14. As lágrimas

Não te orgulhes se durante a tua oração vertes lágrimas. Cristo tocou teus olhos e reencontraste a tua vista espiritual.

Marcos o Asceta,
A lei espiritual 15

Antes de tudo reza para receber as lágrimas para que, mediante o luto, amacies a dureza inerente à tua alma e, confessando ao Senhor contra ti as tuas iniqüidades (cf. Sl 31,5), dele ela obtenha o perdão.

Marcos o Asceta,
Discurso sobre a oração 5

Recorre às lágrimas para o bom resultado de cada pedido teu. O teu Senhor muito se alegra se oras com lágrimas.

Marcos o Asceta,
Discurso sobre a oração 6

Se na tua oração derramas fontes de lágrimas não te envaideças, como se fosses superior aos outros. A tua oração obteve auxílio para que tu pudesses prontamente confessar teus pecados e aplacar o Senhor com as lágrimas.. Não transformes em paixão o antídoto das paixões, se não quiseres irritar mais ainda aquele que te deu a graça.

Marcos o Asceta,
Discurso sobre a oração 7

Muitos, chorando seus pecados se esqueceram da finalidade das lágrimas e, tornando-se loucos, se perderam.

Marcos o Asceta,
Discurso sobre a oração 8

Assim como se julga o alimento sem sal com a boca, do mesmo modo a oração que sobre à mente sem contrição.

Elias Presbítero,
Capítulos práticos 68

Para que ninguém pense de fazer algo de grande com sua ascese e com os muitos gemidos e as muitas lágrimas, é-lhe dado o conhecimento dos sofrimentos de Cristo e de todos os santos. E quando o medita, fica atemorizado e, ao mesmo tempo, admirado e se esmigalha a si mesmo na ascese. De fato, reconhece a própria fraqueza contemplando provações tão grandes e inumeráveis. De que modo os santos suportaram com alegria tais tormentos? E quantas dores o Senhor sofreu por nós! Além disso, é iluminado no conhecimento daquilo que o Senhor fez e disse. Considerando tudo isso que é dito no evangelho, ora começa a gemer amargamente pela tristeza, ora a alegrar-se espiritualmente na ação de graças. … Ele se torna como que prisioneiro dos conceitos expressos pelas palavras que lê ou que recita nos Salmos e, pelo prazer que sente muitas vezes, esquece involuntariamente seus pecados e começa a chorar de alegria como pela doçura do mel. E novamente, temendo o engano, isto é, de que esse choro seja fora de hora, retrai-se e, recordando-se do comportamento de antes, chora amargamente e assim avança entre os dois tipos de lágrimas.

Pedro Damasceno,
Livro II, pp. 132-133

Às vezes, após o fluir das lágrimas se acrescem à percepção espiritual do coração amargura e dor; às vezes, porém, alegria e exultação. Quando nos purificamos através da conversão do veneno e da imundície do pecado, naturalmente vertemos as lágrimas ardentes do fogo divino, sob o calor do fogo. Somos golpeados em nossos pensamentos como por pesados martelos por causa dos gemidos que sobem do profundo do coração e sentimos espiritualmente e sensivelmente amarguras e dores. Mas quando, suficientemente purificados por tais lágrimas, chegamos à libertação das paixões, então consolados pelo Espírito divino como quem obteve um coração pacificado e puro, ficamos cheios de prazer e de doçura indizível pelas lágrimas de compunção que atraem alegria.

Nicetas Stéthatos,
Capítulos práticos 69

Umas são as lágrimas que vêm do arrependimento e outras as que vertemos pela divina compunção. As primeiras, de fato, são como um rio que arrebenta e leva todos os baluartes do pecado; as outras, são para a alma como a chuva no prado e como neve nobre a relva (Dt 32,2; Sl 65,12), nutrem a espiga do conhecimento, a fecundam e a fazem frutificar.

Nicetas Stéthatos,
Capítulos práticos 70

A respeito das aflições segundo Deus, disse o Salvador: Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados (Mt 5,4). E ainda, a respeito das lágrimas, Santo Isaac escreve: “As lágrimas na oração são um sinal da misericórdia de Deus de que a alma, mediante seu arrependimento, tornou-se digna e um sinal de que foi acolhida e, com as lágrimas, começou a entrar na planície da pureza. Mas, se não são afastados os pensamentos das coisas que passam, se não rejeitam por si mesmo a esperança desse mundo, se não começam a predispor um bom viático para o êxodo dele e na alma não começam a mover-se pensamentos de eternidade, os olhos não podem chorar. De fato, as lágrimas provêm da meditação pura e limpa de distrações, dos muitos pensamentos que se sucedem sem interrupção e sem oscilações” (Isaac de Nínive, Discursos 29).

Calixto e Inácio Xantopoulos,
Método 81

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