4. A doença

Nada impede chamar os médicos na hora da doença. Os remédios existiam antes, porque num dia da experiência humana nasceria a arte da medicina. Mas não se deve entregar a esperança da cura aos médicos, mas ao nosso verdadeiro salvador e médico, Jesus Cristo. Digo isso para aqueles que pretendem viver a continência nos cenóbios e nas cidades, pois eles não podem, em seguida ao que lhes acontece, ter estavelmente neles a fé operante por meio do amor (cf. Gl 5,6), e o digo, sobretudo, para que não caiam na vanglória e na tentação do diabo, pela qual alguns deles vão declarando que não têm necessidade de médicos. Mas, se um vive uma vida solitária em lugares desertos com dois ou três irmãos empenhados num mesmo tipo de vida, busquem recurso, na fé, somente do Senhor que cura toda nossa doença e toda nossa enfermidade (cf. Mt 4,23), qualquer que seja a doença que o atinge. Ele, de fato, além do Senhor, tem uma consolação suficiente na solidão. É o motivo pelo qual nunca lhe falta a energia da fé, sobretudo porque, cobrindo-se com o belo véu da solidão, não encontra o meio de demonstrar a virtude da paciência. Por isso o Senhor faz os solitários habitarem numa casa (Sl 67,7).

Diadoco de Foticéia,
Discurso ascético 53

Quando nos rebelamos contra as doenças do corpo que nos atingem, devemos saber que nossa alma ainda está subordinada aos desejos do corpo; por isso, no seu desejo de bem-estar material, não quer retirar-se dos bens desta vida, mas considera como um grande impedimento não poder gozar de suas coisas belas por causa da doença, mas, se recebe os incômodos da doença com ação de graças, revela não estar longe de alcançar a libertação das paixões. Por isso, então, acolhe com alegria também a morte, como ocasião de uma vida mais bela.

Diadoco de Foticéia,
Discurso ascético 54

Enquanto podes respirar, não abandones a oração por causa da doença nem mesmo um dia, escutando aquele que diz: Quando sou fraco, então é que sou forte (2Cor 12,10). Fazendo assim, receberás maior proveito e ela, em breve, te erguerá com a cooperação da graça. Onde há a invocação do Espírito, de fato, não permanecem nem doença nem acídia.

Teolepto de Filadélfia,
Discurso, vol. IV, p. 15

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