VIVER NO ESPÍRITO, O EVANGELHO DA ALEGRIA

No Espírito, a alegria é sempre criativa

A Páscoa da Ressurreição é integrante da Páscoa de Pentecostes. Uma segue a outra e são inseparáveis, manifestam seu poder e beleza na Eucaristia. A unidade dos cristãos na celebração da Eucaristia manifesta a alegria que brota do Cristo vencedor da morte e que derrama o Espírito Santo para que a vida seja sempre renovada pela comunhão, libertada de estruturas caducas que aprisionam em recintos fechados. Não vive na sedução do passado, mas se projeta sempre no futuro, conduzido pela coragem derramada pelo Espírito.

Para aprofundar esse espírito, o Conselho Regional Missionário (COMIRE) promove dos dias 09 a 11 de junho de 2017na Paróquia São Francisco de Assis, em Palhoça, o VI Congresso Missionário Regional, abrangendo todas as dioceses catarinenses.

O encontro está em sintonia com a realização do 5º Congresso Missionário Americano (CAM 5), o Congresso Missionário Latino Americano (COMLA 10) e o 4º Congresso Missionário Nacional, em Recife, Pernambuco.

Com o tema – “A alegria do Evangelho, coração da missão profética, fonte de reconciliação e comunhão” – e o lema – “Santa Catarina em Missão. O Evangelho é Alegria” –, o encontro tem o objetivo geral de assumir a natureza missionária da Igreja, guiada pelo Espírito, a serviço do Reino, vivendo e testemunhando a alegria do Evangelho.

Alimentado por Cristo e tocado pela potência do Espírito, o cristão é impelido ao anúncio da  alegria do Evangelho: para a glória do Pai anuncia a renovação da comunidade, da criação, da vida. É súplica nossa que o Filho envie seu Espírito para que a terra seja renovada, o Evangelho seja boa nova, feliz notícia que nos faz experimentar a força da graça, o amor divino.

Viver, falar e agir como Jesus

O anúncio da alegria do Evangelho nos impele a superar a cultura do descarte, a formação de uma sociedade consumista, cuja prioridade máxima é o lucro a qualquer custo. Papa Francisco acentua como é inadmissível a prática de descartar produtos, neles incluindo a vida humana: os pobres, os imigrantes, os anciãos, as crianças não nascidas, as pessoas economicamente vulneráveis, os que não têm voz. Tudo pode ser descartado, o único critério a utilidade pessoal.

A cultura do descarte invade a mãe terra que nos nutre e sustenta e acaba sendo vítima da lógica do supérfluo, e assim se converte num imenso depósito de lixo, contamina o ar que respiramos, a água que bebemos, o solo de cultivo de nossos alimentos.

A própria juventude é descartada: em nome de um lucro sem limite, deixamos os jovens sem trabalho, sem possibilidade de crescimento e de vivência de seus dons. E o próprio jovem se auto descarta no consumo de drogas e no mergulho da violência.

A alegria do Evangelho nos faz perceber e denunciar a mundanidade como um mal de nosso tempo e que afeta os ambientes cristãos: culto do poder e da aparência – esquemas mundanos aos quais a sociedade moderna presta culto. É o fascínio pelo poder, a aparência, a superioridade, cujo culto traz apenas tristeza e escravidão. Fugir da consciência anestesiada e buscar a misericórdia, não substituir a beleza do olhar pela ilusão de sermos olhados.

Uma Igreja que anuncia a boa nova do Senhor é missionária e foge da autorreferencialidade acontece quando a Igreja se coloca no centro de si mesma, vive e age para si. Francisco afirma: a autorreferencialidade parece ser a prática de algumas pastorais, grupos e movimentos que promovem encontros, eventos, homenagens, shows e até missas para congregar as pessoas. Permanece isolada nos mesmos círculos de interesses, buscando passar momentos agradáveis que beiram o narcisismo. Isso é sedutor mas, devemos perguntar: toda essa bajulação contribui para a evangelização e para tornar mais conhecido e amado o projeto do Reino de Deus revelado por Jesus? Quem de fato ganha com tanto incenso?

Alguns meios de comunicação católicos também caem nessa emboscada. Como forma de incentivo para alavancar audiência, criam prêmios, indicam os merecedores da homenagem, selecionam os vencedores para, em seguida, produzirem a cerimônia de entrega dos troféus e se congratularem com palmas, fotos e louvores pelo feito. E são promovidos e anunciados, a alto peço, os padres-show, as missas-evento, os encontros espirituais com pregadores-show, emoções e novidades. Uma pena esse mergulho no reino da vaidade donde inclusive se espera farta colheita financeira. Onde fica o Senhor crucificado, despojado de toda glória?

A alegria do Evangelho é plena quando a Igreja sai de si, transforma-se em hospital de campanha e acolhe/recolhe os migrantes e os últimos da sociedade. Então poderemos contemplar o Senhor rodeado pelos doentes, pobres, famintos, desempregados, pecadores, viciados, inaugurando a cada dia o reino da alegria porque reino da misericórdia. São eles a causa da encarnação, da ressurreição, do pentecostes e com eles construiremos um novo céu e uma nova terra.


Pe. José Artulino Besen

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  1. #1 por Diác. João Flávio Vendruscolo em 3 de junho de 2017 - 18:05

    Tb tenho observado coisas que nem sempre são as que merecem ser imitadas… Gostei de ler suas reflexões!
    Boa noite!
    Diác. João Flávio

  2. #2 por Ademar Arcângelo Cirimbelli em 3 de junho de 2017 - 22:37

    Obrigado, Padre José, por mais esta profunda reflexão sobre Pentecostes. Tomei a liberdade de compartilhá-la com amigos do facebook.

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