JESUS DÁ VIDA ÀS NOSSAS MÃOS

Mãos dos Apóstolos (Aleijadinho - Congonhas)

Mãos dos Apóstolos (Aleijadinho – Congonhas)

Estava na sinagoga um homem com a mão direita atrofiada.
Jesus lhe disse: Levanta-te e fica aqui no meio. Estende a mão!
Ele o fez e a mão voltou ao estado normal (cf. Lc 6,6-11)

Simples e significativa esta cena do Evangelho. Apresentam a Jesus um homem com a mão ressequida. Jesus não cura logo a mão. Primeiro ordena: Levanta-te e fica aqui no meio! E depois: Estende a mão!

As mãos são símbolo e instrumento de realização humana. Com elas pegamos e produzimos os alimentos. Com as mãos seguramos uma criança, um deficiente, um doente. Com as mãos acariciamos a quem amamos. Com as mãos o artista realiza uma obra de arte, o poeta compõe uma poesia, o músico toca um instrumento. Com as mãos o lavrador semeia e colhe, o operário transforma a matéria-prima. Com as mãos nos defendemos do perigo, garantimos nossa segurança.

Triste quando as mãos ficam ressequidas: deixamos de viver. Renunciamos ao trabalho, à arte, ao carinho, à vida plena. Mãos ressequidas significam que caímos por terra, não acreditamos em nós, na vida, na alegria de existir. Passamos a viver como derrotados, não acreditando em nós.

Mas, não adianta termos mãos perfeitas se não ficarmos de pé, não crermos em nós.

Por isso mesmo, a primeira atitude de Jesus é ordenar que nos levantemos, vençamos o desânimo, a covardia: Levanta-te e fica aqui no meio! Ordena olhar a vida e o mundo com confiança, coragem, não isolados, mas na companhia dos outros. Ter certeza de que somos capazes de quase tudo, ou então, que somos capazes de viver de verdade e não apenas ficar vivos. Existe muita gente que está viva, mas não vive. É o idoso que acha que já deu tudo e espera a morte. É o aposentado que renuncia às mãos, ficando satisfeito em sobreviver. É o jovem, o adulto que deixam os sentimentos ressecarem, renunciando ao amor, ao afeto, ao carinho, entregando-se ao lamento, ao choro, à decepção.

Muitas mãos perfeitas estão ressequidas, porque seus donos estão por terra, prostrados, desanimados, declarando-se derrotados. Conhecemos pessoas que perderam as mãos em acidentes, mas são exemplo de superação: treinam os pés para agirem em lugar das mãos. Admiramos cegos cheios de vida, caminhando com coragem, cuidando da casa, trabalhando como se os olhos não fizessem falta. Aqui recordo o maior escultor brasileiro, o Aleijadinho: com as mãos quase destruídas pela doença, pedia que nelas amarrassem o cinzel e assim cortava a pedra-sabão, dela extraindo imagens, flores, anjos, animais. E, por outro lado, conhecemos tantos, fisicamente perfeitos, mas que se declaram incapacitados, preferindo fazer do pessimismo a regra de vida. E esterilizam suas capacidades de viver bem e de fazer o bem.

Não vale cair na autojustificação de que, como não sei fazer bem, ou o melhor, deixo de fazer, pois a imperfeição é o grande dom da natureza que nos desafia a recriar, refazer. O combate da vida é o combate pela perfeição que não será alcançada e que sempre permanece combate. Essa expectativa sempre frustrada é o motor da vida e exercita nossas mãos para a arte da existência.

Jesus vem ao nosso encontro para trazer-nos salvação, restituir-nos o gosto pela vida, pela ação, pelo amor, pelo trabalho solidário. Ele oferece forças para que nós nos reergamos, confiemos em nós, valorizemos a vida, deixemos de lado qualquer sentimento de inutilidade, desânimo. Quer que nos levantemos e fiquemos de pé para olharmos a todos de frente.

Fazendo isso, estenderemos as mãos e elas recuperarão a vida, a agilidade, a capacidade de acolher, transformar, amar, viver. Nossa fé cristã não tem como finalidade que percamos o gosto pela vida, esperando a morte e a vida eterna. O contrário: sentindo-nos amados por Deus, amarmo-nos a nós mesmos, aos outros, ao mundo.

Pe. José Artulino Besen

  1. #1 por Joao Flavio em 4 de julho de 2016 - 11:54

    Obrigado e bom dia! Diác. João Flávio

  2. #2 por Maria Besen em 4 de julho de 2016 - 14:44

    Gostei muito deste artigo. Faça um sobre o SILENCIO. Um abraço e boa semana.

    ________________________________

    • #3 por José Artulino Besen em 5 de julho de 2016 - 17:25

      Maria, a qualquer hora aparecerá o tema do Silêncio. Um abraço.

  3. #4 por Rita de Cassia Martins Botelho em 4 de julho de 2016 - 18:42

    Padre o Senhor é um anjo enviado por Deus para deixar nossas vidas mais felizes com as suas publicações.

    • #5 por José Artulino Besen em 5 de julho de 2016 - 17:26

      Rita de Cássia, muito obrigado pelo incentivo. A cada um Deus dá um dom e uma tarefa.

  4. #6 por Ademar Arcângelo Cirimbelli em 4 de julho de 2016 - 21:20

    Parabéns pelos seus quarenta anos de Sacerdócio. Obrigado por oferecer este artigo que nos ensina a ter gosto pela vida.

    • #7 por José Artulino Besen em 5 de julho de 2016 - 17:28

      Ademar, muito obrigado pela lembrança. Reze pela minha perseverança.

  5. #8 por Joao Flavio em 5 de julho de 2016 - 14:14

    Muito interessante a sua reflexão! Realmente as mãos podem ser boas, fortes e construtoras do bem! Ou se mal usadas, podem causar tanto mal! Obrigado! Diác. João flávio

    • #9 por José Artulino Besen em 5 de julho de 2016 - 17:27

      Diác. João Flávio, muito obrigado pela sua presença nesse espaço.

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