MONSENHOR QUINTO BALDESSAR

Padre e Soldado

Monsenhor Quinto na celebração dos 60 anos de Ordenação sacerdotal - 2009

Filho de Antônio Baldessar e de Margarida Mariotti, Quinto Davide nasceu em Urussanga em cinco de dezembro de 1923. Era criança quando sua família mudou-se para a comunidade de São Bento Baixo, hoje Distrito de Nova Veneza.

Vocacionado, estudou nos Seminários de Azambuja e de São Leopoldo. Foi ordenando presbítero em Forquilhinha por Dom Joaquim Domingues de Oliveira, em 24 de janeiro de 1949.

Nos primeiros anos exerceu o ministério de vigário paroquial na Catedral de Florianópolis. Em 31 de janeiro de 1952 foi nomeado pároco de Nova Veneza, ali permanecendo até abril de 1953.

Nesse ano de 1953 assumiu a Capelania militar do Exército brasileiro no posto de Capitão. Visitou diversos Estados brasileiros e em 1958 integrou a Força de Emergência da ONU, no Oriente Médio, para restabelecer a paz no Suez.

Mesmo continuando engajado nas Forças Armadas, Pe. Quinto sempre dedicou-se à pastoral paroquial, vivendo os melhores anos de seu ministério na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Estreito. O pároco Pe. Wilson Laus Schmidt foi eleito bispo e, conforme a Lei canônica de então, o sucessor era nomeado pelo Papa como Vigário Colado, isto é, vitalício. Assim, em 1º de janeiro de 1960 o Papa João XXIII assinou essa provisão para Pe. Quinto.

A RENOVAÇÃO CONCILIAR

Em dezembro de 1964 Dom Afonso Niehues foi nomeado Arcebispo coadjutor e Administrador Apostólico de Florianópolis, assumindo como Arcebispo Metropolitano em maio de 1967. Entusiasta do Concílio Vaticano II, Dom Afonso viu que sua missão era fazer a transição de um modelo de Igreja piramidal para uma Igreja Povo de Deus, participativa. Eram necessários novos órgãos e equipes de assessoramento pastoral. Sensível à presença do ancião Dom Joaquim em Florianópolis, a paróquia do Estreito foi escolhida para sediar esse grande trabalho renovador, que contou com o apoio entusiasta de Pe. Quinto. Ali foram instalados os Secretariados de Pastoral, a Livraria Arquidiocesana e foram editados os primeiros números da Revista de Pastoral de Conjunto.

A Paróquia do Estreito era imensa e teve a graça de receber os primeiros frutos dessa renovação e, ao mesmo tempo, tornar-se uma paróquia-modelo do novo espírito eclesial, com a multiplicação de equipes pastorais, movimentos leigos adultos e jovens, cursos de atualização, etc. Sentindo o valor das comunicações, Pe. Quinto adquiriu em nome próprio a rádio Jornal a Verdade.

Por diversos anos residiram na paróquia Pe. Quinto e mais três padres. Pe. Quinto era favorável à constituição de paróquias menores, com a presença mais vizinha do padre. Desse modo, o Estreito foi sendo dividido e formaram-se as paróquias de Capoeiras, Coqueiros, Coloninha, Jardim Atlântico e Balneário.

PADRE E MILITAR

Residindo no Estreito, Pe. Quinto atendia ao 63º Batalhão de Infantaria. Em 1968 atuou no 1º Batalhão de Fronteira, em Foz do Iguaçu, PR, no mesmo ano reassumindo a Paróquia do Estreito.

Em 1º de julho de 1975 foi transferido para o Comando Militar da Amazônia Legal, atendendo os Estados do Pará, Amapá, Amazonas, Roraima, Acre e Rondônia. Pe. Quinto fazia o que mais gostava: visitar os destacamentos militares, viajar, conhecer a natureza, em muitas cartas deixando minuciosas e entusiásticas descrições das riquezas amazônicas. Era um brasileiro por inteiro.

Em 1979, servindo-se do direito de vigário colado, reassumiu a paróquia do Estreito e entrou em conflito com os outros padres. No final, estava sozinho. Encetou, e financiou em grande parte, a construção da igreja e do centro paroquial de Balneário. Construções prontas, em sete de fevereiro de 1982 renunciou ao título de vigário colado e assumiu como 1º pároco de Nossa Senhora da Glória em Balneário, desmembrada do Estreito. Ali teve duas promoções na hierarquia militar: Major do Exército (31 de agosto de 1982) e Tenente-Coronel (25 de dezembro do mesmo ano).

Em dois de maio de 1983 foi nomeado Adjunto da Chefia do Serviço de Assistência Religiosa do Exército e das Polícias Militares Estaduais, com residência em Brasília, para onde se transferiu.

Nessa época a Santa Sé estabeleceu uma Concordata com o Brasil, criando o Ordinariato Militar do Brasil, equivalente a uma Diocese Castrense, com arcebispo próprio. Devido a isso e para superar algumas mágoas antigas, em 16 de setembro de 1986 deixou a arquidiocese de Florianópolis e incardinou-se no Ordinariato Militar, recebendo o título de Monsenhor.

Em 1989, no posto de Coronel, se desligou do Exército, passando a desempenhar a função de Pároco em Brasília. Foram 36 anos de dedicação ao soldado brasileiro.

Monsenhor Quinto era um padre fiel e dedicado, de vida simples e generosa. Sendo aquinhoado com bons salários, distribuía-os sem sacrifício. Anticomunista, apoiou e defendeu sempre o a Ditadura Militar (1964-1982). Era entusiasta de regimes fortes, do uso da autoridade. O Quartel lhe parecida um modelo adequado para o governo da Igreja, vendo com pessimismo a Igreja e o arcebispo em diálogo. Essas convicções, unidas a um vozeirão que dispensava microfones e um físico respeitável, davam a falsa impressão de um homem duro, insensível. Não era isso: facilmente se emocionava e mais facilmente ainda se dividia na generosidade.

DE VOLTA AO LAR E O ÚLTIMO ADEUS

Em 1994, Mons. Quinto voltou para a Diocese de Criciúma, assumindo a Paróquia de São João Batista em São Bento Baixo. Em 2007, percebendo o peso da idade, decidiu residir na Casa João Maria Vianney, para padres idosos, em Criciúma e ajudar no atendimento na Catedral São José. Essa Casa foi fruto de muitas de suas economias.
Em 2009, com a diocese vacante, aceitou a função de Chanceler, exercendo-a até meados de outubro, quando foi internado no Hospital São João Batista. Esteve na UTI por 40 dias, sofrendo com paciência.

Ali, às 2h da madrugada entregou sua alma a Deus em 26 de novembro. O corpo foi velado na Catedral São José até às 16 horas. Após a Missa exequial foi transportado para a igreja Matriz de São Bento Baixo, sendo sepultado às 9h do dia 27, num túmulo por ele preparado. Teve respeitado o pedido de ser enterrado na terra.

Sabendo que Pe. Wilson Buss viajaria a Roma, acompanhando Dom Jacinto, Mons. Quinto pediu-lhe que rezasse por ele na Basílica de São Pedro e, em seu nome, suplicasse pelo perdão de todos seus pecados.

Monsenhor Quinto viveu 85 anos, dos quais 60 como sacerdote fiel da Igreja. Deixou um exemplo de trabalho, generosidade e patriotismo.

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  1. #1 por cyrano Lenzi Saggin em 12 de abril de 2014 - 06:47

    Um exemplo de vida, orgulho-me de ser seu parente, embora distante .

  2. #2 por Carlos H. Baldessar Ferreira em 20 de junho de 2014 - 13:34

    Parabéns ao autor. Excelente texto que resumidamente expõe uma breve biografia do “Padre Quinto”.

  3. #3 por ilzagomes em 13 de outubro de 2014 - 04:16

    Quantas saudades do senhor compadre querido!

  4. #4 por Iracê Baldessar em 22 de janeiro de 2016 - 09:22

    Irmão e meu sogro (falecido recentemente) Sr Fioravante baldessar. Conheci e convivi com ele, tio Pe Quinto, como o chamávamos. Uma pessoa forte e católica.

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