MONSENHOR JOSÉ LOCKS

O zelo pela casa de Deus

Monsenhor José Locks

Monsenhor José Locks

Pensei muito em escolher um nome de padre para o mês do centenário da diocese  (1908-2008), um nome que espelhasse de modo exemplar a alegria do serviço cristão e eclesial.  Optei por José Locks, filho de Bernardo Locks e de Catarina Hobold, nascido em São Ludgero em 1º de dezembro de 1893 e ordenado Presbítero em Florianópolis em 1º de janeiro de 1920.

Sua vida de pastor: 1920 – Vigário paroquial em Laguna; a partir de julho, também de Mirim, Imbituba e Garopaba. Em dois de abril de 1921, vigário paroquial do Ssmo. Sacramento, Itajaí. A partir de 15 de março de 1924, vigário encarregado de Laguna, em abril, pároco. Em 17 de janeiro de 1929, professor e diretor espiritual no Seminário de Azambuja.

Em 24 de janeiro de 1931, pároco do Ssmo. Sacramento em Itajaí (oito meses, pois Mons. Giesberts retornou) e encarregado de Camboriú e Porto Belo; de 14 de agosto de 1931, até 1938, pároco de Camboriú e encarregado de Porto Belo. A partir de agosto de 1936, encarregado de Tijucas e São Miguel. Depois, de 31 de maio de 1938 a 18 de janeiro de 1947, pároco do Ssmo. Sacramento em Itajaí e encarregado da Penha.  Em 18 de janeiro de 1947 retornou a Azambuja como diretor espiritual e professor.

Durante 19 anos, de 20 de janeiro de 1950 a 1969, foi o grande pároco de São João Batista.

Tive a graça de privar da amizade desse padre, carvalho que nenhuma tempestade derrubava. Em longas conversas com ele, leituras nos Livros do Tombo tão bem redigidos por ele, de suas correspondências e de conversas com Dom Afonso Niehues, creio ter captado algumas idéias-força de sua vida.

A primeira, a certeza da salvação na Igreja católica e de sua vitória final frente as heresias e o ameaçador comunismo. Pedagogia de seu múltiplo ministério paroquial foi a Catequese: ser pároco é cuidar da catequese, pois através dela enxerta-se na criança a Igreja e a prática dos Dez Mandamentos. Monsenhor Locks elaborou e publicou um cuidadoso Catecismo, tendo como grande preocupação combater o evolucionismo, pois era criacionista de velha cepa. Cada homilia tinha de incluir os Novíssimos (morte, juízo, inferno e paraíso) para produzir efeito. Sem ameaça de castigo não há religião.

O pároco verdadeiro é também civilizador, o que significava colocar a família e a sociedade nos eixos dos mandamentos da Igreja. Os casamentos de amasiados ou de grávidas eram celebrados ao meio-dia, com toque fúnebre do sino, para desencorajar casos futuros. Não receava expulsar da igreja nenhuma autoridade que tivesse cometido escândalo ou mulher com roupas mais ousadas. Por onde Monsenhor passou, as comunidades tornaram-se melhores, mais ordeiras e humanas.

Suas passagens pelo Seminário de Azambuja não foram pacíficas, pois era de extremo rigor: o jovem deveria ser tirado e isolado do mundo, disciplinado e depois, como homem totalmente da Igreja, ser lançado ao trabalho.

Monsenhor era sólido na ação, nas palavras e nas obras materiais. Construiu a matriz de Camboriú num tempo de pobreza e pouca prática religiosa. Em Itajaí escolheu o projeto e deixou quase na cobertura a monumental Igreja matriz. Homéricas suas brigas com o arquiteto Simão Gramlich: se esse falava em um cúbico de pedra, Monsenhor colocava dois. A mesma história repetiu-se em São João Batista, onde Gramlich também elaborou o projeto. Construiu ainda a matriz de Major. Obra de Monsenhor não tem rachadura: é solidez total. Como deve ser a vida do cristão e da Igreja.

E agora, a pergunta: era um padre difícil de relacionamento? Engano. Monsenhor era carinhosamente tratado por “Padre Zequinha”, “Monsenhor Zequinha”, era bondoso com os pobres, os pecadores, sempre afável no confessionário, um ótimo e divertido conversador. Mesmo doente, com derrame, dificuldade de falar, com mais de 80 anos, nunca deixava de atender ao chamado de um doente. Era pastor. Pessoalmente pobre, despojado. Para ele, o grande perigo do padre era o orgulho, a vaidade. Toda atenção com as mulheres, ensinava e, ao mesmo tempo, era carinhoso e respeitoso com elas. Por mais de 30 anos teve como governanta Dona Vidinha, amiga e conselheira, garantindo o amparo dela na velhice. Era contra o padre ter salário, pois essa segurança poderia torná-lo preguiçoso no zelo pastoral, onde receberia as esmolas da sobrevivência.

Vida de oração: levantava-se às 3 da madrugada e rezava até as 4. Deitava-se e erguia-se às 6. Tudo disciplinado, tudo obedecendo o horário. Obrigação se cumpre.

De 1969 a 1983 fixou residência em Major Gercino, mas trabalhando sem cansaço pela salvação do povo.

Monsenhor José Locks faleceu em Azambuja, Brusque, em 25 de setembro de 1983 e está sepultado em Major Gercino, em túmulo que ele mesmo preparou. Seus 53 anos de presbiterato tornaram nossa Igreja melhor, nosso povo mais fiel.

Quem teve a graça de conhecê-lo lembra seu valor, sua simplicidade, bom humor, prazer de contar histórias, lembrar o passado através de sua ótima memória.

Dele gostaria de dizer somente isso: foi um padre fiel, honrado, perseverante, santo.

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