Arquivo para categoria Padres de Santa Catarina

MONSENHOR AGOSTINHO STAEHELIN

Mons. Agostinho Staehelin em seus últimos anos

Neste ano de 2018, a Comunidade de São Pedro de Alcântara se prepara para as comemorações dos 190 anos de fundação, com a chegada dos primeiros imigrantes alemães a Santa Catarina, em 1829. Mons. Agostinho Staehelin amava seu torrão natal, vibrava com tudo o que acontecia em São Pedro, sua terrinha, “tão pequena no mapa e tão grande no amor” e na sua história.

Em nosso pequeno estudo biográfico devemos incluir uma referência fundamental no desenvolvimento humano e cristão de São Pedro: a presença, na primeira metade do século XX, de grandes sacerdotes, gigantes na fé, no trabalho, na dedicação às comunidades. Dedicados e incansáveis não mediam sacrifícios para a visita aos doentes, espalhados pelo extenso território de São Pedro e Alto Biguaçu. É com gratidão que transcrevo os nomes: Mons. Francisco Xavier Giesberts, Mons. Huberto Rohden, Pe. Jacó Luiz Nebel, Pe. Nicolau Schaan, Côn. Bernardo Blaesing, Côn. Roberto Wyrobek, Côn. Rodolfo Machado.

Agostinho é natural de São Pedro de Alcântara, SC, onde nasceu em 9 de setembro de 1924, filho de João Staehelin e Cecília Schappo Staehelin. A família se estendeu, chegando a 16 irmãos.

Ao nascer um filho, os pais consultavam uma folhinha onde constava o Santo do dia e era Agostinho, e esse foi o nome que lhe deram. Na cultura alemã era bem celebrado o onomástico e a data do batismo. Sua mãe gostava de repetir: “Das Kalb in Stall macht auch Geburstag, aber nicht Namenstag” (o bezerro na estrebaria também faz aniversário, mas não onomástico).

Foi batizado em 12 de setembro de 1924. Anos depois, sua mãe contou que no dia do batismo sua madrinha Maria Reinert Cunha pediu a Deus: “Faça desta criança um padre”.

Agostinho muito admirava seu pároco, Pe. Nicolau Schaan, seu modo de celebrar, sua vibração nos sermões festivos. Quando Pe. Nicolau passou por cirurgia no joelho, ele e seus colegas coroinhas sentiam-se honrados por ele se apoiar no ombro de um deles para subir os degraus do altar. Certo dia, em 1937, após uma missa de que participou como coroinha, o Pe. Nicolau o chamou até a casa paroquial e em pé na porta de entrada, lhe perguntou: “Você não quer ser padre?”. Ele respondeu que gostaria muito e já tinha pedido aos pais para ingressar no Seminário, mas responderam que não tinham como pagar os estudos, pois eram lavradores e muito pobres e 16 irmãos para sustentar.

Pe. Nicolau pediu que os pais fossem falar com ele e depois, tudo ficou acertado e em fevereiro de 1938 ingressou no Seminário de Azambuja. Sentiu-se órfão quando em 4 de fevereiro de 1939 veio a triste notícia da morte de Pe. Nicolau. Ele voltava da visita a um doente, entrou no quarto, sentiu-se mal e antes de morrer foi ungido por um colega que o visitava. No testamento deixou o que possuía para a paróquia. Os cinco mil cruzeiros que guardava foram entregues ao reitor do Seminário Pe. Bernardo Peters, que formou uma bolsa de estudos chamada “Pe. Nicolau Schaan”.

Os estudos de Seminário Menor foram em Azambuja, de 1938 a 1944, e os filosóficos e teológicos em São Leopoldo, RS de 1946 a 1952.

Dom Joaquim Domingues de Oliveira ordenou-o diácono em Azambuja, em 9 de dezembro de 1951. A ordenação sacerdotal foi em 25 de novembro de 1952, na Catedral de Florianópolis. Junto com ele foram ordenados Pe. Albano José Koehler e Pe. Huberto Waterkemper.

Catedral Nossa Senhora do Desterro, Florianópolis, SC

Sua primeira nomeação foi em 12 de janeiro de 1953, para Coadjutor de Nossa Senhora do Desterro, Catedral de Florianópolis. Revelou-se dinâmico e incansável padre, com forte liderança. Fundou o Coral Santa Cecília, ainda hoje atuante, e que deu novo brilho às liturgias da Catedral.

Seu entusiasmo pela música coral levou-o a fundar o Coral Universitário da Universidade Federal de SC – UFSC, com a primeira apresentação em janeiro de 1963. Contou com o apoio decidido do magnífico reitor João Ferreira Lima.

Em 9 de fevereiro do mesmo ano, Dom Joaquim nomeou-o Capelão do Hospital de Caridade.

Sensível aos problemas sociais, agravados pelo êxodo rural que povoava os morros no entorno da paróquia, logo buscou atender às famílias, oferecer catequese às numerosas crianças. Foi iniciativa sua a construção da capela de Nossa Senhora do Mont Serrat, no Morro da Caixa, onde promovia o treinamento social e litúrgico de lideranças. Essa população lhe era conhecida e o conhecia, pois em bom número era constituída por negros que tinham emigrado de São Pedro de Alcântara e Alto Biguaçu.

Para implantar mais o espírito comunitário e que os moradores tivessem à mesa verduras sem agrotóxicos, resolveram limpar o terreno da capela, adquirir mais terra, e fazer uma horta comunitária. Durante uma semana levou cinco voluntários para o Centro da ACARESC, em Itacorubi, onde receberam aulas práticas de plantação de hortaliças. Foi ofertada a Dom Joaquim a primeira hortaliça colhida. A comunidade se servia como e quando queria, e quem quisesse deixava um oferta para a compra de sementes e adubo.

Semanalmente promovia encontros de formação, seguindo o método da ação católica, o ver-julgar-agir. Para tomar conhecimento melhor da Ação Católica, de 21 a 26 de agosto de 1957 participou do Congresso Internacional da Juventude Operária Católica – JOC, em Roma. Essas iniciativas de seu primeiro sacerdócio foram importantes para seu ministério paroquial.

Também assumiu a disciplina de Educação religiosa no Instituto Estadual de Educação, importante centro educacional no período. Ali entrou em contato com a juventude, exercendo influência positiva sobre tantos que nos anos posteriores foram seus companheiros no trabalho pastoral e comunitário. Importante recordar o clima de renovação na Igreja, as iniciativas positivas brotadas nos anos de preparação para o Concílio Vaticano II. Pe. Agostinho não era dado a cultivar saudades do passado, mas sim, assumir positivamente as indicações que vinham de Roma.

Ao serem informados de sua possível transferência, os que mais sentiram foram os moradores do Mont Serrat. Quase todos assinam o abaixo-assinado endereçado a Dom Afonso Niehues. Entre outras motivações, escrevem: “Há 14 anos a Comunidade de Mont Serrat vem sendo despertada, num trabalho silencioso, mas frutificador. Olhamos à nossa volta e vemos, com satisfação, nossa horta comunitária, a nossa rua sendo calçada, constatamos a presença de casas melhoradas, a juventude antes ociosa e hoje unida contribuir para o desenvolvimento da comunidade, uma casa para servir a comunidade com cursos, reuniões, recreação… Tudo isso é fruto do abnegado e incansável sacerdote Pe. Agostinho que agora poderia começar a gozar o resultado de tantos esforços, e a comunidade progredir cada vez mais”.

Concluem, lembrando que “sabedores que somos da generosidade de vosso coração, humildemente pedimos que não nos tire este sacerdote, permita-nos continuar orientados, ensinados e evangelizados por ele; não nos deixe desamparados e entregues à angústia da dúvida”. Dom Afonso aguardou um ano para a transferência (abaixo-assinado é de 1966).

Paróquia São João Batista, Itajaí, SC

Pe. Agostinho Staehelin – Empossado em São João Batista, Itajaí por Dom Afonso Niehues

Em 25 de fevereiro de 1968, veio sua primeira nomeação de pároco e de primeiro pároco de São João Batista, bairro São João de Itajaí. Dom Afonso Niehues, prevendo o crescimento da cidade, decidiu dividi-la em mais paróquias, adquirindo terrenos para as estruturas pastorais, que agora supunham a igreja matriz, o centro paroquial e catequético. Assim, neste mesmo ano de 1968 foram criadas as paróquias de São João, Cordeiros, Dom Bosco e Fazenda.

Pe. Agostinho arregaçou as mangas, entusiasmou o povo e em tempo relativamente breve construiu a paróquia do ponto de vista pastoral e material. Firmou-se como liderança inconteste na cidade de Itajaí, reunindo em torno de si as principais autoridades do município. Isso foi tão evidente que muita gente gostaria que ele se candidatasse a prefeito municipal. Formalizando esse convite, esteve na paróquia, em 24 de novembro de 1975, o Governador do Estado Antônio Carlos Konder Reis. Respondendo ao convite, dois dias depois escreveu a resposta: “Eu sempre ensinei que o padre deve desempenhar seu ministério e o leigo assumir a sua missão de cristão no mundo. E no mundo administrativo, político, técnico, etc. existem homens verdadeiramente carismáticos e não devo roubar-lhes estas lideranças”. Também escreveu a Dom Afonso, afirmando não ser essa sua intenção: queria, isso sim, formar lideranças leigas ativas e bem preparadas, queria estar à disposição dos pobres.

A paróquia de São João foi estruturada no espírito conciliar com a formação de catequistas e líderes renovados. Crianças, jovens e casais sentiam-se em casa na sede paroquial, e viviam a alegria de ter um pároco entusiasmado, com muitas iniciativas.

Inaugurou moderna igreja matriz em 8 de setembro de 1975. À sua fama de construtor e capacidade de trabalhar deveu-se o convite feito pelo episcopado catarinense em 1978: levantar as estruturas do Seminário Filosófico Catarinense – SEFISC que acolheria os seminaristas estudantes de filosofia das dioceses catarinenses. Cada diocese recebeu um pavilhão, e numa construção maior funcionava a casa central para as atividades comunitárias. Aceitou o compromisso e a cada semana dedicava dois dias à construção.

Sentia-se a falta de um movimento paroquial que congregasse os casais, oferecendo formação cristã e encontros de lazer. Para isso veio em boa hora a notícia da fundação, em Curitiba, de um movimento que se chamava de Irmãos. Monsenhor Bernardo José Krasinski, pároco de Nossa Senhora de Guadalupe, queria ter um grupo de casais para animar a vida paroquial. Para isso, propôs um fim de semana, de sexta a domingo, com formação espiritual e humana. A iniciativa teve tal sucesso, que todos os participantes continuaram a se encontrar e promoveram outros finais de semana. A paróquia adquiriu nova vida.

Alguns padres da arquidiocese de Florianópolis, sabendo disso, foram a Curitiba participar de um encontro e retornaram animados para introduzir o Movimento de Irmãos em suas paróquias. Entre eles se encontrava Pe. Agostinho, feliz por ter uma organização familiar em sua paróquia. A fundação na paróquia de São João foi em 1970 e, pouco a pouco atingiu quase toda a arquidiocese, revelando-se um instrumento útil na pastoral familiar e na vida paroquial.

Sua identificação com o bairro São João deu-lhe o título de “Cidadão Honorário de Itajaí”, aprovado pela Câmara Municipal em 27 de agosto de 1981, pelo grande trabalho que vem desenvolvendo junto à comunidade, participando ativamente de todas as iniciativas, discutindo periodicamente os problemas locais, tanto sociais quanto econômicos e religiosos da população. O vereador Nereu Tibúrcio Sestrem, orador, ressaltou “o largo alcance dos atos executados, que de há muito ultrapassaram as fronteiras do município e têm servido de referência a outros que se propõem a realizar tarefa semelhante”. Seu interesse estava voltado mais às causas da população mais carente ou socialmente marginalizada.

O afeto pelo bairro causou inclusive ciumeiras na comarca, onde os párocos reclamavam de suposto bairrismo e pediam que se integrasse mais no conjunto das outras paróquias.

Paróquia Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha do Menino Jesus, Estreito, SC

Após 12 anos de frutuoso ministério paroquial, fortalecido pelo afeto do povo, Pe. Agostinho foi transferido para o Estreito, Paróquia de Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha do Menino Jesus, em 14 de fevereiro de 1982. Como Dom Afonso estava em Itaici, na Assembleia Geral da CNBB, a posse dada presidida por Dom Gregório Warmeling, bispo de Joinville e grande amigo. Sucedia a Pe. Quinto Davide Baldessar, vigário colado e que aceitou ser pároco de Nossa Senhora da Glória, no Balneário do Estreito, criada em 7 de fevereiro do mesmo ano. Pe. Agostinho detinha as qualidades para agir num ambiente conflitivo e dividido por alguns desencontros entre os sacerdotes que ali trabalhavam.

Desde a criação da Paróquia em 1944, em diversas ocasiões, encontra-se no Livro de Tombo a denominação de Santuário, ao referir-se à igreja matriz. Esta aspiração da Comunidade foi concretizada ao se comemorar o 70º aniversário das aparições de Nossa Senhora, em Fátima, Portugal. Atendendo a um pedido expresso, devidamente fundamentado, feito pelos Padres da Comarca do Estreito, no dia 12 de outubro de 1987, em solene Missa Campal presidida pelo Sr. Arcebispo Metropolitano Dom Afonso Niehues, foi solenemente assinado o Decreto que conferia à Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima a dignidade de Santuário. Segundo o mesmo Decreto, permanecia inalterado o título da Paróquia: Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha do Menino Jesus e o seu Pároco exerceria, cumulativamente, as funções de Reitor do dito Santuário.

Mons. Agostinho foi sempre um apaixonado pelos Meios de Comunicação Social. Achava que a Igreja tinha perdido muito, se preocupando mais com construções do que em investir em Jornal, rádio e TV.

No início de seu ministério na Paróquia da Catedral de Florianópolis, mantinha um programa diário na Rádio Anita Garibaldi. Numa ocasião alguém lhe falou que a rádio estava à venda. Começou a preocupar-se com o assunto e deixou avisado: “Sou o primeiro pretendente em caso de venda”. E elaborou um projeto de como angariar fundos para a aquisição. Para surpresa sua, numa ausência de oito dias, participando de um encontro, leu no jornal que a rádio tinha mudado de proprietário. Alguém chegou primeiro.

Na década de 50, entrou com processo no Ministérios das Comunicações para adquirir um canal que estava lacrado em Florianópolis. Apesar dos apoios que tinha, um deputado conseguiu a emissora. O mesmo sucedeu em outra ocasião. Vibrou quando foi nomeado para a Paróquia do Estreito, em 1982, pois essa era proprietária da Rádio Jornal a Verdade. Mas, já fora vendida.

Nunca arrefeceu nesse entusiasmo. Participou de congressos, cursos e encontros, inclusive promovendo cursos no Regional da Sul-IV, quando representava o Clero na Comissão Nacional do Clero – CNC.

Com o apoio do Serra Clube, dirigiu “A Voz do Estreito”, jornal paroquial mensal com tiragem de 4.000 exemplares.

Para garantir o financiamento dos programas de Comunicação, em 1987 fundou a Associação Mensageiros do Evangelho – AME, constituída por benfeitores que colaboravam mensalmente através de carnê. A AME manteve financeiramente a Missa na TV, que ele coordenou por 29 anos, a cada domingo redigindo o script e preparando o cenário da celebração. Esteve presente na fundação do Jornal da Arquidiocese, em 1996, encarregando-se da procura de patrocinadores.

Tudo isso foi realizado com muita alegria, não obstante a idade que avançava. Monsenhor acreditava nos MCS. Comentário no A VOZ DO ESTREITO: “Dotado de impressionante capacidade física, trabalha desde as primeiras horas do dia até altas horas da noite, sempre disposto e alegre”.

Em 1987 acumulou os trabalhos com a nomeação para administrador paroquial de São Judas Tadeu, em Barreiros, por terem deixado a paróquia os Padres dos Sagrados Corações.

Paróquia dos Sagrados Corações, Barreiros, São José

A paróquia dos Sagrados Corações de Barreiros, São José foi criada em 1960 e confiada aos padres da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, na maioria holandeses. Apostólicos, realizaram um imenso trabalho social e religioso, cujos frutos mais visíveis são a nova igreja matriz e a dinâmica Ação Social, sem contar os cursos profissionalizantes e o acréscimo do patrimônio material. Pe. Justino Corstjens SS.CC. foi a alma dinâmica que transformou um bairro desorganizado com pouca fama e muita pobreza, num exemplo de organização humana, religiosa e social.

Após 28 anos de generoso ministério, Pe. Justino teve de seguir adiante, pois sua Congregação religiosa carecia de padres.

Assim, em 8 de janeiro de 1989, Pe. Agostinho aceitou a transferência para essa paróquia, conservando o dinamismo revelado em Itajaí, claro que num novo ambiente humano e urbano. Percebendo o crescimento do bairro, sentindo a pouca atenção dada pelo poder municipal de São José, encabeçou um movimento para a criação de novo município, mas que não vingou.

Recordando o tempo em que trabalhava com farinha no engenho de seu pai que um dia lhe disse que “a farinha de Barreiros era melhor” do que a produzida por ele, introduziu a Festa da Farinha de Barreiros que foi bem recebida até o dia em que uma briga provocou morte, e foi suspensa.

Numa área apropriada, os padres holandeses tinham erguido um prédio para servir de Seminário, com o nome de Instituto São José. Pela reduzida procura de seminaristas, passou a funcionar como centro paroquial e, em seguida, casa de formação. Carente de um centro de formação, a arquidiocese se interessou em utilisá-lo. Deste modo, em 1993 Dom Eusébio Oscar Scheid, SCJ instalou nele o Seminário Propedêutico fundado em 27 de dezembro de 1993, nomeando Pe. Agostinho seu primeiro Reitor. Mesmo com sua dedicação e bondade com os seminaristas não conseguiu levar a obra adiante, e em 1995 foi transferido para Azambuja. O Instituto São José continuou ocupado pela Arquidiocese, especialmente para os encontros do Movimento de Irmãos. O edifício foi devolvido à Congregação.

Em 1993, Pe. Agostinho sofreu muito da coluna e submeteu-se a delicada cirurgia no Hospital de Caridade.

Em 28 de dezembro de 1995, foi nomeado pároco da Paróquia São Judas Tadeu, Barreiros, São José , SC, também fundação dos padres holandeses. Em 22 de dezembro de 1997, passou a Vigário paroquial da mesma Paróquia.

Associação Padre Augusto Zucco – APAZ

Em 7 de julho de 1998 passou a vigário paroquial do Santuário do Estreito e ao mesmo tempo foi nomeado Auxiliar na Formação do Seminário Propedêutico, instalado nessa paróquia.

No âmbito arquidiocesano foi membro do Colégio dos Consultores e do Conselho Presbiteral.

Padre Agostinho Staehelin

Pe. Agostinho foi entusiasta na promoção da unidade dos padres e no apoio a instituições que a alimentassem.  Não faltava a reuniões e encontros. Assim, na reunião da Diretoria da Comissão Regional do Clero, em Rio do Sul, foi eleito seu presidente. Presidiu a Comissão Regional do Clero por 10 anos, representando o Regional Sul IV da CNBB na Comissão Nacional do Clero. Como presidente desta Comissão ajudou a organizar o primeiro encontro nacional do clero do Brasil, e promoveu o primeiro encontro de padres de SC em Lages.

Era um tema que muito lhe tocava o coração, sentindo dolorosamente a desistência e desânimo de sacerdotes. Sofrera a experiência da desistência do ministério de seu sobrinho Pe. José Ênio Triervailer (1945-2014).

Outro tema que o ocupava era o sustento e o acompanhamento do padre idoso. Além disso, não seria oportuno adquirir um terreno e casa para encontros de lazer, especialmente às segundas-feiras?

Um grupo de padres, liderados por Pe. Agostinho (e Pes. Sérgio Maykot, Francisco de Assis Wloch, Luiz Carlos Rodrigues), fundou a “Associação Padre Augusto Zucco – APAZ”. Foi adquirida área significativa de terreno, na qual se construiu um galpão para jogos. Os padres interessados ali se reúnem às segundas-feiras para confraternização. Ali, na casa dos antigos proprietários, fixaram residência Dom Vito Schlickmann, bispo auxiliar emérito, Pe. Huberto Waterkemper e Mons. Agostinho.

Em 24 de janeiro de 1995, por solicitação de Dom Eusébio O. Scheid, SCJ recebeu do papa São João Paulo II o título de Monsenhor Camareiro Secreto. Com ele foram agraciados também Pe. Afonso Emmendoerfer e Pe. Francisco de Sales Bianchini.

Fundação da ACJ – Associação Cecília e João

Em 18 de dezembro de 1990, seu irmão Pe. Valdir Staehelin festejava os 25 anos de sacerdócio. Mons. Agostinho assumiu os preparos e as despesas. Enviou convite personalizado a todos os descendentes de seus pais, que responderam positivamente, comparecendo 345 pessoas. Depois da Missa, no salão de festas da paróquia de São Pedro, percebeu que os sobrinhos não se conheciam, e alguns, nem aos tios. Após o almoço, chamou pela idade os 15 irmãos, e pediu que fossem ao palco e se apresentassem.

Ao final, propôs a formação de uma Associação, ideia aplaudida e logo executada com a eleição do sobrinho Luiz Roque Schmitt como presidente. Foi o nascimento da ACJ, Associação Cecília e João. Concretizava seu amor pela família e o declarou numa mensagem aos paroquianos durante internação no Hospital de Caridade: “Sou um Padre feliz!”, e sou ainda muito mais por pertencer a esta família”.

Rumo ao encontro final

Chega o dia em que as forças físicas mostram o preço e Monsenhor decidiu retirar-se do trabalho paroquial. Era o ano 2001, e passou a residir na Associação Padre Augusto Zucco – APAZ. Recebia com alegria a todos os sacerdotes que ali passavam às segundas-feiras. Em 03 de outubro foi nomeado Vigário paroquial da Paróquia Santa Cruz, no bairro Areias, São José, SC e Coordenador da AME – SC.

Dedicou-se a arquivar alguns de seus sermões, palestras, discursos. Com esse material, em fevereiro de 2009 editou e publicou HISTÓRIAS DE MINHA VIDA.  Também publicou MOMENTOS DE INSPIRAÇÃO, HISTÓRIA DA FAMÍLIA STAEHELIN, COMENTÁRIOS DA MISSA DA TV.

Em 20 de dezembro de 2016 recebeu diagnóstico médico de tratamento por D. de Alzheimer, forma avançada. Sofria severas perdas cognitivas, com prejuízo da crítica, com riscos para si e para terceiros. O médico solicitou que recebesse atendimento individualizado.

Devido à necessidade de um acompanhamento maior e mais qualificado, em fevereiro de 2018 foi transferido para o Centro geriátrico Lar São Francisco de Assis, na Varginha, Santo Amaro da Imperatriz.

Faleceu no domingo em 20 de maio de 2018, na Clínica Saint Patrick, em Florianópolis. O velório foi mesmo dia, na casa de sua irmã Mônica, em Boa Parada, São Pedro de Alcântara. A Missa de Exéquias foi celebrada na igreja Matriz de São Pedro, onde tinha sido batizado, feito a primeira Eucaristia e servido de coroinha.

O arcebispo Dom Wilson Tadeu Jönck, SCJ comunicou o falecimento ao clero e ao povo: “Rendemos nossa gratidão à Trindade Santa, pela vida e ministério do Reverendíssimo Mons. Agostinho Staehelin, e suplicamos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo, que receba este sacerdote honroso na eternidade feliz, onde a Igreja, Esposa do Cordeiro, eternamente celebrará a vitória sobre a morte.”

Mons. Agostinho Staehelin foi sepultado no túmulo de seus pais, conforme pedira. De sua família de 16 irmãos, foi precedido por 6 irmãos e 4 irmãs.


Bibliografia

  • Pasta de documentos pessoais no Arquivo Histórico Eclesiástico de Florianópolis.
  • Staehelin, Monsenhor Agostinho.  HISTÓRIAS DE MINHA VIDA. São José, 400 páginas.
  • Livro de Tombo das paróquias onde trabalhou.
  • Arquivo da APAZ.
  • Encontros pessoais e memórias.

Pe. José Artulino Besen

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PADRE JOÃO CARDOSO

Padre João Cardoso – em 2009, Jubileu Áureo sacerdotal

João nasceu no Barracão, Brusque em 16 de maio de 1925, filho de Armindo João Cardoso e de Rosa Cândido de Jesus. Numerosa família de 11 irmãos. Em família assim, os filhos recebiam apelidos, e a João coube o de “Janga”.

O pai sustentou a família com o trabalho agrícola e com um engenho de farinha, no Barracão. Aos domingos gostava de tocar bailes, e João era muito dado a festas, especialmente a danças, as domingueiras de domingo à tarde.

Com 15 anos recebeu o primeiro emprego, de tecelão na Fábrica Renaux.

O tempo passou e, sendo um homem maduro nos seus 21 anos, começou a se questionar o que faria da vida: trabalhar, dançar, divertir-se, namorar?

E pensou em ser padre. Procurou o pároco de Brusque, um padre dehoniano. Este respondeu-lhe que já estava muito maduro para entrar no Seminário. Era ideia corrente que alguém adulto já estaria com convicções formadas e seria difícil passar-lhe novos valores, amoldá-lo para o sacerdócio.

João foi ao Seminário de Azambuja e lá encontrou o bondoso reitor Pe. Bernardo Peters, que logo o acolheu.

E assim, em 1947, com 22 anos ingressou no Pré-seminário em São Ludgero, para estudar o Preliminar, curso de admissão ao ginásio, tendo em vista que tinha cursado apenas o primário.

Os estudos em Azambuja foram de 1948 a 1952, um peso a ser carregado. Ali aprendeu a amar confiantemente Nossa Senhora do Caravaggio.

Cursou a Filosofia no Seminário de São Leopoldo/Viamão, de 1953 a 1955. A Teologia em Viamão, de 1956 a 1958. Podemos imaginar o sacrifício que era para João Cardoso estudar em latim, mas, ele queria ser padre e a dificuldade estava incluída no caminho.

A ordenação diaconal foi em 21 de dezembro de 1958, na catedral de Florianópolis.

Finalmente, em 6 de dezembro de 1959, o arcebispo Dom Joaquim Domingues de Oliveira ordenou-o padre, também na catedral de Florianópolis. Estava com 34 anos de idade, com toda a força para viver o ministério sacerdotal.

Ministério sacerdotal

Os muitos anos de presbítero, 58 anos, foram vividos numa área relativamente pequena sempre no município de Florianópolis, na baía sul na Ilha e no Estreito, continente. E, para sua alegria, sempre sob o patrocínio de Nossa Senhora a quem dedicava todo o seu afeto.

Padre João Cardoso – em 1959, neo-sacerdote

Em 6 de dezembro de 1959 foi nomeado vigário paroquial de Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha, no Estreito, Florianópolis. Ali teve início seu “roteiro” pastoral: missa, confissões, visitar e benzer casas e difundir o Rosário.

Em 17 de janeiro de 1962, foi transferido como vigário paroquial de Nossa Senhora do Desterro, catedral de Florianópolis, onde era pároco Pe. Francisco Bianchini, atendendo mais a comunidade da Prainha, cuja Padroeira escolheu: sua querida Santa Teresinha do Menino Jesus. Num ano ergueu e inaugurou nova igreja. Foi incansável sua dedicação aos pobres, organizando a distribuição de cestas básicas doadas pelo serviço americano Aliança para o Progresso. Vivia-se o medo do comunismo, da influência soviética e ele pessoalmente estava atento a denunciar qualquer liderança que difundisse convicções políticas de esquerda. Para ele, o regime militar foi uma bênção de Nossa Senhora de Fátima, livrando o Brasil do comunismo ateu. Pe. Cardoso apreciava a Missa dos Homens, na Catedral, onde insistia na fidelidade conjugal e na confissão.

Empenhou-se na organização do Movimento Familiar Cristão – MFC, em 1965, buscando padres que aceitassem a direção espiritual das equipes.

Para sua alegria, em 13 de junho de 1966 recebeu a transferência para 1º Pároco de Nossa Senhora da Boa Viagem, Saco dos Limões, Florianópolis. Terminou a construção da igreja matriz, construiu o salão paroquial e a capela da Costeira do Pirajubaé. Foi exemplar sua dedicação ao povo, aos pobres, a cada ano benzendo as casas. A bênção era dada de modo prático e rápido: no domingo comunicava as ruas pelas quais passaria na semana e pedia que se deixasse uma janela aberta. E assim, ia caminhando, chegava à janela, fazia uma saudação, aspergia água benta e seguia em frente. Se a dona estivesse em casa, uma breve saudação e o presente de um santinho ou de um terço do rosário. Isso me faz recordar a “técnica” de outro velho vigário, Mons. Agenor Neves Marques, em Urussanga: pedia que esticassem um lençol no telhado e depois, num avião teco-teco, sobrevoava jogando água benta.

Esse trabalho, possibilitou-lhe conhecer todas as famílias da paróquia, o nome de cada fiel, criando vínculos de amizade que atravessaram os anos de sua vida. Transformou seu ministério em grande família.

De 1968 a 1972, por necessidade da arquidiocese, acumulou o trabalho com o de vigário encarregado de Nossa Senhora da Lapa, Ribeirão da Ilha.

Em 1972 foi internado no Beneficência Portuguesa, em São Paulo, para cirurgia de revascularização miocárdica. A cirurgia revascularização do miocárdio, popularmente conhecida como ponte de safena, hoje é uma das cirurgias mais realizadas em todo mundo. Ela é indicada em situações onde existem obstruções (entupimentos) importantes nas artérias do coração, conhecidas como artérias coronárias. Pe. João Cardoso foi operado por Dr. Adib Jatene. Era uma cirurgia de risco e o médico deu-lhe 8 anos de vida, felizmente ultrapassados em muitos anos. Em agosto de 1979, nova internação, pois sofrera infarto por insuficiência coronária aguda. Novo calvário em São Paulo, novas vitórias, num caso de pouca esperança.

Dizem que os que passam por cirurgia do coração se tornam carentes e, no caso de Pe. Cardoso, era verdadeiro pois a cada ano os paroquianos cantavam os parabéns por ocasião do aniversário. Era um evento.

Pe. João era a costumado a viver com simplicidade e a ser obedecido prontamente. As discussões por contrariedade tinham palavras até duras, inclusive com ameaças de vias de fato. Um homem criado na roça e na fábrica até os 22 anos conservava certos costumes de valentia.

Após 21 anos em Saco dos Limões, em 26 de junho de 1987 foi provisionado pároco de Nossa Senhora da Glória, Balneário, Florianópolis, substituindo a Monsenhor Valentim Loch. Uma paróquia de pequeno território, criação recente, povo de classe média que conhecia em boa parte, pois eram fregueses do Estreito, seu primeiro campo de apostolado.

Pe. João Cardoso, um padre devoto

Organizou e dirigiu 9 peregrinações a Israel, Fátima e Medjugorie, criando seus grupos de devotos e devotas. Especial atenção para os lugares de Milagres Eucarísticos, como Lanciano. Ao retornar, aproveitava as homilias para narrar o que viu, os milagres acontecidos, as palavras de Nossa Senhora. Isso contribuiu para que algumas pessoas, especialmente senhoras, passassem a ter visões durante a Missa e que ele ajudava a confirmar: se a senhora viu, é porque viu.

Pe. João Cardoso era um homem piedoso e devoto. Viveu e difundiu as três devoções Brancas: à Eucaristia, a Maria e ao Papa.

Era uma grande alma mariana. No seu período, quatro fenômenos encontraram forte difusão: o 3º Milagre de Fátima, as aparições em Medjugorie, as locuções de Vassula Ryden, publicadas sob o título A Verdadeira Vida em Deus, e o Movimento Sacerdotal Mariano do Pe. Stefano Gobbi.

Nesse novo campo sentiu-se livre para cultivar o espírito mariano e suas devoções pessoais, falando intensamente das aparições de Medjugorie e da difusão do 3º segredo de Fátima. Levava a sério toda notícia de manifestações marianas, pois, afirmava, é melhor acreditar, porque pode ser verdade e a gente sai ganhando.

Característica desse fenômenos é a transmissão imediata das revelações, via internet ou livros. Tinha-se o sentimento da comunicação instantânea com o mundo divino.

A igreja matriz de Nossa Senhora da Glória era centro forte dessas devoções que se concretizavam na oração do Terço. Quando Dom Eusébio Oscar Scheid soube que Pe. Cardoso promoveria mais uma conferência de Vassula Ryden, ordenou que a suspendesse. Mas, como fazê-lo, se tudo já estava preparado e bem anunciado? Desobedecer não queria. Encontrou a solução: deixou tudo organizado, saiu de casa naquele dia… e tudo aconteceu sem problema! Com relação ao Pe. Gobbi, ao qual Nossa Senhora falava em locuções interiores, Pe. João teve uma decepção: em duas noites o padre esvaziara sua adega.

Essa tendência ao maravilhoso, ao anúncio do fim dos tempos, do retorno do Senhor contribuiu para isolá-lo do conjunto do clero e a estimular a leitura devocional em detrimento da Sagrada Escritura. Com o tempo acrescentou a devoção ao Padre Pio, o Santo homem do confessionário. É claro que agia por reta intenção: levar as pessoas a evitar o pecado e buscar o confessionário, pois Nossa Senhora o pedia. Sua preocupação fundamental: a salvação das almas, o medo do inferno.

Em Balneário, Pe. João mantinha um programa religioso às 18hs, de segunda a sexta, retransmitido através de cornetas instaladas na torre. Pelo alto volume, começaram as reclamações. Quando lhe pediram que diminuísse o volume, respondeu que então menos gente poderia ouvir. As queixas aumentaram: “na hora que ele começa a falar, ninguém consegue fazer mais nada”, protestou uma moradora. Subindo o tom das reclamações, Pe. João foi claro: “os que não quiserem escutar, podem fechar a casa toda”. Alguns falavam que ele tinha complexo de radialista (cf. DC 20/11/1995).

Pe. João gostava de sair de carro para visitar paroquianos, colegas padres e, principalmente, o cemitério Jardim da Paz, em Azambuja, aonde se dirigia às segundas-feiras, para a celebração da Missa. E manifestava seu desejo de ali ser sepultado, num dia chegando a pedir que o povo reunido jurasse que cumpriria essa promessa. E assim foi.

Não era consumista, mas gostava de dinheiro e de pedi-lo, para as obras de caridade: doar cestas básicas a famílias pobres, levar alimento para o Carmelo e, com muita alegria, para os seminários. E também para imprimir seus cartões e santinhos.

Os últimos dias

E, num dia, sua saúde baqueou: uma infecção urinária e bactéria levou-o a longa internação hospitalar no SOS Cárdio, da qual saiu com dificuldade de fala e de andar, obrigando-o a servir-se de bengala. Recuperou-se bem da fala e suas faculdades mentais nada sofreram. Mas, não seria possível continuar no ofício de pároco. Deste modo, em 11 de fevereiro de 2007, foi nomeado vigário paroquial de Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha, Estreito, Florianópolis, onde iniciara sua vida de padre.

Sentado vizinho a uma janela, manifestava sua disposição para confissões e para o atendimento a quem o procurasse a partir da 7h. Os mais assíduos eram os moradores de rua em busca de uma esmola e que recebiam sempre um conselho, 2 reais e uma paçoca de amendoim. Com o tempo conhecia-os todos e também conhecia as histórias de que se serviam para pedir um auxílio.

Era característica sua: dar presentes, santinhos, cartões de aniversário, telefonar e reclamar que não lhe tinham telefonado. Gostava de imprimir nas numerosas fotografias que distribuiu: “Se eu não fosse padre, gostaria de ser padre”.

Pe. Cardoso gostava de festejar aniversário, pois sentia-se amado, e comemorou os 25, 50 anos de ministério sacerdotal. O presente desejado era a presença do povo, que o deixava como criança feliz. Neste 16 de maio celebrou o último aniversário, agora os 93 anos. Estava feliz, até suspeitando de ser sua última festa.

Em setembro de 2016 a saúde enfraqueceu e era difícil que morasse na casa paroquial, que não dispunha de equipamentos apropriados. Por esse motivo, em 11 de outubro de 2016, foi residir na Orionópolis Catarinense, São José, acolhido generosa e fraternalmente pelo diretor, o orionita Pe. José Manoel dos Santos, a quem devemos a gratidão pelo gesto fraterno. Ficava muito feliz com visitas e telefonava quando escasseavam.

Pe. João Cardoso vivia preocupado com sua salvação eterna: “tenho preocupação com a morte, com minha apresentação diante de Deus”. Semanalmente recorria ao Tribunal da Misericórdia, à Confissão.,

Grande devoto de Nossa Senhora, da Mãe de Deus e dos sacerdotes, após breve internação no Hospital de Caridade, foi chamado por Deus num dia muito mariano: às 11,30h do dia 15 de agosto, dia da Assunção de Maria ao Céu.

Às 16h seu corpo foi introduzido no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, no Estreito, para que o povo pudesse velá-lo. Às 19,30, o bispo auxiliar emérito Dom Vito Schlickmann presidiu a Missa, concelebrada pelos padres que puderam se fazer presentes. E, no dia 16 de agosto de 2018, a viagem até Azambuja onde, no cemitério Parque da Saudade, foram celebradas as Exéquias, seguidas do sepultamento. Há muitos anos manifestara o desejo de ser sepultado em Azambuja, onde iniciara o caminho sacerdotal. Deus, que lhe concedeu longa existência e um longo sacerdócio, certamente o recebeu no Paraíso.


Pe. José Artulino Besen

 

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PADRE LUIZ CARLOS RODRIGUES

Padre Luiz Carlos Rodrigues

Na década de 60 do século passado, especialmente após o Vaticano II, falou-se bastante de vocações “adultas”, isto é, receber no seminário jovens já saídos da adolescência, com maior maturidade afetiva, que tivessem completado o 2º. Grau. A tradição formativa preferia receber vocacionados crianças e adolescentes, e os estudos seminarísticos pediam um percurso de sete anos antes de iniciar o Seminário maior, o que facilitaria o trabalho da formação integral da personalidade. A multiplicação de colégios e ginásios em municípios do interior sinalizava a possibilidade de ingressar no seminário diretamente nos estudos filosóficos, favorecendo a formação no âmbito da família e da comunidade.

Dom Afonso Niehues, arcebispo de Florianópolis, foi favorável a esse novo caminho ainda como experiência, e recebeu vocacionados encaminhados para Curitiba, diretamente para os estudos filosóficos e teológicos. Isso acarretou novas exigências, especialmente na formação humana e religiosa: era desafiante acompanhar um seminarista vindo do seminário menor ou do colégio público. Incluído nos primeiros que trilharam o novo caminho está Luiz Carlos Rodrigues.

Luiz Carlos Rodrigues nasceu em Serraria, Barreiros, São José, SC em 22 de novembro de 1946, filho de Jorge Turíbio e Benta Paulina Farias, numa numerosa família de 10 irmãos. Seu pai era pescador, embarcado, passando tempos fora de casa. Uma família pobre alicerçada na coragem e perseverança da mãe. Sua formação escolar aconteceu em colégios públicos até a conclusão do 2º Grau: estudos primários em Barreiros, ensino fundamental na Escola Industrial de Florianópolis (1960-1963) e o ensino médio no Instituto Estadual de Educação (1964-1967). Leia o resto deste post »

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