CÔNEGO ROBERTO WYROBEK

Cônego Roberto Wyrobek

Cônego Roberto Wyrobek

Filho de Josef Wyrobek e Anna Kurek, Roberto nasceu em Racibórz, Polônia, em 26 de janeiro de 1907. A silesiana Racibórz – Ratibor em alemão – é uma cidade fruto das culturas polonesa, tcheca, morávia e alemã. Apesar de a partir de 1870 participar de insurreições contra a poderosa vizinha Alemanha, num referendum de 1921 88% da população preferiu a anexação à República alemã. No dia 31 de março de 1945 a cidade foi conquistada e destruída pelo Exército Vermelho. Retornando ao território polonês, trocou o peso das botas alemãs pelas botas soviéticas.

Esse vai-e-vem é importante para entender que Roberto dominava os idiomas polonês e alemão e teve a família dividida entre os filo-alemães e filo-poloneses. As peripécias políticas da pátria, que obrigavam ao ocultamento de convicções, formaram-lhe um caráter reservado no que tangia à vida pessoal, ao passado, às peripécias eclesiais. Tentar entrevistá-lo era um passeio pelo deserto.

Após os estudos universitários, saiu pela Europa com mochila às costas e chegou ao Brasil em 1932 acompanhando um grupo de salesianos. Em São Paulo teve o primeiro encontro com Dom Joaquim. Convite feito e aceito para Florianópolis, foi enviado a Roma para cursar Teologia, e lá foi ordenado presbítero em 14 de julho de 1935.

Retornando ao Brasil, em 2 de janeiro de 1936 foi nomeado Secretário particular do Arcebispo Dom Joaquim Domingues de Oliveira. É muito interessante imaginar duas personalidades tão fortes e teimosas, que se queriam muito bem, conviverem no dia a dia. Dom Joaquim tomou a peito ensinar-lhe um bom português e assim, a cada tarde Pe. Roberto tinha de declamar uma estrofe portuguesa e ouvir de Dom Joaquim uma estrofe em francês. Uma tertúlia literária na Esteves Júnior! Durante o período, Pe. Roberto também foi Assistente eclesiástico do Círculo Operário Católico de Florianópolis.

Em fins de 1939 os dois romperam relações. Motivo: uma nota musical semicolcheia no Hino da Arquidiocese, que Pe. Roberto afirmava ser uma semínima. Dom Joaquim tinha razão nessa guerra semínima/semicolcheia! Como “castigo”, em 26 de janeiro de 1940 foi nomeado vigário paroquial do Santíssimo Sacramento, Itajaí e Nossa Senhora da Penha.

A reconciliação veio em forma de prêmio: em 27 de janeiro de 1941 foi provisionado como pároco de São Pedro de Alcântara, uma paróquia muito estimada porque nela estavam incluídas as generosas comunidades católicas do Alto Biguaçu, Antônio Carlos. Basta atentar ao fato que, necessitando Biguaçu construir nova igreja matriz, em 1949 essas comunidades são maquiavelicamente anexadas a Biguaçu.

Pe. Roberto foi sempre pastor dedicado, não se furtando noite adentro montar um cavalo e ir para o sertão do Rachadel atender um doente, com frio, chuva, ou calor. Num dia perdeu a calma quando, após ungir uma doente que lhe demandara 5 horas de viagem, a dita cuja levantou-se para fazer-lhe um café. Nessas horas se revelava o Pe. Roberto “nervoso”: faltou apenas encomendar-lhe a alma…

È bom adiantar esse ponto: Pe. Roberto tinha um gênio difícil: era nervoso, impaciente, irascível, mesmo malcriado. Era um vulcão espremido dentro de uma batina de cristal. Os colonos o suportavam pelo zelo pastoral que o movia e pela necessidade de ter padre. Não era raro vê-lo prostrado ao chão, gritando “ó céus!” quando uma criança respondia errado a perguntas do catecismo. Após muitos anos, foi visitar sua terra natal: pois na primeira janta brigou com o irmão igualmente teimoso e ficaram “de mal” diversos dias…

Também é verdade que se preocupou com as mulheres dos colonos, na roça em final de gravidez. Delicadamente Pe. Roberto reunia os “homens” e dava-lhes explicações oportunas.

Em 9 de outubro de 1955 foi nomeado 2º pároco de São Pio X, Ilhota, erigida no ano anterior. Também imensa paróquia e onde, nas comunidades do Braço do Baú, encontraria bons paroquianos emigrados do Alto Biguaçu. Ali, em 1959 foi nomeado Cônego catedrático do Cabido metropolitano de Florianópolis.

Em 11 de setembro de 1970, para surpresa de muitos, Dom Afonso fê-lo pároco de São José, São José. A surpresa era ver um homem assim determinado, exigente, trabalhando com os “brasileiros” sensíveis e pouco afeitos a desaforos. Mas, Cônego Roberto estava pacificado. Era um presbítero diferente, zeloso como sempre, mas receptivo e paciente. Podemos imaginar o quanto isso lhe teria custado.

Em dezembro de 1976 deixou o encargo, fixando residência em São José com faculdades de vigário paroquial e ajudando no Tribunal Regional Eclesiástico.

E assim até que a morte veio visitá-lo em 13 de abril de 1998 aos 91 anos de vida e 63 de presbítero. Seu corpo repousa no Cemitério da Irmandade de N.Sr. dos Passos – São José.

É de justiça lembrar e agradecer a Dona Ruth Machado que até o final dele foi amiga, mãe, irmã, enfermeira, conselheira. A bondade dessa mulher transformou Cônego Roberto para melhor. E ao Pe. Néri José Hoffmann que, como pároco, serviu-se de sua preciosa colaboração pastoral e o apoiou nas necessidades materiais.

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