SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Jesus revela seu Coração a Santa Margarida

O Filho de Deus veio ao mundo para revelar o amor de Deus Pai por todas as criaturas, sem perder nenhuma. Veio trazer-nos a mensagem da paternidade divina em sua infinita bondade e compaixão. É essa a mensagem central da Sagrada Escritura: Deus é amor.

Houve períodos da história cristã em que o acento da fé e da vida recaíram no medo de Deus, na justiça divina mais como vingança por nossos erros do que como justiça que nos faz justos gratuitamente.

Nessas horas o Senhor desperta homens e mulheres e lhes dá a graça de sentirem sua misericórdia, anunciando-a pela vida e pela palavra. No século 20 conhecemos a mensagem extraordinária da Divina Misericórdia através de Santa Faustina, que trouxe para a Igreja uma poderosa corrente de confiança no Senhor que nos salva. Também conhecemos a vida de São Padre Pio, que fez do confessionário sua tribuna.

O século XVII espalhou pelo mundo uma devoção, a maior e mais legítima devoção cristã: ao Sagrado Coração de Jesus. Foi numa época em que prevalecia o rigorismo cristão, a busca da salvação pelas obras e pela penitência. O Senhor manifestou a devoção ao Sagrado Coração a uma jovem religiosa, Santa Margarida Alacoque e usou como canal a Companhia de Jesus.

Margarida nasceu no dia 22 de Agosto de 1647 em Verosvres, na Borgonha (França). Seu pai, Claudio de Alacoque, juiz e tabelião, morreu quando Margarida ainda era muito jovem, forçando ela e a mãe a irem morar com um tio e junto a parentes que lhes fizeram conhecer a humilhação da necessidade, parentes pouco generosos e nada propensos a consentir que ela realizasse o seu desejo de ingressar no convento.

Depois foi internada no pensionato das religiosas clarissas, iniciando uma vida de sofrimento que soube orientar para Deus: “Sofrendo entendo melhor Aquele que sofreu por nós”. Uma enfermidade forçou-a a viver acamada por quatro anos. Foi curada pela intercessão da Virgem Maria.

Na festividade de São João Evangelista de 1673, moça de vinte e cinco anos, irmã Margarida Maria, recolhida em oração diante do Santíssimo Sacramento, teve o singular privilégio da primeira manifestação visível de Jesus, que se repetiria por outros dois anos, toda primeira sexta-feira do mês. Margarida passou a viver em intensa intimidade com o Senhor, que lhe mostrava o Coração.

Em 1675, durante a oitava do Corpo de Deus, Jesus manifestou-se-lhe com o peito aberto e, apontando com o dedo seu Coração, exclamou:

Eis o Coração que tem amado tanto aos homens a ponto de nada poupar até exaurir-se e consumir-se para demonstrar-lhes o seu amor. E em reconhecimento não recebo senão ingratidão da maior parte deles“.

Segundo seu testemunho, o Coração estava rodeado de chamas de fogo, coroado de espinhos, com uma ferida aberta da qual corria sangue e de cujo interior brilhava uma luz.

Meu divino Coração está tão apaixonado de Amor pelos homens, em particular por ti, que, não podendo conter nele as chamas de sua ardente caridade, é necessário que as derrame valendo-se de ti, e a eles se manifeste para enriquecê-los com os preciosos dons que te estou revelando, os quais contém as graças santificantes e salutares necessárias para separá-las do abismo de perdição. Te escolhi como um abismo de indignidade e de ignorância, para que tudo seja obra minha”.

A difusão da obra de Santa Margarida

Sendo mulher e mística e religiosa, Margarida foi muito incompreendida no seu ambiente e também na Igreja local que julgava as aparições “fantasias” místicas, “coisas de mulher”. Opinião diferente teve o jesuíta São Cláudio de la Colombière, profundamente convencido da autenticidade das aparições. Tornado diretor espiritual dela, buscou não só defende-la, mas também propagar a espiritualidade do Sagrado Coração.

Margarida progrediu na santidade pessoal, na vida comunitária e teve a alegria de ver a difusão da devoção do Sagrado Coração, nos séculos seguintes assumida pela Igreja, pelos Papas. A Associação do Apostolado da Oração, nascida para a vivência da misericórdia divina se espalhou pelo mundo, congregando atualmente 35 milhões de pessoas. Assumida pelas padres jesuítas, a cada mês os associados se unem ao Papa que lhes confia uma Intenção Geral e uma Intenção Missionária.

O Catecismo na Igreja Católica (§478 ) assim se expressa:

“Jesus conheceu-nos e amou-nos a todos durante sua Vida, sua Agonia e Paixão e entregou-se por todos e cada um de nós: “O Filho de Deus amou-me e entregou-se por mim” (Gl 2,20). Amou-nos a todos com um coração humano. Por esta razão, o sagrado Coração de Jesus, traspassado por nossos pecados e para a nossa salvação, – é considerado o principal sinal e símbolo daquele amor com o qual o divino Redentor ama ininterruptamente o Pai Eterno e todos os homens”.

Margarida Maria de Alacoque faleceu em 17 de Outubro de 1690, aos 43 anos de idade. Foi canonizada pelo Papa Bento XV em 1920.

Difundiu e ajudou a difundir as 12 Promessas do Sagrado Coração de Jesus, alimento seguro de milhões de devotos.

  1. Dar-lhes-ei todas as graças necessárias ao seu estado de vida.
  2. Estabelecerei a paz nas suas famílias.
  3. Abençoarei os lares onde for exposta e honrada a imagem do Meu Sagrado Coração.
  4. Hei-de consolá-los em todas as dificuldades.
  5. Serei o seu refúgio durante a vida e em especial na hora da morte.
  6. Derramarei bênçãos abundantes sobre todos os seus empreendimentos.
  7. Os pecadores encontrarão no Meu Sagrado Coração uma fonte e um oceano sem fim de Misericórdia.
  8. As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas.
  9. As almas fervorosas ascenderão rapidamente a um estado de grande perfeição.
  10. Darei aos sacerdotes o poder de tocarem os corações mais empedernidos.
  11. Aqueles que propagarem esta devoção terão os seus nomes escritos no Meu Sagrado Coração e d’Ele nunca serão apagados.
  12. Prometo-vos, no excesso de Misericórdia do Meu Coração, que o Meu Amor Todo-Poderoso concederá, a todos aqueles que comungarem na Primeira Sexta-Feira de nove meses seguidos, a graça da penitência final; não morrerão no Meu desagrado nem sem receberem os Sacramentos: o Meu Divino Coração será o seu refúgio de salvação nesse derradeiro momento.

“Do vosso lado aberto a Igreja nasceu, e dos Sacramentos a fonte correu” – assim cantava um antigo hino religioso, afirmando o nascimento da Igreja pelo Coração aberto do Senhor, donde brotaram o Batismo e a Eucaristia, a água e do sangue.


Pe. José Artulino Besen

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  1. #1 por Joao e Leda Vendruscolo em 23 de junho de 2017 - 07:53

    Bom dia e obrigado pela mensagem! Diác. João Flávio

  2. #2 por Ademar Arcângelo Cirimbelli em 23 de junho de 2017 - 21:32

    Às vezes esquecemos que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus deve prevalecer sobre todas as demais. Obrigado pelo belíssimo texto, Padre José!

  3. #3 por Raimundo Nonato de Almeida Nonato de Almeida em 1 de julho de 2017 - 22:25

    Pe. Jose Artulino que o Sagrado coração de Jesus venha curar nossas feridas da alma e do corpo bem como todo este Brasil contaminado por políticos desonestos.

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