NOSSA SENHORA DO CARMO

Nossa Senhora do Carmo

O título de Nossa Senhora do Monte Carmelo, ou também do Carmo, é uma  das devoções mais antigas e amadas da cristandade e deita raízes nos tempos bíblicos. É a padroeira dos carmelitas e daqueles que se empenham em viver a espiritualidade do Carmelo; é protetora e intercessora daqueles que carregam o Escapulário, é a Rainha das almas do purgatório.

Em todo o mundo se multiplicaram os santuários, igrejas, irmandades, e, santos, papas, religiosos e devotos invocam esse título mariano festejado em 16 de julho.

O culto de Nossa Senhora do Carmelo tem suas raízes nove séculos antes do nascimento de Maria e está ligado a uma passagem da vida do profeta Elias, na cadeia montanhosa do Monte Carmelo, na Alta Galileia, onde tinha fundado uma comunidade de homens, defendendo a pureza da fé no Deus vivo contra a tentação do culto idolátrico a Baal. Ali Elias teve a visão da pequena nuvem, pequena como a mão de homem, que da terra subia para o monte, trazendo a chuva e salvando Israel da seca.

“Então, Elias disse a Acab: “Vai, come e bebe, porque já ouço o ruído de uma grande chuva”. Voltou Acab para comer e beber, enquanto Elias subiu ao cimo do monte Carmelo, onde se encurvou por terra, pondo a cabeça entre os joelhos. Disse ao seu servo: “Sobe um pouco e olha para as bandas do mar”. Ele subiu, olhou o horizonte e disse: “Nada”. Por sete vezes, Elias disse-lhe: “Volta e olha”. Na sétima vez, o servo respondeu: “Eis que sobe do mar uma pequena nuvem, do tamanho da palma da mão”. Elias disse-lhe: “Vai dizer a Acab que prepare o seu carro e desça para que a chuva não o detenha”. Num instante, o céu se cobriu de nuvens negras, soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente. Acab pulou na carruagem e partiu para Jezrael.  A mão do Senhor veio sobre Elias, o qual, tendo cingido os rins, passou adiante de Acab e chegou à entrada de Jezrael. ” (1Re 18, 41-45).

Nesta imagem, uma tradição transmitida nos escritos pelos Padres da Igreja via na pequena nuvem o símbolo da Virgem Maria que – carregando em si o Verbo de Deus – deu ao mundo vida e fecundidade e continua a oferecer aos homens sua poderosa intercessão. Essa tradição forte no período medieval, encontrou acordo entre os exegetas os místicos cristãos.

As origens do culto

A devoção a Nossa Senhora do Monte Carmelo é inseparável da história e dos valores espirituais da Ordem dos Frades Carmelitas, à difusão do Escapulário e à oração pelas almas do purgatório.

Nos séculos medievais se estabeleceram no Monte Carmelo as primeiras comunidades monásticas que deram início à vida contemplativa. No século XI, os cruzados encontraram estes religiosos, provavelmente do rito maronita que se definiam herdeiros e discípulos do profeta Elias e seguiam a regra de São Basílio. Pelo ano 1154, retirou-se ali o nobre francês Bertoldo, vindo da Palestina com seu primo Armério e veio decidido a reunir os eremitas em vida cenobítica.

Ali, rodeada pelas pequenas celas construíram pequena igreja que dedicaram a Maria, e os eremitas se denominaram “Frades da Bem-aventurada Virgem Maria do Carmelo”, os atuais Carmelitas. Deste modo, o Carmelo adquiria definitivamente suas duas características: a referência ao profeta Elias e a união com a Virgem. Em seguida, o patriarca de Jerusalém redigiu os primeiros estatutos para os eremitas do Monte Carmelo.

Por volta de 1235, os frades tiveram que abandonar o Oriente, devido à invasão sarracena. Os que não sofreram o martírio instalaram-se pela Europa, fundando  o primeiro convento em Messina. Deste modo os carmelitas espalharam o culto àquela “a quem foi dada a glória do Líbano e o esplendor do Carmelo e do Saron” (Is 35,2).

O Escapulário do Carmelo e as promessas

Por volta de 1247, o frade Simão Stock foi escolhido como o sexto prior geral da Ordem Carmelitana; ele, venerado como santo pela Igreja Católica, propagou a devoção da Virgem do Carmelo e compôs para ela um belo hino, o Flos Carmeli.

São Simão Stock era profundamente devotado a Nossa Senhora e muitas vezes implorava-lhe que concedesse proteção especial à sua Ordem, com o dom de algum privilégio. Segundo a tradição, a Virgem quis ouvi-lo e no domingo, 16 de julho de 1251, apareceu ao Santo, com 86 anos, rodeada de anjos e com o Menino nos braços, mostrou-lhe um Escapulário e disse: “Filho amado, leve este Escapulário da sua Ordem, sinal de minha Irmandade, um privilégio para você e todos os Carmelitas. Aquele que morrer neste hábito não sofrerá um fogo eterno; ele é um sinal de saúde, de segurança nos perigos, de um pacto de paz e de um pacto de eternidade”.

Deste modo, a Virgem deixou nas mãos de Simão o penhor de sua primeira “Grande Promessa”: proteção e salvação eterna àqueles que usassem seu hábito sagrado. Originalmente, o escapulário era uma peça sem mangas e aberto nos lados. Na Idade Média, era usado por monges e frades para cobrir a veste no peito e nas costas.

A segunda promessa: o privilégio do Sábado

Vários anos depois da primeira promessa, no início dos anos 1300, a Virgem apareceu a Jacques Duèze, futuro Papa João XXII, e lhe teria dito: “Aqueles que estiverem vestidos com este hábito sagrado serão libertados do purgatório no primeiro sábado após a sua morte”. Portanto, se com a primeira promessa a Virgem assegurava a salvação eterna, com a segunda ela reduzia a permanência da alma no purgatório a um máximo de uma semana.

Assim, por mais de sete séculos os fiéis têm usado o Escapulário do Carmelo para assegurar a proteção de Maria em todas as necessidades da vida e para obter, através de sua intercessão, a salvação eterna e uma pronta libertação do purgatório.

As promessas relacionadas ao Escapulário também foram confirmadas pela Virgem em Fátima. Em 13 de outubro de 1917, de fato, enquanto o grande milagre do Sol era visto por mais de cinquenta mil pessoas, Maria mostrava-se aos pastores sob as vestes da Virgem do Carmelo, segurando apresentando o Escapulário em suas mãos.

Pode-se dizer, portanto, que os inestimáveis ​​privilégios ligados ao Escapulário são parte integrante da Mensagem mariana de Fátima, juntamente com o Rosário e a devoção ao Imaculado Coração de Maria. De fato, as referências ao inferno e ao purgatório, a necessidade de penitência e a intercessão de Nossa Senhora contidas na Mensagem estão em absoluta harmonia com as promessas ligadas ao Escapulário. Não é por acaso que Lúcia, a única dos três pastores que permaneceu viva, se tornou uma Carmelita Descalça, e disse que na mensagem de Nossa Senhora “o Rosário e o Escapulário são inseparáveis”. A Igreja sempre reconheceu e apreciou o Escapulário, através da vida de tantos santos e de Papas que o recomendaram e trouxeram.

São João XXIII confirmou a devoção e mais vezes o recomendou; São Paulo VI exortava ao uso e “recomendou expressamente a prática religiosa do Rosário e do Escapulário do Carmo”. E São João Paulo II falou a dois carmelitas: “também eu carrego no meu coração, há tanto tempo, o Escapulário do Carmelo, pelo amor que nutro pela Mãe celeste, cuja proteção experimento continuamente”.

Milhões de devoto espalhados pelo mundo atestam a devoção mariana, tão simples, simbolizada nas medalhas sobre o peito e a coluna, o Escapulário da Mãe de Deus.


Pe. José Artulino Besen

  1. #1 por a em 16 de julho de 2019 - 15:18

    Pe. José Besen, vou compartilhar com amigos do facebook. Obrigado!.

%d blogueiros gostam disto: