MONSENHOR BERNARDO PETERS

Monsenhor Bernardo Peters

HUMILDE SACERDOTE

Bernardo Peters nasceu em São Ludgero, SC, em 05 de setembro de 1902, filho de Huberto Peters e de Ana Schlickmann. Não havendo Seminário em Santa Catarina, foi matriculado no Seminário de São Leopoldo, SC. Em agosto de 1925 foi para Roma, acompanhado de Dom Joaquim que realizava a Visita ad Limina, sendo recebido no Colégio Pio Latino americano. Estava acompanhado de outro catarinense, João Reitz. Ali foi ordenado presbítero em 30 de outubro de 1927. Sendo um dos mais destacados alunos do Pio Latino, o Reitor aconselhou-o a obter a Láurea em Teologia. Mas, em 27 de dezembro de 1928, contrariando o pedido de Pe. Bernardo, chegou o telegrama: Venha – Arcebispo. Faltava pouquíssimo para a sonhada Láurea.

Em 30 de outubro de 1929 foi nomeado Vigário encarregado de Nossa Senhora do Desterro, Florianópolis, na ausência do Cura. Mas, Dom Joaquim o queria para o Seminário de Azambuja e em 1930 nomeou-o Prefeito de Disciplina. De 1931 a 1935 foi Diretor espiritual do mesmo Seminário. No final daquele ano o reitor, Mons. Jaime de Barros Câmara, foi eleito bispo de Mossoró, RN e assim coube a Pe. Bernardo a nomeação de Reitor do Seminário e Cura do Santuário, função que desempenhou de 1936 a 1946.

No início, houve conflito com os outros padres, devido à centralização de todas as decisões nas mãos do Reitor, herdada de Pe. Jaime (que era reitor, diretos espiritual, prefeito de disciplina e professor). O clima apazigou-se com a separação de funções em forma de autoridade compartilhada.

Cônego Bernardo cultivava nos alunos três virtudes: obediência, franqueza e piedade. Tudo para formar a vontade. “Quem não aprende a dobrar a cabeça, a vontade, jamais será um bom padre”, repetia, até cansar, aos seminaristas; “O seminarista que não reza não fica padre”.

Esse “dobrar a cabeça, a vontade” foi vivido por ele em extrema humildade frente a algumas decisões da autoridade eclesiástica, talvez não justas ou respeitosas.

A Mons. Bernardo Peters Azambuja deve a separação de suas instituições, antes por demasiado “amontoadas”. Quando assumiu a reitoria, em 1936, Hospital, Hospício, Asilo, Seminário e Clausura das Irmãs se encontravam como que num canto só. Ao deixar a reitoria, cada instituição tinha edifício próprio: o Hospital em 1936, o Asilo em 1937, o Hospício transferido em 1942, a Clausura situada no novo Hospital. Papel importante foi também o desempenhado na organização interna do seminário: em 1937 foi aprovado o novo programa de estudos e, em 1944, o Estatuto do seminário.

A 1º de setembro de 1939, estourou a guerra entre a Alemanha e a Polônia. Os ânimos se exaltaram, pois havia seminaristas alemães e polacos. Para cortar pela raiz as incipientes guerras domésticas, proibiu-se terminantemente discorrer sobre o assunto.

Mas, o pior dos dramas aconteceu no Seminário: a malária. Dias houve em que, por falta de “quorum” não se deu aula. Mais de cem casos ao todo. Em 1945, quando Brusque e Azambuja ainda estavam às voltas com a doença, o Seminário recebeu a visita de Mons. Emanuel da Cunha Cintra, Visitador apostólico dos Seminários do Brasil. Informado pelo Reitor, fez constar o problema da malária no relatório que enviou a Roma, à Congregação dos Seminários. Roma escreveu a Dom Joaquim exigindo a transferência do Seminário para outro local. Foi em boa parte por causa desse Relatório que Mons. Peters perdeu as boas graças do Arcebispo: escreveu a Roma, manipulando números, admitindo ter havido não mais do que “um caso e meio” de malária! Ou seja: falando a verdade, o Reitor mentira…

Tirando esses problemas, como Reitor Mons. Bernardo imprimiu seriedade nos estudos de Azambuja, preparando os alunos com grande qualidade espiritual, humana e intelectual. Mas, surgiram problemas entre o corpo docente. Chegaram ao Arcebispo queixas de que o andamento não ia bem, que faltava autoridade, unidade. No dia 9 de dezembro de 1946, após uma tensa reunião matinal, sem anúncios, Dom Joaquim tomou uma decisão radical: nomeou Mons. Bernardo pároco de Lauro Müller, Pe. Wilson Laus Schmidt pároco de Criciúma e Pe. Gregório Warmeling seu vigário paroquial. O Seminário ficava sem Reitor, Diretor Espiritual e Prefeito de Disciplina. Uma provação dolorosa para o humilde e santo Pe. Bernardo. Mas, autoridade existe para ser obedecida.

Edifica ler a última página de seu Diário, dois dias depois, a 11 de dezembro de 1946: “E agora vou continuar esta Crônica pedindo perdão a Deus e aos Superiores pelas infidelidades no meu cargo. Não me esquecerei do Seminário onde passei 17 anos. O Seminário, com a minha saída, vai entrar na terceira fase de sua existência: Dom Jaime foi o instrumento de Deus para contribuir para a fundação, a minha pessoa serviu para que se realizasse a separação das diversas Comunidades existentes numa só casa. E o terceiro Reitor contribuirá para o aperfeiçoamento do Seminário. Faço ardentes votos para que Deus abençoe os esforços dos Revmos. Padres Professores. Peço humildemente ao novo Reitor que seja benigno em considerar os meus atos. Posso dizer com sinceridade que nunca procurei a minha pessoa. Cometi erros. Deus me há de perdoar. Aceito de boa vontade todas as humilhações que virão obscurecer os meus atos. Seja tudo por amor de Deus”.

Dom Joaquim soube reconhecer o valor desse grande sacerdote: em 5 de dezembro de 1933 nomeou-o Cônego Teologal do Cabido Metropolitano de Florianópolis, em maio de 1944 Monsenhor Camareiro Secreto e, em 20 de outubro de 1952, Monsenhor Prelado Doméstico por ocasião do jubileu de prata sacerdotal.

Pároco e Vigário geral

Em 17 de janeiro de 1947 foi provisionado primeiro Pároco da Imaculada Conceição em Lauro Müller, desmembrada de Orléans, com as capelas de Barro Branco, Palermo, Rio Queimado, Santa Rosa, Guatá, Novo Horizonte, Rio da Vaca, Rio Capivaras Alto, Rio Capivaras Do Meio, Rio Capivaras Baixo, Vargem Grande, Km 107. Era, de fato, uma diminutio capitis (rebaixamento). Ali construiu e inaugurou o novo Salão paroquial em 1952 e projetou a construção de um pequeno Hospital, interessando-se pela vinda de Irmãs. Teve como vigários Pe. Tarcísio Marchiori, Pe. Urbano Mendes e Pe. Hercílio Cappeller.

Deus tem seus planos. Um deles foi o empenho total e decidido para a organização e criação da Diocese de Tubarão. Após muita paciência e trabalho veio o fruto: a Diocese de Tubarão foi criada pelo Papa Pio XII com a Bula Pontifícia: “Viget Ubique Gentium”, datada de 28 de dezembro de 1954 e instalada, solenemente, em 15 de agosto de 1955, quando Dom Anselmo Pietrulla, OFM assumiu como primeiro Bispo diocesano.

Em 13 de agosto de 1955 Mons. Bernardo Peters foi nomeado Vigário geral da Diocese e em 30 de agosto de 1955, Cura da Catedral.

Não foi simples para a Arquidiocese: perdia para Tubarão o Pré-Seminário de São Ludgero, numerosos padres e a fonte principal de vocações. Dom Joaquim conseguiu convencer alguns padres a se incardinarem em Florianópolis e neles teve auxiliares competentes.

No mundo dos grandes homens, os homens também se perdem em coisas pequenas. Mons. Bernardo sofreu isso, mais uma vez, e extravasou seu sofrimento. Em 21 de maio de 1957 Dom Joaquim esteve em Tubarão, a convite, para o Jubileu de Prata sacerdotal de Dom Anselmo Pietrulla,OFM. Acontece que Mons. Bernardo, na sua inocência, esqueceu de colocá-lo na devida ordem de precedência como Arcebispo e Metropolita, tanto na Missa como no Banquete, sendo saudado pós o Bispo. Em 28 de maio segue uma carta a Mons. Peters, criticando-o pelo desconhecimento do Cânone 272 a respeito do direito dos Metropolitas.  Mons. Peters ficou sumamente ofendido e desabafa em carta a Mons. Frederico: “Fiquei muito sentido com aquela infeliz carta de 28 de maio. Parece que não bastaram as humilhações e perseguições de Azambuja e o exílio de Lauro Müller. Não pense o Sr. Arcebispo que pode continuar a me maltratar. Tomarei vingança”. Foi apenas um desabafo desse homem cujo lema sacerdotal era “Maria, conservai-me no amor a Jesus eucarístico, sumo e eterno Sacerdote”.

A grande provação, não para ele, mas para os que o cercavam, amavam e admiravam, durou de 1971 a 1975: acometido de doença mental, passou a residir na Paróquia de São Ludgero. Perdera a consciência de si. Uma grande provação para um homem santo e ativo.

Ali, em São Ludgero, Deus o chamou em 13 de dezembro de 1975, sendo sepultado ao lado de Mons. Tombrock, Mons. Ohters, seus grandes modelos de vida sacerdotal.

Vivera 73 anos, dos quais 47 como presbítero. Suas obras lhe conservam a memória.

Pe. José Artulino Besen

 

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  1. #1 por VALDEMAR PETERS em 24 de setembro de 2011 - 13:13

    Meu nome é VALDEMAR PETERS, tenho 75 anos véspera de 76 filho de JOSÉ HUBERTO PETERS, portanto sobrinho de Mons.
    Bernardo Peters, com quem convivi alguns anos prinicpalmente
    na Diocese de Tubarão onde tenho praticamente todos os familia-
    res. Resido atualmente em Bagé no RS, onde ainda trabalho com
    representações comerciais. Sempre tive muito orgulho de ser pa-
    rente do Mons.Peters como de outros parentes próximos que
    tambem eram padres e freiras. Me senti feliz ao encontrar hoje
    na internet algo que fizesse referencia a um tio que amava.

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