PADRE LUIZ GONZAGA ADAMS

Pe. Luiz Gonzaga Adams na Missa de 50 anos de ordenação - Azambuja - 25/12/72

Sacerdote generoso

Filho de Eduardo Henrique Adams e de Alvina Boedecker, Luiz Gonzaga nasceu em Brakel, na Westfália, em 16 de novembro de 1893. Vocação missionária, chegou ao Brasil em 1912, com o nome de Frei Joaquim, acompanhando um grupo de seminaristas franciscanos. Os frades preferiam completar os estudos no Brasil, em Blumenau, e, desse modo, se introduzir na cultura e a língua. Nesse período, Frei Joaquim sentiu que sua vocação era de padre diocesano e foi recebido na recém-criada diocese de Barra do Piraí, no Rio de Janeiro. Foi ordenado presbítero na catedral de Florianópolis em 25 de dezembro de 1922.

De1923 a1929 passou os anos de vida pastoral em Barra do Piraí (hoje Barra do Piraí-Volta Redonda). Devido ao calor, desejava retornar a Santa Catarina. Por já conhecer Dom Daniel Hostin, franciscano, em 1930 foi recebido e incardinado na Diocese de Lages.

Dom Daniel sentia a falta, na cidade de Lages, de um bom colégio católico. Em março de 1930, Dom Daniel fundou o Ginásio Diocesano, que funcionou, a princípio, nas dependências da Escola Paroquial São José. Confiou a tarefa ao Pe. Luiz Gonzaga e assim, de 1930 a 1937, esse dirigiu o Colégio Diocesano de Lages.

Em 1931, Dom Daniel iniciou a construção do prédio próprio do Ginásio Diocesano na rua Coronel Córdova. Para haver maior tranqüilidade administrativa, em 28 de fevereiro de 1938, a direção do ginásio Diocesano foi entregue aos franciscanos. O primeiro diretor, Frei Apolônio Weil, permaneceu como diretor até 1947, quando assumiu Frei Odorico Durieux (+1997), grande pedagogo tanto em Lages como no Colégio Santo Antônio de Blumenau, onde trabalhou por 40 anos.

Em 29 de abril de 1933 Pe. Luiz foi nomeado vigário paroquial da Catedral de Lages. Continuava sendo professor no Colégio Diocesano, mas gostava de visitar as famílias e as comunidades da imensa paróquia de Nossa Senhora dos Prazeres. A pé ou a cavalo, de carroça ou de charrete, nada o impedia de entrar em contato com as famílias.

De 31 de janeiro de1954 a1957 foi Reitor do Seminário Diocesano de Lages. Um período difícil, pois faltavam professores, os padres formadores desistiam rapidamente das funções. Pe. Luiz fez o possível, especialmente no cuidado pedagógico. Mas, preferia a pastoral paroquial.

Significativa sua relação com a Família Imperial brasileira. O motivo inicial da amizade foi seu trabalho na diocese de Barra do Piraí, a cujo território estava ligada a cidade de Vassouras, onde a Família Imperial Bragança possuía fazenda de café e residência de verão. São freqüentes as correspondências entre ele e os príncipes e princesas residentes no Palácio Grão Pará, em Petrópolis: comunicações de nascimentos, agradecimentos por visitas, convites para casamentos.

Ministério na generosidade e na cruz

Em 8 de dezembro de 1957, Pe. Luiz foi nomeado primeiro Pároco de Bom Jardim da Serra, paróquia pobre, extensa, entre São Joaquim da Costa da Serra e os costões da Serra do Rio do Rastro.

Sofrido do clima muito frio e não gozando mais de saúde para esse campo pastoral, em 1959 solicitou a excardinação da Diocese de Lages, com a incardinação na Arquidiocese de Florianópolis.

Nos anos 1960-1961 aceitou, com alegria, ser Capelão do Hospital Nereu Ramos, de Florianópolis, que internava doentes infecto-contagiosos, especialmente tuberculose.

E, de 1962-1967 foi pároco do Senhor Bom Jesus de Nazaré, em Palhoça, sendo o primeiro padre diocesano a atender a essas comunidades após décadas de trabalho franciscano. O território paroquial incluía as antigas paróquias de Enseada de Brito e Garopaba. O grande número de comunidades, distâncias, as dificuldades de locomoção minaram a saúde do Pe. Luiz. Surgiam os primeiros sintomas do Mal de Parkinson e de surdez.

Vendo sua dificuldade de prosseguir como pároco, Dom Afonso Niehues o transferiu para paróquia de São José, com residência no Preventório. Situado à entrada do Roçado, acolhia os filhos de casais com hanseníase, da Colônia Santa Teresa. Celebrava na capela do Roçado e gostava de alugar uma Kombi e sair a passeio com as crianças, que ele apresentava como coroinhas a fim de evitar a rejeição das pessoas se as apresentasse como filhos de leprosos.

A partir de 18 de fevereiro de 1972, já impossibilitado de presidir a Eucaristia devido ao Mal de Parkinson, morou no Hospital de Azambuja, Brusque. Ali dava um belo testemunho do “padre doente” e perseverante aos seminaristas que gostavam de visitá-lo. Foi muito bem cuidado pelo atual diácono Antônio Camilo dos Santos, então seminarista.

Semanalmente vestia a batina para participar da Missa no Santuário de Azambuja. Paramentado e sentado, no dia 25 de dezembro de 1922 celebrou seu Jubileu de Ouro Sacerdotal. Um exemplo de fidelidade e de fé olhar o ancião impossibilitado de presidir sua Missa Jubilar.

Piedoso, vivia em constante oração. A cada final do dia se preparava para a hora da morte. Sem dramas, quando sentia muito a fragilidade física ou era vítima de achaques, pedia a Unção dos Enfermos. Sofria a distância dos amigos, a solidão do padre doente.

Mais vezes Pe. Luiz manifestou o desejo de retornar à Alemanha: desejava morrerem sua Pátria. Assim, acompanhado do enfermeiro Antônio Camilo, em 20 de julho de 1973 retornou definitivamente à terra alemã, indo residir em Paderborn, numa Casa de Saúde administrada por religiosas, onde também estava sua irmã Maria.

Ali, com muito conforto e a solidão própria imposta aos velhos nos países ricos, entregou a Deus sua alma sacerdotal em 19 de janeiro de 1976. Podemos imaginar esses últimos anos de vida, sozinho, vivendo as dores da doença e a saudade de homens, mulheres e crianças. Não temos notícias de seus últimos dias. Queremos conservar, aqui, a memória desse nosso presbítero e missionário silencioso e dedicado.

Pe. José Artulino Besen

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  1. #1 por Antônio Camilo dos Santos em 28 de junho de 2017 - 13:36

    Tive eu, Antônio Camilo dos Santos, a alegria de conviver e cuidar de Padre Luís Gonzaga. Era realmente um amigo, um pai para mim. Tenho ainda um sonho e de ir até Paderbon no seu túmulo e coletar mais dados para escrever quem sabe suas memórias. Descanse em paz Padre Adans.

  2. #2 por ROGERIO MJARIO KOERICH em 8 de julho de 2017 - 21:12

    EM 1957, ENTREI NO SEMINÁRIO DIOCESASNO DE LAGES SC, ONDE ERA REITOR O PADRE LUIZ ADAMS! SANTO SACERDOTE E PIEDOSO! IMAGINO A ALEGRIA DE DEUS EM TÊ-LO NO SEU LADO! DESCANSE EM PAZ!

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