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NATAL – VEIO PARA O QUE ERA SEU

O Menino na Mangedoura - Ruber OSB

O Natal é a festa do nascimento, na carne, do Filho de Deus. Jesus Cristo é eterno, estava junto do Pai e do Espírito Santo antes da criação do mundo. Mas, no momento oportuno, veio para dar-nos a graça de nos descobrirmos como filhos de Deus e restaurar nossa dignidade humana.

Desde o princípio, Cristo estava no mundo: sendo divino, não foi reconhecido, apesar de sinais claros dados por Deus através dos Profetas e das Escrituras. O ser humano habitava a escuridão e era incapaz de perceber a luz (cf. Jo 1, 11). Para ser reconhecido por aqueles que eram seus desde todo o sempre, assumiu a natureza humana no seio de Maria e veio habitar entre nós, visivelmente, para dar-nos a oportunidade de conhecermos quem é Deus e como Deus é: “Com efeito, Deus enviou seu Filho, o Verbo eterno que ilumina todos os homens, para habitar entre os homens e dar-lhes a conhecer os segredos de Deus” (DV 3-3).

Muitas vezes podemos nos perguntar, até com estranheza: por que Deus fez e faz tudo isso por nós se, na verdade, nem estamos tão interessados nele? Por que Deus nos envia seu Filho se nós não o pedimos? Por que Deus quer nos salvar, mesmo que nós prefiramos viver na condenação das trevas?

A resposta é uma só: Deus ama o que é seu. Deus quer salvar o que é seu. Tudo faz por aqueles que são seus.

Diante de tamanho amor manifestado na noite de Natal, diante de Deus que se faz criança, nossa resposta é o louvor: Ó Senhor nosso Deus, como é grandioso vosso nome em todo o universo! (Sl 8,1). Mas, Deus não se satisfaz apenas com nosso louvor: ele quer nos salvar, dando-nos a graça de recuperarmos a filiação divina perdida no pecado. Isso sempre, a cada dia, até o final da história: a decisão divina de nos salvar vale para todo o tempo da história.

A salvação não é obra humana, “nem do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus” (Jo 1, 13). A salvação é graça.

Quem passou pela experiência da fraqueza humana, do vício, da imoralidade e teve a graça do encontro com Deus, afirma tranqüilamente: Tudo foi obra de Deus! Eu nem acreditava mais que tinha jeito!

A graça de Deus é um dom imprevisto, misterioso, suave ou forte, mas sempre um dom, oferecido no amor de Pai. Nosso agradecimento pela graça recebida é a vivência como filhos de Deus, no seguimento de Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

E se o pecado de novo em nós vencer e nos distanciar da graça divina? Deus não se cansa de nos procurar? Evidentemente que não. Deus não seria Deus se nos abandonasse à sorte dos desesperados. A salvação é sempre oferecida, sempre renovada.

A graça do Natal toca a vida dos que a aceitam

Infelizmente, custa-nos crer num amor desinteressado, contínuo. Para nós é difícil o perdão milhares de vezes repetido e confirmado. Porque nós não fazemos assim. Nós colocamos condições: uma, duas, três vezes. E achamos que Deus é como nós. Engano. Tanto o amor como o perdão são infinitos.

O Pai nos conhece e sabe das ciladas que Satanás nos arma e nas quais somos enredados. Um cristão passa por muitas tentações, muitas quedas, passa inclusive pelo cansaço de lutar para ser cristão. Nós sofremos ao contemplarmos os erros passados, os fracassos. Lamentamos oportunidades perdidas. O passado, porém, não deve nos condicionar, pois o Senhor nos olha hoje, aqui, agora. É para esse instante que ele pede nossa fidelidade. Com o tempo seremos curados dessas recordações tristes que nos impedem amar e sermos amados.

Uma verdade necessita estar sempre diante de nossos olhos: Deus sempre vem para os que são seus. Pecadores ou santos, nós somos dele e ele quer ser nosso.

A oficina da graça recupera toda a estrutura pessoal, por maior que tenha sido o estrago do pecado. A maior tristeza seria duvidar disso, conservar a imagem de um Deus ameaçador. Nosso Deus é o Pai de Jesus, é o nosso Pai.

Na festa do Deus Menino, num feliz Natal, conservemos a felicidade de sermos obra de Deus! Anunciemos a todos essa grande alegria: foi derrubado o muro que nos separava do céu. As portas estão abertas. Somos convidados a entrar nessa nova vida, divina, onde o Pai nos espera. Mas, lembremos: somente quem tem coração simples como o Menino de Belém penetra nos segredos do amor divino.

Pe. José Artulino Besen 

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OS SANTOS, OS VERDADEIROS MISSIONÁRIOS

Quando São Francisco percebeu a grande alegria dos frades pelo martírio de alguns franciscanos no Marrocos, falou com severidade: “Vamos parar de nos alegrar com o martírio dos outros e vamos nós sentir a alegria de sermos mártires”. Isso vale para nosso relacionamento com os Santos: É muito belo admirar a grandeza e o heroísmo dos Santos, mas, importante mesmo, é nós sermos santos. Nossa primeira vocação cristã é a santidade: “Sede santos como Deus é santo”, ordena a Escritura. E com nossa santidade, podemos afirmar: Deus é admirável nos seus Santos. Cada Santo é uma obra de arte produzida no laboratório divino, cujo mestre é o Espírito Santo. A verdadeira missão dos Santos, devemos afirmar, é revelar ao mundo o rosto de Deus e a luz que dele irradiar.

Sem santidade não há missão cristã, somente propaganda religiosa. Pode haver humanismo, mas não missão, que consiste em viver à imagem e semelhança de Deus na caridade, na misericórdia, no perdão, na justiça.

Às vezes tem-se confundido a missão cristã, e a missão do cristão, com fraternidade, formação de comunidade, justiça social. Isso é fruto da vida cristã, mas não o objetivo primeiro que é ser imagem de Deus. É muito triste e desmerecedor quando se faz da Igreja uma ONG e, do apostolado, ação de ONG com funcionários pagos. Se assim fosse, não teria sido necessária a encarnação de Jesus, que nos oferece o dom da salvação: Cristo veio revelar quem é Deus e como Deus é, e que a humanidade plena se dá no ser como Deus.

Retornemos à missão dos Santos: suas obras são fruto do amor que Deus por eles nutre e que os impele ao amor fraterno. A alegria da doação da vida pelo Evangelho é obra do amor pessoal e incondicional por Deus: sentiram o amor de Deus e desse amor fizeram o sentido de sua vida.

Para mim, o viver é Cristo

Paulo sentia a sua vida como viver o Cristo, que o amou e por ele se entregou. Seu Evangelho foi anunciar a vida em Cristo, a vida da graça no Espírito. Lembro aqui o missionário jesuíta espanhol, São Pedro Claver (1580-1654): quando fez os votos religiosos acrescentou mais um: “ser escravo dos escravos” de Cartagena (Colômbia). E viveu anos e anos carregando os negros doentes, aguardando-os na boca do inferno que era o porto de Cartagena, quando chegavam fracos, purulentos, empestados, feridos. A todos oferecia o carinho de escravo dos escravos. Quando o papa Leão XIII o canonizou, disse: “Pedro Claver é o santo que mais me impressionou depois da vida de Cristo”. São Pedro Claver não agiu por filantropia, não foi assistente social: sentindo a presença de Deus dentro de si, expandiu essa presença nos mais sofredores, os negros escravizados. Viveu a missionariedade cristã: fazer com que as pessoas sentissem o amor de Deus do qual ele era pobre instrumento.

A santidade, necessidade do mundo

O Concílio Vaticano II (1962-1965), na Constituição sobre a Igreja, foi claro: todos somos chamados à santidade. Ser cristão é buscar ser santo.

Quando a catequese apresenta os Santos às crianças e aos jovens, desperta verdadeiras vocações cristãs. Quando passa a apresentar a vida cristã como um trabalho humano e a missão como humanismo, leva ao cansaço, pois as instituições do mundo o sabem fazer melhor e de modo mais agradável..

João Paulo II, em sua Carta sobre o Novo Milênio (2001) revelou a santidade como o novo que podemos oferecer ao mundo: somente os cristãos podem anunciar essa novidade que faz feliz o ser humano, e o torna mais humano porque fruto do amor do Deus Pai e Criador.

Na santidade sentimos a dignidade de cada pessoa e, por isso, sentimos alegria em apostar nossa vida para servi-la no amor. Os governos e entidades gastam fortunas para resolver problemas humanos como a fome, a violência, as doenças, e que são pouco frutíferos e não raro levam ao desperdício e à corrupção. Os Santos fazem isso de graça e com efeito duradouro.

Lermos e contemplarmos a vida dos Santos nos desperta para a missionariedade evangélica: anunciar a Graça que liberta, e de graça. É deixar tudo para ganhar tudo, é dar a vida para ganhar a vida.

Pe. José Artulino Besen

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