4. Perseverança

……

Também o grande Crisóstomo disse: “Suplico-vos, irmãos, nunca transgridais, nunca desprezeis a regra da oração” (Pseudo João Crisóstomo, Aos monges, PG 60, 752). E logo depois: “O monge, quer coma, quer beba (cf. 1Cor 10,31), quer esteja sentado ou preste um serviço, viajando, e qualquer coisa faça, grite incessantemente: ‘Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim’” (id. ib.). E pouco depois: “…para que o nome do Senhor Jesus, descido ao profundo do coração, humilhe o dragão que se apoderou das pastagens do coração, salve e dê vida à alma. Permanece incessantemente no nome do Senhor Jesus, para que o coração absorva o Senhor e o Senhor o coração e ambos se tornem um” (id. p.753). E ainda: “Não separeis de Deus o vosso coração, mas perseverai e guardai-o na recordação de Nosso Senhor Jesus Cristo, até que o nome do Senhor seja plantado dentro do coração e não pense em outra coisa a fim de que Cristo seja glorificado em vós” (id. p. 752).

Calixto e Inácio Xantopoulos,
Método 21

As profundezas do coração, antes dessas coisas, ou melhor antes de tudo, enfrentem esta luta através do recurso à graça divina, que os alcança na fé através da invocação pura e firme somente do nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, não através do simples método natural exposto acima, isto é, da respiração através do nariz ou do estar sentados num lugar tranqüilo e solitário; jamais! Nessas coisas, os pais nada mais viram do que um auxílio para recolher as profundezas do coração e para fazê-las reingressar em si deixando o habitual devaneio e restituindo-lhes a atenção. Então, como dissemos acima, a oração pura, contínua e recolhida nasce no profundo do coração, como disse o Pai Nilo: “A atenção que procura a oração encontrará a oração, porque nada traz a oração além da atenção, pela qual é necessário estar cheios de zelo” (Nilo, Discurso sobre a oração 149).

Calixto e Inácio Xantopoulos,
Método 24

Também o orar sempre no interior do coração, como tudo o que o ultrapassa, não se obtém simplesmente, como por acaso, com pouco sofrimento e rápido, mesmo que tudo isso se realize em qualquer um por uma inefável economia. Habitualmente é necessário muito tempo, fadiga, muita luta do corpo e da alma e muita e forte violência para alcançar essa meta. De acordo com a parte que nos toca no dom e na graça de que esperamos participar, é necessário, o quanto pudermos, colocar como fundamento as lutas que combatemos por ela e acrescentar o tempo. Nisto, segundo os santos mestres, consiste o expulsar o inimigo das pastagens do coração e nele fazer claramente morar o Cristo.

Diz Santo Isaac: “Quem quiser ver o Senhor se esforce para purificar o coração na recordação contínua de Deus. Assim, na luminosidade de seu profundo, verá o Senhor em todo momento” (Isaac de Nínive, Discursos 43). E São Barsanúnfio diz: “Se a atividade interior realizada com Deus não socorre o homem, em vão esse se afadiga no exterior … Porque a obra interior com a fadiga do coração traz a pureza; a pureza traz a verdadeira paz do coração, essa paz traz a humildade, a humildade faz do homem a habitação de Deus, dessa habitação os demônios são expulsos juntamente com as paixões. E assim, o homem se torna templo de Deus, cheio de santidade, cheio de luz, pureza e caridade” (Barsanúnfio, Cartas 119). Então, feliz aquele que contempla como num espelho o seu Senhor nos lugares profundos do coração, e faz jorrar sua oração e reza diante de sua bondade.

E João Carpácio: “Às orações é necessário consagrar uma longa luta e muito tempo para descobrir o estado de ânimo livre de perturbação, esse céu no interior do coração onde habita Cristo, como diz o Apóstolo: Acaso não reconheceis que Cristo habita em vós?” (2Cor 13,5b. João Carpácio, Aos monges da índia 52). A menos que estejais reprovados (2Cor 13,5c).

E o grande Crisóstomo: “Persevera incessantemente no nome do Senhor Jesus, a fim de que o coração absorva o Senhor e o Senhor o coração e ambos se tornem um. Essa, contudo, não é obra de um ou dois dias, mas exige muito tempo. Há necessidade de muita luta e de tempo para que o inimigo seja expulso e o Cristo venha habitar em nós” (Pseudo João Crisóstomo, Aos Monges, PG 60, 753).

Calixto e Inácio Xantopoulos,
Método 52

Todo fiel recite continuamente o nome do Senhor Jesus como oração com as profundezas do próprio coração e com a língua, quer quando esteja parado quer quando caminhe ou esteja sentado ou deitado (cf. Dt 6,6-9), qualquer coisa diga ou faça, nisso sempre se empenhe. Encontrará grande serenidade e alegria, como sabem por experiência os que tiveram o empenho de guardar essa oração. Mas, como essa obra supera os homens absorvidos pelas coisas dessa vida, e os próprios monges que se encontram mergulhados em atividades rumorosas, é necessário também algo de preciso para cada um com referência a ela, e que todos recebam uma indicação sobre como praticar essa oração, segundo as próprias possibilidades, quer sejam os presbíteros, quer sejam os monges, quer sejam os leigos. Os monges, enquanto consagrados exatamente para isso e como têm uma dívida absoluta em relação a ela, também se se encontram em meio ao barulho de seus serviços, se esforcem sempre por fazer isso que devem, e invoquem incessantemente (cf. 1Ts 5,17) o Senhor, mesmo que estejam no meio do barulho e da confusão, também se o profundo do coração está aprisionado, como se diz e como acontece de fato. Cuidem para não relaxar na oração a fim de não serem derrubados pelo inimigo, mas retornem à oração e, no retornar, se alegrem. Os presbíteros cuidem dessa oração como de uma atividade apostólica e como de um anúncio divino, pois ela está apta para realizar as obras divinas e revela o amor de Cristo. Enfim, aqueles que vivem no mundo pratiquem-na o quanto lhes for possível, porque ela é um selo neles aplicado e um sinal de sua fé; ela os guarda, os santifica, afasta para longe deles toda tentação.

É necessário, por isso, que todos, presbíteros, leigos e monges, ao despertarem do sono pensem antes de tudo em Cristo e se recordem de Cristo antes de qualquer coisa. Devem oferecer a oração a Cristo como primícias e sacrifício de todo pensamento. Antes de outra preocupação é necessário recordar-se de Cristo que nos salvou e tanto nos amou, para que sejamos e sejamos chamados de cristãos e fomos revestidos de Cristo no divino batismo (cf. Gl 3,27) e marcados com seu óleo perfumado e temos participado e participamos de sua santa carne e de seu sangue, somos seus membros (cf. 1Cor 12,27), seu templo (cf. 2Cor 6,16), dele nos revestimos (cf. Gl 3,27) e ele habita em nós. Por isso, devemos amá-lo e recordar-nos sempre dele. Cada um, portanto, tenha, o quanto lhe é possível, um tempo e um número determinado de invocações para essa oração, o que deve cumprir como uma dívida.

Simeão de Tessalônica,
A santa e deificante oração, Vol. V, p. 62

Vede, meus irmãos, como todos os cristãos, do menor ao maior têm o dever de orar sem cessar com a oração espiritual, “Senhor Jesus Cristo, piedade de mim” e de habituar a mente e o coração e a repeti-la sempre. Considerai como agrada a Deus essa oração e que vantagem nos traz desde que, por sua suma bondade, nos enviou um anjo do céu a nô-la revelar de modo que não tenhamos nenhuma hesitação com relação a isso. Mas, o que dizem os leigos? “Estamos submersos em tantos trabalhos e preocupações mundanas; como é possível rezarmos sem cessar?” E eu respondo: “Deus não nos pediu nada de impossível, mas somente o que podemos fazer. Por isso, também isso pode ser feito por quem busca com perseverança a salvação de sua alma. Se fosse impossível, o seria para todos os leigos e não se encontraria no mundo tantíssimas pessoas que a praticam”.

Anônimo (Filoteu Kokkinos),
Da vida de São Gregório de Tessalônica,
Vol. V, 108-109

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