de maio de 2013 - 00:20

    Mons. Francisco de Sales Bianchini, agradecemos a Deus pela sua existência aqui entre nós. Seus ensinamentos sempre serão luz no caminho de todos, Deus te acompanhe e te ilumine no céu, onde certamente estás. Pedimos suas bençãos.
    Pedro Francisco Bianchini Júnior e Família. Maio 2013.

  2. #2 por Julio Carlos Richard Câmara. em 21 de novembro de 2015 - 08:16

    Grande PADRE… expressava-se como poucos. De uma capacidade de oratória inigualável… Fazia questão de assistir suas missas por CATÓLICO que sou… mas tbém em função de suas pregações… Muito AMIGO de meu PAI…e muito AMIGO de meu filho…que fez EMAUS… REZO todos os dias por seu DESCANSO ETERNO…

  3. #3 por Luiz Antonio De Marchi em 28 de novembro de 2015 - 10:15

    Tive a grata oportunidade de conhecer o Monsenhor Bianchini através do movimento de Emaus de Sao Paulo. Estive alguns dias o visitando em Florianópolis na decada de 80. Uma das pessoas mais inteligentes e com sentimento forte de fraternidade que eu conheci. Para mim, enorme sensibilidade e percepção de sentimento das pessoas. Tenho sempre muito carinho e respeito por ele. Agora vive na presença plena de Deus.

  4. #4 por João Carlos em 15 de dezembro de 2015 - 08:00

    Apaixonado por Jesus. Não conheci, pessoalmente, ninguém com maior paixão por Ele. Ao falar de Jesus, seu olhos brilhavam e uma alegria imensa o invadia. Dava pra ver! Fiel ao Evangelho, não admitia “jeitinhos” para flexibilizar a sua interpretação. “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mt 5,37). Mons. Bianchini seguia este ensinamento à risca. Sem medo, sem hipocrisia. E tendo a sua própria vida como exemplo (e a de tantos outros que ele costuma lembrar), mostrava que é possível praticar o Evangelho com alegria e sem subterfúgios.

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