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SEMEIE: SEMPRE SE COLHERÃO OS FRUTOS

semeador  «Põe a semente na terra, não será em vão;
não te preocupe a colheita: plantas para o irmão».

Este verso de José Acácio Santana alimenta a esperança de todos aqueles que semeiam a boa semente. Semeiam sempre, sem desanimar pelo fato de não poderem colher. Ajuda‑nos a nunca desanimar. Confirma nossa decisão de plantar.

Um pai e uma mãe que, por anos e anos, indicam a seu filho o caminho do bem, dedicam‑lhe as forças mais generosas, sofrem profunda decepção ao vê‑lo depois num outro caminho. E se perguntam: “Valeu a pena?”.

Um líder comunitário, que por meses e anos se consagrou à sua comunidade, levando os moradores a se preocuparem com o bem comum, sofre quando vê que o trabalho parece não ter dado em nada, vendo crescer o “cada um por si e Deus por todos”. E se pergunta: “Valeu a pena?”.

Um jovem idealista, esquecendo‑se de si, procura reunir outros jovens, ajudá‑los a descobrir caminhos mais sadios, e após muito tempo de dedicação vê o trabalho se desmoronando. E se pergunta: “Valeu a pena?”.

O mesmo podemos dizer de um catequista, de um ministro religioso, de um professor.

Se avaliarmos nossos trabalhos por aquilo que conseguimos colher, é verdade que não vale a pena. Aliás, nem vale a pena viver! Podemos ainda mudar a pergunta: – o que nós semeamos é para nós colhermos, recebermos o elogio humano, ou é trabalho desinteressado, movido por amor?

Por amor, sempre vale a pena semear. E quem ama, não planta para si. Planta para o bem do irmão.

Mas, a colheita existirá. E com abundância. Assim como a Palavra de Deus não retorna sem produzir efeito, do mesmo modo o que plantamos num dia germinará, crescerá e dará frutos. Nós plantamos. Deus sabe o momento oportuno da colheita e o calendário de Deus não rima com as nossas pressas.

Nós temos pressa. É justo que tenhamos o desejo de ver os frutos de nosso trabalho. Deus sabe quando os tempos estão maduros.

A semente lançada no coração do filho vai frutificar, não se duvide disso. Se vai levar 10, 20, 40 anos, não importa. A semente da vida comunitária vai florescer. Não sabemos quando, mas florescerá. A Palavra de Deus plantada no coração da criança, do jovem, do adulto, não deixará de produzir frutos. Deus sabe quando os tempos estarão próprios para a colheita.

O que nós hoje colhemos, foi plantado em algum dia. E nem sabemos por quem. Mas se colhemos, é porque alguém, com generosidade, plantou.

Multipliquemos, com esperança, as boas sementeiras. Alguém delas se beneficiará. Se não plantarmos, ninguém colherá nem hoje nem nunca. Não corramos o risco de tornar inútil nossa existência.

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A PESSOA, CENTRO DA EXISTÊNCIA HUMANA

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Marta e Maria (Mosaico “Redemptoris Mater “- Roma)

«Marta, andas muito inquieta
e preocupada com muitas coisas!
»  (Lc 10,40)

Nos seus momentos de descanso, Jesus privava da amizade dos irmãos Marta, Maria e Lázaro. Era em sua casa, em Betânia, que descansava, cultivando a amizade humana. No Evangelho, esses três irmãos são ocasião para Deus revelar seu poder: Lázaro é ressuscitado dos mortos, Marta proclama que Jesus é a ressurreição e a vida e Maria é a primeira a contemplar o Senhor ressuscitado.

Certo dia, Jesus percebeu algo estranho ao chegar para visitá-los. Marta, boa dona de casa, não perdeu tempo: foi direto para a cozinha preparar uma boa ceia, e fazer as últimas arrumações. E Maria, ficou na sala, escutando a Jesus.

Minutos depois aparece Marta, de mau humor:

— «Senhor, achas certo que eu fique sozinha na cozinha, enquanto Maria fica aí te escutando, sem fazer nada?»

Jesus a repreende:

— «Marta, Marta! Andas muito preocupada com muitas coisas. Mas te esqueces do principal: receber-me, escutar-me. Maria escolheu a melhor parte”.

Jesus coloca o problema em seus termos certos: primeiro a visita, depois a comida; primeiro a pessoa, depois o trabalho. Sua visita era para conversar, escutar, descansar. Não viera visitar uma cozinha, e sim, pessoas amigas.

Na tradição, Marta representa o trabalho; Maria, o diálogo, o silêncio. Marta, os que vivem apenas para o trabalho; Maria, o sentido da amizade, do «perder tempo» com os outros, a contemplação.

Fazemos muitas coisas que não são tão importantes. E nos esquecemos do essencial: o que adianta casa muito bonita, arrumada, banquete pronto, se não há amigos para disso compartilhar? Qual a graça de uma casa tão arrumada, que os filhos não podem pisar no chão? Que sala de visitas é essa, se não pode ser usada, pois os tapetes ficarão sujos? A que serve o casal pensar muito em boa residência se um não reside no coração do outro?

Não compensa estar acompanhado de grandes riquezas, se não temos a companhia amiga das pessoas. Não adianta habitar grande mansão não visitada por ninguém.

Jesus disse a Marta que «uma só coisa é necessária, e Maria escolheu a melhor parte». Poucas coisas são necessárias, e a melhor parte da vida é a amizade, a compreensão, o apoio mútuo, saber que há pessoas ao nosso redor. O trabalho é fundamental, mas primeiramente vem a pessoa humana. A família precisa de nosso suor, mas necessita ainda mais de nossa presença gratuita, atenciosa, solidária.

Unir trabalho e silêncio, ocupação e lazer. O que enche o coração é sabermos que amamos e somos amados, que há alguém desejando nossa felicidade, preocupado conosco.

Não esquecer que há um amigo sempre batendo à nossa porta, e que não entra se não mandarmos: é Jesus Cristo, o Salvador, que também quer morar conosco, fazer parte de nossa família.

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