Posts Marcados Ecumenismo

OS 21 TRABALHADORES EGÍPCIOS MÁRTIRES

O Senhor coroa os 21 mártires egípcios - Ícone de Tony Rezk

O Senhor coroa os 21 mártires egípcios – Ícone de Tony Rezk

A Igreja Ortodoxa Copta do Egito, antiqüíssima comunidade cristã fundada por São Marcos, tem a coragem e o testemunho de fidelidade provados por quase dois milênios. Nos primeiros séculos, foi perseguida pelo Império romano e, em seguida, pelo Império bizantino, mas não cedeu na fidelidade à pregação apostólica. E a grande provação continuou a partir do século VIII, com a dominação árabe e muçulmana, mas permanece fiel. Ela corresponde, hoje, ao antigo Patriarcado de Alexandria, onde vicejaram milhares de mártires e vicejou a grande Escola Teológica de Clemente e Orígenes, de Cirilo e de Atanásio. O nome “copta” é corruptela da palavra grega “eguipto”.

Foi nos desertos e oásis do Egito que, a partir do século III, Santo Antão deu impulso à vida monástica cristã nas suas formas de eremita e anacoreta: homens e mulheres deixavam tudo, família, bens, livros, para penetrarem nos desertos e ali combaterem o diabo face a face e se aprofundarem na contemplação de Deus: os Pais e Mães do deserto teciam cestos enquanto “ruminavam” a Palavra de Deus. Para não caírem na tentação do intelectualismo, preferiam ser analfabetos memorizando os textos bíblicos, especialmente os Salmos, rezados sem cessar.

Muitos desses mosteiros foram esvaziados pelo tempo, comodismo, pela perseguição. E foi no século XX que um jovem farmacêutico do Cairo, vendeu tudo, deu-o aos pobres e foi para o deserto: Matta El Meskin (1909-2006). Seguindo seus passos, milhares de jovens mergulharam no deserto e repovoaram dezenas dos antigos mosteiros. A perseverança dos cristãos coptas gerou comunidades fortes, decididas, corajosas frente às oposições. São 10% da população do Egito, 8 milhões de cristãos.

Foi nessa Igreja que, no dia 15 de fevereiro de 2015, 21 homens de El Minya, na maioria entre 20 e 30 anos, testemunharam a fé derramando seu sangue: Milad, Abanub, Maged, Yusuf, Kirollos, Bishoy e seu irmão Somaily, Malak, Tawadros, Girgis, Mina, Hany, Bishoy, Samuel, Ezat, Loqa, Gaber, Esam, Malak, Sameh e um operário do povoado de Awr.

Para ajudarem no sustento da família, imigraram numa cidade da vizinha Líbia, onde trabalhavam. Ali foram presos por integrantes do Estado Islâmico (EI) e levados para a provação final. Esses fanáticos aprendem a arte de degolar degolando cabras, pois o ódio deve manifestar também competência. Revestem seus prisioneiros com túnicas alaranjadas e eles vestem túnicas e capuzes negros. Filmam o rito de suas execuções para que sejam difundidas pela Internet: um pequeno discurso atacando o Ocidente e os cristãos, postam-se atrás da vítima, com uma mão erguem o queixo e com a outra cortam-lhe a garganta.

Os 21 mártires cristãos coptas

Trabalhador, sereno na hora do martírio

Trabalhador, sereno na hora do martírio

Os coptas que assistiram ao vídeo da execução ouviram com clareza que esses jovens pronunciaram o Nome de Jesus antes que a navalha lhes roubasse a voz. O Nome de Jesus salva e foi esse Nome que lhes tirou o medo. Suas faces conservam a serenidade e ocultam a dor de deixarem suas famílias. Nenhum deles apostatou, na tradição de fidelidade própria dos coptas que aprenderam a alegria de viver e morrer como cristãos. Para que não paire dúvidas a respeito da fidelidade à fé cristã até o final, no momento do Batismo o copta recebe no pulso a tatuagem de uma cruz para que, se não puder falar ou expressar a fé, o sinal da cruz é a garantia de sua perseverança.

Beshir Kamel, irmão de dois egípcios decapitados – Bishoy, 25 anos, e seu irmão Somaily, 23 anos –, explicou que esta violência do EI “ajudou a reforçar a fé” dos coptas no Egito. Também comentou que sua mãe, uma sexagenária sem instrução, perdoou o assassino de seus filhos: “Minha mãe disse que ela suplicará a Deus para que a deixe entrar em Sua Casa, pois ele permitiu a seus filhos entrar nas Mansões eternas”.

Tawadros II, Papa da Igreja copta, ao ver que os jovens invocaram o Nome de Jesus antes da morte, incluiu os 21 nomes no Synaxarium, equivalente ao Martirológio romano, significando sua canonização, com a festa fixada para o dia 15 de fevereiro de cada ano. Por que logo canonizar? Aqueles simples trabalhadores, no momento em que iam sendo trucidados invocaram o nome de Jesus Cristo e a ele se confiaram.

Com sua morte, os 21 trabalhadores foram causa de unidade entre as grandes Igrejas: de Moscou a Kiev, de Constantinopla a Canterbury, os arcebispos e patriarcas manifestaram os mais fraternos sentimentos de dor e edificação a Tawadros II.

E Francisco, o Papa de Roma, abriu o coração e, sem perguntas doutrinais, fez um gesto nunca ouvido ou visto: comemorou numa Eucaristia católica cristãos de outra confissão: “Ofereçamos esta Missa pelos nossos 21 irmãos coptas, decapitados pelo único motivo de serem cristãos … rezemos por eles, que o Senhor os acolha como mártires, rezemos por suas famílias, pelo meu irmão [o patriarca copta] Tawadros que está sofrendo muito”. Foram palavras de grande intensidade espiritual, e a evocação da palavra “martírio” não é casual: aqueles simples operários a Jesus se entregaram, não renegaram sua fé, que foi o único motivo da morte violenta. Os algozes não perguntaram o nome de sua Igreja, quais suas crenças, doutrinas, ritos, mas apenas o objeto de sua fé: Jesus Cristo.

Papa Francisco concretizou o gesto do ecumenismo do sangue, do martírio. Aqueles homens eram simplesmente “cristãos”, discípulos de Cristo, por quem deram a vida. Chamando-os de mártires, Francisco canonizou-os com a Igreja Copta.

Lembro aqui um outro acontecimento da Igreja, a Celebração Ecumênica das Testemunhas da Fé no Pentecostes do Ano 2000. João Paulo II desejou celebrar os mártires de todas as confissões cristãs e o fez numa emocionante celebração diante do Coliseu em 7 de maio de 2000. Seu desejo era que fosse a Celebração dos Mártires da Fé cristã, mas o Cardeal Ratzinger fez-lhe chegar a observação de que, usando a palavra “mártir”, estaria canonizando a todos. Pelo bem da exatidão, optou-se pela palavra “Testemunhas”. Mas, em outro ponto manteve-se firme: os 11 bispos de El Salvador fizeram-lhe chegar o pedido para que não incluísse o nome do mártir Dom Oscar Romero, pois ele tinha sido uma das causas da violência em El Salvador. João Paulo II não perdeu tempo: incluiu o nome de Dom Romero e citou-o na oração da Coleta…

Francisco é um homem que vive a liberdade cristã: como não fazer seus os mártires das Igrejas cristãs, como não invocar aqueles, não católicos romanos, que morreram por serem cristãos?

Jesus acompanha os 21 trabalhadores coptas - WAL MORIES

Jesus acompanha os 21 trabalhadores coptas – WAL MORIES

O Espírito fala pelos artistas

Pela rapidez dos meios eletrônicos de comunicação, correu e corre mundo um desenho do jovem artista egípcio, Wael Mories: os trabalhadores vestindo a túnica alaranjada caminhando junto com os algozes e, à frente, Jesus caindo por terra carregando a cruz, também ele com a túnica alaranjada. Os trabalhadores caminham firmes, e somente Jesus cai por terra: faz sua a dor de todos eles que morrerão por ele, e sofre intensamente o sofrimento deles. Solidário, não resiste e, quem sabe, pergunta: “Onde estás, ó homem? Onde está tua humanidade?” Foi a mesma pergunta que Francisco fez no Yad Vashem, em Jerusalém, recordando as vítimas do Holocausto judeu.

E outro artista egípcio, Tony Rezk, desenhou o ícone dos Mártires e que será a imagem a ser contemplada na Liturgia copta. Rezk desenhou os 21 homens com túnicas alaranjadas e estola vermelha, os Anjos e o Senhor também com a estola vermelha. A partir do Reino da glória Jesus lança as 21 coroas com que os dois Anjos coroam os mártires. Todos têm o mesmo rosto de Cristo, mas há um de cor diferente: é o trabalhador sudanês, de rosto mais escuro.

Quando a força do mal parece proferir a última palavra, a graça continua o caminho da vitória, pois o sangue dos mártires é semente de novos cristãos.

Pe. José Artulino Besen

, ,

Deixe um comentário

ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS – ECUMENISMO

Quando relataram a João Paulo II (1978-2005) que alguns Patriarcas ortodoxos receavam que ele, como Papa, queria governá-los, respondeu: “Eles não me entenderam. Eu quero a comunhão com eles, não a jurisdição”. O Ecumenismo é o caminho da comunhão a partir da aceitação de Cristo em nossa vida e da confissão dele como Senhor e Filho de Deus e não da aceitação de domínio. É a busca da unidade da Igreja de Cristo em toda a terra, unidade que vai além das diferenças geográficas, doutrinais, culturais e políticas entre as Igrejas. Não há vida cristã autêntica sem a busca perseverante e generosa da unidade entre os que crêem em Jesus e o proclamam Senhor, crendo na sua Palavra e celebrando os Sacramentos.

No Brasil, na semana que antecede o Pentecostes, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs-CONIC (do qual participam a Igreja Anglicana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Igreja Presbiteriana Unida e a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia) promove a Semana de Oração pela Unidade dos cristãos. Tem como tema, neste ano: Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo (1Coríntios 15, 51-58).

São meios de vivência ecumênica a oração, a reflexão teológica, a convivência fraterna, o testemunho de respeito no diálogo entre cristãos, numa resposta-compromisso à oração do Senhor: “todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti” (João 17, 21).

Se temos que amar os inimigos, como não amar os cristãos, mesmo na dor e nos preconceitos de nossas diferenças doutrinais? Alguns adversários do ecumenismo entendem a palavra de modo claramente enganoso: confundem ecumenismo com “indiferentismo” (Deus é um só, religião não salva, todas são igualmente boas), “irenismo” (assumamos aquilo que une, deixemos de lado o que separa), unificação das Igrejas por baixo (para que discutir dogmas ou disciplina eclesiástica se basta a fé?), rejeitando toda a Tradição da Igreja católica e apostólica.

O ecumenismo não é a busca simplificada de uma receita pela qual todos seremos um: a unidade será dom do Espírito Santo e ele não nos revelou como será. Deus é criativo e nos surpreenderá em algum momento da história quando, superando nossos limites e inseguranças, nos daremos o abraço final.

Somente é capaz do diálogo ecumênico quem vive a sua fé na sua Igreja: o diálogo é entre pessoas que crêem com força e não com inseguros e relativistas. O diálogo não é “vem pra cá, que eu estou certo”, e sim, “vamos nos dar as mãos para buscar melhor compreender a Verdade”. Não se pode negar que protestantes achem que o caminho é todos serem protestantes, que católicos achem que todos devem ser católicos. Então, não é preciso diálogo, pois se julga que a unidade se fará num retorno a uma uniformidade que nunca existiu.

O Ecumenismo – uma espiritualidade

O caminho ecumênico pede paciência, pois há feridas provocadas por separações há mais de um milênio. O Ecumenismo pede reconciliação, perdão: humanamente todos erramos, quem nos salvou sempre foi o Espírito. Pede uma forte espiritualidade: reconhecer na outra Igreja valores de santidade, de vivência bíblica, rezar juntos, dar-se as mãos na partilha, comunhão e integração.

Hoje, os cristãos se dão as mãos na causa da justiça, da cidadania, da caridade, unindo forças em nome de Deus Pai pelo bem de todos os irmãos. No ano 2000, João Paulo II falou de um novo ecumenismo: o do martírio pela fé e pela justiça. Em todas as Igrejas cristãs foi e é derramado sangue pela fidelidade a Cristo e ao homem. Nos regimes comunistas, nos totalitarismos nazista e fascista, católicos, ortodoxos e evangélicos partilharam o horror dos campos de concentração, dos gulags soviéticos, trabalhos forçados, câmaras de gás, torturas, fuzilamento. Ninguém foi poupado e a graça da fidelidade ao Senhor foi confirmada pelo martírio.

A Igreja de Cristo é um Jardim

Ao contrário do que se possa pensar, o movimento ecumênico é a grande força da Igreja em meio ao individualismo que faz muitos acharem que cada um pode escolher a Igreja que lhe agrada, as “verdades” que lhe fazem bem ou até inventar uma nova denominação. Faz-nos levar a sério a pertença eclesial. É ecumênico o católico que, com convicção, vive a fé na Igreja Católica; o mesmo se diga do ortodoxo, luterano, calvinista e, com essa convicção dialoga pela oração, partilha e reflexão. Cada um vive solidamente seu modo de crer e conservar a fé cristã, mas deseja conhecer o outro e participar de suas riquezas espirituais e humanas.

Desde seu início, Igreja ou foi ecumênica admitindo as diferenças, ou foi fanática e gerou cismas: temos três evangelhos, os Sinóticos (Mt, Mc, Lc), testemunhando três modos de contemplar e viver o Cristo. O Evangelho de João e suas Cartas, os livros de Tiago, Pedro, Judas retratam comunidades cristãs específicas e originais em sua organização e expressão dogmática. Pedro levou a fé aos judeus, Paulo aos pagãos, cada um com suas tradições. Foi o espírito ecumênico que uniu num único Novo Testamento as Igrejas donde brotaram esses textos divinamente inspirados.

Os grandes Concílios da Igreja antiga – Nicéia, Éfeso, Constantinopla, Calcedônia –  recebem o título de “ecumênicos”, pois simbolizaram o enorme esforço da unidade dogmática. Os Concílios de Pisa (1409) e Florença (1438-1439) foram ecumênicos: buscavam a unidade com os ortodoxos após quatro séculos de ruptura. O Concílio de Trento (1545-1563) foi mais um esforço de unidade após a Reforma de 1517. Infelizmente foi infrutífero e assim cada um se conformou na sua posição, até hoje.

O Vaticano II (1962-1965) reabriu o diálogo cristão, após os evangélicos e anglicanos terem-no feito meio século antes. Hoje, não é mais possível cada um se conformar em sua posição, como se a Igreja fosse um ajuntamento de pessoas diferentes que se desprezam. Fechar-se num gueto católico é insegurança e, pior, soberba. É mais fácil, mas não leva em conta a ação do Espírito em todos aqueles que receberam o Batismo, celebram a Ceia e meditam a Palavra de Deus.

A Igreja de Cristo existe, mesmo nas divisões. A Igreja de Cristo é um imenso Jardim, com cada flor simbolizando uma Igreja, a riqueza e beleza inesgotáveis do mistério cristão. É anular a criatividade de nosso Deus reduzi-la a uma solitária flor.

Pe. José Artulino Besen

, , ,

Deixe um comentário

«O hoje cristão transcende o tempo»

21Na vida compassada entre o relógio e o calendário damos muito valor ao significado dos dias e tempos, o que não aconteceu na virada do primeiro para o segundo milênio, quando a noção de divisão de tempo era desconhecida da grande maioria. E assim, para nossa emoção, estamos no oitavo ano do terceiro milênio! A Nova Era o anunciou como a era de Aquário, era de paz e fraternidade, e a cada dia machucamos a história com guerras, terror, mortes.

Nós, cristãos, continuaremos a viver o anúncio dos anjos: «Hoje nasceu um Salvador, o Cristo Senhor». Um hoje que transcende o tempo e participa da eternidade de Deus. Não somos movidos pelas previsões, mas conduzidos pela esperança.

Na vida da Igreja, o segundo milênio teve início com a ruptura entre a Igreja Latina e a Ortodoxa, uma ferida dolorosa, pois privou estas duas pujantes formas de catolicismo da mútua fecundação das suas riquezas espirituais e teológicas. A metade do segundo milênio viu nascer mais uma ferida no corpo eclesial, a reforma protestante, que dividiu o Ocidente católico.

A cada ano permanecem palpitantes duas agendas religiosas: o ecumenismo e o diálogo inter-religioso. Recuperar a túnica inconsútil da Igreja e saber dialogar proveitosamente com as grandes religiões. Nas pegadas de seu Senhor, a Igreja sempre mais renunciará a se apresentar como potência religiosa, para ser humilde e dedicada servidora do mundo.

Além do desafio da salvação humana, intrínseco à fé cristã, a Igreja é chamada a um outro compromisso: o da salvação da Criação, conseqüência de sua fé no Deus Criador. Após séculos de devastações, agressões ao meio-ambiente, de consumismo e desperdício acelerados nas últimas décadas, o mundo já era. É preciso correr atrás do prejuízo para que o ser humano salvo tenha onde morar e viver. Por um engano, com raízes filosóficas e religiosas, por ter hiperbolizado a compreensão de sua natureza, o ser humano confundiu seu serviço à Criação com o domínio da Criação. Deu no que deu, pois os recursos naturais não são inesgotáveis. É impressionante como agora estamos vendo os frutos de nossa blasfêmia contra o Criador: rios e lagos poluídos, matas devastadas, buraco na camada de ozônio, espécies em extinção e os lixões – essas cloacas do desperdício humano – desafiando a administração pública. A natureza é generosa e oferece uma oportunidade a cada um de nós, e para os cristãos isso é compromisso. A teologia não pode estar separada da ecologia. A natureza é a primeira tenda de Deus entre nós.

Uma nova ciência desafia a compreensão cristã da vida humana: a biotecnologia, a manipulação genética de embriões com fins terapêuticos. A ciência não pode manipular a vida humana, sagrada: «Sobre a terra, o homem é a única criatura que Deus quis para si mesmo», ensinou a o Concílio do Vaticano II. Afirmou João Paulo II: «A gênese do homem não corresponde apenas à lei da biologia, mas diretamente ao querer criador de Deus, Deus o ‘quer’ em cada concepção.». É o bom combate necessário defender a dignidade humana do embrião a partir da concepção.

Uma grande agenda para nós, cristãos, que não faltaremos em generosidade com o Deus da vida, mais uma vez, como a cada ano enquanto durar a História.

, ,

Deixe um comentário

COLEGIALIDADE – ECUMENISMO – ESPIRITUALIDADE

Jesus caminha com seus discípulos

Jesus caminha com seus discípulos

Entre 21 e 24 de maio pp., 155 cardeais estiveram reunidos com o papa João Paulo II e com sinceridade e simplicidade puderam conversar francamente sobre a vida da Igreja e os desafios postos pelo mundo à sua missão. Foram três as palavras fundamentais: colegialidade, ecumenismo, espiritualidade.

Após as grandes celebrações jubilares, a superexposição na mídia, o triunfo das massas, retorna a preocupação pelo essencial da vida cristã, do Evangelho: a pobreza, a mansidão, a oração, o anúncio. Uma minoria ainda está possuída pela saudade do passado triunfal, pelo medo do diferente, pela obsessão de afirmar a Igreja como tutora universal de uma verdade que não comunica nem se comunica.

O estar diante do Evangelho nos ensina que a primeira vocação de quem recebeu a graça do batismo não está no nível do fazer, do compromisso, mas do ser. O fazer e o compromisso são conseqüências do ser cristão, do ser batizado.

A água batismal nos mergulha dentro do mistério trinitário e dela saímos como habitação divina. A água que dá a vida nova é a água que nos marca indelevelmente para uma vocação específica e única: a nossa divinização, revelarmos a raça divina à qual pertencemos (2Pd 1,4: … a fim de tornar-nos participantes da natureza divina.

At 17,28: “…nele vivemos, nos movemos e somos. … Somos de sua estirpe). A vocação única do cristão: a santidade.

Foi uma grande conquista do Concílio Vaticano II (1962-1965) recuperar para a Igreja este princípio da Igreja antiga: o chamado à santidade não nasce da vocação religiosa, monástica, matrimonial, mas do batismo. Este sacramento é o gerador da vocação cristã: sede santos como Deus é santo (cfr.       ).A partir de equívocos e imagens equivocadas de santos, muitos pensam que as santidade equivale a perder o gosto pela vida, renunciar ao prazer de viver, de usufruir sadiamente dos bens que Deus colocou a nosso serviço. Confunde-se santidade com penitência e até com esquisitice. Nessa visão, querer ser santo é quase uma aberração, é destino de gente que não consegue ter prazer na vida.

Nada mais errado e blasfemo: o santo é alguém atraído pelo ideal de perfeição e arrastado pela decisão de renovar em si a imagem de Deus através do amor. Sua primeira decisão é intrinsecamente humana: recuperar a liberdade interior para poder amar incondicionalmente. Buscar a verdade, a única que pode libertar do cativeiro do egoísmo.

A conseqüência final é uma obra prima da sabedoria divina: quanto mais o homem busca ser como Deus, recuperar sua raça divina, mais se torna humano, pois ser humano de verdade é ser como Deus, viver à sua imagem e semelhança, entrando em comunhão com o Criador, mergulhando nos abismos insondáveis do amor divino. Não pode existir causa maior de felicidade do que esta: viver em comunhão, viver em relação com o Senhor e seus filhos numa imensa liberdade libertadora, pregustando a humanidade divina e a divindade humana, fruto da encarnação do Filho.

Dessa vocação batismal nascem todas as outras, destinadas à edificação do Corpo de Cristo e à formação do povo de Deus: a vida religiosa, sacerdotal, matrimonial, o ministério catequético. São vocações que terão eficácia e sentido cristão se forem geradas dentro da vocação à santidade cristã. Caso contrário, serão apenas mais um ofício dentro da Igreja, destinado a terminar no cansaço e no esgotamento “profissional”, inimigo primevo de qualquer vocação na vida de fé.

, , ,

Deixe um comentário

%d blogueiros gostam disto: