A LUZ QUE ILUMINOU A NOITE – NASCEU JESUS

Em Belém de Judá nasce o Salvador

Naqueles tempos apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade. Também José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida. Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,1-7).

Sinta a simplicidade desta cena acompanhando a descrição da vidente Teresa Neumann (†1962): vencendo as barreiras do tempo, teve a graça de poder contemplar estes dias decisivos da história humana, agora história divina pela presença real do próprio Filho de Deus: “José fala a Maria que, por ordem de César Augusto, deve partir para Belém, para o recenseamento do Império. Como deveria ser na cidade natal, partiria logo. Maria esperava o parto para os próximos dias, por isso a ordem era dolorosa. José achou que seria muito pesado para Maria e propôs ir sozinho. Maria respondeu que Deus ajudaria e se deveria obedecer às autoridades. Prepararam-se para a viagem.

Como animal de transporte e ao mesmo tempo cavalgadura pegaram uma asna, pois assim teriam leite. Colocou-se sobre ela a tenda cinzenta, juntamente com um cobertor cinzento de lã. O resto da bagagem foi pendurado no lado da asna, à esquerda um pacote que continha um cobertor de lã para José e, dentro dele, pão, frutas e um vestido quente para Maria. À direita havia dois pacotes: um menor, com uma coberta de lã que poderia ser cortada em pedaços para fazer paninhos; dentro dela, havia também blusinhas e paninhos para o bebê que estava para nascer. O outro pacote continha uma roupa quente para Maria e mais alimento. Horizontalmente, estavam fixados os três paus da tenda

Partiram pelas 6 da manhã de 22 de dezembro.  Maria montou no jumento, com os pés para a esquerda. José ia à frente puxando o animal pelas rédeas e tendo às mãos um bastão. Usava uma veste amarela e um manto marrom. Maria vestia um quente manto azul escuro, uma veste marrom avermelhado e um xale de lã amarelo sob o manto. O tempo era frio e chuvoso e as estradas estavam ruins e lamacentas. O dia de viagem foi bom. Pela noite, José armou a tenda e ali dormiram sobre as cobertas que tinham trazido.

23 de dezembro: Maria e José partiram pelas 5 da manhã. Viajaram sem parar até ao meio-dia. Para não cansar o animal, de vez em quando Maria andava um pouco a pé. Pelo meio-dia, Maria estava cansada. Ficaram felizes quando ao longe avistaram uma casa. Foram muito bem acolhidos por um casal idoso. Viram o estado de Maria, pálida, mas muito sã e lhes ofereceram comida quente. Seguindo adiante, dormiram a segunda noite num pequeno abrigo, pagando o alojamento.

24 de dezembro: pelas seis da manhã, a viagem prosseguiu. Pelo meio-dia o jumento, cansado, andava com dificuldade e numa pequena propriedade receberam pasto para ele. O tempo continuava chuvoso e frio. Ao anoitecer estavam às portas de Belém, que tinha então aproximadamente 1.100 habitantes. Já estavam acesas fogueiras pela estrada. Grandes pedras serviam de calçamento, e eram escorregadias. José entrou numa casa e Maria ficou segurando o jumento. José logo saiu, comunicando a Maria que não havia alojamento. Na próxima casa, a mesma resposta. José foi adiante e chegou à casa onde tinha nascido e na qual deveria se recensear. Muita gente, e por isso José deixou para o dia seguinte.

Maria pediu que José se apressasse pois sua hora estava chegando. Escureceu totalmente. A um homem gentil, José perguntou onde poderia se abrigar com Maria. Com pesar respondeu que não adiantaria procurar na cidade, mas disse-lhes para se dirigirem ao setor sul da cidade e, saindo dela, encontrariam uma estrebaria dele, onde consentiria que se instalassem. José acendeu o candeeiro para poderem caminhar e, finalmente, entraram na estrebaria, quando era oito da noite. Era construída junto a uma colina, junto a uma caverna que se abria na rocha. O teto era de madeira e igualmente as paredes laterais. Na parede direita, uma pequena janela. José amarrou o jumento num pau e mais tarde num outro pau perto do menino, para que o aquecesse. Pendurou a lâmpada no centro do teto. Em seguida preparou o leito para Maria e para si. Para Maria estendeu sobre a palha a tela da tenda e a coberta cinza de lã. Para si, uma coberta de lã e palha. Maria dormiria à direita do estábulo e ele à esquerda. O céu estava coberto de nuvens.

– 24-25 de dezembro: o nascimento de Jesus foi pela meia-noite do dia 24 para o dia 25. Pelas 23h Maria entra em êxtase. Permanece ajoelhada e com os braços cruzados sobre o peito. Pela meia-noite o Menino divino deixa o ventre materno que imediatamente se fecha. José tinha enchido uma manjedoura de palha: embaixo, palhas de trigo e encima juncos macios. Tinha um metro de comprimento e nela Maria colocou o neném, depois de enxugá-lo, envolvê-lo em paninhos, coberto com uma blusinha de manga comprida e de um coberta de lã. Depois rezaram, ajoelhados, cada um num lado. José com as mãos juntas e Maria com os braços em cruz. Quando Jesus nasceu o céu ficou limpo e cheio de estrelas”.

Um filho em Israel

Os judeus sempre consideraram os filhos como uma bênção: “Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre sua recompensa”. O nascimento era o mais feliz de todos os acontecimentos. Toda a vizinhança era avisada e se preparava uma festa. O mais humilde dos casais sentia a alegria de proclamar com Isaías: “Um menino nos nasceu, um filho nos foi dado”. O primogênito era ainda mais motivo de festa pois seria o futuro da família e o herdeiro dos deveres e direitos, recebendo a herança em dobro.

As mulheres de Israel davam à luz com facilidade, rindo das egípcias que, para elas, faziam muita complicação. Havia parteiras, mas a mulher judia sabia se arranjar perfeitamente sem elas, como Maria o fez no estábulo. Maria deu à luz o menino, amarrou o cordão umbilical e o cortou.

O primogênito de Maria e José não teve a festa da vizinhança, dos parentes e amigos, das crianças de Nazaré. Estavam sozinhos, na noite de Belém, a mais luminosa de todas as noites. De jeito nenhum, o pai podia assistir ao parto. Ficava fora até que alguém lhe comunicasse a notícia. Então entrava e o colocava sobre os joelhos, reconhecendo oficialmente sua legitimidade.

Maria seguiu a tradição de seu povo: apenas a criança estava com o cordão umbilical amarrado e cortado, chamou a José que entrou, sentou-se e colocou o bebê em seus joelhos: o filho de Maria era também seu filho.

Transfigurada pelo momento que estava vivendo, emocionada ao ver José com aquela criaturinha indefesa, chorando, coberta pelos líquidos da placenta, Maria lhe fala: “José, meu Filho único, que será adorado por todos os anjos e por todos os homens, seria por todos desprezado como ilegítimo se não soubessem que tu és seu pai. Tu és meu esposo, tu és o pai de quem acabei de dar à luz. Nós viveremos seguros à sombra de tua proteção”.

Em seguida o menino foi lavado, esfregado com sal para endurecer a pele e enrolado em panos. Fazia frio em Belém.

O anúncio dos anjos aos pastores

“Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam o seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: ‘Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura.’ E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: ‘Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens por ele amados!’

Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns para os outros: ‘Vamos até Belém, e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou’. Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o Menino deitado na manjedoura. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste Menino. Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores” (Lc 2,8-18).

Nessa noite, num profundo silêncio, um menino nos foi dado, o Cristo Senhor. Quando o dia amanheceu, nova luz apagava as trevas, resplandecia o dia eterno.


Pe. José Artulino Besen

 

 

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