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NATAL – O ESPÍRITO, O SILÊNCIO E A PALAVRA

Entre tantos meios de comunicação, é útil contemplarmos o modo divino de se comunicar: o silêncio-Espírito-Palavra.

No ciclo do Natal, quando contemplamos a ruptura do isolamento entre o céu e a terra através de Cristo que se encarna, dos anjos que cantam, vale uma breve reflexão sobre a comunicação divina: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra” (Lc 1,35), anunciou Gabriel, “e a Palavra de Deus se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14) com o sim de Maria. Primeiro o silêncio, depois a ação do Espírito e, em seguida, a Palavra.

Temos a faculdade de entender os silêncios bíblicos quando recebemos a Palavra pelo Espírito: “quem tem ouvidos para ouvir, ouça”, isto é, precisamos de ouvidos dados pelo Espírito para ouvir a Palavra, e não qualquer ouvido. Afirma Basílio de Cesaréia (329-379) que “é um forma de silêncio também a obscuridade que envolve a Escritura e que torna difícil a compreensão das doutrinas, e isso é de utilidade para os que dela se aproximam” (O Espírito Santo, 27,66): nem tudo compreendemos agora, e a contemplação é uma forma superior de compreensão, por ser espiritual.

Deus pouco se nos comunica por palavras, mas, pelo silêncio faz brotar em nós palavras que de outro modo não teriam nenhum sentido, afirma o teólogo russo Vladimir Lossky (1903-1958). Não é silêncio pela ausência da palavra, mas palavra que brota do silêncio. Maria primeiramente recebeu o Espírito, e depois recebeu a Palavra. O Espírito precede à Palavra também no encontro de Maria com Isabel: “…e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com voz forte, ela exclamou: ‘Bendita és tu entre as mulheres…’ (cf. Lc 1,41-42). O menino João saltou de alegria no seio de Isabel porque o mesmo Espírito silenciosamente lhe revelou Jesus no seio de Maria.

Ao se retirarem os pastores da gruta de Belém, “Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração” (cf. Lc 2, 15-19). A meditação é conduzida pelo Espírito e progressivamente revela o sentido dos acontecimentos. A noite do Natal é a grande noite da Luz poderosa: qualquer palavra empobreceria a explosão luminosa da natividade.

Silêncio e Palavra (Igor Mitoraj)

Sem voz e sem rosto, assim é o Espírito

O Espírito Santo não fala, porque sua missão é revelar a Palavra e, sem ele, a Palavra é apenas ruído religioso, profecia sem profetismo, sentimento sem fé, cerimônia sem liturgia. No grande silêncio também não nos foi revelado o rosto do Espírito, ao contrário do rosto de Jesus e do Pai (“Filipe, quem me vê, vê o Pai” – Jo 14,9). Mas, é possível contemplar o rosto do Espírito Santo: olhando o rosto dos santos, das pessoas cheias do amor, que revelam o Espírito. Os santos têm o privilégio de revelar a imagem e a semelhança de Deus, donde a luz que irradia de seus rostos. O silêncio do Espírito, de sua voz e face nos é manifestado na sinfonia da comunhão dos santos: afirmou um monge que ”se não existissem os santos, se nós não acreditássemos na comunhão dos santos do céu e da terra, estaríamos encerrados numa solidão desesperada e desesperante”, pois viveríamos num silêncio não comunicativo, revelador de gélida vida solitária.

O Espírito nos abre os ouvidos e o coração para ouvirmos a Palavra e essa não pode ser ouvida sem a renovação de nosso ser através dele. Tira de nós a presunção do conhecimento teórico, abstrato sobre Deus, pois não há relação intelectual com Deus em Cristo, mas sim, renovação do coração e da mente que nos fazem compreender a Palavra que, acolhida, nos mergulha na verdade e na vida.

É pobre o comunicador – a palavra de ordem hoje é comunicar! – que busca explicar tudo. Nossas TVs, rádios, internet estão cheios de explicações religiosas, algumas até contraditórias. Na busca legítima de evangelizar, levar a doutrina a todos os ambientes, corre-se o risco de profanar o Sagrado, espetacularizar o mistério. A comunicação religiosa é contemplação, adoração, revelação. Aqui entra o “pudor”, o recato: as coisas de Deus são misteriosas, profundas, não podem ser lançadas na vala comum do barulho mundano. São mais contempladas do que demonstradas.

Em seus primeiros séculos, a Igreja adotava o catecumenato para os adultos, que participavam da Eucaristia apenas até o final da Liturgia da Palavra. Ainda hoje a Liturgia ortodoxa, nesse momento, ordena: “Catecúmenos, ide embora!”. Após o Batismo (que incluía a Comunhão e a Crisma) era-lhes explicado o que tinha acontecido num sermão “mistagógico”, de introdução ao mistério. Havia segredos que somente nesse momento eram revelados. Hoje nos preocupamos em mostrar tudo, explicar tudo, e destruímos a possibilidade do espanto diante do Mistério, perdemos o pudor do silêncio. E perdemos tudo, pois não ouviremos os anjos cantando e não iremos a Belém.

Pe. José Artulino Besen

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A LITURGIA – AÇÃO DO ESPÍRITO E DA IGREJA

2011-06 – «Liturgia cósmica» – Igreja S. Martini – Bremen

Estando para celebrar os 50 anos do início do Vaticano II (1962-1965), seria útil refletirmos sobre sua grande obra, a reforma litúrgica, com a Constituição Sacrosantum Concilium.

O Espírito e a Esposa dizem: “Vem!”  E quem escuta, repete: “Vem!” Quem tem sede, que venha; quem quiser, beba gratuitamente da água da vida” (Apc 22,17).

Com estas palavras, o papa João Paulo II iniciou, em 4 de dezembro de 2003, a Carta Apostólica O Espírito e a Esposa, para comemorar os 40 anos da reforma litúrgica durante o Concílio do Vaticano II, uma das grandes graças recebidas pelo povo de Deus no século XX. O Espírito é o Espírito Santo, a Esposa é a Igreja que, durante a celebração da liturgia pedem ao Senhor Jesus: “Vem!” E o Senhor vem, oferecendo gratuitamente a “água viva”, o dom de Deus.

A celebração litúrgica não é uma cerimônia, não é um show, não é um grupo de oração. Não é um momento solto na vida da Igreja, disse o Papa. Ela está inserida na história da salvação, cuja finalidade é a redenção humana e a perfeita glorificação de Deus. O início foi a ação divina no Antigo Testamento, a realização aconteceu no Mistério pascal: na Paixão, ressurreição da morte e gloriosa ascensão.

A salvação humana e a glorificação de Deus não podem ficar no passado: devem ser anunciadas e realizadas continuamente na Eucaristia e nos Sacramentos até o retorno glorioso do Senhor. Por isso, nós, a cada Celebração eucarística, proclamamos: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição: Vinde, Senhor Jesus!” E ele vem, como virá glorioso no final dos tempos.

Cada celebração é obra de Cristo Sacerdote e da Igreja, nela se participa das alegrias da Jerusalém celeste. Assim, a Liturgia é o ponto mais alto, o ápice da ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde vem toda a sua força, afirma o Concílio. Uma comunidade cristã que não vive da celebração litúrgica, sofre de anemia espiritual e se transforma num grupo de ação social ou de convivência, com devoções e tradições, onde o importante não é mais a graça, e sim, os sentimentos humanos.

Obra do Espírito e da Igreja

Nenhuma obra na Igreja se compara ou se iguala, em eficácia e nível, à celebração litúrgica. Mas, é também verdade que a Liturgia não esgota a ação da Igreja: ela supõe o anúncio do Evangelho, a catequese e o testemunho de vida do cristão. Tudo isso converge para que a celebração litúrgica seja mais profunda, verdadeira, vital.

Não basta reformar a Liturgia: é preciso reformar a assembléia cristã, aprofundar o conhecimento do mistério da salvação. Existem liturgias modernas, mas não renovadas. Seguem a moda, são superficiais.

Uma equipe de liturgia, ou uma assembléia cristã mal formadas, mesmo com a maior boa vontade, confundirá Liturgia com cerimônia, show, onde padre, músicos, comentaristas e leitores competirão em aparecer e oferecer novidades. Em vez da redenção e da glória de Deus buscarão a glória pessoal e a realização sentimental dos participantes.

O Pe. Zezinho, em artigo na revista Família Cristã, alertou: “Invadiram a Missa!”. Ele quer chamar a atenção para o fato de que se “usa” a Missa para lembrar acontecimentos humanos, lançar cantores e músicas, padresshow, promover políticos, enfim, profanar o encontro do Espírito Santo e da Igreja com truques humanos. Chega-se a confundir a eficácia dos Sacramentos com o nível de sentimentos provocados. Deixa-se de lado a ação divina e se busca a eficácia de recursos humanos.

Para um verdadeiro aprofundamento da vida litúrgica, uma pastoral litúrgica, o Santo Padre chama atenção para alguns pontos: um renovado interesse pela Palavra de Deus, o domingo, a arte e a música sacras, a experiência do silêncio, o gosto pela oração. Tudo com uma finalidade única: escutarmos a voz do Espírito e da Esposa, a Igreja, que convidam o Senhor Jesus: “Vem!”, e ele respondendo, sempre: “Vem, beber na fonte da água viva!”

Liturgia – Palavra e Sacramento – «O Verbo se fez carne»- Giovanni Thoux

A RENOVAÇÃO DA PESSOA E DA ASSEMBLÉIA CRISTÃS

É a segunda etapa da renovação litúrgica: a renovação da pessoa e da assembléia cristãs. A primeira etapa foi do entusiasmo criativo, das novidades, das experiências litúrgicas. Isso já não basta: estamos no tempo da renovação do cristão diante do mistério pascal celebrado em cada liturgia.

A Palavra de Deus – fonte da liturgia

Na escuta da Palavra de Deus se edifica e cresce a Igreja. A Palavra escutada na ação litúrgica é para depois atuar em nossa vida. A Eucaristia é constituída de duas liturgias, inseparáveis e insubstituíveis: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística. Uma leva à outra, uma necessita de outra. Conta-se que Deus veio à terra falar com um velho santo e sábio e lhe disse: “Vocês cristãos têm muita riqueza, riqueza demais. Vocês têm a Bíblia e a Eucaristia. Proponho então que você, em nome do povo, faça uma escolha: quer ficar com a Bíblia ou com a Eucaristia?” O santo e sábio ancião não hesitou e respondeu: “Quero a Bíblia!”. Por que essa resposta? Inteligente, ele sabia que sem a Bíblia não há Eucaristia e com a Bíblia, há. Essa pequena história diz algo de muito sério: só participa plenamente da riqueza dos Sacramentos aquele que escuta a Palavra de Deus. Sem a Bíblia, tudo passa a ser devoção barata.

O Domingo, dia do Senhor

O Domingo, dia em que se celebra de modo especial a ressurreição de Cristo, encontra-se no centro da vida litúrgica como fundamento e núcleo de todo o ano litúrgico. O povo do Antigo Testamento celebra o Sábado, o sétimo dia da criação. Os cristãos, povo do Novo Testamento, celebram o Domingo, o primeiro dia da nova criação. Desde o início, conservando todo o respeito pelo povo judeu, a Igreja escolheu para celebrar a Eucaristia o dia do Domingo, dia em que o Senhor recriou o mundo com sua ressurreição gloriosa.Em cada Sacramento a Igreja faz a memória, traz a presença do Cristo glorioso.

Corremos o perigo de isolar o Domingo, transformando-o em dia de lazer. Para muitos cristãos, já é norma participar somente da Missa de sábado, pois assim estarão “livres”. A renovação litúrgica permite isso, mas como exceção, pois o Dia do Senhor, dia do encontro da assembléia e da família cristãs é o Domingo.

Até o século IV, o domingo não era feriado, mas os cristãos não se esqueciam de participar da Eucaristia bem cedo, antes de irem ao trabalho. Eram movidos pela alegria de celebrar a ressurreição. As Igrejas do Oriente, ainda hoje celebram a Eucaristia somente no domingo, para ter bem presente o que se está celebrando: a presença do Senhor ressuscitado.

A música na Liturgia

O Concílio do Vaticano II deixou bem claro a função da música sacra: a glória de Deus e a santificação dos fiéis. É um instrumento privilegiado para facilitar uma participação ativa dos fiéis na ação sagrada. A música tem um lugar bem determinado no contexto da celebração litúrgica: ela visa levar os fiéis a viverem o momento celebrativo. Em outras palavras: o canto de entrada facilita o recolhimento da comunidade, o canto da apresentação das oferendas leva à vivência do que se oferta, o canto da comunhão nos faz mergulhar no mistério da união pessoa-Cristo. Toda música litúrgica é música sacra, mas nem toda música sacra é música litúrgica. Há cantos feitos para Celebrações da Palavra, encontros, retiros, grupos de reflexão, de oração e não têm finalidade litúrgica. Por isso mesmo, é de grande necessidade a formação litúrgica dos compositores e cantores para que de um modo sempre mais belo levem os irmãos à vivência do mistério litúrgico.

«Liturgia – oferta da criação ao Senhor» – Igreja S. Paulo – Augsburg

SILÊNCIO E ORAÇÃO

Hoje sentimos uma necessidade mais profunda, a da interiorização do mistério. A liturgia deve conduzir os participantes a viverem o mistério da paixão e morte-ressurreição gloriosa de Cristo. E para isso, nada pode substituir o gosto pela Palavra de Deus, pela música litúrgica, o silêncio e a oração. Há, em cada um de nós, um desejo profundo de encontro com Deus. A Liturgia oferece uma resposta eficaz a esse desejo, afirma o Papa, especialmente na Eucaristia, na qual nos é concedido unir-nos ao sacrifício de Cristo e alimentar-nos do seu Corpo e do seu Sangue.

Todos devem sentir-se acolhidos no interior das assembléias, de maneira a poder respirar a atmosfera da primeira comunidade cristã: “Eles eram assíduos na escuta do ensinamento dos Apóstolos e na união fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42).

Deus nos fala no silêncio

Nossa sociedade, escreveu João Paulo II, é cada vez mais barulhenta. Ela procura destruir os momentos de silêncio, a fim de tirar de nós a capacidade de ouvir, meditar, acolher a Palavra de Deus e do próximo. A pedagogia litúrgica poderia muito bem começar com a educação ao silêncio, tendo diante dos olhos o exemplo de Jesus que, “tendo saído de casa, se retirou num lugar deserto para ali rezar” (Mc 1,35). Todos os mestres de espiritualidade insistiram no exercício do silêncio: através dele nós recolhemos as antenas dos sentidos externos para ativarmos os sentidos internos, onde Deus nos fala. Quem tem medo do silêncio, tem medo de si, medo de Deus, medo da vida. O barulho é um caminho de fuga de si mesmo.

A reforma litúrgica suprimiu da antiga Liturgia as orações e hinos que tinham ocupado o lugar do silêncio. Infelizmente, novamente se assiste a uma ocupação destes momentos de silêncio com cantos e comentários, fundos musicais, dando a impressão de que o silêncio é vácuo, ausência de sentido.

Há momentos de silêncio na atual liturgia: no Ato Penitencial, após os Oremos, durante a Consagração e após a Comunhão. O silêncio é sempre fértil, porque nos faz escutar o Senhor no confronto com a realidade de nossa vida.

O gosto pela oração

Afirma Santa Teresa que “orar é uma conversa de amigos”. A Liturgia é a mais profunda e perfeita conversa com o Amigo que conosco celebra o mistério da salvação.

A oração comunitária é mais rica quando fruto de um espírito que vive em contínua oração; e a oração particular é mais fecunda quando conseqüência de uma profunda participação na oração comunitária. E mais fecunda ainda é quando fruto da leitura bíblica.

O ato litúrgico é ato de toda a Igreja, é oração de todo o Povo de Deus. Se não formos educados para essa união universal na oração, a celebração litúrgica ser-nos-á cansativa, pesada, dando até a impressão de nos tirar a criatividade da oração. Assim, não há conflito entre oração privada e oração litúrgica, pois em ambas é o Espírito de Deus que intercede em nós e “por nós, com gemidos inexprimíveis” (Rm 8,26).

A criatividade é necessária e positiva, desde que não ofusque o mistério que se está celebrando e rezando: a paixão, morte e ressurreição gloriosa do Senhor, o Mistério pascal.

Podemos concluir com o Bem-aventurado João Paulo II, agora celebrando a Liturgia eterna: “Que neste início de milênio se desenvolva uma “espiritualidade litúrgica”, que leve as pessoas a tomarem consciência de Cristo como primeiro “liturgista”, que não cessa de agir na Igreja e no mundo, em virtude do Mistério pascal continuamente celebrado, e associa a si a Igreja, para louvor do Pai, na unidade do Espírito Santo”.

Pe. José Artulino Besen

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A MORTE, PLENITUDE DE VIDA

Cristo Ressuscitado na Igreja, penhor de nossa ressurreição (Centro Aletti)

Cristo Ressuscitado na Igreja, penhor de nossa ressurreição (Centro Aletti)

As almas dos justos estão nas mãos de Deus
e nenhum tormento as atingirá.
Eles estão em paz” (Sb 3,1-7).

Diante de um túmulo, onde acabamos de depositar os restos mortais de um familiar, de um amigo querido, de um jovem, uma criança, o silêncio é o discurso mais forte e convincente. O silêncio da morte se confraternizando com o silêncio da dor, da solidariedade. E, talvez, achemos que tudo foi um absurdo, que a vida não passou de uma grande ilusão, que o amor de Deus por nós foi uma brincadeira de mau gosto.

Pensamos que a morte seja o fim, que não valeu tanto esforço. Para um cristão, porém, não é assim. Ao descrente, a morte pode ser irmã da desesperança, mas para quem crê, a morte é apenas um passo que nos leva da esperança da eternidade feliz à posse da felicidade eterna.

A morte é a plenitude da vida. É o momento mais significativo da existência humana. Naquele momento em que os olhos se fecham para a vida terrena, a vida atingiu seu momento mais pleno: naquele instante colocamos nas mãos tudo o que fomos e fizemos em nossa vida. Como que, dizemos ao mundo e a Deus: “Eis o que consegui fazer com minha vida!”. Ali se encerra a etapa do crescer e fazer, do construir, do realizar o bem e o mal. O momento do nascimento foi o início de um projeto: o instante da morte é o balanço final deste mesmo projeto.

Não é importante viver muitos anos: o importante é nascer. Quando a criança vem à luz, inicia seu caminho para a eternidade. Um caminho longo ou breve, fácil ou difícil, levado com seriedade ou na brincadeira, mas um caminho que desemboca irreversivelmente na existência sem fim. No instante da morte fechamos os olhos à luz do mundo para, em seguida, os abrirmos às portas do Reino da Luz, onde existiremos no amor em plenitude, em Deus.

Não tememos esse momento, pois o Deus do amor e da misericórdia “que nos carregou ao colo e nos acariciou no regaço” (Is 66,12) é o motivo de nossa confiança. “Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estás comigo” (Sl 22,4).

A morte nos ensina como a vida é importante, decisiva. Ensina-nos, igualmente, como as pessoas são importantes. Tão importantes que fazem falta ao morrerem, deixam-nos um vazio impossível de ser preenchido, por que cada pessoa é única. Não será repetida. Sua vida foi uma missão dada por Deus. O que ela não fizer, ninguém mais o fará. Deus não nos fez criaturas descartáveis, mas necessárias para seu plano de amor. E mais: Deus não nos jogou no mundo como brinquedos nas mãos do destino. Criou-nos para sermos seus filhos, num primeiro momento vivendo a existência terrena e depois, junto dele, eternamente.

A partida de alguém nos faz mergulhar na saudade. Recordando as palavras do grande intelectual cristão: “Passamos a vida dizendo adeus: adeus aos anos, adeus à saúde, adeus aos projetos pessoais, adeus aos amigos. E num dia diremos A DEUS – vou para Deus”. Mas essa mesma partida do mundo é a chegada a Deus, que também tem saudades de seus filhos e os quer junto de si. Deus nos leva quando estamos maduros, “como um feixe de trigo que se recolhe a seu tempo” (Jó 5,26).E toda a despedida é um “até logo”, pois logo mais também chegaremos à plenitude de nossa vida, também nós abriremos nossos olhos à Luz eterna. E será o reencontro final na casa do Pai, na nossa casa: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e vos tomarei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais” (Jo 14,2-3).

Pe. José Artulino Besen

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DEUS ENVIOU A PALAVRA E O HOMEM CRIOU O PALAVRÓRIO

A Palavra traspassa a Virgem que acolhe a Palavra – Centro Aletti

Há um complô contra o silêncio: ruas, casas, lojas, clínicas estão povoadas por sistemas de som com música, anúncios, vantagens. O lar está tomado pelo barulho da TV, do rádio, celular, telefone, aparelho de som. Há barulhos nas imagens, anúncios nas estradas e vias públicas, sites de internet que também rompem o silêncio, às vezes com efeitos mais desastrosos ainda.

Por que temos tanta dificuldade em parar, fechar os olhos, permanecer silenciosos ou, silenciosamente, contemplar as pessoas que nos cercam, a paisagem oferecida gratuitamente? É o medo de nós. Medo da vida que levamos e fingimos que não levamos.

Fugimos da palavra verdadeira, autêntica, que nasce do silêncio e por ele é guardada. O silêncio é a embalagem mais preciosa para a palavra legítima que nos orienta. Uma embalagem frágil, diga-se, e se prefere esmagá-la quando nos fala palavras que nos machucam por dizerem a verdade.

Mas, vida sólida não combina com barulho, pois, sem o silêncio, não é possível uma vida de combate à dispersão, à ânsia, à distração, ao vazio interior.

A solidão, o silêncio e a ascese permitem olhar face a face os pensamentos-tentações que nos afligem: não crer em Deus nem em nada, a conclusão de que tudo se acaba em nada, o peso dos pecados que leva a duvidar do perdão, a capacidade de ver o bem no ser humano. O silêncio e a solidão nos obrigam a dar uma resposta a esses verdadeiros problemas, tão ocultos na vida social, mas tão exigentes para que possamos existir com sentido.

Ouvir o silêncio que fala, ouvir a Palavra de Deus exige que se calem as outras palavras, que se escute o outro, o irmão e a irmã que batem à nossa porta a fim de escutarmos seus problemas, sofrimentos, a palavra de sua vida. Foi no silêncio eterno que a criação ainda informe e vazia ouviu a primeira Palavra do Criador: “Faça-se a luz!” (Gn 1,3). Essa Palavra continua a ecoar pela história daqueles que decidem tornar suas existências luminosas mas, somente é ouvida no silêncio. E, sem a luz, a palavra não discerne o belo e o mau.

O barulho nos faz escutar o nada, leva-nos ao esvaziamento das profundezas de nosso coração, chegando a impedir-nos o grande grito silencioso e necessário “Das profundezas, Senhor, a vós eu clamo!” (Sl 129,1).

Silêncio – a Palavra veio morar entre nós

O silêncio é um caminho que se percorre no exercício perseverante e até árduo do encontro conosco. Às vezes o silêncio espanta e vem a tentação de retornar ao barulho, ao palavrório vazio. Prefere-se o sonambulismo espiritual, o não se conhecer em profundidade e se cai na alienação.

Numa espiritualidade movida a vácuo multiplicamos a ação, nos embebedamos para gritar falsas alegrias, transformamos o louvor em algazarra, o ato penitencial em gemido narcisista, a Liturgia em espetáculo, gritamos para Deus a fim de que ele não possa ser ouvido. Permaneceremos como semente lançada em chão sem profundidade.

E a Palavra se fez carne, e veio morar entre nós” (Jo 1,14). O Filho eterno do Pai não veio ao mundo com palavras, mas como Palavra feito carne, vida, encontro, misericórdia. Não Palavra de ensino, legalista, mas Palavra encarnada que nos narra o Pai, possibilitando-nos o confronto com aquele que, único, pode dizer: “Faça-se a luz!”.

Cristo-Palavra é o Filho estampado no rosto humano e permite decifrar Deus em cada rosto de homem, onde o Deus pessoal o trata como um “tu” e com ele estabelece diálogo. Então o homem mergulha no Absoluto e recupera sua imagem dialogal – somente se é pessoa diante de um tu – e emerge indo ao encontro do mistério do próximo, dando um significado infinito ao rosto do outro.

Na Palavra que se manifesta na Bíblia o homem se descobre vivendo o barulho angustiado, tomado pelo nihilismo, “eu não existo, não sou nada” para, em seguida, alimentado pelo silêncio, descobrir que existe, que necessita de salvação e que o Senhor é essa salvação.

A Bíblia é uma Palavra, a Palavra é Cristo, Deus é uma Palavra: Amor.

Para fugir do Amor criamos palavrórios sedutores envolvidos em embalagens de teologias prolixas, criamos igrejas movidas a milagres, competições denominacionais, proferimos conferências e sermões gritantes, colocamos o demônio em todos os problemas, transformamos o Cristianismo em terapia.

Não é necessário tanto palavrório. Servem apenas para fugir da verdade que é mais simples: é Palavra-amor no qual Cristo nos revela quem é Deus e, ao mesmo tempo, quem é o homem.

Pe. José Artulino Besen

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O PATRIARCA SÃO JOSÉ

Jacó gerou José, esposo de Maria,
da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo (Mt 1,16).

São José medita as Escrituras Sagradas – Gerrit van Honthorst – 1619-20 ca

Celebrado em 19 de março, São José foi o último patriarca da antiga Aliança. Germinando no Antigo Testamento, cresceu no Novo. Patriarcas foram os homens a quem Deus se revelou em sonhos. E José, por três vezes, teve essas revelações: na gravidez de Maria (Mt 1,19-24), na fuga para o Egito (Mt 2,13-14) e no retorno a Nazaré (Mt 2,22).

Jovem, pensando em casamento, em oferecer filhos aos povo de Israel, entre tantas moças de Nazaré, elegeu para si Maria, Virgem concebida sem pecado. Homem privilegiado, levou para sua casa Maria, a mais bela entre todas as mulheres. Quantas vezes não se quedou em êxtase contemplando essa mulher única que gerou o próprio Jesus, o Senhor do mundo! Na sua humildade, aceitou ser o pai de criação dele. Um gesto generoso numa sociedade patriarcal como a judia.

A Bíblia não nos transmite nenhuma palavra de José, nem uma exclamação sequer. O Patriarca do silêncio! Silenciosamente levou Maria para sua casa, em silêncio viajou até Belém, onde ajudou no nascimento de Jesus. Oito dias depois, ouvindo a esposa, dá ao menino o nome de “Jesus”, que significa “Deus salva”. Na sua humildade, recebe a visita dos Reis magos que, do Oriente, vieram adorar e render homenagens à criança recém-nascida.

No devido tempo, junto com Maria leva a criança ao Templo de Jerusalém para apresentá-la ao Senhor. Em silêncio escuta a profetiza Ana, as profecias do velho Simeão que, cheio de alegria, afirmou que já podia morrer em paz, pois seus olhos tinham visto o Salvador (Lc 2,21-38). Diz Lucas que José e Maria escutavam em silêncio as coisas que se falavam do Menino. Tão humildes e pobres, não podiam entender o que estava acontecendo.

O caminho da cruz teve início cedo: roído pelo medo de que Jesus fosse seu concorrente, Herodes mandou matá-lo. Um rei com medo de uma criança pobre! Em plena noite, a família de Nazaré foge para o Egito. Largando tudo, a viagem difícil para uma terra estranha, para o desterro.

Passado o perigo, retornou com a família para Nazaré, onde garantiu o sustento de Maria e de Jesus. Pai feliz, viu o menino crescer em sabedoria e graça. Todos os anos iam em peregrinação a Jerusalém, para a festa da Páscoa. A alegria da viagem, da festa, a preocupação com a criança. Apesar de todos os cuidados, o menino se extraviou da comitiva. Tinha 12 anos. Com preocupação o procuraram em todos os grupos. Nada. O jeito foi voltar à Capital. E, surpresa, Jesus estava no Templo e, mais ainda, discutia com velhos doutores. Maria fala, José cala. Certamente levou um susto quando o adolescente declarou que deve ocupar-se das coisas de seu Pai (Lc 2,41-52). Não era ele o pai!? José não fala. Guarda tudo no silêncio do seu coração.

José e o Menino – Dony Macmanus

Depois, a vida pacata em Nazaré: trabalhos na oficina, alguma plantação, o cuidado da Família. Nada mais se comenta de José. Mergulha no silêncio do mistério de Deus que se revela no Jesus que tinha visto nascer, crescer, tornar-se homem. O crescimento da Salvação da história acontece na solidão de Nazaré.

Quando tudo terminou na dor da Cruz, lá não estava mais José. Jesus entrega sua Mãe a João. Se José estivesse vivo, não a confiaria a um estranho. Com pouco mais de 50 anos, José morre nos braços do Filho e amparado pela esposa. Quanta felicidade a desse homem, fechar os olhos entre o Filho de Deus e a Mãe de Deus! Morre o último Patriarca do Antigo Testamento, deixando como testamento pessoal a colaboração eficaz e insubstituível de ter sido o pai adotivo do Senhor dos senhores e esposo da Rainha de todas as rainhas, Jesus e Maria.

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O NATAL DO MENINO, PRIMEIRA PÁSCOA

Natividade do Senhor – Andrej Rublev – 1405

Lucas é o evangelista que acrescenta dados históricos a seu relato da anunciação e nascimento de João Batista e Jesus (cf. Lc 1-2). E afirma que muito pesquisou para narrar tudo com fidelidade. Mesmo tendo escrito seu Evangelho após a ressurreição do Senhor, portanto sob a Luz da glória, sua história é profundamente humana: suas páginas são povoadas de mulheres arrependidas, pecadores penitentes, doentes e famintos que se aproximam de Jesus, Deus Pai esculpido nas parábolas do Filho pródigo, da Ovelha perdida, da Moeda extraviada (Lc 15). E é pelo fato de ter pesquisado que não poderia chegar a outra conclusão que o Evangelho é uma história de compaixão! Para Lucas, tudo o que é divino é tão humano, que só nos resta, a exemplo de Maria, guardar e meditar tudo no silêncio do coração, lá onde não se encontram explicações, mas conduzem à adoração.

Como a noite do Natal. Uma noite em Belém.

Maria e José vão a uma gruta, as hospedarias estavam lotadas na pequenina Belém. O Menino tem necessidade de nascer numa gruta escura, de ser depositado numa manjedoura, pois a gruta é a imagem do mundo/noite porque separado de Deus e a manjedoura é a imagem da urna mortuária onde anos depois o Homem de Nazaré vai ser sepultado para vencer a morte ressuscitando. A noite de Natal já é uma Páscoa, a pequena Páscoa que à grande Páscoa antecede.

Recordada do anúncio do Anjo, Maria contempla o infinito e mergulha no mistério desse Menino gerado eternamente de um Pai sem mãe e agora gerado humanamente de uma Mãe sem pai. Seus olhos vão do Menino a José e se refugiam na noite silenciosa, a noite que preanuncia a explosão luminosa da Grande Páscoa.

José contempla Maria, tomado pela dúvida: como pode ter nascido essa Criança sem ter parte comigo? É a tentação que penetra toda a história: somente achamos verdade o que não foge aos nossos olhos ou aos limites de nossa razão, negando local à novidade continuamente recriada por Deus. Maria o contempla com profunda e infinita compaixão. José, porém, é vencido pelo encanto do amor e prorrompe num Aleluia sem fim, pois aceita participar do mistério que desliza ante seus olhos.

Nessa mesma noite pobres pastores de Belém apascentam ovelhas, livrando-as de lobos ferozes. Escutam vozes de anjos anunciando alegria, notícia nunca escutada. Incontroláveis, os anjos explodem num grande hino, pois é possível a paz na terra com a glória divina penetrando a criação. Os pastores dirigem-se à gruta que lhes é indicada e contemplam a pobreza total: Maria aquecendo o recém-nascido, José os protegendo, animais dormindo. Narram o que escutaram e nada perguntam, pois estão abertos ao Mistério. A Luz penetra a gruta, rompe-se o domínio das trevas, o céu e a terra se reúnem, a eternidade e o tempo se abraçam. O Menino enfaixado é o Homem que desata as faixas e transforma o túmulo da Morte em templo da Vida.

A Luz torna o mistério fascinante, mas o Mistério iluminado queima os olhos de quem se atrever a profaná-lo querendo dominá-lo com olhos carnais. Somente a Transfiguração dará ao ser humano olhos capazes de contemplar o Mistério, num longo caminho de transfiguração a ser percorrido. No meio das miríades de estrelas que brilham nessa noite luminosa, Maria é a Estrela que anuncia o Sol que nos vem visitar.

Todo nascimento é oportunidade para uma troca de presentes. Em primeiro lugar, o Pai eterno nos dá o Filho eterno como criança frágil de quem ninguém precisa ter medo. Seguindo a Liturgia de São João Crisóstomo, e nós, que presentes oferecer ao Menino como sinal de gratidão?

Os anjos oferecem sua gratidão, os céus a estrela, os Magos seus dons, os pastores sua admiração, a terra oferece a gruta, o deserto a manjedoura. Nós, porém, oferecemos a Deus uma Mãe Virgem. No Filho que gerou nossa natureza humana também é pacificada e virginizada.

É Natal. Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra!

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O SILÊNCIO É FÉRTIL

«São Pedro, mártir pedindo SILÊNCIO» Nicholas Lochoff (1948) - Frei Angélico (Florença, 1400? -1455), Original (após 1438), no Claustro de São Marcos, Florencia, Afresco.

«São Pedro, mártir pedindo SILÊNCIO» Nicholas Lochoff (1948) - Frei Angélico (Florença, 1400? -1455), Original (após 1438), no Claustro de São Marcos, Florencia, Afresco.

«Quem vigia sua boca, guarda sua vida,
quem muito abre seus lábios se perde»
(Provérios 13,3)

O silêncio! Ao contrário do que a maioria pensa, o silêncio não é perda de tempo, não é fuga da palavra construtiva, da ação. As pessoas que revolucionaram o mundo vieram do deserto, onde tiveram a experiência fértil do silêncio: foi no deserto que Moisés aceitou a missão de ir libertar seu povo do Egito. Foi no deserto que Jesus se preparou para sua missão de redentor do mundo. Foi no deserto que Paulo se fortaleceu para as viagens missionárias. Foi no deserto do Saara que Charles de Foucauld, oficial francês, deu a largada de um grande movimento de espiritualidade cristã e humanística.

O deserto é silêncio. O silêncio produz o encontro com o Deus da vida. Quem não passa pela experiência do silêncio, não sentirá a passagem de Deus por sua vida. Vai perder as melhores oportunidades de crescimento pessoal, pois estará sempre mergulhado na agitação do mundo.

Nossa vida precisa de silêncio a fim de que possamos refletir, avaliar nossas atitudes. A criatividade das grandes personalidades foi gerada no silêncio.

Nossas casas são agitadas pelo barulho, e o silêncio transformador é morto pela parafernália eletrônica que nos enche os ouvidos, os olhos, e embota o coração. Fazemos de tudo para fugir do silêncio: é o vazio interior.

Somos tão cercados pelo barulho do som e da imagem, que perdemos a sensibilidade pelas pessoas. Não calando, não ouvimos. Quanto mais o ruído nos dominar os sentidos, menos teremos paciência para escutar alguém. Nossas casas tornam-se ninhos de solidão e insensibilidade, porque perdemos a disposição para a conversa, para o diálogo. A mesa da refeição, lugar favorável para o encontro familiar, fica diante de uma Televisão sempre ligada: pais e filhos se desinteressam da conversa amiga, pois os ouvidos estão concentrados no programa do momento. Assim, as pessoas vão se tornando estranhas, mesmo convivendo sob o mesmo teto.

Somos os grandes prejudicados pela ausência do silêncio, porque acabamos não nos escutando mais. Pior ainda, teremos medo do silêncio que nos coloca frente a frente com nossa consciência, e não conseguimos refletir sobre nossa própria vida, nossas atitudes. No final, teremos medo de nós mesmos. Vem a depressão, o sentimento trágico e destrutivo de estarmos sozinhos no mundo, de não termos quem se preocupe positivamente conosco. A culpa inicial foi nossa, incapazes que fomos de nos preocuparmos com os outros. E o barulho será o remédio para fugirmos de nós mesmos.

O homem que gosta do silêncio é uma pessoa em paz consigo mesmo. A mulher que ama o silêncio é uma pessoa de bem com a vida. Seu silêncio será contemplação feliz da própria existência.

Deus age sempre no silêncio de nosso coração. Sem atenção, sua presença passará despercebida, e o sentiremos sempre mais distante de nós.

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