1.4. A ira

Se alguém domina a cólera, domina os demônios. Se, ao contrário, alguém é dominado por essa paixão, és incapaz da vida monástica, é um estrangeiro nos caminhos de nosso Salvador, pois do Senhor se diz que ensina aos mansos os seus caminhos (cf. Sl 24,9); por isso, quando a mente dos que vivem na solidão se refugia na planície da mansidão dificilmente pode ser aprisionada. Os demônios, na verdade, não temem nenhuma virtude como temem a mansidão. Essa é virtude que possuía o grande Moisés, do que se disse ser o mais manso de todos os homens (cf. Nm 12,3). E o santo Davi a declarou digna da recordação de Deus; diz: Recordai-vos de Davi e de toda a sua mansidão (Sl 131,1). Mas, também o nosso Salvador ordenou que imitássemos a sua mansidão: Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e achareis descanso para as vossas almas (Mt 11,29). Se alguém se abstém de comidas e bebidas, mas excita a cólera com maus pensamentos, se assemelha ao uma nave que atravessa o mar e tem como piloto o demônio. Por isso, por quanto possível, é necessário que estejamos atentos ao nosso cão e ensinar-lhe a exterminar somente os lobos e a não devorar as ovelhas, demonstrando toda a mansidão para com todos os homens,

Evágrio Monge,
Sobre o discernimento 12

Quem quiser atingir a perfeição e deseja combater a luta espiritual segundo as regras (cf. 2Tn 2,5), passe longe de todo pecado de cólera e de furor, e escute a recomendação do vaso de eleição (cf. At 9,15): Toda amargura, cólera, furor, clamor e blasfêmia seja afastado de vós junto com toda malícia (Ef 4,31). Quando diz “toda”, não deixa nenhum pretexto para a cólera, como se ela fosse necessária ou razoável. Portanto, quem quiser corrigir o irmão que peca, ou puni-lo, deve cuidar de si mesmo a fim de estar livre de toda perturbação, para que não aconteça que, querendo curar outros, contraia ele mesmo a doença, e lhe seja dirigida e palavra do evangelho: Médico, cura-te a ti mesmo (Lc 4,31), e ainda: Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão, e não observas a trave que está no teu olho? (Mt 7,3). Qualquer que seja a causa, o motivo da cólera, quando se esquenta, cega os olhos da alma e lhes impede de contemplar o sol da justiça. Quem põe nos olhos lâminas de ouro ou de chumbo está igualmente privado de sua faculdade de enxergar, e o valor do metal não faz diferença alguma na cegueira. Assim, qualquer que seja sua causa, razoável ou não, se a cólera se acende, escurece a vista.

Cassiano o Romano,
Ao bispo Castor, vol. I, pp. 70-71

Insultado por alguém ou desprezado em alguma coisa, evita pensamentos de ira para que eles, separando-te da caridade mediante a tristeza, não te levem à região do ódio.

Máximo o Confessor,
Sobre a caridade 1,29

Paciência e ausência de rancor freiam a ira. Caridade e compaixão a diminuem.

Talássio Líbico,
Sobre a caridade 2,23

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