3. DE PÉ, A MÃE DOLOROSA – STABAT MATER DOLOROSA

Original em latim escrito por Jacopone da Todi (1220-1306)

De pé, a Mãe dolorosa,
Junto da cruz, lacrimosa,
Via o Filho que pendia.

Na sua alma agoniada,
Enterrou-se a dura espada,
De uma antiga profecia.

Ò, quão triste e quão aflita,
Entre todas, Mãe bendita
Que só tinha aquele Filho!

Quanta angústia não sentia,
Mãe piedosa, quando via
As penas do Filho Teu.

Quem não chora
Contemplando a Mãe de Cristo
Num suplício tão enorme ?

Quem haverá que resista
Se a Mãe assim se contrista,
Padecendo com Seu Filho?

Por culpa de sua gente,
Vira Jesus inocente
Ao flagelo submetido.

Vê agora seu amado,
Pelo Pai abandonado,
Entregando Seu espírito.

Faz, ó Mãe, fonte de amor!
Que eu sinta o espinho da dor,
Para contigo chorar.

Faz arder meu coração
Por Cristo Deus na Paixão,
Para que O possa agradar.

Ó Santa Mãe, dá-me isso;
Trazer as chagas de Cristo
Gravadas no coração.

Do Teu Filho que por mim,
Entrega-se à morte assim,
Divide as penas comigo.

Ó dá-me enquanto viver
Com Cristo compadecer,
Chorando sempre contigo.

Junto à cruz eu quero estar,
Quero o meu pranto juntar,
Às lágrimas que derramas.

Virgem, que as virgens aclara,
Não sejas comigo avara
Dá-me contigo chorar.

Traga em mim do Cristo a morte,
Da Paixão seja consorte
Suas chagas celebrando.

Por elas seja eu rasgado,
Pela cruz inebriado
Pelo sangue de Teu Filho.

No julgamento consegue
Que às chamas não seja entregue
Quem por Ti é defendido.

Quando do mundo eu partir,
Dá-me ó Cristo conseguir,
Por Vossa Mãe a vitória.

Quando meu corpo morrer,
Possa a alma merecer
Do Reino Celeste a glória.
Amém.

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