MONSENHOR AGOSTINHO STAEHELIN

Mons. Agostinho Staehelin em seus últimos anos

Neste ano de 2018, a Comunidade de São Pedro de Alcântara se prepara para as comemorações dos 190 anos de fundação, com a chegada dos primeiros imigrantes alemães a Santa Catarina, em 1829. Mons. Agostinho Staehelin amava seu torrão natal, vibrava com tudo o que acontecia em São Pedro, sua terrinha, “tão pequena no mapa e tão grande no amor” e na sua história.

Em nosso pequeno estudo biográfico devemos incluir uma referência fundamental no desenvolvimento humano e cristão de São Pedro: a presença, na primeira metade do século XX, de grandes sacerdotes, gigantes na fé, no trabalho, na dedicação às comunidades. Dedicados e incansáveis não mediam sacrifícios para a visita aos doentes, espalhados pelo extenso território de São Pedro e Alto Biguaçu. É com gratidão que transcrevo os nomes: Mons. Francisco Xavier Giesberts, Mons. Huberto Rohden, Pe. Jacó Luiz Nebel, Pe. Nicolau Schaan, Côn. Bernardo Blaesing, Côn. Roberto Wyrobek, Côn. Rodolfo Machado.

Agostinho é natural de São Pedro de Alcântara, SC, onde nasceu em 9 de setembro de 1924, filho de João Staehelin e Cecília Schappo Staehelin. A família se estendeu, chegando a 16 irmãos.

Ao nascer um filho, os pais consultavam uma folhinha onde constava o Santo do dia e era Agostinho, e esse foi o nome que lhe deram. Na cultura alemã era bem celebrado o onomástico e a data do batismo. Sua mãe gostava de repetir: “Das Kalb in Stall macht auch Geburstag, aber nicht Namenstag” (o bezerro na estrebaria também faz aniversário, mas não onomástico).

Foi batizado em 12 de setembro de 1924. Anos depois, sua mãe contou que no dia do batismo sua madrinha Maria Reinert Cunha pediu a Deus: “Faça desta criança um padre”.

Agostinho muito admirava seu pároco, Pe. Nicolau Schaan, seu modo de celebrar, sua vibração nos sermões festivos. Quando Pe. Nicolau passou por cirurgia no joelho, ele e seus colegas coroinhas sentiam-se honrados por ele se apoiar no ombro de um deles para subir os degraus do altar. Certo dia, em 1937, após uma missa de que participou como coroinha, o Pe. Nicolau o chamou até a casa paroquial e em pé na porta de entrada, lhe perguntou: “Você não quer ser padre?”. Ele respondeu que gostaria muito e já tinha pedido aos pais para ingressar no Seminário, mas responderam que não tinham como pagar os estudos, pois eram lavradores e muito pobres e 16 irmãos para sustentar.

Pe. Nicolau pediu que os pais fossem falar com ele e depois, tudo ficou acertado e em fevereiro de 1938 ingressou no Seminário de Azambuja. Sentiu-se órfão quando em 4 de fevereiro de 1939 veio a triste notícia da morte de Pe. Nicolau. Ele voltava da visita a um doente, entrou no quarto, sentiu-se mal e antes de morrer foi ungido por um colega que o visitava. No testamento deixou o que possuía para a paróquia. Os cinco mil cruzeiros que guardava foram entregues ao reitor do Seminário Pe. Bernardo Peters, que formou uma bolsa de estudos chamada “Pe. Nicolau Schaan”.

Os estudos de Seminário Menor foram em Azambuja, de 1938 a 1944, e os filosóficos e teológicos em São Leopoldo, RS de 1946 a 1952.

Dom Joaquim Domingues de Oliveira ordenou-o diácono em Azambuja, em 9 de dezembro de 1951. A ordenação sacerdotal foi em 25 de novembro de 1952, na Catedral de Florianópolis. Junto com ele foram ordenados Pe. Albano José Koehler e Pe. Huberto Waterkemper.

Catedral Nossa Senhora do Desterro, Florianópolis, SC

Sua primeira nomeação foi em 12 de janeiro de 1953, para Coadjutor de Nossa Senhora do Desterro, Catedral de Florianópolis. Revelou-se dinâmico e incansável padre, com forte liderança. Fundou o Coral Santa Cecília, ainda hoje atuante, e que deu novo brilho às liturgias da Catedral.

Seu entusiasmo pela música coral levou-o a fundar o Coral Universitário da Universidade Federal de SC – UFSC, com a primeira apresentação em janeiro de 1963. Contou com o apoio decidido do magnífico reitor João Ferreira Lima.

Em 9 de fevereiro do mesmo ano, Dom Joaquim nomeou-o Capelão do Hospital de Caridade.

Sensível aos problemas sociais, agravados pelo êxodo rural que povoava os morros no entorno da paróquia, logo buscou atender às famílias, oferecer catequese às numerosas crianças. Foi iniciativa sua a construção da capela de Nossa Senhora do Mont Serrat, no Morro da Caixa, onde promovia o treinamento social e litúrgico de lideranças. Essa população lhe era conhecida e o conhecia, pois em bom número era constituída por negros que tinham emigrado de São Pedro de Alcântara e Alto Biguaçu.

Para implantar mais o espírito comunitário e que os moradores tivessem à mesa verduras sem agrotóxicos, resolveram limpar o terreno da capela, adquirir mais terra, e fazer uma horta comunitária. Durante uma semana levou cinco voluntários para o Centro da ACARESC, em Itacorubi, onde receberam aulas práticas de plantação de hortaliças. Foi ofertada a Dom Joaquim a primeira hortaliça colhida. A comunidade se servia como e quando queria, e quem quisesse deixava um oferta para a compra de sementes e adubo.

Semanalmente promovia encontros de formação, seguindo o método da ação católica, o ver-julgar-agir. Para tomar conhecimento melhor da Ação Católica, de 21 a 26 de agosto de 1957 participou do Congresso Internacional da Juventude Operária Católica – JOC, em Roma. Essas iniciativas de seu primeiro sacerdócio foram importantes para seu ministério paroquial.

Também assumiu a disciplina de Educação religiosa no Instituto Estadual de Educação, importante centro educacional no período. Ali entrou em contato com a juventude, exercendo influência positiva sobre tantos que nos anos posteriores foram seus companheiros no trabalho pastoral e comunitário. Importante recordar o clima de renovação na Igreja, as iniciativas positivas brotadas nos anos de preparação para o Concílio Vaticano II. Pe. Agostinho não era dado a cultivar saudades do passado, mas sim, assumir positivamente as indicações que vinham de Roma.

Ao serem informados de sua possível transferência, os que mais sentiram foram os moradores do Mont Serrat. Quase todos assinam o abaixo-assinado endereçado a Dom Afonso Niehues. Entre outras motivações, escrevem: “Há 14 anos a Comunidade de Mont Serrat vem sendo despertada, num trabalho silencioso, mas frutificador. Olhamos à nossa volta e vemos, com satisfação, nossa horta comunitária, a nossa rua sendo calçada, constatamos a presença de casas melhoradas, a juventude antes ociosa e hoje unida contribuir para o desenvolvimento da comunidade, uma casa para servir a comunidade com cursos, reuniões, recreação… Tudo isso é fruto do abnegado e incansável sacerdote Pe. Agostinho que agora poderia começar a gozar o resultado de tantos esforços, e a comunidade progredir cada vez mais”.

Concluem, lembrando que “sabedores que somos da generosidade de vosso coração, humildemente pedimos que não nos tire este sacerdote, permita-nos continuar orientados, ensinados e evangelizados por ele; não nos deixe desamparados e entregues à angústia da dúvida”. Dom Afonso aguardou um ano para a transferência (abaixo-assinado é de 1966).

Paróquia São João Batista, Itajaí, SC

Pe. Agostinho Staehelin – Empossado em São João Batista, Itajaí por Dom Afonso Niehues

Em 25 de fevereiro de 1968, veio sua primeira nomeação de pároco e de primeiro pároco de São João Batista, bairro São João de Itajaí. Dom Afonso Niehues, prevendo o crescimento da cidade, decidiu dividi-la em mais paróquias, adquirindo terrenos para as estruturas pastorais, que agora supunham a igreja matriz, o centro paroquial e catequético. Assim, neste mesmo ano de 1968 foram criadas as paróquias de São João, Cordeiros, Dom Bosco e Fazenda.

Pe. Agostinho arregaçou as mangas, entusiasmou o povo e em tempo relativamente breve construiu a paróquia do ponto de vista pastoral e material. Firmou-se como liderança inconteste na cidade de Itajaí, reunindo em torno de si as principais autoridades do município. Isso foi tão evidente que muita gente gostaria que ele se candidatasse a prefeito municipal. Formalizando esse convite, esteve na paróquia, em 24 de novembro de 1975, o Governador do Estado Antônio Carlos Konder Reis. Respondendo ao convite, dois dias depois escreveu a resposta: “Eu sempre ensinei que o padre deve desempenhar seu ministério e o leigo assumir a sua missão de cristão no mundo. E no mundo administrativo, político, técnico, etc. existem homens verdadeiramente carismáticos e não devo roubar-lhes estas lideranças”. Também escreveu a Dom Afonso, afirmando não ser essa sua intenção: queria, isso sim, formar lideranças leigas ativas e bem preparadas, queria estar à disposição dos pobres.

A paróquia de São João foi estruturada no espírito conciliar com a formação de catequistas e líderes renovados. Crianças, jovens e casais sentiam-se em casa na sede paroquial, e viviam a alegria de ter um pároco entusiasmado, com muitas iniciativas.

Inaugurou moderna igreja matriz em 8 de setembro de 1975. À sua fama de construtor e capacidade de trabalhar deveu-se o convite feito pelo episcopado catarinense em 1978: levantar as estruturas do Seminário Filosófico Catarinense – SEFISC que acolheria os seminaristas estudantes de filosofia das dioceses catarinenses. Cada diocese recebeu um pavilhão, e numa construção maior funcionava a casa central para as atividades comunitárias. Aceitou o compromisso e a cada semana dedicava dois dias à construção.

Sentia-se a falta de um movimento paroquial que congregasse os casais, oferecendo formação cristã e encontros de lazer. Para isso veio em boa hora a notícia da fundação, em Curitiba, de um movimento que se chamava de Irmãos. Monsenhor Bernardo José Krasinski, pároco de Nossa Senhora de Guadalupe, queria ter um grupo de casais para animar a vida paroquial. Para isso, propôs um fim de semana, de sexta a domingo, com formação espiritual e humana. A iniciativa teve tal sucesso, que todos os participantes continuaram a se encontrar e promoveram outros finais de semana. A paróquia adquiriu nova vida.

Alguns padres da arquidiocese de Florianópolis, sabendo disso, foram a Curitiba participar de um encontro e retornaram animados para introduzir o Movimento de Irmãos em suas paróquias. Entre eles se encontrava Pe. Agostinho, feliz por ter uma organização familiar em sua paróquia. A fundação na paróquia de São João foi em 1970 e, pouco a pouco atingiu quase toda a arquidiocese, revelando-se um instrumento útil na pastoral familiar e na vida paroquial.

Sua identificação com o bairro São João deu-lhe o título de “Cidadão Honorário de Itajaí”, aprovado pela Câmara Municipal em 27 de agosto de 1981, pelo grande trabalho que vem desenvolvendo junto à comunidade, participando ativamente de todas as iniciativas, discutindo periodicamente os problemas locais, tanto sociais quanto econômicos e religiosos da população. O vereador Nereu Tibúrcio Sestrem, orador, ressaltou “o largo alcance dos atos executados, que de há muito ultrapassaram as fronteiras do município e têm servido de referência a outros que se propõem a realizar tarefa semelhante”. Seu interesse estava voltado mais às causas da população mais carente ou socialmente marginalizada.

O afeto pelo bairro causou inclusive ciumeiras na comarca, onde os párocos reclamavam de suposto bairrismo e pediam que se integrasse mais no conjunto das outras paróquias.

Paróquia Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha do Menino Jesus, Estreito, SC

Após 12 anos de frutuoso ministério paroquial, fortalecido pelo afeto do povo, Pe. Agostinho foi transferido para o Estreito, Paróquia de Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha do Menino Jesus, em 14 de fevereiro de 1982. Como Dom Afonso estava em Itaici, na Assembleia Geral da CNBB, a posse dada presidida por Dom Gregório Warmeling, bispo de Joinville e grande amigo. Sucedia a Pe. Quinto Davide Baldessar, vigário colado e que aceitou ser pároco de Nossa Senhora da Glória, no Balneário do Estreito, criada em 7 de fevereiro do mesmo ano. Pe. Agostinho detinha as qualidades para agir num ambiente conflitivo e dividido por alguns desencontros entre os sacerdotes que ali trabalhavam.

Desde a criação da Paróquia em 1944, em diversas ocasiões, encontra-se no Livro de Tombo a denominação de Santuário, ao referir-se à igreja matriz. Esta aspiração da Comunidade foi concretizada ao se comemorar o 70º aniversário das aparições de Nossa Senhora, em Fátima, Portugal. Atendendo a um pedido expresso, devidamente fundamentado, feito pelos Padres da Comarca do Estreito, no dia 12 de outubro de 1987, em solene Missa Campal presidida pelo Sr. Arcebispo Metropolitano Dom Afonso Niehues, foi solenemente assinado o Decreto que conferia à Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima a dignidade de Santuário. Segundo o mesmo Decreto, permanecia inalterado o título da Paróquia: Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha do Menino Jesus e o seu Pároco exerceria, cumulativamente, as funções de Reitor do dito Santuário.

Mons. Agostinho foi sempre um apaixonado pelos Meios de Comunicação Social. Achava que a Igreja tinha perdido muito, se preocupando mais com construções do que em investir em Jornal, rádio e TV.

No início de seu ministério na Paróquia da Catedral de Florianópolis, mantinha um programa diário na Rádio Anita Garibaldi. Numa ocasião alguém lhe falou que a rádio estava à venda. Começou a preocupar-se com o assunto e deixou avisado: “Sou o primeiro pretendente em caso de venda”. E elaborou um projeto de como angariar fundos para a aquisição. Para surpresa sua, numa ausência de oito dias, participando de um encontro, leu no jornal que a rádio tinha mudado de proprietário. Alguém chegou primeiro.

Na década de 50, entrou com processo no Ministérios das Comunicações para adquirir um canal que estava lacrado em Florianópolis. Apesar dos apoios que tinha, um deputado conseguiu a emissora. O mesmo sucedeu em outra ocasião. Vibrou quando foi nomeado para a Paróquia do Estreito, em 1982, pois essa era proprietária da Rádio Jornal a Verdade. Mas, já fora vendida.

Nunca arrefeceu nesse entusiasmo. Participou de congressos, cursos e encontros, inclusive promovendo cursos no Regional da Sul-IV, quando representava o Clero na Comissão Nacional do Clero – CNC.

Com o apoio do Serra Clube, dirigiu “A Voz do Estreito”, jornal paroquial mensal com tiragem de 4.000 exemplares.

Para garantir o financiamento dos programas de Comunicação, em 1987 fundou a Associação Mensageiros do Evangelho – AME, constituída por benfeitores que colaboravam mensalmente através de carnê. A AME manteve financeiramente a Missa na TV, que ele coordenou por 29 anos, a cada domingo redigindo o script e preparando o cenário da celebração. Esteve presente na fundação do Jornal da Arquidiocese, em 1996, encarregando-se da procura de patrocinadores.

Tudo isso foi realizado com muita alegria, não obstante a idade que avançava. Monsenhor acreditava nos MCS. Comentário no A VOZ DO ESTREITO: “Dotado de impressionante capacidade física, trabalha desde as primeiras horas do dia até altas horas da noite, sempre disposto e alegre”.

Em 1987 acumulou os trabalhos com a nomeação para administrador paroquial de São Judas Tadeu, em Barreiros, por terem deixado a paróquia os Padres dos Sagrados Corações.

Paróquia dos Sagrados Corações, Barreiros, São José

A paróquia dos Sagrados Corações de Barreiros, São José foi criada em 1960 e confiada aos padres da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, na maioria holandeses. Apostólicos, realizaram um imenso trabalho social e religioso, cujos frutos mais visíveis são a nova igreja matriz e a dinâmica Ação Social, sem contar os cursos profissionalizantes e o acréscimo do patrimônio material. Pe. Justino Corstjens SS.CC. foi a alma dinâmica que transformou um bairro desorganizado com pouca fama e muita pobreza, num exemplo de organização humana, religiosa e social.

Após 28 anos de generoso ministério, Pe. Justino teve de seguir adiante, pois sua Congregação religiosa carecia de padres.

Assim, em 8 de janeiro de 1989, Pe. Agostinho aceitou a transferência para essa paróquia, conservando o dinamismo revelado em Itajaí, claro que num novo ambiente humano e urbano. Percebendo o crescimento do bairro, sentindo a pouca atenção dada pelo poder municipal de São José, encabeçou um movimento para a criação de novo município, mas que não vingou.

Recordando o tempo em que trabalhava com farinha no engenho de seu pai que um dia lhe disse que “a farinha de Barreiros era melhor” do que a produzida por ele, introduziu a Festa da Farinha de Barreiros que foi bem recebida até o dia em que uma briga provocou morte, e foi suspensa.

Numa área apropriada, os padres holandeses tinham erguido um prédio para servir de Seminário, com o nome de Instituto São José. Pela reduzida procura de seminaristas, passou a funcionar como centro paroquial e, em seguida, casa de formação. Carente de um centro de formação, a arquidiocese se interessou em utilisá-lo. Deste modo, em 1993 Dom Eusébio Oscar Scheid, SCJ instalou nele o Seminário Propedêutico fundado em 27 de dezembro de 1993, nomeando Pe. Agostinho seu primeiro Reitor. Mesmo com sua dedicação e bondade com os seminaristas não conseguiu levar a obra adiante, e em 1995 foi transferido para Azambuja. O Instituto São José continuou ocupado pela Arquidiocese, especialmente para os encontros do Movimento de Irmãos. O edifício foi devolvido à Congregação.

Em 1993, Pe. Agostinho sofreu muito da coluna e submeteu-se a delicada cirurgia no Hospital de Caridade.

Em 28 de dezembro de 1995, foi nomeado pároco da Paróquia São Judas Tadeu, Barreiros, São José , SC, também fundação dos padres holandeses. Em 22 de dezembro de 1997, passou a Vigário paroquial da mesma Paróquia.

Associação Padre Augusto Zucco – APAZ

Em 7 de julho de 1998 passou a vigário paroquial do Santuário do Estreito e ao mesmo tempo foi nomeado Auxiliar na Formação do Seminário Propedêutico, instalado nessa paróquia.

No âmbito arquidiocesano foi membro do Colégio dos Consultores e do Conselho Presbiteral.

Padre Agostinho Staehelin

Pe. Agostinho foi entusiasta na promoção da unidade dos padres e no apoio a instituições que a alimentassem.  Não faltava a reuniões e encontros. Assim, na reunião da Diretoria da Comissão Regional do Clero, em Rio do Sul, foi eleito seu presidente. Presidiu a Comissão Regional do Clero por 10 anos, representando o Regional Sul IV da CNBB na Comissão Nacional do Clero. Como presidente desta Comissão ajudou a organizar o primeiro encontro nacional do clero do Brasil, e promoveu o primeiro encontro de padres de SC em Lages.

Era um tema que muito lhe tocava o coração, sentindo dolorosamente a desistência e desânimo de sacerdotes. Sofrera a experiência da desistência do ministério de seu sobrinho Pe. José Ênio Triervailer (1945-2014).

Outro tema que o ocupava era o sustento e o acompanhamento do padre idoso. Além disso, não seria oportuno adquirir um terreno e casa para encontros de lazer, especialmente às segundas-feiras?

Um grupo de padres, liderados por Pe. Agostinho (e Pes. Sérgio Maykot, Francisco de Assis Wloch, Luiz Carlos Rodrigues), fundou a “Associação Padre Augusto Zucco – APAZ”. Foi adquirida área significativa de terreno, na qual se construiu um galpão para jogos. Os padres interessados ali se reúnem às segundas-feiras para confraternização. Ali, na casa dos antigos proprietários, fixaram residência Dom Vito Schlickmann, bispo auxiliar emérito, Pe. Huberto Waterkemper e Mons. Agostinho.

Em 24 de janeiro de 1995, por solicitação de Dom Eusébio O. Scheid, SCJ recebeu do papa São João Paulo II o título de Monsenhor Camareiro Secreto. Com ele foram agraciados também Pe. Afonso Emmendoerfer e Pe. Francisco de Sales Bianchini.

Fundação da ACJ – Associação Cecília e João

Em 18 de dezembro de 1990, seu irmão Pe. Valdir Staehelin festejava os 25 anos de sacerdócio. Mons. Agostinho assumiu os preparos e as despesas. Enviou convite personalizado a todos os descendentes de seus pais, que responderam positivamente, comparecendo 345 pessoas. Depois da Missa, no salão de festas da paróquia de São Pedro, percebeu que os sobrinhos não se conheciam, e alguns, nem aos tios. Após o almoço, chamou pela idade os 15 irmãos, e pediu que fossem ao palco e se apresentassem.

Ao final, propôs a formação de uma Associação, ideia aplaudida e logo executada com a eleição do sobrinho Luiz Roque Schmitt como presidente. Foi o nascimento da ACJ, Associação Cecília e João. Concretizava seu amor pela família e o declarou numa mensagem aos paroquianos durante internação no Hospital de Caridade: “Sou um Padre feliz!”, e sou ainda muito mais por pertencer a esta família”.

Rumo ao encontro final

Chega o dia em que as forças físicas mostram o preço e Monsenhor decidiu retirar-se do trabalho paroquial. Era o ano 2001, e passou a residir na Associação Padre Augusto Zucco – APAZ. Recebia com alegria a todos os sacerdotes que ali passavam às segundas-feiras. Em 03 de outubro foi nomeado Vigário paroquial da Paróquia Santa Cruz, no bairro Areias, São José, SC e Coordenador da AME – SC.

Dedicou-se a arquivar alguns de seus sermões, palestras, discursos. Com esse material, em fevereiro de 2009 editou e publicou HISTÓRIAS DE MINHA VIDA.  Também publicou MOMENTOS DE INSPIRAÇÃO, HISTÓRIA DA FAMÍLIA STAEHELIN, COMENTÁRIOS DA MISSA DA TV.

Em 20 de dezembro de 2016 recebeu diagnóstico médico de tratamento por D. de Alzheimer, forma avançada. Sofria severas perdas cognitivas, com prejuízo da crítica, com riscos para si e para terceiros. O médico solicitou que recebesse atendimento individualizado.

Devido à necessidade de um acompanhamento maior e mais qualificado, em fevereiro de 2018 foi transferido para o Centro geriátrico Lar São Francisco de Assis, na Varginha, Santo Amaro da Imperatriz.

Faleceu no domingo em 20 de maio de 2018, na Clínica Saint Patrick, em Florianópolis. O velório foi mesmo dia, na casa de sua irmã Mônica, em Boa Parada, São Pedro de Alcântara. A Missa de Exéquias foi celebrada na igreja Matriz de São Pedro, onde tinha sido batizado, feito a primeira Eucaristia e servido de coroinha.

O arcebispo Dom Wilson Tadeu Jönck, SCJ comunicou o falecimento ao clero e ao povo: “Rendemos nossa gratidão à Trindade Santa, pela vida e ministério do Reverendíssimo Mons. Agostinho Staehelin, e suplicamos ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo, que receba este sacerdote honroso na eternidade feliz, onde a Igreja, Esposa do Cordeiro, eternamente celebrará a vitória sobre a morte.”

Mons. Agostinho Staehelin foi sepultado no túmulo de seus pais, conforme pedira. De sua família de 16 irmãos, foi precedido por 6 irmãos e 4 irmãs.


Bibliografia

  • Pasta de documentos pessoais no Arquivo Histórico Eclesiástico de Florianópolis.
  • Staehelin, Monsenhor Agostinho.  HISTÓRIAS DE MINHA VIDA. São José, 400 páginas.
  • Livro de Tombo das paróquias onde trabalhou.
  • Arquivo da APAZ.
  • Encontros pessoais e memórias.

Pe. José Artulino Besen

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  1. #1 por Carlos Martendal em 10 de setembro de 2018 - 15:55

    Caro Pe. José,

    Muito obrigado pelo belo escrito sobre Monsenhor Agostinho. Foi, de fato, um grandíssimo sacerdote. Deus seja louvado por vida tão digna e ativa a serviço do Reino!

    Peço-lhe a bênção e envio fraterno abraço,

    Carlos Martendal

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